{"id":123153,"date":"2025-10-23T14:04:10","date_gmt":"2025-10-23T14:04:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/123153\/"},"modified":"2025-10-23T14:04:10","modified_gmt":"2025-10-23T14:04:10","slug":"eterna-fantasia-romance-de-danichi-hausen-mizoguchi-da-visibilidade-a-politica-brasileira-atraves-da-intimidade-de-uma-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/123153\/","title":{"rendered":"&#8220;Eterna Fantasia&#8221;: romance de Danichi Hausen Mizoguchi d\u00e1 visibilidade \u00e0 pol\u00edtica brasileira atrav\u00e9s da intimidade de uma mulher"},"content":{"rendered":"\n<p>Em \u201cEterna Fantasia\u201d, segundo romance de Danichi Hausen Mizoguchi, lan\u00e7ado pela Dublinense, o autor d\u00e1 visibilidade cr\u00edtica a grandes acontecimentos que marcaram a pol\u00edtica brasileira nos anos 2010.\u00a0<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de detalhes da vida mundana de Maria \u2013 uma mulher por volta dos trinta anos, que vive o mal-estar do dia a dia -, o escritor transita entre as camadas da intimidade dessa protagonista e a superf\u00edcie da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>  <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-36-700x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-77124\" style=\"width:196px;height:auto\"  \/> <\/p>\n<p>A estrutura em que se constr\u00f3i a narrativa \u00e9 um pa\u00eds sendo tomado pela onda conservadora na pol\u00edtica, com golpes, intoler\u00e2ncias e viol\u00eancia ideol\u00f3gica. Com Maria, oautor nos mostra o reflexo da luta estagnada, na rotina de algu\u00e9m que viveu, ao longo desse per\u00edodo, a lucidez de um Brasil em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Presente nos grandes atos pela democracia, testemunhando os ataques contra Dilma Rousseff, o assassinato de Marielle e Anderson, at\u00e9 a ascens\u00e3o das fake news e\u00a0 elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro \u2013 Maria assume, em seu dia a dia, a figurabilidade de um jogo de sombras, diante do abismo pol\u00edtico \u2013 ora nos levando para dentro, ora nos levando para fora do mal-estar.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a no\u00e7\u00e3o de crise parece estar presente no romance como artif\u00edcio decisivo e perene, ao lado da palavra luta. A crise se insinua no cotidiano da protagonista, e se revela como destino consumado na pol\u00edtica.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto o pa\u00eds est\u00e1 em colapso, na disputa pelo poder, com o olhar da protagonista, temos a chance de refletir sobre a crise institucional, o amor e a amizade. Assim, com a lente do narrador ampliada no universo subjetivo, podemos conhecer a complexidade das rela\u00e7\u00f5es do trabalho corporativo, a experi\u00eancia urbana, os conflitos, as rotas de fuga, al\u00e9m dos enfrentamentos individuais e coletivos.\u00a0<\/p>\n<p>Em paralelo ao suspense de um golpe no pa\u00eds, a ONG na qual Maria trabalha mostra uma disputa articulada pelo centro do poder, atrav\u00e9s da comunh\u00e3o de outros dois personagens, Helo\u00edsa e Saul. Eles incorporam a imagem do recrudescimento do chefe intransigente no interior da institui\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s Regina, fundadora da organiza\u00e7\u00e3o renunciar ao cargo de coordenadora, passados vinte anos de seu trabalho ali.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0 Com a assun\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, parece sobressair uma crise da representatividade. Se antes, na ONG, ao fazer trabalhar o tema \u201cas dificuldades da luta pelos direitos das mulheres\u201d o grupo contava com Regina, implicada e identificada com a causa de sua funda\u00e7\u00e3o \u2013 agora \u2013 com os novos coordenadores, Helo\u00edsa e Saul, a palavra luta n\u00e3o encontra uma sustenta\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00a0Nessa toada, a representatividade n\u00e3o opera um movimento. Em seu lugar, observamos a objetifica\u00e7\u00e3o de uma causa, transformada em uma engenhosa cortina de fuma\u00e7a, por aqueles que pretendem alcan\u00e7ar outro objetivo, sorrateiramente aparente \u2013 a realiza\u00e7\u00e3o pessoal do poder pelo poder.\u00a0<\/p>\n<p>Diante das incoer\u00eancias institucionais, a palavra luta assume o estado de uma inerte representa\u00e7\u00e3o, imprimindo um discurso dissociativo. Esse \u00e9 um efeito que se intensificou na pol\u00edtica com a chegada das fake news e sua derivada opini\u00e3o de performance. Quando a palavra passa a ser utilizada como mercadoria, ela \u00e9 consumida e subalternizada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de mero objeto realizado, fetiche do gozo individual.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0 Assim, a coaliz\u00e3o dos novos coordenadores desvela a tirania pelo poder, em conson\u00e2ncia com a pol\u00edtica ascendente no pa\u00eds, e traz \u00e0 tona um modo de trabalho que vai esvaziando o sentido da vida. \u00c9 a\u00ed que a palavra luta parece figurar o seu estado de transposi\u00e7\u00e3o, passando de substantivo \u201ca luta\u201d para um tempo verbal indicativo de Maria \u2013 \u201cela luta\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"893\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000093201-893x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-77129\" style=\"width:433px;height:auto\"  \/> <\/p>\n<p>Nesses termos, a visibilidade da alian\u00e7a da protagonista com seus amigos surge, por sua vez, no texto \u2013 constantemente \u2013 como contraponto central frente ao cansa\u00e7o<strong> <\/strong>corporativo<strong> <\/strong>que apavora a sua vida, pouco a pouco<strong>. <\/strong>Assim,\u00a0 os personagens Dulce, Regina, Raul, Guta, C\u00edcero e \u00c9rico s\u00e3o os amigos do trabalho, da rua, da praia e da jantinha em dia de semana. Eles s\u00e3o parceiros da faculdade, do samba, do flerte, da cervejinha, dos protestos, e situam a amizade como essa zona de ilus\u00e3o necess\u00e1ria contra o peso do mundo.<\/p>\n<p>Com esse enlace vital, a amizade \u00e9 materialidade reflexiva, que articula uma temporalidade extraordin\u00e1ria ao presente, contra a forma mort\u00edfera institu\u00edda no mundo. Nesse plano liter\u00e1rio, a amizade \u00e9 tema coadjuvante e preciso, capaz de suportar o esplendor e o desespero de cada instante.<\/p>\n<p>Assim, a no\u00e7\u00e3o de amizade se apresenta como lembran\u00e7a nos momentos de recolhimento necess\u00e1rio, quando o corpo absorve o <strong>cansa\u00e7o<\/strong> dos dias. Presentifica-se atrav\u00e9s de uma conversa despretensiosa, como na<strong> ilha,<\/strong> contr\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica ordin\u00e1ria do mundo. Emerge como um tempo de festa que perdura, na indetermina\u00e7\u00e3o, entre o que j\u00e1 foi e o que pode ser \u2013 <strong>ainda<\/strong> que as m\u00e1s not\u00edcias maculem nossa vitalidade. Mostra-se na disson\u00e2ncia e no conflito, quando\u00a0 assumimos em alto e bom som \u2018ele <strong>n\u00e3o<\/strong>\u2019. Surge como <strong>amuleto<\/strong>, que protege e traz sorte. Torna-se alian\u00e7a contra a <strong>coaliz\u00e3o<\/strong> fascista. Assoma-se como palavra e escuta <strong>sempre<\/strong> que ficamos \u00e0 merc\u00ea de um <strong>recrudescimento<\/strong> tr\u00e1gico.\u00a0<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"737\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-1024x737.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-77120\" style=\"width:661px;height:auto\"  \/> <\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Nessa configura\u00e7\u00e3o, a amizade n\u00e3o \u00e9 um efeito de solipsismo discursivo, e sim presen\u00e7a insurgente, materializa\u00e7\u00e3o temporal, que se institui na realidade, no momento mesmo de sua apari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como tentativa de compreender a emerg\u00eancia de um ingovern\u00e1vel vital na pol\u00edtica, no ensaio intitulado \u2018O amigo\u2019, Giorgio Agamben mostra que a amizade comporta um estatuto ontol\u00f3gico e pol\u00edtico. Ele retoma o tema aristot\u00e9lico \u201c\u00f3 amigos, n\u00e3o h\u00e1 amigos\u201d para recuperar a for\u00e7a da palavra em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Apresentando trechos dos livros oitavo e nono da \u00c9tica a Nic\u00f4maco de Arist\u00f3teles, o autor destaca as equipol\u00eancias est\u00e9ticas entre ser e viver, assumindo que o amigo \u00e9 um outro si, a partir de uma condivis\u00e3o existencial. Ele explica que na est\u00e9tica de existir persiste uma sensa\u00e7\u00e3o, particularmente humana, que manifesta a forma de um com-sentir (synaisthanesthai) a exist\u00eancia do amigo.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"510\" height=\"601\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-38.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-77128\" style=\"width:238px;height:auto\"  \/>Escritor Danichi Hausen Mizoguchi \/ Divulga\u00e7\u00e3o: Redes sociais <\/p>\n<p>Como o fil\u00f3sofo prop\u00f5e, a amizade seria a inst\u00e2ncia desse com-sentimento, o sentir partilhado da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Ele explica que nessa l\u00f3gica h\u00e1 uma partilha vital, que precede a divis\u00e3o subjetiva, na qual os amigos s\u00e3o com-divididos pelo acontecer da experi\u00eancia de amizade, porque aquilo que existe para repartir \u00e9 a pr\u00f3pria exist\u00eancia, a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Para Agamben, a amizade n\u00e3o est\u00e1 condicionada pela intersubjetividade. Ela independe da rela\u00e7\u00e3o entre sujeitos. Mais do que uma categoria institu\u00edda, de predicado nominal, a amizade conjuga-se no fato da exist\u00eancia. Nessa compreens\u00e3o, ao com-sentir a exist\u00eancia do amigo, esse existir \u00e9 sempre substanciado de uma pot\u00eancia pol\u00edtica, porque a partilha sem objeto, o com-sentir origin\u00e1rio \u00e9 o que constitui a ess\u00eancia da pol\u00edtica.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Longe de explica\u00e7\u00f5es causais, em Eterna Fantasia, o que determina a exist\u00eancia da amizade \u00e9 a vida que acontece. Ao inv\u00e9s de falar sobre, vivencia-se a amizade. Assim, \u00e9 atrav\u00e9s da composi\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es, das a\u00e7\u00f5es e dos gestos dos personagens, em contato com o interlocutor, que a amizade parece estar tematizada no romance, como afirma\u00e7\u00e3o de luta. Por meio das rela\u00e7\u00f5es que v\u00e3o se estabelecendo a cada cap\u00edtulo, podemos reconhecer o que foge \u00e0 promiscuidade do poder vigente, a partir dos conflitos internos, que denunciam a indec\u00eancia pol\u00edtica.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ritmo de com-sentir partilhado que surge a figura de Sofia. Como ato da palavra viva, ela traz uma profundidade espec\u00edfica, transmitindo a express\u00e3o de uma interioridade, at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o pensada por Maria. Sem muito alarde, no tom intimista do texto, a chegada dessa nova personagem transporta a palavra amor em novas se\u00e7\u00f5es do romance, podendo imprimir novamente uma alegria ao mundo.<\/p>\n<p>No texto, esse elemento amoroso traz for\u00e7a \u00e0 linguagem at\u00e9 ent\u00e3o inaudita, para se manifestar no que poderia ser uma linguagem muda das coisas, ou o sil\u00eancio diante do abismo. Assim, ao situar as diferentes posi\u00e7\u00f5es dos corpos no espa\u00e7o comum, atrav\u00e9s de imagens que modificam o tom dos dias corriqueiros, o autor parece trazer uma convocat\u00f3ria necess\u00e1ria para rever a ordem supostamente estabelecida.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Nesses termos, Danichi reinscreve o romance, a cada cap\u00edtulo, como um objeto movente, convocando a imagina\u00e7\u00e3o a alternar o fluxo subjetivo entre uma esp\u00e9cie de tristeza neon e alegria mi\u00fada. Com essa lealdade met\u00f3dica, ele oferece um movimento essencialmente potente aos leitores para pensar nas pequenas e nas grandes pol\u00edticas, como fazem os velhos e bons amigos da cultura desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>      <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-35-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-77122\" style=\"width:229px;height:auto\"  \/> <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lisianeleffa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lisiane Leffa<\/a> \u00e9 psicanalista. Possui experi\u00eancia em cl\u00ednica psicanal\u00edtica, com atendimento em consult\u00f3rio particular; e psican\u00e1lise e cultura, com projetos como Cl\u00ednicas do Testemunho (2013\/2016), Psicanalistas pela Democracia (2016\/2020), Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Psican\u00e1lise Arte e Pol\u00edtica (2017\/2021). <\/p>\n<p>Membro associado no Centro de Estudos Psicanal\u00edticos de Porto Alegre. Mestra em Psican\u00e1lise Cl\u00ednica e Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.\u00a0<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>AGAMBEN, Giorgio. O Amigo. In:__AGAMBEN, Giorgio. O que \u00e9 o contempor\u00e2neo e outros ensaios. Vin\u00edcius Nicastro Honesko (trad.). Chapec\u00f3, SC: Argos, 2009.<\/p>\n<p>HOMEM Velho. Caetano Veloso (V\u00eddeo). M\u00eddia eletr\u00f4nica. Dispon\u00edvel em<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/XBIuA8fWys8?feature=shared . Acesso em 23.08.2025\u00a0<\/p>\n<p>MIZOGUCHI, Danichi Hausen. Eterna Fantasia. Porto Alegre: Dublinense, 2025.<\/p>\n<p>    <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em \u201cEterna Fantasia\u201d, segundo romance de Danichi Hausen Mizoguchi, lan\u00e7ado pela Dublinense, o autor d\u00e1 visibilidade cr\u00edtica a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":123154,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,28471,114,115,28472,170,32,33],"class_list":{"0":"post-123153","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-danichi-hausen-mizoguchi","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-eterna-fantasia","13":"tag-livros","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115423862310201169","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123153\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/123154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}