{"id":121790,"date":"2025-10-22T14:33:10","date_gmt":"2025-10-22T14:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121790\/"},"modified":"2025-10-22T14:33:10","modified_gmt":"2025-10-22T14:33:10","slug":"eua-estao-a-falir-de-forma-lenta-e-divida-federal-vai-explodir-avisa-jp-morgan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121790\/","title":{"rendered":"EUA est\u00e3o a &#8220;falir de forma lenta&#8221; e d\u00edvida federal &#8220;vai explodir&#8221;, avisa JP Morgan"},"content":{"rendered":"<p>        \u201cA pergunta que mais me fazem investidores e consultores financeiros \u00e9 quando \u00e9 que a d\u00edvida federal [norte-americana] vai explodir na cara de todos n\u00f3s. A minha resposta habitual \u00e9 que, embora estejamos a falir, estamos a falir lentamente. [\u2026] O facto de, ainda hoje, o governo americano poder pedir dinheiro emprestado durante 30 anos a um rendimento de apenas 4,6% demonstra a convic\u00e7\u00e3o de que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para o governo contrair mais empr\u00e9stimos\u201d, diz o JP Morgan.    <\/p>\n<p>O chefe de estrat\u00e9gia global do JP Morgan Asset Management, num artigo publicado na semana passada, defende que os Estados Unidos \u201cest\u00e3o a falir\u201d embora isso esteja a acontecer de \u201cforma lenta\u201d. David Kelly refere que esta \u00e9 a consequ\u00eancia da crescente d\u00edvida federal norte-americana e dos constantes aumentos do d\u00e9fice, algo que deve continuar nos pr\u00f3ximos anos fiscais.<\/p>\n<p>\u201cA pergunta que mais me fazem investidores e consultores financeiros \u00e9 quando \u00e9 que a d\u00edvida federal [norte-americana] vai explodir na cara de todos n\u00f3s. A minha resposta habitual \u00e9 que, embora estejamos a falir, estamos a falir lentamente. Os mercados obrigacionistas globais est\u00e3o muito bem cientes da trajet\u00f3ria da d\u00edvida americana. O facto de, ainda hoje, o governo americano poder pedir dinheiro emprestado durante 30 anos a um rendimento de apenas 4,6% demonstra a convic\u00e7\u00e3o de que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para o governo contrair mais empr\u00e9stimos\u201d, diz David Kelly.<\/p>\n<p>O estrategista considera que \u201cexiste o perigo\u201d de as escolhas pol\u00edticas conduzirem a uma \u201cdeteriora\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida\u201d das finan\u00e7as federais, levando a um recuo das taxas de juro a longo prazo e a um d\u00f3lar mais baixo. \u201cCom base apenas nas aloca\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es atuais, muitos investidores provavelmente considerariam diversificar os seus portef\u00f3lios adicionando ativos alternativos e a\u00e7\u00f5es internacionais. O risco de passarmos de uma fal\u00eancia lenta para uma fal\u00eancia r\u00e1pida \u00e9 um motivo importante para tomar esta decis\u00e3o hoje\u201d, defende David Kelly.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9fice beneficiou de efeito artificial<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em conta dos dados do Gabinete de Or\u00e7amento do Congresso norte-americano David Kelly salienta que o\u00a0d\u00e9fice [norte-americano], de 1.809 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), \u201cparece uma ligeira melhoria\u201d face aos 1.817 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou 6,3% do PIB, do ano fiscal de 2024.<\/p>\n<p>\u201cIsto deve-se principalmente ao facto de que o valor do ano fiscal de 2024 teria sido de 1.889 trili\u00f5es de d\u00f3lares se n\u00e3o fosse uma particularidade do calend\u00e1rio no in\u00edcio desse ano\u201d, explica o estrategista.<\/p>\n<p>Contudo, David Kelly, salienta que os dados relativos ao ano fiscal de 2025 \u201cbeneficiaram de uma redu\u00e7\u00e3o algo artificial\u201d de 234 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares nas despesas, \u201cdevido a altera\u00e7\u00f5es no valor capitalizado dos programas federais de empr\u00e9stimos estudantis\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o existindo esse efeito artificial, refere o chefe de estrat\u00e9gia global do JP Morgan, o d\u00e9fice teria sido de 2.043 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou 6,7% do PIB.<\/p>\n<p>Voltando a se sustentar nos dados do Gabinete de Or\u00e7amento do Congresso norte-americano, David Kelly salienta que a expetativa ia no sentido de que a \u2018One Big Beautiful Bill Act\u2019 [proposta or\u00e7amental norte-americana] acrescentasse 126 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares ao d\u00e9fice do ano fiscal de 2025 (excluindo a redu\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo estudantil), levando a um aumento no d\u00e9fice do ano fiscal de 2026 em 277 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Mas para o estrategista este valor pode \u201cestar subestimado\u201d uma vez que \u201cpraticamente todos os novos incentivos fiscais ao rendimento das pessoas singulares que entraram em vigor retroativamente a 1 de janeiro deste ano dever\u00e3o aumentar os reembolsos no ano fiscal de 2026, em vez de reduzir a reten\u00e7\u00e3o na fonte no ano fiscal de 2025\u201d.<\/p>\n<p>O estrategista refere que se assume tamb\u00e9m que as receitas tarif\u00e1rias possam atingir uma m\u00e9dia de 36 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por m\u00eas entre agora e setembro do pr\u00f3ximo ano (a m\u00e9dia foi de 29 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares nos \u00faltimos tr\u00eas meses) e projeta que o crescimento nominal do PIB seja de aproximadamente 4,5% no pr\u00f3ximo ano. \u201cAs despesas l\u00edquidas com juros, que totalizaram aproximadamente 980 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares no \u00faltimo ano fiscal [2025], poder\u00e3o crescer para 1.046 bili\u00f5es de d\u00f3lares no ano corrente, uma vez que o aumento do stock de d\u00edvida compensa a estabiliza\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de juro paga sobre este stock, que tem uma varia\u00e7\u00e3o relativamente lenta. Neste cen\u00e1rio, o d\u00e9fice sobe de 1.809 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou 6% do PIB, no \u00faltimo ano fiscal, para 2.132 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou 6,7% do PIB este ano\u201d, diz David Kelly.<\/p>\n<p><strong>D\u00edvida dos EUA deve continuar a crescer mesmo com crescimento econ\u00f3mico<\/strong><\/p>\n<p>David Kelly refere que a d\u00edvida federal, que est\u00e1 na posse dos norte-americanos, atinge os quase 30.3 bili\u00f5es de d\u00f3lares ou, 99,9% do PIB. \u201cPartindo destes n\u00edveis, se o PIB nominal crescer cerca de 4,5% daqui para a frente (constitu\u00eddo por 2% de crescimento real e 2,5% de infla\u00e7\u00e3o), qualquer d\u00e9fice or\u00e7amental acima dos 4,5% far\u00e1 com que o r\u00e1cio d\u00edvida\/PIB aumente\u201d, calcula o estrategista.<\/p>\n<p>\u201cDe acordo com as nossas premissas, o r\u00e1cio d\u00edvida\/PIB sobe de 99,9% em 30 de setembro de 2025 para 102,2% do PIB 12 meses depois\u201d, acrescenta David Kelly.<\/p>\n<p>E de acordo com o estrategista do JP Morgan existem raz\u00f5es para acreditar que a d\u00edvida [norte-americana] possa subir a um ritmo superior, caso n\u00e3o se concretizar o cen\u00e1rio base do executivo norte-americano.<\/p>\n<p>David Kelly diz que o cen\u00e1rio base tra\u00e7ado parte do princ\u00edpio de que o governo norte-americano \u201cvai continuar\u201d a arrecadar receitas tarif\u00e1rias muito significativas todos os meses. Mas aqui pode existir um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>\u201cEsta suposi\u00e7\u00e3o [do governo] pode ser refutada se o Supremo Tribunal decidir, nos pr\u00f3ximos meses, que as tarifas impostas pelo Presidente, Donald Trump, invocando a Lei dos Poderes Econ\u00f3micos de Emerg\u00eancia de 1977, s\u00e3o, de facto, ilegais. Isto, no m\u00ednimo, for\u00e7aria o governo a voltar \u00e0 estaca zero para impor tarifas de substitui\u00e7\u00e3o sob alguma outra autoridade ou remetendo um projeto de lei para o Congresso. Al\u00e9m disso, poder\u00e1 obrigar a reembolsos substanciais de tarifas j\u00e1 pagas nos \u00faltimos meses\u201d, alerta David Kelly.<\/p>\n<p>David Kelly acrescenta que embora seja esperado\u00a0um aumento dos reembolsos de imposto sobre o rendimento para \u201cimpulsionar temporariamente\u201d a procura no in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano, este impulso \u201cdesaparecer\u00e1 rapidamente\u201d assim que os reembolsos forem gastos.<\/p>\n<p>\u201cIsto pode levar o Congresso a fornecer mais est\u00edmulos sob a forma de \u201ccheques de restitui\u00e7\u00e3o de tarifas\u201d, ou de algum outro dispositivo, \u201cpara dar mais impulso \u00e0 economia rumo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es intercalares\u201d, diz o estrategista.<\/p>\n<p>\u201cFinalmente, tudo isto pressup\u00f5e que n\u00e3o haja recess\u00e3o nem necessidade de outros gastos significativos em prioridades nacionais ou internacionais\u201d, refere David Kelly.<\/p>\n<p>Para o estrategista do JP Morgan, face ao exposto, um d\u00e9fice igual a 6,7% do PIB \u201cdeve ser provavelmente considerado uma estimativa baixa do saldo negativo\u201d deste ano.<\/p>\n<p><strong>Estrategista espera que d\u00e9fice se mantenha est\u00e1vel em 2027 e 2028<\/strong><\/p>\n<p>David Kelly considera que em termos te\u00f3ricos o d\u00e9fice norte-americano \u201cdeve manter-se relativamente est\u00e1vel\u201d nos anos fiscais de 2027 e 2028 e \u201cdiminuir ligeiramente\u201d no ano fiscal de 2029, \u201cuma vez que os cortes tempor\u00e1rios de impostos da proposta or\u00e7amental norte-americana\u201d expiram a 31 de dezembro de 2028.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, nenhum observador experiente da pol\u00edtica de Washington presumiria que estes cortes expirariam como previsto, e, portanto, uma previs\u00e3o b\u00e1sica razo\u00e1vel seria que o d\u00e9fice oscilasse entre 6% e 7% do PIB na pr\u00f3xima d\u00e9cada, aumentando o r\u00e1cio d\u00edvida\/PIB em cerca de dois pontos percentuais a cada ano\u201d, refere David Kelly.<\/p>\n<p>Mas mesmo isto, diz David Kelly, \u201cpode ser demasiado otimista\u201d, porque \u201cpressup\u00f5e um crescimento econ\u00f3mico ininterrupto e, mais importante, que, apesar do populismo tanto da direita como da esquerda, o Congresso encontre a disciplina necess\u00e1ria para evitar novos cortes de impostos ou a expans\u00e3o\u201d dos programas governamentais.<\/p>\n<p>\u201cUm cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 que, devido a uma emerg\u00eancia ou a uma recess\u00e3o, o d\u00e9fice aumente para 7% ou mais do PIB, levando a uma acelera\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida federal\u201d, defende o estrategista.<\/p>\n<p>David Kelly diz que alguns defendem\u00a0que uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais flex\u00edvel \u201cpoder\u00e1 abrandar\u201d esta expans\u00e3o da d\u00edvida, adiantando que \u201c\u00e9 verdade que os pagamentos l\u00edquidos de juros representaram mais de metade\u201d do d\u00e9fice total no \u00faltimo ano fiscal. \u201cNo entanto, uma pol\u00edtica monet\u00e1ria demasiado flex\u00edvel poderia conduzir tanto a um d\u00f3lar mais baixo como a uma infla\u00e7\u00e3o mais elevada, elevando as taxas de juro a longo prazo e, eventualmente, for\u00e7ando um aperto monet\u00e1rio muito mais doloroso\u201d, alerta o estrategista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA pergunta que mais me fazem investidores e consultores financeiros \u00e9 quando \u00e9 que a d\u00edvida federal 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