{"id":125606,"date":"2025-10-25T10:20:07","date_gmt":"2025-10-25T10:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/125606\/"},"modified":"2025-10-25T10:20:07","modified_gmt":"2025-10-25T10:20:07","slug":"microcosmo-de-virus-nos-morcegos-de-sp-e-futuras-pandemias-25-10-2025-reinaldo-jose-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/125606\/","title":{"rendered":"Microcosmo de v\u00edrus nos morcegos de SP e futuras pandemias &#8211; 25\/10\/2025 &#8211; Reinaldo Jos\u00e9 Lopes"},"content":{"rendered":"<p>O jeito sensacionalista de iniciar esta coluna seria dizer que pesquisadores encontraram um primo do v\u00edrus Ebola em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/07\/biologo-faz-projeto-para-combater-ma-fama-de-morcegos-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">morcegos <\/a>do munic\u00edpio de Jundia\u00ed, perto da Grande <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sao-paulo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>. Soltar essa informa\u00e7\u00e3o sem mais nem menos, por\u00e9m, seria p\u00e9ssimo tanto para n\u00f3s, mam\u00edferos b\u00edpedes, quanto para os mam\u00edferos de asas, a come\u00e7ar pelo fato de que o tal parentesco com o Ebola \u00e9, na verdade, bem distante. Portanto, respire fundo, deixe de lado qualquer impulso medroso e tentemos entender o que o dado significa no contexto de um mundo em transforma\u00e7\u00e3o acelerada.<\/p>\n<p>No fundo, \u00e9 sobre a nossa capacidade para lidar com essas mudan\u00e7as t\u00e3o r\u00e1pidas que versa o estudo a que me referi acima. Coordenado por Juliana Amorim Conselheiro, do Laborat\u00f3rio de Zoonoses e Doen\u00e7as Transmitidas por Vetores da capital paulista, numa parceria entre o Instituto Todos pela <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a>, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo e a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade, o trabalho analisou morcegos coletados no territ\u00f3rio paulista em busca de v\u00edrus com potencial de transbordamento. Ou seja, v\u00edrus que, em tese, poderiam saltar de uma esp\u00e9cie para outra e se tornar um problema para a sa\u00fade de seres humanos e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/animais\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">animais<\/a> dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>A pesquisa, <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2025.07.30.666427v1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cujo preprint (vers\u00e3o preliminar) est\u00e1 dispon\u00edvel no deposit\u00f3rio online bioRxiv<\/a>, aproveitou-se do fato de que j\u00e1 h\u00e1 um sistema de vigil\u00e2ncia em atividade para mapear a presen\u00e7a do v\u00edrus da raiva nos morcegos urbanos. Recomenda-se, por exemplo, que quem encontrar um morcego morto perto de casa leve o pobre bicho para a \u00e1rea de controle de zoonoses de sua cidade. S\u00f3 o \u00f3rg\u00e3o municipal paulistano recebe uns 3.000 morcegos nesse sistema de vigil\u00e2ncia passiva.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores foi justamente aproveitar essa pr\u00e1tica j\u00e1 instalada para mapear a diversidade viral presente nos morcegos urbanos do estado de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa: calcula-se que ao menos 84 esp\u00e9cies do grupo no Brasil tenham se adaptado a ambientes urbanos, e \u00e9 comum encontrar morcegos de tr\u00eas fam\u00edlias diferentes voando pelos c\u00e9us noturnos da capital.<\/p>\n<p>    Colunas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o de colunas da Folha<\/p>\n<p>A partir de mais de 2.400 morcegos, vindos de 14 munic\u00edpios (al\u00e9m das amostras paulistanas, havia animais de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/campinas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Campinas<\/a>, Sorocaba, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, al\u00e9m de Jundia\u00ed), o grupo empregou uma abordagem metagen\u00f4mica. Ou seja, grosso modo, em vez de procurar material gen\u00e9tico de um ou mais v\u00edrus espec\u00edficos, fez a &#8220;leitura&#8221; de tudo o que havia nas amostras do pulm\u00e3o e do intestino dos animais e buscou comparar os fragmentos de genes encontrados com bibliotecas de v\u00edrus j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n<p>Foi assim que veio \u00e0 tona o que parece ser a primeira identifica\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus \u2013ainda n\u00e3o descrito\u2013 da fam\u00edlia Filoviridae, a do Ebola, em morcegos do continente americano. Como j\u00e1 destaquei, os fragmentos de material gen\u00e9tico indicam que se trata de um parente bem distante do v\u00edrus africano. A equipe identificou ainda um tipo de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/coronavirus\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">coronav\u00edrus<\/a> (tamb\u00e9m bem distante do causador da Covid-19) e outros v\u00edrus.<\/p>\n<p>Conhecer essa diversidade \u00e9 importante porque quase todas as novas doen\u00e7as humanas das \u00faltimas d\u00e9cadas vieram de esp\u00e9cies selvagens. Al\u00e9m disso, estamos presenciando uma conviv\u00eancia cada vez mais pr\u00f3xima de morcegos e outros animais com a popula\u00e7\u00e3o urbana. Entender as poss\u00edveis conex\u00f5es virais entre eles e n\u00f3s \u00e9 essencial para que surpresas desagrad\u00e1veis como a Covid-19 sejam barradas muito antes de virarem desastres. Nessa tarefa, ali\u00e1s, os morcegos devem ser vistos como aliados, e n\u00e3o inimigos.<\/p>\n<p class=\"c-context__content\">&#13;<br \/>\n    <strong>LINK PRESENTE:<\/strong> Gostou deste texto? 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