{"id":121284,"date":"2025-10-22T02:18:21","date_gmt":"2025-10-22T02:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121284\/"},"modified":"2025-10-22T02:18:21","modified_gmt":"2025-10-22T02:18:21","slug":"exportadores-chineses-mais-do-que-compensam-os-efeitos-da-guerra-comercial-iniciada-por-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121284\/","title":{"rendered":"Exportadores chineses mais do que compensam os efeitos da guerra comercial iniciada por Trump"},"content":{"rendered":"<p>A economia chinesa, que por vezes disputa com os Estados Unidos (EUA) o lugar de maior do mundo, registou um ligeiro abrandamento no terceiro trimestre, mas os analistas consideram que a atividade geral at\u00e9 est\u00e1 a correr melhor que o esperado e que a China est\u00e1 a conseguir, ao n\u00edvel do seu gigantesco sector exportador, &#8220;mais do que compensar&#8221; os efeitos destrutivos da guerra comercial decretada pelo Presidente dos EUA em mar\u00e7o deste ano porque, diz um novo estudo, est\u00e1 a vender muito mais para outras regi\u00f5es do globo, designadamente para os vizinhos asi\u00e1ticos, \u00c1frica e Europa.<\/p>\n<p>A taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga da economia chinesa &#8220;caiu ligeiramente para 4,8% (vs. 5,2% no trimestre anterior), o valor mais baixo do \u00faltimo ano&#8221;, no entanto, &#8220;a economia chinesa continua a mostrar robustez e conseguiu manter uma taxa de crescimento anualizada de 4,5% nos primeiros tr\u00eas trimestres do ano&#8221;, sendo que o crescimento registado neste trimestre (os referidos 4,8%) at\u00e9 ficou &#8220;ligeiramente acima das expectativas do consenso dos analistas&#8221;, que apontavam para 4,7%, indica um estudo do Banco BPI, divulgado esta segunda-feira.<\/p>\n<p>O BPI Research refere que se assiste a &#8220;uma reacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es chinesas, que registaram um crescimento hom\u00f3logo de 8,3% em setembro (vs. 4,3% em agosto), constituindo o ritmo de crescimento mais acelerado desde mar\u00e7o, quando a economia global antecipava as tarifas americanas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Embora as exporta\u00e7\u00f5es para os EUA continuem a cair de forma significativa (-27% em setembro; -16,9% no acumulado do ano), o impacto \u00e9 <strong>mais do que compensado por aumentos significativos nos fluxos de exporta\u00e7\u00e3o para outros destinos<\/strong>.&#8221;<\/p>\n<p>A lista de mercados externos em forte expans\u00e3o \u00e9 grande. Segundo o gabinete de estudos do BPI, &#8220;entre janeiro e setembro, as exporta\u00e7\u00f5es para o Vietname (um dos principais parceiros comerciais da China e uma plataforma fundamental para redirecionar os fluxos comerciais) cresceram 22,3% (vs. 17,6% em 2024)&#8221;.<\/p>\n<p>A par disso, as exporta\u00e7\u00f5es para os pa\u00edses da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (ASEAN, composta por Brunei, Camboja, Indon\u00e9sia, Laos, Mal\u00e1sia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tail\u00e2ndia e Vietname) &#8220;cresceram 14,7% (vs. 12% em 2024), tendo ainda crescido 12,9% para a \u00cdndia (vs. 2,4% em 2024)&#8221;.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es chinesas &#8220;tamb\u00e9m recuperaram em setembro (7,5% em termos hom\u00f3logos vs. 1,3% anteriormente), aumento esse explicado, em parte, pela acumula\u00e7\u00e3o de stocks, com acelera\u00e7\u00f5es substanciais nas importa\u00e7\u00f5es de chips e de diversas mat\u00e9rias-primas&#8221;, refere a mesma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Recorde-se que estes dados mais recentes da presta\u00e7\u00e3o da economia chinesa surgem num momento decisivo do planeamento econ\u00f3mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As autoridades de topo da China \u2013 o plen\u00e1rio do Comit\u00e9 Central do Partido Comunista Chin\u00eas decorre entre 20 e 23 de outubro, em Pequim \u2013 devem anunciar na quarta-feira as diretrizes e metas para a economia e o pa\u00eds no novo plano quinquenal para o per\u00edodo 2026-2030, do qual ser\u00e1 revelado um primeiro sum\u00e1rio.<\/p>\n<p>Arrefecimento interno generalizado<\/p>\n<p>Como referido, o sucesso do sector exportador tamb\u00e9m est\u00e1 a compensar o arrefecimento da economia interna chinesa, um fen\u00f3meno que j\u00e1 vem de alguns anos a esta parte, mesmo antes da batalha das tarifas.<\/p>\n<p>Os economistas do BPI referem que &#8220;os indicadores de atividade revelam uma desacelera\u00e7\u00e3o no terceiro trimestre, embora com nuances&#8221;.<\/p>\n<p>No <strong>consumo das fam\u00edlias<\/strong>, &#8220;observou-se uma desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento&#8221;, confirmando &#8220;o impacto do consumo interno no crescimento do PIB chin\u00eas na segunda metade do ano, explicado pelo esgotamento progressivo do \u00edmpeto do programa de incentivos fiscais \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de bens de consumo duradouros&#8221;.<\/p>\n<p>No <strong>investimento<\/strong>, h\u00e1 um abrandamento que chega a ser &#8220;significativo&#8221; nas \u00e1reas urbanas. Os problemas manifestam-se tanto no sector residencial como no industrial, &#8220;refletindo uma crise imobili\u00e1ria perene e um excesso de capacidade persistente no setor da ind\u00fastria transformadora&#8221;, diz o BPI.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, o gabinete de estudos considera que &#8220;apesar da tr\u00e9gua comercial negociada at\u00e9 novembro, as tarifas impostas pelos EUA \u00e0s importa\u00e7\u00f5es provenientes da China mant\u00eam-se em n\u00edveis historicamente elevados, com uma tarifa m\u00e9dia efetiva pr\u00f3xima dos 40% (vs. cerca de 15% no final de 2024), considerando as isen\u00e7\u00f5es e taxas setoriais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Desacoplamento r\u00edgido&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s uma escalada que come\u00e7ou sob o pretexto da crise do fentanil e que culminou na sequ\u00eancia de contramedidas tarif\u00e1rias anunciadas ap\u00f3s o Dia da Liberta\u00e7\u00e3o [nome de batismo dado por Trump], as negocia\u00e7\u00f5es empreendidas entre os dois pa\u00edses parecem ter evitado um cen\u00e1rio de desacoplamento r\u00edgido, embora os \u00faltimos epis\u00f3dios de amea\u00e7as m\u00fatuas e novas restri\u00e7\u00f5es confirmem que os riscos de uma nova escalada protecionista continuam a ser consider\u00e1veis&#8221;, indica o estudo.<\/p>\n<p>Segundo os mesmos analistas, &#8220;embora os \u00faltimos meses tenham sido prof\u00edcuos em reuni\u00f5es bilaterais (em Genebra, Londres, Estocolmo e Madrid), a miss\u00e3o de estabilizar as rela\u00e7\u00f5es entre as duas pot\u00eancias continua complicada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O progresso tem sido limitado (em Madrid, as negocia\u00e7\u00f5es parecem ter-se limitado \u00e0 venda da filial americana da aplica\u00e7\u00e3o TikTok), e ambos os pa\u00edses continuam a testar os pontos fracos do seu rival.&#8221;<\/p>\n<p>A China continua na ofensiva mediante &#8220;o controlo dos fluxos globais de mat\u00e9rias-primas cr\u00edticas (por exemplo, as terras raras) e \u00e0 sua capacidade de restringir os fluxos de importa\u00e7\u00e3o (no caso da soja)&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 os EUA, exercem poder sobre os chineses com &#8220;o seu dom\u00ednio em tecnologias-chave, particularmente software, e \u00e0 sua capacidade de mobilizar terceiros pa\u00edses na conten\u00e7\u00e3o da China (mais recentemente no caso do M\u00e9xico, ou os controlos de exporta\u00e7\u00e3o impostos \u00e0s cadeias de valor de chips avan\u00e7ados, em 2022-2023)&#8221;, observa a mesma an\u00e1lise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A economia chinesa, que por vezes disputa com os Estados Unidos (EUA) o lugar de maior do mundo,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":121285,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,358,92,89,90,7618,8376,93,2871,32,33],"class_list":{"0":"post-121284","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-china","10":"tag-donald-trump","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-estados-unidos-da-america","14":"tag-exportacoes","15":"tag-guerra-comercial","16":"tag-importacoes","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115415423597361869","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/121285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}