{"id":128313,"date":"2025-10-27T12:30:08","date_gmt":"2025-10-27T12:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128313\/"},"modified":"2025-10-27T12:30:08","modified_gmt":"2025-10-27T12:30:08","slug":"morreu-o-actor-bjorn-andresen-o-rapaz-mais-belo-do-mundo-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128313\/","title":{"rendered":"Morreu o actor Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen, \u201co rapaz mais belo do mundo\u201d | Cinema"},"content":{"rendered":"<p>O actor sueco Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen, o eterno Tadzio do filme Morte em Veneza, do realizador italiano Luchino Visconti, morreu no s\u00e1bado, noticiou a imprensa sueca. Tinha 70 anos. Foi quase um actor de um filme s\u00f3, depois da estreia da obra-prima de Visconti em 1971, quando tinha apenas 15 anos, o ter catapultado para a fama, transformando-o num \u00edcone de beleza.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dessa fatalidade, desse destino quase tr\u00e1gico, que o transformou em objecto de desejo homoer\u00f3tico quando era adolescente, foi contada no document\u00e1rio The Most Beautiful Boy in the World (numa tradu\u00e7\u00e3o livre, O Rapaz mais Belo do Mundo), realizado por Kristina Lindstr\u00f6m e Kristian Petri, que se estreou em 2021, 50 anos depois do filme de Visconti. A morte de Andr\u00e9sen foi anunciada pelo realizador Kristian Petri, que n\u00e3o adiantou causa de morte.<\/p>\n<p>No filme de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/luchino-visconti\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Visconti<\/a>, um cl\u00e1ssico que adapta o romance hom\u00f3nimo de Thomas Mann, Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen encarna Tadzio, um efebo vestido de marinheiro e cara de Botticelli, objecto de desejo do protagonista, Gustav von Aschenbach, interpretado por <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/1999\/05\/10\/jornal\/o-actor-que-escrevia-romances-133358\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dirk Bogarde<\/a>, um compositor de meia-idade que se apaixona por ele. Numa Veneza contaminada pela doen\u00e7a, t\u00e3o bela como decadente, Aschenbach simboliza a morte e a velhice, enquanto Tadzio a juventude e a beleza, dois pap\u00e9is que funcionam em espelho.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/youtu.be\/6-42QSSYrGE?si=_NXtlr4iJMekib-s\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p>Na pungente cena final do filme, o moribundo Aschenbach observa mais uma vez o adolescente loiro, agora em fato de banho a brincar na praia. Com a m\u00fasica de Mahler, o Adagietto da Sinfonia n.\u00ba5, o corpo de Tadzio em contraluz, ao fundo a entrar no mar, Aschenbach morre fulminado por um ataque card\u00edaco, sentado numa cadeira de lona, com a tinta do cabelo pintado a escorrer-lhe pelo rosto.<\/p>\n<p>Quando o document\u00e1rio The Most Beautiful Boy in the World se estreou (em Portugal nunca chegou \u00e0s salas), Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen disse que o realizador italiano \u201cestava-se nas tintas\u201d para os seus sentimentos. Realizado ap\u00f3s o movimento <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/metoo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">MeToo<\/a>, que denunciou o ass\u00e9dio e a viol\u00eancia sexuais no cinema, a resposta n\u00e3o \u00e9 surpreendente, mas o actor sueco levou algum tempo a fazer a sua catarse. \u201cLuchino era o tipo de predador cultural que sacrificaria qualquer coisa ou qualquer pessoa pelo trabalho\u201d, disse ao jornal brit\u00e2nico The Guardian na altura, declara\u00e7\u00f5es que s\u00e3o agora recordadas no <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2025\/oct\/27\/bjorn-andresen-swedish-actor-dies-aged-70?CMP=share_btn_url\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">obitu\u00e1rio do actor<\/a>. Sobre Morte em Veneza, foi lapidar: \u201cDeu cabo da minha vida.\u201d Foi Visconti que chamou a Andr\u00e9sen, na imprensa da \u00e9poca, \u201co rapaz mais belo do mundo\u201d, recorda o Guardian.<\/p>\n<p>O actor contou que o realizador italiano, lembra tamb\u00e9m a revista Hollywood Reporter, o levou a uma discoteca gay quando tinha apenas 16 anos e que Andr\u00e9sen, que era heterossexual mas n\u00e3o homof\u00f3bico, num relato do pr\u00f3prio, se sentiu \u201cmuito desconfort\u00e1vel\u201d pela maneira como foi tratado, quando era t\u00e3o novo. \u201cEu sabia que n\u00e3o podia reagir. Teria sido um suic\u00eddio social. Mas foi o primeiro de muitos encontros do g\u00e9nero.\u201d<\/p>\n<p>Antes de Morte em Veneza, Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen j\u00e1 tinha desempenhado um papel em 1970, em Uma Hist\u00f3ria de Amor Sueca, de Roy Anderson, recordava o jornal sueco <a href=\"https:\/\/www.dn.se\/kultur\/skadespelaren-bjorn-andresen-ar-dod\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Dagens Nyheter<\/a>, que anunciou a morte no domingo.<\/p>\n<p>Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen nunca conseguiu livrar-se do ep\u00edteto \u201co rapaz mais belo do mundo\u201d, contou ao jornal sueco o realizador do document\u00e1rio com o mesmo t\u00edtulo, acrescentando que o actor, que j\u00e1 conhecia h\u00e1 40 anos, n\u00e3o aderiu logo \u00e0 ideia do projecto. \u201cKristina e eu come\u00e7\u00e1mos a conversar h\u00e1 muito tempo sobre o desejo de fazer uma longa-metragem sobre Bj\u00f6rn. A ideia era que ele contasse a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e convers\u00e1mos com ele durante um ano inteiro antes de come\u00e7armos a filmar. Depois, film\u00e1mos v\u00e1rios anos \u2013 e foi uma rodagem divertida e, \u00e0s vezes, dolorosa\u201d, explicou Kristian Petri. Andr\u00e9sen, acrescentou, \u201cera uma pessoa muito corajosa\u201d e n\u00e3o quis surgir como uma v\u00edtima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O actor sueco Bj\u00f6rn Andr\u00e9sen, o eterno Tadzio do filme Morte em Veneza, do realizador italiano Luchino Visconti,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":128314,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[470,315,1413,114,115,471,29244,32,33],"class_list":{"0":"post-128313","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-cinema","9":"tag-cultura","10":"tag-cultura-ipsilon","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-filme","14":"tag-luchino-visconti","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115446141741676432","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128313\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}