{"id":129519,"date":"2025-10-28T08:01:07","date_gmt":"2025-10-28T08:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/129519\/"},"modified":"2025-10-28T08:01:07","modified_gmt":"2025-10-28T08:01:07","slug":"cancer-de-mama-como-a-doenca-afeta-a-vida-sexual-28-10-2025-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/129519\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer de mama: como a doen\u00e7a afeta a vida sexual &#8211; 28\/10\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer-de-mama\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer de mama<\/a> e seu tratamento impactam profundamente a vida sexual das mulheres. De acordo com a Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica, at\u00e9 90% das pacientes enfrentam algum tipo de disfun\u00e7\u00e3o sexual depois do tratamento, que passa por queda da<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/10\/os-fatores-que-prejudicam-a-libido-de-homens-e-mulheres.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> libido<\/a>, dor durante as rela\u00e7\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es na autoimagem.<\/p>\n<p>Foi esse \u00faltimo aspecto que marcou Marc\u00f4ndia Araujo de Souza, 49. Ela recebeu o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama em janeiro de 2024 e teve que realizar quimioterapia e uma mastectomia total do lado esquerdo.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a> retornou no local da cirurgia e, depois, gerou mest\u00e1stase no f\u00edgado. A queda do cabelo e outras mudan\u00e7as f\u00edsicas a abalaram, e sua vida sexual e relacionamento tamb\u00e9m foram afetados.<\/p>\n<p>Casada h\u00e1 17 anos com uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mulher\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mulher<\/a>, Marc\u00f4ndia descreve uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica na intimidade. &#8220;Fiquei com vergonha. Tenho ainda muita vergonha. Trocava as roupas na frente dela e hoje em dia eu n\u00e3o fa\u00e7o isso&#8221;, diz. Ela afirma que a din\u00e2mica entre elas acabou se transformando em uma rela\u00e7\u00e3o de amigas \u2014 uma decis\u00e3o que partiu de Marc\u00f4ndia, apesar do constante apoio da parceira.<\/p>\n<p>Durante o tratamento, ela diz que os m\u00e9dicos n\u00e3o falaram sobre os impactos que o c\u00e2ncer poderia ter sobre sua vida sexual. Ela acha que tirar d\u00favidas poderia melhorar sua qualidade de vida, mas n\u00e3o se sente \u00e0 vontade. &#8220;Eu fico muito com esse pensamento, \u00e0s vezes, de perguntar sobre se pode, se n\u00e3o pode&#8230;&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Sandra Cristina Scalco, ginecologista e secret\u00e1ria da comiss\u00e3o nacional especializada em sexologia da Febrasgo (Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia), <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/04\/mulheres-com-cancer-vivem-problemas-de-saude-sexual-mas-questao-e-ignorada-por-medicos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">o tema \u00e9 invisibilizado<\/a> pelos profissionais de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>. Essa lacuna estaria presente no treinamento desses profissionais e tamb\u00e9m nos estigmas da sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes que passam por uma situa\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer deveriam fazer uma interven\u00e7\u00e3o precoce nesse sentido porque j\u00e1 se sabe que a curto, m\u00e9dio e longo prazo essas pacientes t\u00eam um pior progn\u00f3stico quando n\u00e3o \u00e9 abordado o tema&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A ginecologista defende que a sexualidade deve ser abordada dentro de um contexto biopsicossocial, envolvendo fatores biol\u00f3gicos, como cirurgia e medicamentos; ps\u00edquicos, como a autoestima; e sociais, como a parceria e o repert\u00f3rio sexual da paciente.<\/p>\n<p>Tiana Dias, 45, diz que o tratamento tornou sua vida sexual complicada. Casada h\u00e1 25 anos, o companheirismo do marido foi fundamental durante o processo \u2014ela trata um c\u00e2ncer de mama metast\u00e1tico desde 2021.<\/p>\n<p>Apesar de sua m\u00e9dica abordar o tema da sexualidade, ela afirma que ainda tem vergonha e sente dificuldade de ter informa\u00e7\u00f5es acess\u00edveis. Al\u00e9m disso, fala sobre uma certa hierarquia de afli\u00e7\u00f5es que impedem que esse tema seja trazido \u00e0 tona. &#8220;S\u00e3o tantas preocupa\u00e7\u00f5es que o sexo a gente deixa bem l\u00e1 por \u00faltimo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Na maioria das palestras que eu vou hoje, sexualidade \u00e9 um assunto, mas as mulheres ainda t\u00eam vergonha. A gente sente vergonha de chegar para o m\u00e9dico e falar: &#8216;Olha, e como que fica essa quest\u00e3o do sexo?'&#8221;<\/p>\n<p>A fisioterapeuta Luciana Mesquita, 50, afirma que sentiu impactos significativos em sua sexualidade, entre eles fadiga e falta de desejo, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/02\/menopausa-precoce-acomete-mulheres-com-cancer-de-mama.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">menopausa induzida<\/a> e agravada pela medica\u00e7\u00e3o anti-hormonal, ressecamento vaginal e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/778593-mais-de-70-das-mulheres-nunca-atingiram-o-orgasmo-com-seus-parceiros.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dificuldade para atingir o orgasmo<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Coisas que davam certo, ou seja, que te davam prazer, que te faziam ficar mais envolvida e animada com o sexo, passam a n\u00e3o funcionar mais&#8221;, diz. Diante disso, ela percebeu como foi importante ter conversas sinceras com seu parceiro. &#8220;O casal tem que se redescobrir. E os dois t\u00eam que estar dispostos a isso. O di\u00e1logo \u00e9 fundamental.&#8221;<\/p>\n<p>Com o aumento da sobrevida das pacientes com c\u00e2ncer de mama, \u00e9 crucial melhorar a qualidade de vida \u2014e isso envolve a vida sexual, afirma Stany de Paula, m\u00e9dica do Cancer Center Oncocl\u00ednicas, em Nova Lima, Minas Gerais. &#8220;Existe uma necessidade de educar os m\u00e9dicos, os farmac\u00eauticos, as enfermeiras, toda pessoa que passa por essa paciente, para que a gente diminua essas barreiras culturais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>De Paula tamb\u00e9m fala sobre a import\u00e2ncia de dar permiss\u00e3o e escolhas \u00e0 paciente, ouvindo suas dificuldades e informando sobre as op\u00e7\u00f5es de tratamento, que v\u00e3o desde<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2025\/02\/lubrificantes-para-motores-terao-uma-nova-especificacao-global-a-partir-de-marco.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> lubrificantes<\/a> e<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/03\/treinos-para-o-assoalho-pelvico-sao-beneficos-para-todas-as-mulheres-conheca.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> fisioterapia p\u00e9lvica<\/a> at\u00e9 medica\u00e7\u00f5es. &#8220;A gente precisa melhorar a qualidade de vida dessa paciente e essa qualidade de vida passa pela vida sexual dela. Ent\u00e3o \u00e9 importante integrar o oncologista com a sexualidade e com a sa\u00fade sexual.&#8221;<\/p>\n<p>A Oncocl\u00ednicas utiliza o protocolo de atendimento baseado no modelo Plissit, sigla em ingl\u00eas para Permiss\u00e3o, Informa\u00e7\u00f5es Limitadas, Sugest\u00f5es Espec\u00edficas e Tratamento Intensivo. Isso significa falar com a paciente abertamente sobre sexo, sem julgamentos, e oferecer informa\u00e7\u00f5es claras, al\u00e9m de medidas personalizadas. &#8220;Quando a gente fala com a paciente que a gente precisa normalizar essa conversa sobre sexualidade, eu vou trazer pra ela um al\u00edvio, muitas vezes, de que aquilo tem solu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O c\u00e2ncer de mama e seu tratamento impactam profundamente a vida sexual das mulheres. 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