{"id":126826,"date":"2025-10-26T09:38:25","date_gmt":"2025-10-26T09:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/126826\/"},"modified":"2025-10-26T09:38:25","modified_gmt":"2025-10-26T09:38:25","slug":"cientistas-criam-flores-de-adn-que-se-movem-sozinhas-e-entregam-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/126826\/","title":{"rendered":"Cientistas criam flores de ADN que se movem sozinhas e entregam medicamentos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Justin Hill, Philip Rosenberg, Ronit Freeman \/ UNC<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-707864\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/c836ffb677f5049c6e1868172d687fb7-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Visualiza\u00e7\u00e3o das \u201cflores de ADN\u201d microsc\u00f3picas criadas por Ronit Freeman no Laborat\u00f3rio Freeman da UNC<\/p>\n<p><strong>Parecem pequenas flores, curvando-se e desdobrando-se com as altera\u00e7\u00f5es \u00e0 sua volta. Mas na realidade s\u00e3o rob\u00f4s microsc\u00f3picos feitos de ADN e metal que se movem em resposta ao seu ambiente \u2014 e que imitam a vida.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Num novo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41565-025-02026-8\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, apresentado num artigo publicado na segunda-feira Nature Nanotechnology, uma equipa de investigadores da Universidade da Carolina do Norte (UNC) criou <strong>\u201cflores de ADN<\/strong>\u201d \u2014 min\u00fasculos cristais h\u00edbridos capazes de mudar de forma em segundos.<\/p>\n<p>Os investigadores entrela\u00e7aram cadeias de ADN com <strong>fosfato de cobalto<\/strong>, para construir cada flor, o que lhes confere a capacidade de se<strong> dobrar, encolher e abrir<\/strong> quando a acidez do meio se altera.<\/p>\n<p>Os organismos vivos est\u00e3o <strong>constantemente a remodelar-se<\/strong>: as nossas mol\u00e9culas montam-se e desmontam-se para se <strong>adaptarem a condi\u00e7\u00f5es em mudan\u00e7a<\/strong>, explica o <a href=\"https:\/\/www.zmescience.com\/science\/nanotechnology-science\/scientists-built-tiny-dna-flowers-that-can-move-on-their-own-and-deliver-targeted-treatments\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">ZME Science<\/a>.<\/p>\n<p>Baseando-se nesta ideia, os investigadores da UNC propuseram-se construir <strong>materiais capazes de imitar esta capacidade<\/strong>. Essencialmente, pretendiam usar ADN para criar estruturas que respondessem ao seu ambiente sem necessidade de motores ou controlos electr\u00f3nicos.<\/p>\n<p>Utilizando uma enzima chamada<strong> transferase desoxinucleotid\u00edlica terminal<\/strong>, a equipa uniu longas cadeias de ADN na presen\u00e7a de i\u00f5es de cobalto.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o ADN crescia,<strong> co-cristalizou com pirofosfato de cobalto<\/strong>, formando <strong>estruturas tridimensionais semelhantes a flores<\/strong>. O processo, notavelmente, ocorreu num \u00fanico bal\u00e3o de Erlenmeyer \u2014 o tipo de frasco que os cientistas usam para misturar reagentes.<\/p>\n<p>O ADN no interior de cada flor <strong>funciona como um sistema de controlo<\/strong> incorporado. Em condi\u00e7\u00f5es normais, as p\u00e9talas mant\u00eam-se abertas. Mas quando o <strong>ambiente se torna mais \u00e1cido,<\/strong> partes do ADN dobram-se em formas especiais de quatro cadeias chamadas<strong> i-motifs<\/strong>, que fazem com que as p\u00e9talas se fechem.<\/p>\n<p>Quando o ambiente regressa ao normal, as p\u00e9talas voltam a abrir-se. Esta abertura e fecho pode acontecer muitas vezes sem danificar a estrutura.<\/p>\n<p>\u201cSeria extraordin\u00e1rio conseguirmos desenvolver c\u00e1psulas inteligentes que <strong>ativassem automaticamente medica\u00e7\u00e3o<\/strong> quando detetam doen\u00e7a e parassem quando esta est\u00e1 curada\u201d, explica <strong>Ronit Freeman<\/strong>, diretora do Freeman Lab na UNC e autora s\u00e9nior do estudo, num comunicado publicado no <a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1102227\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">EurekAlert<\/a>. \u201cEm princ\u00edpio,<strong> isto poderia ser poss\u00edvel<\/strong> com os nossos materiais que mudam de forma\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, <strong>flores que mudam de forma<\/strong>, inger\u00edveis ou implant\u00e1veis, poderiam ser concebidas para administrar uma dose dirigida de medicamentos, realizar uma bi\u00f3psia ou desobstruir um co\u00e1gulo sangu\u00edneo\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Sob o microsc\u00f3pio, as nanoflores s\u00e3o <strong>notavelmente din\u00e2micas<\/strong>. Quando o pH circundante se altera, as p\u00e9talas encolhem para quase metade do seu tamanho em menos de um minuto, expandindo-se novamente quando as condi\u00e7\u00f5es se normalizam.<\/p>\n<p>Alterando a sequ\u00eancia e a estratifica\u00e7\u00e3o dos blocos de ADN, a equipa conseguiu <strong>programar diferentes tipos de movimento<\/strong> \u2014 encolhimento, curvatura ou ambos.<\/p>\n<p>Por exemplo, flores feitas de camadas <strong>alternadas de ADN de timina inerte<\/strong> (blocos T) e ADN de citosina reactivo (blocos C) dobravam as suas p\u00e9talas como bot\u00f5es que se fecham. Outras feitas na ordem inversa <strong>simplesmente contra\u00edam-se<\/strong> para dentro.<\/p>\n<p>Os investigadores constru\u00edram ainda <strong>vers\u00f5es de tr\u00eas blocos<\/strong> que combinavam ambos os movimentos simultaneamente.<\/p>\n<p>\u201cInspiramo-nos nos desenhos da natureza, como flores que desabrocham ou tecido que cresce, e traduzimo-los em tecnologia que um dia poder\u00e1 pensar, mover-se e adaptar-se por si pr\u00f3pria\u201d, detalhou Freeman.<\/p>\n<p>Essa precis\u00e3o permite que os<strong> cristais funcionem como m\u00e1quinas<\/strong> min\u00fasculas, capazes de transformar altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas em movimento. Modelos computacionais revelaram que os cientistas podem <strong>ajustar e controlar<\/strong> o seu movimento tal como um sistema mec\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>A tecnologia ainda est\u00e1 na sua inf\u00e2ncia<\/strong>, mas as suas implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o imensas.<\/p>\n<p>Os investigadores vislumbram <strong>vers\u00f5es inger\u00edveis ou implant\u00e1veis<\/strong> que poderiam detetar marcadores de doen\u00e7a e<strong> libertar medicamentos<\/strong> com precis\u00e3o \u2014 exatamente onde necess\u00e1rio. Por exemplo, os tumores cancer\u00edgenos criam um ambiente \u00e1cido, pelo que isto poderia levar a <strong>terapias dirigidas<\/strong>.<\/p>\n<p>Outra aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 a <strong>limpeza de \u00e1gua polu\u00edda<\/strong>. As flores podem funcionar como filtros microsc\u00f3picos que se ativam apenas quando est\u00e3o presentes toxinas.<\/p>\n<p>As flores de ADN n\u00e3o est\u00e3o vivas, mas apontam para um futuro onde a linha entre biologia e m\u00e1quinas <strong>se torna cada vez mais t\u00e9nue<\/strong>.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_971_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_512_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862235_242_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Justin Hill, Philip Rosenberg, Ronit Freeman \/ UNC Visualiza\u00e7\u00e3o das \u201cflores de ADN\u201d microsc\u00f3picas criadas por Ronit Freeman&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":126827,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[11711,2217,116,1208,32,33,117],"class_list":{"0":"post-126826","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-biotecnologia","9":"tag-genetica","10":"tag-health","11":"tag-medicina","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115439803301586271","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}