{"id":128680,"date":"2025-10-27T17:51:15","date_gmt":"2025-10-27T17:51:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128680\/"},"modified":"2025-10-27T17:51:15","modified_gmt":"2025-10-27T17:51:15","slug":"adn-do-exercito-de-napoleao-na-invasao-a-russia-revela-o-que-tera-levado-soldados-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/128680\/","title":{"rendered":"ADN do ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o na invas\u00e3o \u00e0 R\u00fassia revela o que ter\u00e1 levado soldados \u00e0 morte"},"content":{"rendered":"<p>\t                Mortandade das for\u00e7as francesas fracassadas em 1812 encontra novas explica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Perto do fim do seu reinado, em 1812, o imperador franc\u00eas Napole\u00e3o Bonaparte liderou um ex\u00e9rcito de mais de meio milh\u00e3o de homens numa invas\u00e3o \u00e0 R\u00fassia. Estima-se que, seis meses depois, ap\u00f3s o ex\u00e9rcito ter sido for\u00e7ado a recuar, apenas dezenas de milhares dos seus soldados ter\u00e3o conseguido regressar a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A morte de centenas de milhares de soldados foi atribu\u00edda ao combate, bem como \u00e0 fome, ao frio e a uma epidemia de tifo, o que fez desta uma das batalhas com custos mais elevados da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Agora, investigadores encontraram evid\u00eancias e no DNA de restos mortais de soldados de que pode ter havido v\u00e1rias doen\u00e7as que devastaram o ex\u00e9rcito, incluindo dois tipos de bact\u00e9rias anteriormente n\u00e3o detectados. O estudo foi <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(25)01247-3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">publicado na sexta-feira<\/a> na revista Current Biology.<\/p>\n<p>&#8220;Anteriormente, pens\u00e1vamos que tinha havido apenas uma doen\u00e7a infecciosa que dizimou o ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o \u2014 o tifo&#8221;, disse o autor principal do estudo, R\u00e9mi Barbieri, ex-bolseiro de p\u00f3s-doutoramento no Instituto Pasteur em Paris, que atualmente ocupa um cargo de p\u00f3s-doutorado na Universidade de Tartu, na Est\u00f3nia. Em vez disso, os investigadores descobriram algo inesperado, abrindo a porta para a poss\u00edvel descoberta de outras doen\u00e7as infecciosas que podem ter contribu\u00eddo para a morte dos soldados, acrescentou.<\/p>\n<p>Os investigadores encontraram agentes patog\u00e9nicos \u2014 Salmonella enterica e Borrelia recurrentis, bact\u00e9rias que causam febre paratif\u00f3ide e febre recorrente, respetivamente \u2014 ao analisar os dentes dos soldados mortos encontrados numa vala comum descoberta em 2001 em Vilnius, na Litu\u00e2nia.<\/p>\n<p>As novas descobertas n\u00e3o s\u00f3 d\u00e3o uma imagem mais clara de um acontecimento hist\u00f3rico significativo, como tamb\u00e9m destacam como a tecnologia avan\u00e7ou e abriu as portas para a compreens\u00e3o das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, afirmam os investigadores.<\/p>\n<p>Caldeir\u00e3o de doen\u00e7as <\/p>\n<p>Quando Napole\u00e3o e as suas tropas chegaram a Moscovo, n\u00e3o encontraram soldados russos. Em vez disso, a cidade estava abandonada, com colheitas queimadas e sem suprimentos dispon\u00edveis, incluindo alimentos seguros e roupas limpas. Com a aproxima\u00e7\u00e3o dos rigorosos meses de inverno, o ex\u00e9rcito franc\u00eas foi for\u00e7ado a recuar, mas n\u00e3o sem enfrentar muitas dificuldades.<\/p>\n<p>A Rickettsia prowazekii, a bact\u00e9ria respons\u00e1vel pelo tifo, foi detectada pela primeira vez nos dentes dos soldados de Napole\u00e3o durante um estudo de 2006, mas a pesquisa foi limitada pela tecnologia da \u00e9poca. Para descobrir se o tifo foi o \u00fanico culpado pela morte dos soldados, os autores do novo estudo utilizaram um m\u00e9todo conhecido como sequenciamento de alto rendimento, que pode sequenciar milh\u00f5es de fragmentos de ADN de uma s\u00f3 vez. Ele permite a identifica\u00e7\u00e3o de DNA altamente degradado, como os fragmentos de genoma extra\u00eddos de amostras com mais de 200 anos.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 algo que s\u00f3 pode ser feito com essas m\u00e1quinas que s\u00e3o muito poderosas para sequenciar uma grande quantidade de DNA\u201d, disse o coautor do estudo Nicol\u00e1s Rascovan, supervisor da pesquisa e chefe da Unidade de Paleogen\u00f3mica Microbiana do Instituto Pasteur. &#8220;Este tipo de an\u00e1lise, este tipo de projetos, pode realmente dar uma imagem muito mais clara sobre o panorama das doen\u00e7as infecciosas no passado&#8230; e como (os acontecimentos hist\u00f3ricos) tamb\u00e9m moldaram o panorama das doen\u00e7as infecciosas hoje.&#8221;<\/p>\n<p>Os autores do estudo analisaram 13 amostras e n\u00e3o encontraram vest\u00edgios de tifo, mas o seu trabalho n\u00e3o desacredita as conclus\u00f5es do estudo de 2006, observaram os investigadores. A amostra do estudo tamb\u00e9m \u00e9 muito pequena para saber o impacto exato que as doen\u00e7as tiveram no ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o. \u201cO que muda (com) o nosso estudo \u00e9 o facto de agora termos evid\u00eancias diretas de que havia v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas diferentes presentes neste local\u201d, disse Rascovan. \u00c9 prov\u00e1vel que mais doen\u00e7as estivessem em jogo e ainda n\u00e3o tenham sido detectadas, acrescentou.<\/p>\n<p>Cecil Lewis, um investigador de ADN antigo que estuda o microbioma humano, disse que os resultados n\u00e3o foram particularmente surpreendentes, mas considerou-os uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para &#8220;a nossa compreens\u00e3o do fim do ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o&#8221;. Lewis, vice-presidente acad\u00e9mico da Escola de Ci\u00eancia e Matem\u00e1tica de Oklahoma, n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos agora num per\u00edodo em que os estudos de ADN antigo podem contribuir com mais nuances para a compreens\u00e3o de tais eventos hist\u00f3ricos, o que \u00e9 empolgante&#8221;, afirmou Lewis por e-mail. &#8220;O estudo de pat\u00f3genos hist\u00f3ricos e antigos, o seu lugar na hist\u00f3ria, oferece um vislumbre dos caminhos evolutivos que os organismos percorreram, alguns agora extintos, outros formando a base dos pat\u00f3genos atuais. Esses dados ajudam-nos a compreender melhor as possibilidades de como os pat\u00f3genos podem afetar vidas, evoluir e persistir, o que \u00e9 crucial para antecipar e gerir amea\u00e7as futuras.&#8221;<\/p>\n<p>A febre paratif\u00f3ide e a febre recorrente ainda existem hoje, mas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o comuns ou mortais. Napole\u00e3o sobreviveu \u00e0 retirada, mas o seu ex\u00e9rcito em decl\u00ednio acabou por contribuir para a sua queda do poder alguns anos mais tarde.<\/p>\n<p>\u201cAlgo bastante impressionante \u00e9 como, em t\u00e3o pouco tempo, desde 2006, com o primeiro estudo, at\u00e9 hoje, as tecnologias se desenvolveram tanto que podemos fazer coisas que eram imposs\u00edveis de se imaginar h\u00e1 alguns anos e agora s\u00e3o poss\u00edveis\u201d, disse Rascovan. \u201cPortanto, estou muito animado para pensar no que vir\u00e1 a seguir em termos de desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Imagem no topo:\u00a0Napole\u00e3o Bonaparte no &#8220;Retrato de Napole\u00e3o I&#8221; de 1812, da autoria de Charles Auguste Steuben. Foto Josse\/Leemage\/Corbis\/Getty Images<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mortandade das for\u00e7as francesas fracassadas em 1812 encontra novas explica\u00e7\u00f5es Perto do fim do seu reinado, em 1812,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":128681,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,15,16,208,301,830,14,736,603,25,26,570,21,22,831,833,62,29305,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,839,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-128680","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-comentadores","16":"tag-costa","17":"tag-crime","18":"tag-desporto","19":"tag-direto","20":"tag-economia","21":"tag-featured-news","22":"tag-featurednews","23":"tag-franca","24":"tag-governo","25":"tag-guerra","26":"tag-headlines","27":"tag-historia","28":"tag-justica","29":"tag-latest-news","30":"tag-latestnews","31":"tag-live","32":"tag-main-news","33":"tag-mainnews","34":"tag-mais-vistas","35":"tag-marcelo","36":"tag-mundo","37":"tag-napoleao-bonaparte","38":"tag-negocios","39":"tag-news","40":"tag-noticias","41":"tag-noticias-principais","42":"tag-noticiasprincipais","43":"tag-opiniao","44":"tag-pais","45":"tag-politica","46":"tag-portugal","47":"tag-principais-noticias","48":"tag-principaisnoticias","49":"tag-russia","50":"tag-top-stories","51":"tag-topstories","52":"tag-ultimas","53":"tag-ultimas-noticias","54":"tag-ultimasnoticias","55":"tag-world","56":"tag-world-news","57":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}