{"id":124892,"date":"2025-10-24T18:02:09","date_gmt":"2025-10-24T18:02:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/124892\/"},"modified":"2025-10-24T18:02:09","modified_gmt":"2025-10-24T18:02:09","slug":"estudo-revela-grande-diversidade-de-dinossauros-pre-extincao-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/124892\/","title":{"rendered":"Estudo revela grande diversidade de dinossauros pr\u00e9-extin\u00e7\u00e3o \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de ter acontecido h\u00e1 cerca de 66 milh\u00f5es de anos, o processo de extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros continua a suscitar muito debate na comunidade cient\u00edfica. Muitos paleont\u00f3logos acreditam que se tratou de um processo gradual, e que as diferentes esp\u00e9cies j\u00e1 se encontravam perto da extin\u00e7\u00e3o mesmo antes da chegada do meteorito que os apagou da face da Terra<strong> \u2014 <\/strong>a par de 80% de todas as esp\u00e9cies. Contudo, um novo estudo publicado esta semana na revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/epdf\/10.1126\/science.adw3282\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science<\/a> sugere uma vers\u00e3o contr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um grupo de investigadores da Universidade do Novo M\u00e9xico, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, chegou \u00e0 conclus\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o de dinossauros na regi\u00e3o sul do pa\u00eds \u2014 ao contr\u00e1rio do que muitos colegas acreditavam \u2014 continuava a florescer, e a <strong>diversidade de esp\u00e9cies n\u00e3o estava numa trajet\u00f3ria descendente<\/strong>. Assim, podem estar um passo mais perto de comprovar efetivamente que a extin\u00e7\u00e3o destes seres n\u00e3o foi gradual, mas sim algo <strong>s\u00fabito<\/strong>, causado por uma cat\u00e1strofe natural.<\/p>\n<p>O registo de f\u00f3sseis correspondentes a esta \u201c\u00faltima\u201d fase de dinossauros no planeta estava \u201cbastante limitado \u00e0 regi\u00e3o norte do continente norte-americano\u201d. Desta forma, o conjunto de especialistas recorreu a diferentes modelos ecol\u00f3gicos e a uma an\u00e1lise de diversidade da fauna presente na regi\u00e3o mais a sul dos EUA para caracterizar as popula\u00e7\u00f5es que ali habitavam no final do Cret\u00e1cico Superior (dos 66,4 aos 66 milh\u00f5es de anos).<\/p>\n<p><strong>Conclu\u00edram, ent\u00e3o, que existia uma elevada diversidade de dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios, ou seja, que n\u00e3o voam<\/strong> \u2014 ou seja, uma larga quantidade de esp\u00e9cies num territ\u00f3rio que, durante v\u00e1rios anos se assumiu que tinha uma \u201cfauna homog\u00e9nea\u201d, como explicam os autores do estudo. Esta ideia foi desmistificada, como escreve o investigador principal Andrew G. Flynn ao jornal <a href=\"https:\/\/elpais.com\/ciencia\/2025-10-23\/los-dinosaurios-no-estaban-en-declive-antes-del-asteroide-que-acabo-con-ellos.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">El Pa\u00eds<\/a>, que refere que esta no\u00e7\u00e3o s\u00f3 existia \u201cporque <strong>n\u00e3o tinham bons registos geol\u00f3gicos daquele per\u00edodo\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Agora, com uma \u201cbase de dados mais consolidada\u201d, consideram j\u00e1 ter as ferramentas para tirar fortes conclus\u00f5es. <strong>\u201cTudo indica que os dinossauros estavam a prosperar at\u00e9 ao evento que os exterminou\u201d<\/strong>, conclui o primeiro autor do estudo. O registo continua a ser algo limitado, uma vez que esta localidade que agora exploraram \u00e9 a segunda regi\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte com as \u201cidades bem controladas\u201d \u2014 locais onde conseguem ter um cat\u00e1logo que distingue os f\u00f3sseis de diferentes eras. N\u00e3o obstante, investigadores que n\u00e3o estiveram envolvidos neste estudo admitem que esta <strong>descoberta abre as portas para investiga\u00e7\u00f5es adicionais neste tema noutras partes do mundo<\/strong>, n\u00e3o s\u00f3 com o objetivo de comprovar estes dados, mas tamb\u00e9m de aprofundar o conhecimento da fauna terrestre na altura em que os dinossauros foram extintos.<\/p>\n<p>O estudo est\u00e1 muito localizado na Am\u00e9rica do Norte, mas o paleont\u00f3logo portugu\u00eas Pedro Mocho admite que estas mesmas conclus\u00f5es podem refletir a realidade tanto na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, como no resto do planeta. \u201c<strong>O desaparecimento dos dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios foi um evento global<\/strong>. Tudo aquilo que marca a extin\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies no continente norte-americano \u00e9 o mesmo evento que marca a extin\u00e7\u00e3o em todos os outros\u201d, explica ao Observador. O investigador do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, que agora est\u00e1 a trabalhar em forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas com 70 milh\u00f5es de anos, refere que a <strong>diversidade de esp\u00e9cies que encontra no seu campo de estudos \u00e9 \u201cbrutal\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Na sua experi\u00eancia profissional, Pedro Mocho conclui que apesar de registar mudan\u00e7as na fauna nos diferentes territ\u00f3rios que investiga, de uma forma geral, estas n\u00e3o refletem uma diminui\u00e7\u00e3o de n\u00famero de esp\u00e9cies presentes. Ou seja, independente das condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas, a tend\u00eancia mant\u00e9m-se a mesma: <strong>at\u00e9 ao momento de extin\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia qualquer registo de decl\u00ednio populacional<\/strong>, tal como refor\u00e7a\u00a0o estudo conduzido nos EUA.<\/p>\n<p>O portugu\u00eas sublinha a import\u00e2ncia destas conclus\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 por dar uma resposta a esta quest\u00e3o que n\u00e3o tinha ainda uma resposta conclusiva, mas tamb\u00e9m por contribuir para \u201cum dos debates mais cl\u00e1ssicos em torno da extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios\u201d. \u201cPara al\u00e9m de avan\u00e7arem com esta ideia de que n\u00e3o houve um decl\u00ednio na diversidade, <strong>avan\u00e7am tamb\u00e9m com a ideia de que, claramente, o que conduziu a esta extin\u00e7\u00e3o foi a queda de um meteorito<\/strong>\u201c, afirma Pedro Mocho.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies \u201cfoi um <strong>evento catastr\u00f3fico bastante r\u00e1pido, bastante reduzido no tempo<\/strong>\u201c, e com os dados obtidos no estudo, a equipa da Universidade do Novo M\u00e9xico\u00a0\u201cconsidera que, em termos de data\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode corresponder a um impacto meteor\u00edtico\u201d, descredibilizando outras teorias que remetem para um epis\u00f3dio vulc\u00e2nico na \u00cdndia que algumas correntes de pensamento apontam para a causa da extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, continua o paleont\u00f3logo, este estudo permite tamb\u00e9m verificar \u201ccomo uma fauna de dinossauros responde a um evento catastr\u00f3fico\u201d. \u201c<strong>Esta investiga\u00e7\u00e3o diz tamb\u00e9m uma coisa muito interessante: que a fauna recupera muito rapidamente<\/strong>\u201c, acrescenta, indicando que com o passar do tempo, ap\u00f3s o tal evento que conduziu \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios, a Terra voltou a ser populada com \u201cuma fauna bastante diversa dominada por mam\u00edferos\u201d. Desta forma, faz o paralelismo com as \u201cimportantes altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d a acontecer neste preciso momento \u2014 que est\u00e3o a causar a diminui\u00e7\u00e3o da diversidade de esp\u00e9cies \u2014 e, assim, considera que este estudo \u201cpode dar muitas informa\u00e7\u00f5es de como \u00e9 que o nosso ecossistema vai funcionar nos pr\u00f3ximos milhares de anos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDiria que, sem d\u00favida, saber como \u00e9 que isto funciona vai nos dar informa\u00e7\u00e3o muito \u00fatil para o futuro\u201d, conclui o especialista portugu\u00eas.<\/p>\n<p>                    <strong>Tem um minuto?<\/strong><br \/>O Observador est\u00e1 a realizar junto dos seus leitores um curto estudo de apenas quatro perguntas. <a href=\"https:\/\/observador.typeform.com\/to\/DnJJ0FZQ\" target=\"_blank\" style=\"text-decoration: underline; color:#262626;\" rel=\"nofollow noopener\">Responda aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de ter acontecido h\u00e1 cerca de 66 milh\u00f5es de anos, o processo de extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros continua&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":124893,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,442,3921,7833,6951,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-124892","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-ciu00eancia","12":"tag-dinossauros","13":"tag-geologia","14":"tag-paleontologia","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-science","18":"tag-science-and-technology","19":"tag-scienceandtechnology","20":"tag-technology","21":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115430460241924235","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124892\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}