{"id":127981,"date":"2025-10-27T06:47:16","date_gmt":"2025-10-27T06:47:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/127981\/"},"modified":"2025-10-27T06:47:16","modified_gmt":"2025-10-27T06:47:16","slug":"antiga-prisao-da-pide-em-maputo-vai-ser-museu-hotel-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/127981\/","title":{"rendered":"Antiga pris\u00e3o da PIDE em Maputo vai ser museu-hotel \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O abandonado edif\u00edcio Vila Algarve, im\u00f3vel classificado no centro de Maputo e que serviu como pris\u00e3o da PIDE no per\u00edodo colonial, vai ser transformado em museu-hotel, segundo informa\u00e7\u00e3o do Governo mo\u00e7ambicano consultada este domingo pela Lusa.<\/p>\n<p>De acordo com um an\u00fancio de adjudica\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio dos Combatentes entregou \u00e0 empresa Giluba-Lin o projeto de \u201celabora\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio e explora\u00e7\u00e3o de atividade museu-hotel do edif\u00edcio denominado por Vila Algarve\u201d.<\/p>\n<p>A obra no edif\u00edcio, em avan\u00e7ado estado de degrada\u00e7\u00e3o, no n\u00famero 10 do cruzamento das avenidas dos M\u00e1rtires de Machava e Ahmed Sekou Tour\u00e9, centro de Maputo, est\u00e1 prevista num concurso em duas etapas, segundo o mesmo documento.<\/p>\n<p>Atualmente, todas as entradas da vivenda constru\u00edda em 1934 no cora\u00e7\u00e3o de Maputo, ampliada em 1950 e hoje classificada como Im\u00f3vel de Interesse Arquitet\u00f3nico, est\u00e3o entaipadas e protegem o interior da ocupa\u00e7\u00e3o por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, como j\u00e1 aconteceu em anos anteriores.<\/p>\n<p>Da imponente vivenda no centro de Maputo, decorada por extensos mosaicos com motivos naturalistas, sobram hoje pouco mais do que paredes, tetos e telhados, mas tamb\u00e9m hist\u00f3rias sombrias do per\u00edodo colonial, quando a Pol\u00edcia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) a confiscou, passando a us\u00e1-la como local de tortura de ent\u00e3o combatentes pela independ\u00eancia mo\u00e7ambicana.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como as que o poeta mo\u00e7ambicano Jos\u00e9 Craveirinha (1922-2003) retrata nos seus poemas \u201cN\u00e3o sei se \u00e9 uma medalha\u201d de 1967, e nas duas vers\u00f5es de \u201cVila Algarve\u201d, de 1988 e de 1998, sobre o per\u00edodo em que ali esteve detido, com passagem pelo interrogat\u00f3rio da PIDE.<\/p>\n<p>Em 25 de junho de 1975, Mo\u00e7ambique proclamou a sua independ\u00eancia, mas nos anos seguintes o abandono, a degrada\u00e7\u00e3o e os \u2018fantasmas\u2019 em torno do que ali se passou tomaram conta da Vila Algarve e at\u00e9 a Ordem dos Advogados de Mo\u00e7ambique tentou, sem sucesso, em 2008, fazer do espa\u00e7o a sua sede.<\/p>\n<p>Patrim\u00f3nio do Estado, j\u00e1 foi equacionado em 2011 ali instalar o futuro Museu da Luta de Liberta\u00e7\u00e3o, mas como todos os outros projetos, n\u00e3o avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Mesmo Joaquim Chissano, Presidente mo\u00e7ambicano de 1986 a 2005, tentou, quando era ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, no primeiro do Governo do novo pa\u00eds, colocar ali aquele minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cTentei utilizar a Vila Algarve. N\u00e3o fui bem compreendido. E, ent\u00e3o, depois passaram outras entidades que queriam utilizar a Vila Algarve, e o intuito era preservar o lugar. No meu tempo, era para fazer daquilo um ambiente de paz, de solidariedade, ou o pr\u00f3prio minist\u00e9rio. Como n\u00e3o t\u00ednhamos casas adequadas na altura, era uma maneira de preservar\u201d, recordou em junho, \u00e0 Lusa, o antigo Presidente da Republica.<\/p>\n<p>\u201cE sempre quis que tamb\u00e9m os combatentes da Luta de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional estivessem l\u00e1, como sua sede. N\u00e3o conseguimos, por v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es. Oxal\u00e1 que haja algu\u00e9m que consiga realmente restaurar e preservar esta pe\u00e7a hist\u00f3rica. \u00c9 uma pe\u00e7a hist\u00f3rica muito importante\u201d, desabafou Chissano.<\/p>\n<p>Fantasmas do passado que continuam a pairar na Vila Algarve, cujo abandono o historiador Marlino Mubai, professor na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), n\u00e3o compreende.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 intimamente ligado \u00e0 hist\u00f3ria de Mo\u00e7ambique do ponto de vista da luta contra a domina\u00e7\u00e3o colonial, fascista em particular\u201d, contou o historiador, numa entrevista anterior \u00e0 Lusa, lamentando sucessivos projetos e inten\u00e7\u00f5es falhadas.<\/p>\n<p>Como local que \u201cune\u201d Mo\u00e7ambique e Portugal, Mubai defendia j\u00e1 ent\u00e3o que os dois pa\u00edses deviam unir esfor\u00e7os, como de resto chegou a ser admitido no passado: \u201cPudessem reabilitar aquele espa\u00e7o que lembra, efetivamente, um passado muito dif\u00edcil dos dois povos, mas que, a partir da\u00ed, se forjaram novas alian\u00e7as de irmandade entre os povos que hoje continuam a alimentar a diplomacia mo\u00e7ambicana e portuguesa\u201d.<\/p>\n<p>                    <strong>Tem um minuto?<\/strong><br \/>O Observador est\u00e1 a realizar junto dos seus leitores um curto estudo de apenas quatro perguntas. <a href=\"https:\/\/observador.typeform.com\/to\/DnJJ0FZQ\" target=\"_blank\" style=\"text-decoration: underline; color:#262626;\" rel=\"nofollow noopener\">Responda aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O abandonado edif\u00edcio Vila Algarve, im\u00f3vel classificado no centro de Maputo e que serviu como pris\u00e3o da PIDE&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":127982,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,22917,15,16,14,25,26,21,22,22117,5825,62,12,13,19,20,302,23,24,17,18,1064,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-127981","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-estado-novo","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-maputo","19":"tag-mou00e7ambique","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-polu00edtica","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-u00c1frica","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-world","35":"tag-world-news","36":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115444792966897232","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127981\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}