{"id":120206,"date":"2025-10-21T11:35:08","date_gmt":"2025-10-21T11:35:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/120206\/"},"modified":"2025-10-21T11:35:08","modified_gmt":"2025-10-21T11:35:08","slug":"historias-de-roubos-de-arte-mona-lisa-uma-sanita-de-ouro-e-agora-as-joias-do-louvre-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/120206\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de roubos de arte: Mona Lisa, uma sanita de ouro e agora as j\u00f3ias do Louvre | Artes"},"content":{"rendered":"<p>O maior museu de arte do mundo, o Louvre, tem aproximadamente meio milh\u00e3o de objectos na sua colec\u00e7\u00e3o, com cerca de 30 mil em exposi\u00e7\u00e3o, e recebe, em m\u00e9dia, oito milh\u00f5es de visitantes por ano. \u00c9 um grande museu em qualquer escala, com muitas pessoas e objectos para vigiar. E os domingos s\u00e3o particularmente concorridos.<\/p>\n<p>Numa opera\u00e7\u00e3o bem concebida, quatro homens com coletes fluorescentes chegaram ao Louvre num cami\u00e3o de caixa aberta \u00e0s 9h30 de domingo. Rapidamente puseram m\u00e3os \u00e0 obra e ergueram uma escada extens\u00edvel at\u00e9 ao segundo andar. Subiram-na, cortaram uma janela, entraram na Galerie d&#8217;Apollon (Galeria de Apolo), e, brandindo ferramentas el\u00e9ctricas, serviram-se de nove objectos requintados.<\/p>\n<p>Os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/19\/culturaipsilon\/perguntaserespostas\/oito-pecas-roubadas-louvre-coroa-ladroes-deixaram-cair-2151398\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">objectos levados<\/a> eram as j\u00f3ias reais de Fran\u00e7a, anteriormente pertencentes \u00e0 imperatriz Eug\u00e9nie, esposa de Napole\u00e3o III e mecenas das artes.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que as coisas se complicam para os ladr\u00f5es: o que fazer com estes objectos de valor incalcul\u00e1vel? N\u00e3o os podem usar \u2014 s\u00e3o demasiado grandes e vistosos para passarem despercebidos \u2014 e n\u00e3o os podem vender legitimamente, uma vez que as imagens est\u00e3o por toda a Internet.<\/p>\n<p>O melhor cen\u00e1rio, do ponto de vista dos ladr\u00f5es, seria desfaz\u00ea-los, derreter os metais preciosos e vender as pedras preciosas separadamente.<\/p>\n<p>A coroa da imperatriz Eug\u00e9nia, que os autores do roubo levaram e deixaram cair quando fugiram em trotinetes de alta pot\u00eancia, cont\u00e9m oito \u00e1guias de ouro, 1354 diamantes de lapida\u00e7\u00e3o brilhante, 1336 diamantes de lapida\u00e7\u00e3o rosa e 56 esmeraldas. Em suma, trata-se de uma quantidade consider\u00e1vel de pedras preciosas para tentar vender.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Colar de esmeraldas do conjunto de Maria Lu\u00edsa, uma das pe\u00e7as roubadas&#13;<br \/>\nImagem do Museu do Louvre\/Jean-Gilles Berizzi                    &#13;<\/p>\n<p>O timing \u00e9 tudo<\/p>\n<p>Para o Louvre, qualquer assalto \u00e9 um duro golpe. P\u00f5e em causa a sua seguran\u00e7a, tanto electr\u00f3nica como humana. Havia cinco seguran\u00e7as por perto, que actuaram para proteger os visitantes, e os alarmes tocaram, mas o assalto foi conclu\u00eddo em sete minutos.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 crucial nos assaltos.<\/p>\n<p>Em 2019, uma sanita em ouro de 18 quilates intitulada America (2016), do artista Maurizio Cattelan, foi roubada do Pal\u00e1cio de Blenheim, em Inglaterra. Foi roubada em cinco minutos e meio. Pesava 98 quilos e estava a funcionar em pleno. Por outras palavras, os dois homens que a levaram (e que mais tarde foram apanhados e cumpriram penas de pris\u00e3o pelos seus crimes) trabalharam de forma r\u00e1pida e eficiente. Na altura do roubo, o ouro em barra estava avaliado em seis milh\u00f5es de d\u00f3lares australianos.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        America, de Maurizio Catellan&#13;<br \/>\nWikimedia                    &#13;<\/p>\n<p>O quadro de Van Gogh O Jardim do Presbit\u00e9rio de Nuenen na Primavera (1884) foi roubado do Museu Singer Laren, nos Pa\u00edses Baixos, durante o seu encerramento devido \u00e0 pandemia por covid-19, em 2020. Foi recuperado no final de 2023, ap\u00f3s uma investiga\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/10\/17\/culturaipsilon\/noticia\/indiana-jones-arte-recupera-seis-pinturas-roubadas-2067053\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">detective de arte neerland\u00eas<\/a> Arthur Brand.<\/p>\n<p>O roubo, em 2017, de dois quadros de Gottfried Lindauer do International Art Centre de Auckland demorou tamb\u00e9m apenas alguns minutos. Os ladr\u00f5es atacaram a janela da frente da casa de leil\u00f5es onde os quadros, avaliados em um milh\u00e3o de d\u00f3lares neozelandeses, estavam expostos. Os retratos foram recuperados cinco anos mais tarde atrav\u00e9s de um intermedi\u00e1rio, apenas com pequenos danos.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Recuperar o que foi roubado<\/p>\n<p>O quadro de Picasso A mulher que chora (1937), da National Gallery of Victoria, foi alvo de um roubo c\u00e9lebre pelos Terroristas Culturais Australianos, em 1986, apenas tendo sido dado como desaparecido dois dias depois.<\/p>\n<p>Recuperado pouco mais de duas semanas depois, o quadro foi deixado para ser recolhido pelos funcion\u00e1rios da galeria num cacifo na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Spencer Street. A motiva\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s do roubo foi chamar a aten\u00e7\u00e3o para a falta de apoio financeiro dado aos artistas vitorianos, e a verdadeira identidade dos ladr\u00f5es permanece um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em 1986, 26 pinturas de temas religiosos foram roubadas da galeria do Mosteiro Beneditino de New Norcia, na Austr\u00e1lia Ocidental.<\/p>\n<p>Os ladr\u00f5es eram maus planeadores: n\u00e3o tinham tido em conta que tr\u00eas homens e 26 quadros n\u00e3o cabiam numa Ford Falcon. Os quadros foram arrancados das molduras, ostensivamente esquartejados. Um deles foi completamente destru\u00eddo. Os ladr\u00f5es foram apanhados e acusados.<\/p>\n<p>O que acontece a seguir para o ladr\u00e3o?<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o de objectos roubados \u00e9 baixa. \u00c9 imposs\u00edvel estabelecer um n\u00famero, mas h\u00e1 quem diga que as recupera\u00e7\u00f5es de objectos de arte a n\u00edvel mundial podem ficar-se nos 10%.<\/p>\n<p>As pinturas s\u00e3o mais dif\u00edceis de vender \u2014 n\u00e3o se pode alterar o seu aspecto f\u00edsico ao ponto de n\u00e3o serem reconhecidas.<\/p>\n<p>No entanto, com objectos como a sanita de ouro ou as j\u00f3ias, os materiais preciosos e as pedras preciosas podem ser reutilizados. O tempo dir\u00e1 se as j\u00f3ias napole\u00f3nicas ser\u00e3o recuperadas.<\/p>\n<p>Nunca digas nunca. A Mona Lisa (1503), sem d\u00favida a principal atrac\u00e7\u00e3o do Louvre, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2011\/08\/21\/culturaipsilon\/noticia\/vicenzo-perugia-roubou-mona-lisa-ha-100-anos-e-sonhou-entregala-a-florenca-1508467\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">foi roubada em 1911<\/a> e recuperada dois anos mais tarde. O ladr\u00e3o, Vincenzo Peruggia, era um t\u00e9cnico de manuten\u00e7\u00e3o italiano que trabalhava no Louvre e foi apanhado a tentar vend\u00ea-la.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Mona Lisa no Museu do Louvre&#13;<br \/>\nREUTERS                    &#13;<\/p>\n<p>Este \u00faltimo roubo no Louvre p\u00f5e em evid\u00eancia a vulnerabilidade dos objectos das colec\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A ironia \u00e9 que muitas vezes s\u00e3o oferecidos a estas institui\u00e7\u00f5es para serem guardados.<\/p>\n<p>Aqueles que guardam os objectos recebem normalmente um sal\u00e1rio m\u00ednimo e, no entanto, t\u00eam a seu cargo uma enorme responsabilidade. Quando s\u00e3o feitos cortes or\u00e7amentais, \u00e9 frequente o pessoal de seguran\u00e7a ser reduzido \u2014 como foi o caso da Art Gallery of New South Wales, anunciado na semana passada.<\/p>\n<p>Os ladr\u00f5es de domingo sabiam o que queriam e porqu\u00ea. N\u00e3o conhecemos as suas motiva\u00e7\u00f5es. Sabemos que as j\u00f3ias roubadas fazem parte da hist\u00f3ria de Fran\u00e7a e s\u00e3o insubstitu\u00edveis. O seu roubo impede os visitantes de as verem individualmente, pela sua beleza e artesanato, bem como colectivamente, no contexto da hist\u00f3ria de Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas uma parte de mim n\u00e3o consegue deixar de pensar que os franceses gostavam de se servir de obras de arte e objectos preciosos que pertenciam a outros. Por isso, talvez se trate de um caso de d\u00e9j\u00e0 vu.<\/p>\n<p>Exclusivo P3\/The Conversation<br \/>Penelope Jackson \u00e9 investigadora na Escola de Servi\u00e7o Social e Artes da Universidade Charles Sturt, na Austr\u00e1lia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O maior museu de arte do mundo, o Louvre, tem aproximadamente meio milh\u00e3o de objectos na sua colec\u00e7\u00e3o,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":120207,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,1753,203,201,202,315,204,114,115,17544,534,542,6899,32,33],"class_list":{"0":"post-120206","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-artes","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-cultura","16":"tag-design","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-museus","20":"tag-p3","21":"tag-para-redes","22":"tag-pintura","23":"tag-portugal","24":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115411951457954551","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}