{"id":124234,"date":"2025-10-24T08:11:08","date_gmt":"2025-10-24T08:11:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/124234\/"},"modified":"2025-10-24T08:11:08","modified_gmt":"2025-10-24T08:11:08","slug":"ana-portocarrero-quer-provar-que-os-escritores-nao-sao-seres-amargurados-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/124234\/","title":{"rendered":"Ana Portocarrero quer provar que os escritores n\u00e3o s\u00e3o \u201cseres amargurados\u201d | Livros"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 genialidade sem sofrimento, ou pelo menos \u00e9 nisso que acredita Sara Lisa, a personagem central de A (In)Felicidade de Sara Lisa,\u200b romance de estreia da autora portuguesa Ana Portocarrero, publicado em Setembro pela editora Penguin. Sara Lisa tem duas certezas. Uma: quer ser uma romancista de renome custe o que custar. Duas: um bom escritor, daqueles verdadeiramente brilhantes, s\u00f3 conseguir\u00e1 atingir a genialidade se for um &#8220;ser amargurado&#8221;.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui que o problema come\u00e7a. Esta personagem principal com um nome invulgar n\u00e3o \u00e9 infeliz, nem sequer um pouco. Inicia, ent\u00e3o, a procura por um professor da infelicidade, que a ensine a encontrar algo que, por norma, o ser humano tenta afugentar. Perdida nas ruas do Porto numa manh\u00e3 soalheira, Sara Lisa trope\u00e7a em Gael, um homem em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo que fala franc\u00eas, e incumbe-lhe a miss\u00e3o de e a ensinar a ser infeliz.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o primeiro livro de Ana Portocarrero, que se descreve como uma pessoa &#8220;muito feliz&#8221;, um estado de esp\u00edrito que deixou verter para as p\u00e1ginas. A hist\u00f3ria de Sara Lisa e de Gael n\u00e3o estava escrita e guardada numa gaveta h\u00e1 v\u00e1rios anos, mas a ideia j\u00e1 l\u00e1 estava, e o livro acabou por nascer &#8220;num \u00edmpeto, no espa\u00e7o de uns meses&#8221;. &#8220;A quest\u00e3o de a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/06\/02\/culturaipsilon\/noticia\/dor-ruina-arte-nenhuma-1874003\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">arte se alimentar de sofrimento<\/a> e de um bom escritor ser aquele que se fecha numa cave, a beber e a fumar com os seus fantasmas, num estado extremo de solid\u00e3o, nunca me convenceu. Nunca usei amarguras para escrever, sempre usei a outra parte de mim, a parte feliz&#8221;, refere a autora de 45 anos.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n                A (In)Felicidade de Sara Lisa tem pano de fundo a cidade do Porto, onde a autora nasceu e cresceu&#13;<br \/>\nManuel Roberto            &#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>O &#8220;clique final&#8221; aconteceu num curso de escrita em que ouviu, mais uma vez, esta ideia de que um escritor s\u00f3 consegue escrever bem num &#8220;estado de melancolia&#8221;. E Portocarrero pensou: &#8220;\u00c9 agora que vou provar que est\u00e1s errado&#8221;, recorda.<\/p>\n<p>Gael, a personagem com quem Sara Lisa divide o palco, construiu-se de um conjunto de caracter\u00edsticas, mas sobretudo da necessidade de introduzir algu\u00e9m que fosse &#8220;a voz da raz\u00e3o e da experi\u00eancia&#8221;. &#8220;Teria de ser uma personagem que, \u00e0 partida, nos parecesse o exemplo m\u00e1ximo da infelicidade. Desenvolveu-se de uma forma muito id\u00edlica, uma pessoa misteriosa, s\u00e1bia, e que faz com que Sara Lisa consiga reflectir sobre as coisas, independentemente das situa\u00e7\u00f5es em que ele a coloca&#8221;, refere a autora.<\/p>\n<p>Pouco ou nada sabemos do passado de Gael at\u00e9 \u00e0s p\u00e1ginas finais, mas v\u00e1rias pistas apontam para uma vida rica e cheia de amizades, em que aprendeu a filosofar e a tocar piano. Ao longo da trama, este franc\u00eas com uma gargalhada inesquec\u00edvel coloca Sara Lisa em situa\u00e7\u00f5es que a deveriam ajudar a encontrar a t\u00e3o desejada desgra\u00e7a \u2014 uma semana a seguir a rotina de um suposto empres\u00e1rio, outra enquanto advogada estagi\u00e1ria numa grande firma, e ainda uma pequena e dolorosa passagem por uma pris\u00e3o \u2014, mas que, no fim das contas, acabam por lhe ensinar o contr\u00e1rio. Entramos no livro \u00e0 espera de uma hist\u00f3ria infeliz (a palavra infelicidade est\u00e1, literalmente, no t\u00edtulo), mas n\u00e3o \u00e9 isso que encontramos. \u00c9 um livro leve sobre amizade, (re)encontros e uma vontade fervorosa de ser &#8220;algo mais&#8221;.<\/p>\n<p>A cidade do Porto como inspira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A (In)Felicidade de Sara Lisa tem como pano de fundo a cidade do Porto, onde a autora nasceu e cresceu. \u00c9 na zona da Ribeira, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/10\/27\/fugas\/reportagem\/ribeira-vista-porto-mao-1848801\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">uma das mais antigas da cidade<\/a>, que Sara Lisa conhece, por um mero acaso e numa rua sombria, Gael, dando in\u00edcio a uma amizade improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>                        &#13;<br \/>\n                            &#13;<\/p>\n<p>Autoria: Ana Portocarrero<br \/>&#13;<br \/>\nEditora:\u00a0Penguin<br \/>&#13;<br \/>\n184 p\u00e1gs., 14,99\u20ac<br \/>&#13;<br \/>\nJ\u00e1 nas livrarias<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/A-in-felicidade-de-Sara-Lisa-Ana-Portocarrero\/a13270161?%20origin=disp_publico_livros\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">COMPRAR<\/a><\/p>\n<p>            &#13;<\/p>\n<p>&#8220;Assisti \u00e0s v\u00e1rias fases da Ribeira. Parecia-me, aos olhos de quem n\u00e3o vivia l\u00e1, uma zona escura, sombria, at\u00e9 triste. Agora as ruas s\u00e3o animadas, cheias de gente nova. \u00c9 um s\u00edtio que n\u00e3o s\u00f3 tem muita hist\u00f3ria como tem muitas hist\u00f3rias dentro de cada fam\u00edlia que l\u00e1 vive. Pelo menos \u00e9 assim que imagino quando olho para aquelas janelas e para a roupa estendida do lado fora das fachadas, que \u00e9 uma coisa muito caracter\u00edstica. \u00c9 imposs\u00edvel passar ali e n\u00e3o me sentir inspirada.&#8221;<\/p>\n<p>Ana Portocarrero \u00e9 formada em Biologia, Engenharia Biom\u00e9dica e Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, e trabalha na ind\u00fastria de implantes para coluna e cabe\u00e7a. Antes de ser escritora era leitora (porque uma n\u00e3o existe sem a outra). &#8220;Leio desde que aprendi para que serviam as letras e como \u00e9 que se constru\u00edam frases. Tinha um av\u00f4 que escrevia poesia, e desde muito cedo que brinc\u00e1vamos os dois \u00e0 leitura. Toda a minha fam\u00edlia l\u00ea muito, faz parte da nossa educa\u00e7\u00e3o. Lembro-me de ser pequena, com dez anos, e ler A Morgadinha dos Canaviais e Uma Fam\u00edlia Inglesa, de J\u00falio Dinis&#8221;, refere.<\/p>\n<p>A entrada no mundo editorial tem sido &#8220;uma montanha russa de emo\u00e7\u00f5es&#8221; que Ana Portocarrero ainda est\u00e1 a subir. &#8220;Estou na parte de absorver tudo o que est\u00e1 a acontecer. O livro tem sido muito bem recebido, e para quem escreve e quer publicar \u00e9 importante que as pessoas nos leiam.&#8221; \u00c9 inevit\u00e1vel que n\u00e3o se pergunte pelo pr\u00f3ximo livro, que at\u00e9 j\u00e1 existe. &#8220;Os escritores est\u00e3o sempre a trabalhar num livro. Temos uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias que t\u00eam de sair c\u00e1 para fora de alguma forma.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 genialidade sem sofrimento, ou pelo menos \u00e9 nisso que acredita Sara Lisa, a personagem central de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124235,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,315,114,115,7968,167,864,170,534,542,462,32,33],"class_list":{"0":"post-124234","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-entrevistas-e-questionarios","13":"tag-ficcao","14":"tag-literatura","15":"tag-livros","16":"tag-p3","17":"tag-para-redes","18":"tag-porto","19":"tag-portugal","20":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115428136317901673","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124234\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}