{"id":121888,"date":"2025-10-22T15:45:27","date_gmt":"2025-10-22T15:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121888\/"},"modified":"2025-10-22T15:45:27","modified_gmt":"2025-10-22T15:45:27","slug":"os-planos-economicos-da-china-tem-um-impacto-global-esta-prestes-a-chegar-mais-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/121888\/","title":{"rendered":"Os planos econ\u00f3micos da China t\u00eam um impacto global. Est\u00e1 prestes a chegar mais um"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Mark R. Cristino \/ EPA<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-503120 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/5c24affd3aba4a2851c3b1bf42b9d3fd-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Desde o crescimento da ind\u00fastria que dizimou a concorr\u00eancia ocidental ou a aposta precoce nas energias renov\u00e1veis que est\u00e1 agora a dar frutos, os planos quiquenais da China tendem a ter repercuss\u00f5es na economia global.<\/strong><\/p>\n<p>Os principais l\u00edderes da China re\u00fanem-se nesta semana em Pequim para tra\u00e7ar as metas do pa\u00eds e as prioridades para o restante desta d\u00e9cada. As decis\u00f5es tomadas na Plen\u00e1ria do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Chin\u00eas servir\u00e3o de base para o <strong>pr\u00f3ximo plano quinquenal<\/strong>, que vai orientar a segunda maior economia do mundo entre 2026 e 2030.<\/p>\n<p>O plano completo ser\u00e1 divulgado apenas no pr\u00f3ximo ano, mas as autoridades devem antecipar algumas diretrizes na quarta-feira. Especialistas afirmam que o modelo chin\u00eas, guiado por ciclos de planeamento em vez de elei\u00e7\u00f5es, costuma produzir <strong>decis\u00f5es com impacto global<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cOs planos quinquenais (cinco anos) definem o que a China quer alcan\u00e7ar, indicam a dire\u00e7\u00e3o que a lideran\u00e7a pretende seguir e mobilizam os recursos do Estado para atingir esses objetivos predefinidos\u201d, diz Neil Thomas, investigador de pol\u00edtica chinesa no Instituto de Pol\u00edticas da Sociedade Asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a imagem de centenas de burocratas de fato a apertar as m\u00e3os e elaborar planos pode parecer mon\u00f3tona. A hist\u00f3ria, por\u00e9m, mostra que as suas decis\u00f5es costumam ter <strong>repercuss\u00f5es profundas<\/strong>.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e3o tr\u00eas momentos em que o plano quinquenal da China remodelou a economia global.<\/p>\n<p>1981-84: \u201cReforma e Abertura\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil precisar quando a China come\u00e7ou a sua trajet\u00f3ria para se tornar uma pot\u00eancia econ\u00f3mica, mas muitos integrantes do Partido Comunista Chin\u00eas v\u00e3o afirmar que foi em <strong>18 de dezembro de 1978<\/strong>.<\/p>\n<p>Por quase tr\u00eas d\u00e9cadas, a economia chinesa foi controlada de maneira r\u00edgida pelo Estado. O planeamento central ao estilo sovi\u00e9tico falhou em aumentar a prosperidade, e grande parte da popula\u00e7\u00e3o ainda vivia na pobreza.<\/p>\n<p>O pa\u00eds recuperava do devastador governo de Mao Ts\u00e9-Tung. O Grande Salto para Frente (1958-1962) e a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural (1966-1976), campanhas lideradas pelo fundador da China comunista para remodelar a economia e sociedade, resultaram na morte de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Ao discursar na Terceira Plen\u00e1ria do 11.\u00ba Comit\u00e9, em Pequim, o ent\u00e3o novo l\u00edder chin\u00eas, Deng Xiaoping, declarou que era hora de adotar alguns elementos da economia de mercado. A sua pol\u00edtica de \u201creforma e abertura\u201d tornou-se <strong>eixo central do plano quinquenal<\/strong> seguinte, iniciado em 1981.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de zonas econ\u00f3micas especiais de livre com\u00e9rcio, e os investimentos estrangeiros que elas atra\u00edram, transformaram a vida dos chineses.<\/p>\n<p>Segundo Thomas, do Instituto de Pol\u00edticas da Sociedade Asi\u00e1tica, os objetivos daquele plano quinquenal n\u00e3o poderiam ter sido atingidos de maneira mais enf\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cA China de hoje<strong> vai al\u00e9m dos sonhos mais ousados<\/strong> das pessoas dos anos 1970, em termos de restaura\u00e7\u00e3o do orgulho nacional e de consolida\u00e7\u00e3o de seu lugar entre as grandes pot\u00eancias mundiais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O processo tamb\u00e9m remodelou a economia global. No s\u00e9culo XXI, <strong>milh\u00f5es de empregos industriais<\/strong> do Ocidente foram transferidos para novas f\u00e1bricas nas regi\u00f5es costeiras da China.<\/p>\n<p>Economistas chamaram esse fen\u00f3meno de \u201cchoque da China\u201d, que acabou a fomentar a ascens\u00e3o de partidos populistas em antigas \u00e1reas industriais da Europa e dos Estados Unidos e levou a medidas como a <strong>imposi\u00e7\u00e3o de tarifas e retalia\u00e7\u00f5es<\/strong> promovidas pelo presidente americano, Donald Trump \u2014 que diz tentar, assim, recuperar os empregos industriais perdidos para a China nas d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n<p>2011\u201315: \u201cInd\u00fastrias estrat\u00e9gicas emergentes\u201d<\/p>\n<p>O status da China como \u201c<strong>f\u00e1brica do mundo<\/strong>\u201d consolidou-se com a sua entrada na organiza\u00e7\u00e3o internacional global que trata das regras do com\u00e9rcio entre as na\u00e7\u00f5es, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), em 2001. Mas, na virada do s\u00e9culo, o Partido Comunista Chin\u00eas j\u00e1 planeava o pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n<p>Havia o temor de que o pa\u00eds ca\u00edsse na chamada \u201carmadilha do rendimento m\u00e9dio\u201d, quando uma na\u00e7\u00e3o em ascens\u00e3o <strong>deixa de oferecer m\u00e3o de obra barata<\/strong>, mas ainda n\u00e3o tem capacidade de inova\u00e7\u00e3o para produzir bens e servi\u00e7os de alto valor agregado.<\/p>\n<p>Para evitar isso, a China come\u00e7ou a investir nas chamadas \u201c<strong>ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas emergentes<\/strong>\u201c, termo usado oficialmente pela primeira vez em 2010. O foco inclu\u00eda tecnologias verdes, como ve\u00edculos el\u00e9tricos e pain\u00e9is solares.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ganhavam destaque na pol\u00edtica ocidental, a China mobilizava recursos in\u00e9ditos para impulsionar esses novos setores.<\/p>\n<p>Hoje, a China \u00e9 <strong>l\u00edder global em energias renov\u00e1veis e ve\u00edculos el\u00e9tricos<\/strong>, al\u00e9m de controlar quase todo o fornecimento de terras raras necess\u00e1rias para o fabrico de chips e o desenvolvimento de intelig\u00eancia artificial (IA).<\/p>\n<p>A depend\u00eancia mundial desses recursos d\u00e1 \u00e0 China uma posi\u00e7\u00e3o de poder. A recente decis\u00e3o de restringir exporta\u00e7\u00f5es de terras raras levou Trump a acusar a China de tentar \u201c<strong>manter o mundo como ref\u00e9m<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Embora as \u201cfor\u00e7as estrat\u00e9gicas emergentes\u201d tenham sido incorporadas no plano quinquenal de 2011, a tecnologia verde j\u00e1 tinha sido identificada como potencial motor de crescimento e poder geopol\u00edtico pelo ent\u00e3o l\u00edder chin\u00eas Hu Jintao, no in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n<p>\u201cO desejo de <strong>tornar a China mais autossuficiente<\/strong> em economia, tecnologia e liberdade de a\u00e7\u00e3o vem de longa data, faz parte da pr\u00f3pria ess\u00eancia da ideologia do Partido Comunista Chin\u00eas\u201d, explica Thomas do Instituto de Pol\u00edticas da Sociedade Asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>2021-2025: \u201cDesenvolvimento de alta qualidade\u201d<\/p>\n<p>Isto pode explicar porque nos planos quinquenais recentes, a China passou a priorizar o chamado \u201cdesenvolvimento de alta qualidade\u201d, conceito introduzido formalmente por Xi Jinping em 2017.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 <strong>desafiar o dom\u00ednio tecnol\u00f3gico dos EUA<\/strong> e colocar a China na linha de frente do setor.<\/p>\n<p>Casos de sucesso dom\u00e9stico, como a aplica\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos TikTok, a gigante de telecomunica\u00e7\u00f5es Huawei e o modelo de intelig\u00eancia artificial DeepSeek ilustram o avan\u00e7o chin\u00eas.<\/p>\n<p>O progresso da China, no entanto, \u00e9 visto com desconfian\u00e7a por pa\u00edses ocidentais, que a consideram uma <strong>amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional<\/strong>. As proibi\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es a tecnologias chinesas afetaram milh\u00f5es de utilizadores e provocaram disputas diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico chin\u00eas dependeu de inova\u00e7\u00f5es americanas, como os semicondutores avan\u00e7ados da Nvidia. Com a proibi\u00e7\u00e3o de venda desses componentes para o pa\u00eds imposta pelo governo Trump, \u00e9 prov\u00e1vel que o conceito de \u201cdesenvolvimento de alta qualidade\u201d evolua para o de \u201c<strong>novas for\u00e7as produtivas de qualidade<\/strong>\u201c, novo lema introduzido por Xi em 2023, que desloca o foco para o orgulho nacional e a seguran\u00e7a do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso significa colocar a China na linha de frente da produ\u00e7\u00e3o de chips, da computa\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia artificial, sem ser dependente da tecnologia ocidental, al\u00e9m de ser imune a embargos.<\/p>\n<p>A <strong>autossufici\u00eancia em todos os setores<\/strong>, especialmente nos n\u00edveis mais altos da inova\u00e7\u00e3o, deve ser um dos pilares centrais do pr\u00f3ximo plano quinquenal.<\/p>\n<p>\u201cA seguran\u00e7a nacional e a independ\u00eancia tecnol\u00f3gica s\u00e3o hoje a miss\u00e3o definidora da pol\u00edtica econ\u00f3mica da China\u201d, explica Thomas, do Instituto de Pol\u00edticas da Sociedade Asi\u00e1tica. \u201cMais uma vez, isso remete ao projeto nacionalista que sustenta o comunismo chin\u00eas, garantindo que o pa\u00eds nunca mais seja dominado por pot\u00eancias estrangeiras.\u201d<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_971_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_512_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862235_242_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mark R. 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