{"id":129917,"date":"2025-10-28T15:01:13","date_gmt":"2025-10-28T15:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/129917\/"},"modified":"2025-10-28T15:01:13","modified_gmt":"2025-10-28T15:01:13","slug":"gordura-e-massa-muscular-ajudam-a-prolongar-a-vida-de-pacientes-com-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/129917\/","title":{"rendered":"Gordura e massa muscular ajudam a prolongar a vida de pacientes com c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\"><strong>Fernanda Bassette\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Nos \u00faltimos anos, o avan\u00e7o da <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/06\/7165568-pacientes-oncologicos-a-importancia-da-vacinacao-no-inverno.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>oncologia<\/strong> <\/a>tem mostrado que compreender o c\u00e2ncer vai al\u00e9m de olhar apenas para o tumor. O estado nutricional e a composi\u00e7\u00e3o corporal dos pacientes, por exemplo, t\u00eam revelado fatores cada vez mais relevantes para o progn\u00f3stico e para a resposta aos tratamentos \u2013 especialmente quando se fala de <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/07\/7211659-diagnostico-tardio-compromete-tratamento-de-cancer-de-cabeca-e-pescoco.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p class=\"texto\">Esse cen\u00e1rio ganha novas evid\u00eancias com a publica\u00e7\u00e3o recente de dois trabalhos apoiados pela FAPESP e conduzidos por pesquisadores do Centro de Inova\u00e7\u00e3o Teran\u00f3stica em C\u00e2ncer (CancerThera), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) financiados pela Funda\u00e7\u00e3o. O CancerThera \u00e9 sediado no Centro de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Estadual de Campinas (Hemocentro-Unicamp).<\/p>\n<p>Os estudos, orientados por Jos\u00e9 Barreto Campello Carvalheira, foram publicados em revistas internacionais de nutri\u00e7\u00e3o e oncologia cl\u00ednica e investigaram a rela\u00e7\u00e3o entre adiposidade (dep\u00f3sito de gordura), muscularidade (quantidade de massa muscular) e sobrevida em pessoas com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, um dos tipos de tumor mais complexos de manejar.<\/p>\n<p class=\"texto\">O c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o engloba um grupo de tumores que podem se desenvolver em diferentes regi\u00f5es, como boca, l\u00edngua, faringe, laringe, seios da face e gl\u00e2ndulas salivares. Os tumores da cavidade oral (que incluem l\u00e1bios, cavidade oral, gl\u00e2ndulas salivares e orofaringe) representam o oitavo tipo de c\u00e2ncer mais comum no Brasil, afetando majoritariamente homens acima dos 40 anos \u2013 entre as mulheres, ele n\u00e3o figura entre os dez mais frequentes, segundo dados do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca).<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cO paciente com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o \u00e9 um dos que mais ficam desnutridos. Isso acontece porque, al\u00e9m das quest\u00f5es relacionadas ao tumor e ao tratamento em si, a doen\u00e7a afeta diretamente regi\u00f5es ligadas \u00e0 mastiga\u00e7\u00e3o e degluti\u00e7\u00e3o, o que dificulta a ingest\u00e3o de alimentos. Naturalmente, esses pacientes t\u00eam uma perda de peso maior, uma desnutri\u00e7\u00e3o mais acentuada e, por isso, s\u00e3o considerados de alto risco nutricional\u201d, explica a nutricionista Maria Carolina Santos Mendes, coorientadora dos trabalhos e pesquisadora associada ao CancerThera.<\/p>\n<p class=\"texto\">Embora o papel da obesidade como fator de risco para o desenvolvimento de diferentes c\u00e2nceres j\u00e1 seja bem estabelecido na literatura, a influ\u00eancia do tecido adiposo depois que a doen\u00e7a est\u00e1 instalada ainda \u00e9 um campo pouco explorado. \u201cNo c\u00e2ncer existe algo chamado \u2018paradoxo da obesidade\u2019. Sabemos que a obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de v\u00e1rios tipos de tumor, mas, em algumas situa\u00e7\u00f5es, o tecido adiposo pode atuar como fator protetor quando o paciente j\u00e1 tem a doen\u00e7a instalada. Foi isso que observamos tamb\u00e9m no c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o\u201d, detalha Mendes.<\/p>\n<p class=\"texto\">O primeiro estudo do grupo foi publicado em mar\u00e7o deste ano na Frontiers in Nutrition e analisou 132 pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o localmente avan\u00e7ado. A equipe utilizou imagens de tomografia computadorizada no n\u00edvel da terceira v\u00e9rtebra cervical (C3) para avaliar par\u00e2metros de composi\u00e7\u00e3o corporal, como o \u00edndice total de tecido adiposo e a quantidade de massa muscular.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os resultados mostraram que pacientes com n\u00edveis mais altos de adiposidade apresentaram risco reduzido de mortalidade em compara\u00e7\u00e3o aos com baixos \u00edndices de gordura: indiv\u00edduos com mais tecido adiposo tiveram mediana de sobrevida global de 27,9 meses, contra 13,9 meses entre os que apresentavam baixos \u00edndices \u2013 o dobro de tempo de vida.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cEsse dado chama a aten\u00e7\u00e3o ao confirmar que pacientes com maior quantidade de gordura na regi\u00e3o da C3 tinham sobrevida maior. Isso nos faz pensar na import\u00e2ncia da terapia nutricional precoce. Se eu identifico logo no diagn\u00f3stico que o paciente tem baixa reserva de gordura, posso intervir de forma mais espec\u00edfica e talvez aumentar sua sobrevida\u201d, explica Mendes.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os achados desse primeiro estudo tamb\u00e9m mostraram que a preserva\u00e7\u00e3o da massa muscular nesses pacientes se mostrou um fator protetor independente para a sobrevida global. Os autores constataram que pacientes com maior quantidade de massa muscular sobreviveram, em m\u00e9dia, 22,9 meses, enquanto aqueles com baixa musculatura viveram 8,6 meses.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cEsses resultados demonstram claramente o impacto da composi\u00e7\u00e3o corporal nesse grupo e a import\u00e2ncia de avaliar tamb\u00e9m o tecido adiposo. Eles abrem novas perguntas para a ci\u00eancia: qual o impacto do metabolismo do tecido adiposo no progn\u00f3stico desses pacientes? Ser\u00e1 que conseguimos reverter esse quadro e aumentar a sobrevida dessas pessoas com suporte nutricional precoce? \u00c9 esse tipo de investiga\u00e7\u00e3o que norteia o foco do nosso laborat\u00f3rio\u201d, acrescenta a nutricionista.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Impacto no c\u00e2ncer metast\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">O segundo estudo da equipe, publicado em agosto na Clinical Nutrition ESPEN, analisou outro grupo de 101 pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o metast\u00e1tico ou recorrente atendidos no Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp e refor\u00e7a a relev\u00e2ncia da composi\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n<p class=\"texto\">Mais uma vez, a tomografia da regi\u00e3o cervical C3 foi utilizada para mapear m\u00fasculo e gordura. Os resultados mostraram que a baixa muscularidade est\u00e1 fortemente associada a piores desfechos cl\u00ednicos. \u201cTodos os indiv\u00edduos com baixa massa muscular morreram em at\u00e9 24 meses de seguimento. Em contrapartida, alguns com maior muscularidade ainda estavam vivos ap\u00f3s 40 meses. Isso refor\u00e7a como ela pode ser determinante para a sobrevida\u201d, ressalta Mendes.<\/p>\n<p class=\"texto\">Juntos, os achados dos dois estudos chamam a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de olhar o paciente como um todo e incorporar a avalia\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o corporal no cuidado cl\u00ednico. Segundo a pesquisadora, a avalia\u00e7\u00e3o pelas tomografias (que s\u00e3o realizadas como rotina) facilita esse tipo de an\u00e1lise, tornando-a acess\u00edvel para grande parte dos pacientes oncol\u00f3gicos.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cA maioria dos estudos olha apenas para a musculatura. O diferencial das nossas pesquisas foi incluir tamb\u00e9m o tecido adiposo, e encontramos resultados muito relevantes. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 apenas a quantidade de gordura que importa, mas tamb\u00e9m seu metabolismo e como ele pode trazer informa\u00e7\u00f5es valiosas durante o tratamento\u201d, afirma Mendes.<\/p>\n<p class=\"texto\">Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, a contribui\u00e7\u00e3o desses estudos \u00e9 significativa por abrir espa\u00e7o para novas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas que considerem a intera\u00e7\u00e3o entre m\u00fasculo, gordura e c\u00e2ncer. \u201cA ideia \u00e9 refor\u00e7ar o que j\u00e1 sabemos: acompanhar a nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial. Mas, muitas vezes, isso acaba sendo negligenciado na pr\u00e1tica. Queremos mostrar que a avalia\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o corporal deve ser incorporada de forma rotineira, porque pode fazer diferen\u00e7a no tempo e na qualidade de vida desses pacientes\u201d, conclui Mendes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fernanda Bassette\u00a0 Nos \u00faltimos anos, o avan\u00e7o da oncologia tem mostrado que compreender o c\u00e2ncer vai al\u00e9m de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":129918,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1776,1023,116,18993,32,33,117],"class_list":{"0":"post-129917","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cancer","9":"tag-gordura","10":"tag-health","11":"tag-massa-muscular","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115452397685286333","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129917\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/129918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}