{"id":128009,"date":"2025-10-27T07:39:20","date_gmt":"2025-10-27T07:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128009\/"},"modified":"2025-10-27T07:39:20","modified_gmt":"2025-10-27T07:39:20","slug":"o-ex-jogador-que-roubou-o-grito-a-historia-por-tras-do-maior-escandalo-da-arte-norueguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128009\/","title":{"rendered":"O ex-jogador que roubou O Grito: a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do maior esc\u00e2ndalo da arte norueguesa"},"content":{"rendered":"<p>Uma reportagem publicada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sportspolitika.news\/p\/football-art-heist-louvre-scream-edvard-munch?utm_campaign=email-half-post&amp;r=13zb7&amp;utm_source=substack&amp;utm_medium=email\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Substack\u00a0Sports Politika<\/a>, do\u00a0jornalista Karim Zidan, reconstr\u00f3i uma das hist\u00f3rias mais ins\u00f3litas envolvendo a\u00a0arte moderna: o roubo de O Grito, obra\u00a0de Edvard Munch, realizado por um ex-jogador.<\/p>\n<p>O museu Munch, em Oslo, abriga\u00a0mais de 1.200 pinturas, 18.000 gravuras, seis esculturas, al\u00e9m de 500 pratos, 2.240 livros e diversos outros itens em\u00a013 andares.\u00a0\u00c9 considerado um dos maiores acervos dedicados a\u00a0um \u00fanico artista do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;As v\u00e1rias vers\u00f5es de\u00a0O Grito\u00a0\u2014 uma pintura, um desenho e uma gravura \u2014 estavam guardadas em uma sala pr\u00f3pria e mal iluminada no museu. Como Munch havia criado cada vers\u00e3o em papel\u00e3o ou papel, elas eram mais fr\u00e1geis do que pinturas a \u00f3leo sobre tela. Portanto, as obras se alternavam a cada 30 minutos; uma estava sempre vis\u00edvel, enquanto as outras duas permaneciam na escurid\u00e3o&#8221;, conta Zidan.<\/p>\n<p><b>Um vil\u00e3o improv\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>Em 1994, durante os Jogos Ol\u00edmpicos de Inverno de Lillehammer, dois homens invadiram a Galeria Nacional de Oslo e, em 50 segundos, levaram a pintura. Deixaram um bilhete debochado: \u201cObrigado pela p\u00e9ssima seguran\u00e7a\u201d. A coincid\u00eancia com a abertura das Olimp\u00edadas transformou o epis\u00f3dio em um esc\u00e2ndalo internacional, obrigando a Noruega a pedir apoio da Scotland Yard para recuperar a obra.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelo assalto era um nome improv\u00e1vel.\u00a0P\u00e5l Enger, ex-jogador do clube V\u00e5lerenga, havia sido o autor do delito.\u00a0Depois, foi descoberto que mesmo\u00a0enquanto atuava como atleta, Enger cometia pequenos furtos.<\/p>\n<p>Sua fascina\u00e7\u00e3o por O Grito nasceu durante uma excurs\u00e3o escolar, quando o jovem reconheceu na pintura o reflexo do trauma que o acompanhava desde a inf\u00e2ncia, marcada\u00a0pelo ambiente opressivo em que cresceu e pela viol\u00eancia sofrida nas m\u00e3os do padrasto.<\/p>\n<p><strong>Furto por engano<\/strong><\/p>\n<p>Antes de roubar a obra-prima, como conta Zidan, Enger tentou furt\u00e1-la\u00a0em 1988, mas\u00a0acabou levando outra pintura de Munch, Vampiro. Ele a escondeu no teto de um sal\u00e3o de bilhar frequentado por policiais. \u201cEles n\u00e3o sabem que est\u00e1 pendurado a apenas um metro deles\u201d, contou, anos depois, no document\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/pt\/title\/tt27191343\/?reasonForLanguagePrompt=browser_header_mismatch\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Man Who Stole The Scream<\/a>. O disfarce durou pouco: foi preso ap\u00f3s a dela\u00e7\u00e3o de um c\u00famplice e passou quatro anos planejando o crime que o tornaria c\u00e9lebre.<\/p>\n<p>Quando o plano de levar O Grito foi executado, em 1994, Enger coordenou o roubo \u00e0 dist\u00e2ncia. Enquanto o mundo assistia \u00e0 abertura das Olimp\u00edadas, um morador de rua contratado por ele levou a obra. \u201cSenti o poder\u201d, confessou.&#13;<br \/>\n&#13;\n<\/p>\n<p>O caso foi resolvido apenas ap\u00f3s uma opera\u00e7\u00e3o internacional, quando um agente brit\u00e2nico se disfar\u00e7ou de negociante de arte. Enger acabou preso e condenado a seis anos e meio de pris\u00e3o,\u00a0a pena mais longa aplicada na Noruega por um crime desse tipo.&#13;<br \/>\n&#13;\n<\/p>\n<p>A pintura foi devolvida e exposta novamente, at\u00e9 ser roubada pela segunda vez em 2004, junto com Madonna e outra obra de Munch. Enger voltou a ser interrogado, mas n\u00e3o teve participa\u00e7\u00e3o comprovada. As pinturas foram recuperadas no fim daquele ano e, hoje, uma das vers\u00f5es de O Grito est\u00e1 protegida no novo Museu Nacional de Oslo, com vista para o mar.&#13;<br \/>\n&#13;\n<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cumprir pena, Enger\u00a0se reinventou como celebridade, participou de document\u00e1rios e se tornou pintor. Morreu em 2024, aos 57 anos. Em sua \u00faltima entrevista, no document\u00e1rio de 2023, resumiu seu legado: \u201cFiz hist\u00f3ria, e \u00e9 uma hist\u00f3ria legal\u201d.&#13;<br \/>\n  &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma reportagem publicada pelo\u00a0Substack\u00a0Sports Politika, do\u00a0jornalista Karim Zidan, reconstr\u00f3i uma das hist\u00f3rias mais ins\u00f3litas envolvendo a\u00a0arte moderna: o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":128010,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-128009","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115444997468367650","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128009\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}