{"id":120530,"date":"2025-10-21T15:55:04","date_gmt":"2025-10-21T15:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/120530\/"},"modified":"2025-10-21T15:55:04","modified_gmt":"2025-10-21T15:55:04","slug":"prefacio-inedito-de-francisco-no-livro-de-pe-gutierrez-deus-nao-esquece-dos-pequenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/120530\/","title":{"rendered":"Pref\u00e1cio in\u00e9dito de Francisco no livro de Pe. Guti\u00e9rrez: Deus n\u00e3o esquece dos pequenos"},"content":{"rendered":"<p>O jornal vaticano &#8220;L&#8217;Osservatore Romano&#8221; publicou trechos do pref\u00e1cio in\u00e9dito do Papa Francisco ao livro \u201cVivir y pensar el Dios de los pobres\u201d, a \u00faltima obra do Pe. Gustavo Guti\u00e9rrez, publicada postumamente sob a curadoria de Leo Guardado. O peruano faleceu h\u00e1 quase um ano. O livro, traduzido do espanhol para o italiano por Marta Pescatori, foi publicado pela Editora Queriniana.<\/p>\n<p><b>L&#8217;Osservatore Romano<\/b><\/p>\n<p>Publicamos trechos do pref\u00e1cio do Papa Francisco ao livro \u201c<a href=\"https:\/\/cep.com.pe\/publicaciones\/vivir-y-pensar-el-dios-de-los-pobres\/\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\">Vivir y pensar el Dios de los pobres<\/a>\u201d (Viver e pensar o Deus dos pobres), a \u00faltima obra de Gustavo Guti\u00e9rrez (1928-2024) publicada postumamente sob curadoria de Leo Guardado. O livro, traduzido do espanhol para o italiano por Marta Pescatori, foi publicado pela Editora Queriniana (Brescia, 2025, 368 p\u00e1ginas, 42 euros).<\/p>\n<p>    <img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-original=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2024\/ottobre\/23\/WhatsApp-Image-2024-10-23-at-11.53.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Em foto de arquivo, o cardeal Barreto com o Pe. Gustavo Guti\u00e9rrez\" title=\"Em foto de arquivo, o cardeal Barreto com o Pe. Gustavo Guti\u00e9rrez\"\/><\/p>\n<p>\n   Em foto de arquivo, o cardeal Barreto com o Pe. Gustavo Guti\u00e9rrez\n  <\/p>\n<p>Gustavo Guti\u00e9rrez, durante a sua longa vida, foi um servo fiel de Deus e um amigo dos pobres. A sua teologia marcou a vida da Igreja e ainda \u00e9 atual, com um frescor que abre caminhos ao seguimento de Jesus. Alegramo-nos com a publica\u00e7\u00e3o deste livro, Viver e pensar o Deus dos pobres. Com a sua morte, eu disse: \u201choje penso em Gustavo, Gustavo Guti\u00e9rrez. Um grande, um homem de Igreja que soube calar quando devia calar, que soube sofrer quando devia sofrer e que soube dar tantos frutos apost\u00f3licos e uma teologia t\u00e3o rica\u201d. Neste \u00faltimo livro, Gustavo nos presenteia mais uma vez com o fruto do seu empenho, da sua ora\u00e7\u00e3o e da sua reflex\u00e3o. Quero destacar nessas p\u00e1ginas a profunda e permanente fidelidade \u00e0 Igreja em seu caminho. Uma fidelidade vivida com humildade, \u00e0s vezes com dor e, fundamentalmente, com liberdade. J\u00e1 nos Anos 60, as inquieta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas de Gustavo estavam gradualmente emergindo atrav\u00e9s da sua hist\u00f3ria pessoal, dos seus estudos e do seu trabalho pastoral.<\/p>\n<p>Uma nova era se iniciou com aquele imenso sopro do Esp\u00edrito que foi o Conc\u00edlio Vaticano II, em cuja quarta sess\u00e3o acompanhou, como jovem te\u00f3logo, o cardeal Juan Land\u00e1zuri Ricketts, arcebispo de Lima. O impulso conciliar e os textos que o expressavam ofereceram um terreno s\u00f3lido sobre o qual se basear e horizontes abertos para reorientar o trabalho pastoral a partir da realidade de um territ\u00f3rio como a Am\u00e9rica Latina. Muitos grupos crist\u00e3os estavam vivendo desafios, questionamentos e esperan\u00e7as que derivavam do forte clamor dos pobres e do crescente compromisso com este mundo. \u201cA irrup\u00e7\u00e3o dos pobres\u201d, como Gustavo a chama, exigia justi\u00e7a e uma outra maneira de viver a f\u00e9, de pensar a f\u00e9, de dizer a f\u00e9, em suma, de ser Igreja. Gustavo frequentemente lembrava, oralmente e por escrito, a frase de Jo\u00e3o XXIII de 11 de setembro de 1962, um m\u00eas antes da inaugura\u00e7\u00e3o do conc\u00edlio: \u201ca Igreja se apresenta como \u00e9 e quer ser, como a Igreja de todos e, particularmente, a Igreja dos pobres\u201d; e tamb\u00e9m, j\u00e1 na sala conciliar, a insist\u00eancia na mesma linha do cardeal Giacomo Lercaro. A evolu\u00e7\u00e3o do conc\u00edlio ofereceu modelos fundamentais nessa perspectiva, mas, no final, esse sonho de uma Igreja dos pobres permaneceu um horizonte a ser alcan\u00e7ado. O Pacto das Catacumbas, assinado por um grupo de padres conciliares, muitos dos quais latino-americanos, assumiu essa orienta\u00e7\u00e3o espiritual, teol\u00f3gica e pastoral. A Igreja na Am\u00e9rica Latina abriu os bra\u00e7os\u00a0ao conc\u00edlio de maneiras diferentes, mas \u00e9 muito claro que em todos os pa\u00edses e em todos os \u00e2mbitos eclesiais houve pessoas e grupos \u2014 de leigos, religiosos, presb\u00edteros e bispos \u2014 que acolheram a letra e o esp\u00edrito do Vaticano II com entusiasmo e dedica\u00e7\u00e3o. Uma prova v\u00e1lida disso \u00e9 a II Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano (Medell\u00edn, 1968), com S\u00e3o Paulo VI que pisou nessas terras.<\/p>\n<p>Entre aqueles que prepararam e acompanharam Medell\u00edn estava Gustavo, que trabalhava dia e noite. Gustavo, outros te\u00f3logos e pastores e muitos bispos, j\u00e1 em esp\u00edrito sinodal, teceram em torno daquela experi\u00eancia eclesial uma rede de confian\u00e7a e amizade que favoreceu decis\u00f5es pastorais, documentos e reflex\u00f5es teol\u00f3gicas: eles marcaram, e continuam marcando, a identidade eclesial da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Na III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em 1979, o nosso querido Gustavo esteve muito presente tanto nos debates anteriores quanto durante o desenrolar da confer\u00eancia na cidade de Puebla, no M\u00e9xico. Gustavo manteve uma clara linha de continuidade com Medell\u00edn, muito atento \u00e0 realidade social e eclesial, lembrando sempre que a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 evangelicamente central entre as antigas e novas pobrezas. (&#8230;) Somente com os rostos dos pobres no centro encontraremos um terreno comum sobre o qual nos reconhecermos mutuamente na Igreja, no encontro com as culturas em que se desenvolve nossa vida de f\u00e9, no cuidado da cria\u00e7\u00e3o\u00a0e no di\u00e1logo ecum\u00eanico e interreligioso. Toda a reflex\u00e3o de Gustavo nos chamou a estar atentos \u00e0s ineg\u00e1veis mudan\u00e7as do nosso tempo, muitas das quais positivas para a humanidade, at\u00e9 mesmo fascinantes, mas que tantas vezes escondem ou mascaram o que h\u00e1 de mais cruel e desumano em nossa realidade universal.<\/p>\n<p>A sua pergunta constante, \u201cComo podemos falar de Deus a partir do sofrimento do inocente?\u201d, continua sendo premente para os crentes diante do poder da injusti\u00e7a e da mentira. Os pontos centrais da sua teologia querem estar presentes onde a marca de Deus parece ter sido apagada na atmosfera cultural. Enraizada na liberta\u00e7\u00e3o que Cristo nos oferece, a sua teologia afirma a gratuidade do amor de Deus que nos envolve na hist\u00f3ria. A teologia de Gustavo permanece na Igreja n\u00e3o como um belo tesouro do passado, mas como aquele \u201csegundo ato\u201d, uma tarefa sempre aberta, para pensar a nossa experi\u00eancia vivida de Deus; uma experi\u00eancia j\u00e1 iniciada e experimentada justamente ali onde nos tornamos pr\u00f3ximos dos feridos, abandonados \u00e0 beira da estrada, e de onde tentamos dizer com humildade, com terna convic\u00e7\u00e3o, aos mais pobres e a todos: \u201cDeus te ama\u201d. Gustavo nos deu as ferramentas teol\u00f3gicas indispens\u00e1veis para que nunca nos esquec\u00eassemos dos pobres. Neste \u00faltimo livro, ele deixa muito claro que lembrar-se dos pobres significa muito mais do que uma coleta; n\u00e3o \u00e9 um acr\u00e9scimo piedoso. Como ensina Paulo, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da mensagem\u00a0(2 Cor\u00edntios 8\u20139). Em conson\u00e2ncia com este texto, conv\u00e9m evocar as palavras de uma pessoa muito querida a Gustavo, Bartolom\u00e9 de Las Casas: \u00abDe cada um dos pequenos e mais esquecidos, Deus guarda uma recorda\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima e viva\u00bb. A partir daqui, o Reino que Jesus anuncia abra\u00e7a toda a cria\u00e7\u00e3o, cada ser humano e realidade humana, em todos os tempos e lugares. Este \u00e9 o Deus de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O jornal vaticano &#8220;L&#8217;Osservatore Romano&#8221; publicou trechos do pref\u00e1cio in\u00e9dito do Papa Francisco ao livro \u201cVivir y pensar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":120531,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,545,27968,170,12634,32,33,4629],"class_list":{"0":"post-120530","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-igreja-catolica","12":"tag-l-osservatore-romano","13":"tag-livros","14":"tag-papa-francisco","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-santa-se"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115412973939720349","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}