{"id":130454,"date":"2025-10-28T22:30:17","date_gmt":"2025-10-28T22:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/130454\/"},"modified":"2025-10-28T22:30:17","modified_gmt":"2025-10-28T22:30:17","slug":"detidos-dois-suspeitos-de-matar-militar-da-gnr-apos-abalroamento-com-lancha-no-rio-guadiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/130454\/","title":{"rendered":"Detidos dois suspeitos de matar militar da GNR ap\u00f3s abalroamento com lancha no rio Guadiana"},"content":{"rendered":"<p>A GNR e a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ) detiveram esta ter\u00e7a-feira, 28 de outubro, dois suspeitos de terem estado envolvidos no abalroamento de uma embarca\u00e7\u00e3o da GNR, com recurso a uma lancha, causando a morte de um militar da Guarda.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, <strong>os dois suspeitos j\u00e1 estavam referenciados por tr\u00e1fico de droga em Espanha<\/strong>. Ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o, foram entregues \u00e0 PJ para serem interrogados. Os suspeitos <strong>foram detidos quando tentavam atravessar uma ponte, num carro de matr\u00edcula espanhola, a caminho do pa\u00eds vizinho. Teriam na sua posse &#8220;avultadas quantias de dinheiro&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Na origem das deten\u00e7\u00f5es est\u00e1 a intersec\u00e7\u00e3o a uma lancha r\u00e1pida, na zona de Alcoutim, detetada pela GNR na noite de segunda-feira, pelas 23h15, atrav\u00e9s do seu sistema de gest\u00e3o costeira. Quando foram intercetados, os suspeitos abalroaram a embarca\u00e7\u00e3o da Guarda, provocando a morte do militar e ferimentos noutros tr\u00eas operacionais. Esta lancha seria depois encontrada cerca de quatro quil\u00f3metros mais \u00e0 frente, abandonada e em chamas. Os suspeitos colocaram-se em fuga, tendo dois deles sido agora detidos.<\/p>\n<p>Ouvido pelo DN, Lu\u00eds Matos, militar da GNR e coordenador da regi\u00e3o sul da Associa\u00e7\u00e3o de Profissionais da Guarda (APG), refere que \u201ccolocar mais meios humanos\u201d \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Guarda Nacional Republicana (GNR) poderia \u201cajudar\u201d a que situa\u00e7\u00f5es como a da noite de segunda-feira, em Alcoutim, se tornassem \u201cmenos gravosas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo disse Carlos Canat\u00e1rio, porta-voz da GNR ao DN, \u201cn\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o\u201d sobre a origem e o destino desta lancha r\u00e1pida. <strong>No entanto, o <\/strong><strong>modus operandi<\/strong><strong> associado ao tr\u00e1fico de droga levanta duas hip\u00f3teses<\/strong>: \u201cNormalmente, quando se trata de coca\u00edna, estas lanchas v\u00eam da Am\u00e9rica do Sul, fazendo a trasfega no Atl\u00e2ntico. Se for tr\u00e1fico de haxixe, ser\u00e3o provenientes do norte de \u00c1frica, passando o produto estupefaciente de uma embarca\u00e7\u00e3o maior, no Mediterr\u00e2neo, para estas lanchas que depois tentam entrar na Europa por esta via.\u201d Questionado sobre o assunto, <strong>o<\/strong> <strong>respons\u00e1vel n\u00e3o quis adiantar nenhuma possibilidade sobre o que ter\u00e1 acontecido aos estupefacientes neste caso.<\/strong><\/p>\n<p>Antes de se colocarem em fuga, os suspeitos ter\u00e3o ficado encalhados na margem do rio, com a lancha a incendiar-se pouco depois. Ser\u00e1 isto uma suspeita de fogo posto? Lu\u00eds Matos, da APG e colega de Pedro Manata Silva na Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras de Olh\u00e3o, n\u00e3o descarta essa possibilidade: \u201c<strong>N\u00e3o consigo responder a isso, mas normalmente, nestes casos, as embarca\u00e7\u00f5es v\u00eam de alto mar, fazem o desembarque [da droga] tanto no Guadiana como no rio Pedras<\/strong>, em Espanha, queimam a lancha e depois escapam\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o militar da GNR, <strong>este tipo de situa\u00e7\u00f5es poderia ser mais acautelada se houvesse maior coopera\u00e7\u00e3o e meios ao dispor da guarda.<\/strong> \u201cEste \u00e9 um tipo de servi\u00e7o que n\u00e3o se costuma ver e tal s\u00f3 acontece quando h\u00e1 uma grande apreens\u00e3o ou, como neste caso, um acidente. O trabalho \u00e9 sempre feito em coopera\u00e7\u00e3o com o lado espanhol e a Guardia Civil. Ontem [segunda-feira], assim que foi enviado o alerta, colocaram um helic\u00f3ptero no ar. Algo que n\u00e3o se verificou do nosso lado. A GNR n\u00e3o tem aeronaves e n\u00e3o vi uma que fosse da For\u00e7a A\u00e9rea a vir em aux\u00edlio\u201d, critica Lu\u00eds Matos, que acrescenta que <strong>a embarca\u00e7\u00e3o mobilizada pela GNR \u201cficou completamente destru\u00edda e n\u00e3o servir\u00e1 para nada\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o jornal Diario de Huelva, o caso \u201cmobilizou um amplo dispositivo\u201d para o terreno, composto por \u201c35 efetivos e 14 ve\u00edculos de emerg\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Marcelo promulgou lei horas depois do incidente<\/p>\n<p>Horas depois deste caso, o Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou um diploma que regula o uso de lanchas r\u00e1pidas para o combate ao tr\u00e1fico de droga.<\/p>\n<p>Ao mexer nesta \u00e1rea &#8211; cuja legisla\u00e7\u00e3o vigorava desde 1990, estipulando apenas regras de circula\u00e7\u00e3o -, <strong>este diploma passa a prever uma moldura penal entre um e quatro anos de pris\u00e3o a \u201cquem transportar, importar ou exportar\u201d lanchas r\u00e1pidas ou nelas \u201centrar ou sair do territ\u00f3rio nacional\u201d<\/strong> sem autoriza\u00e7\u00e3o da Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira. Al\u00e9m disso, <strong>quem quiser construir ou modificar embarca\u00e7\u00f5es de alta velocidade ter\u00e1 de submeter os projetos \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Recursos Naturais, Seguran\u00e7a e Servi\u00e7os e Mar\u00edtimos.<\/strong> <strong>Se tal n\u00e3o for feito, pode incorrer-se numa pena de pris\u00e3o at\u00e9 dois anos. A mesma moldura penal \u00e9 aplic\u00e1vel aos tripulantes que transportem numa destas embarca\u00e7\u00f5es mais combust\u00edvel do que o permitido<\/strong>, bem como se tentarem \u2018camufl\u00e1-las\u2019 junto dos radares com recurso a tintas ou dispositivos eletr\u00f3nicos.<\/p>\n<p>As coimas s\u00e3o tamb\u00e9m agravadas at\u00e9 um m\u00e1ximo de 25 mil euros para pessoas individuais. No caso de serem pessoas coletivas, esse montante poder\u00e1 ir at\u00e9 100 mil euros.<\/p>\n<p>Interce\u00e7\u00e3o e abandono  de cada vez mais comuns<\/p>\n<p>No entender da APG, mexer na lei pode n\u00e3o ser suficiente. Lu\u00eds Matos exemplifica que \u201cEspanha tamb\u00e9m mudou a lei e basta olhar para o caso deles\u201d. Segundo o militar da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras de Olh\u00e3o, \u201ccontinua a haver interce\u00e7\u00f5es todos os dias\u201d em \u00e1guas espanholas. Por isso, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma: \u201cDeem-nos mais meios para combater esta quest\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, as interce\u00e7\u00f5es a este tipo de lanchas r\u00e1pidas, cujo fabrico tem um baixo custo associado t\u00eam vindo a tornar-se frequentes. Por exemplo, em fevereiro de 2024, dois agentes da Guardia Civil morreram ap\u00f3s terem visto o seu barco-patrulha ser abalroado por uma destas embarca\u00e7\u00f5es. Segundo noticiou a ag\u00eancia Efe na altura, cerca de seis barcos de traficantes de droga refugiaram-se de uma tempestade no porto de Barbate, na zona de C\u00e1dis, no sul de Espanha. Quando abordados pelas autoridades daquele pa\u00eds, os criminosos abalroaram o navio da Guardia Civil, passando por cima e vitimando os operacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos tempos o n\u00famero de lanchas abandonadas a dar \u00e0 costa em Portugal tem aumentado. Em junho deste ano, por exemplo, as autoridades encontraram uma destas embarca\u00e7\u00f5es na Trafaria, em plena foz do Tejo, contendo fatos de mergulho a bordo.<\/p>\n<p>Meses mais tarde, em agosto, a Autoridade Mar\u00edtima Nacional (ANM) intercetou dois semi-r\u00edgidos junto \u00e0 Ponte Vasco da Gama, com 22 toneladas de combust\u00edvel a bordo. Ap\u00f3s a persegui\u00e7\u00e3o feita com apoio dos fuzileiros, as embarca\u00e7\u00f5es foram apreendidas.<\/p>\n<p>Os tripulantes &#8211; oito, no total, de nacionalidades espanhola e colombiana &#8211; foram detidos. Uma vez ouvidos em tribunal, foram constitu\u00eddos arguidos, tendo sa\u00eddo em liberdade.<\/p>\n<p>Lanchas s\u00e3o \u201cquase artesanais\u201d<\/p>\n<p>A lancha intercetada no Guadiana \u00e9 semelhante a outras destinadas ao tr\u00e1fico de droga. Segundo as fontes da GNR ouvidas pelo DN, o perfil \u00e9 claro: <strong>s\u00e3o embarca\u00e7\u00f5es de fabrico \u201cquase artesanal\u201d, com um custo de produ\u00e7\u00e3o \u201cbaixo\u201d.<\/strong> S\u00e3o constru\u00eddas como semi-r\u00edgidos, levam ainda \u201ctr\u00eas  ou quatro motores, de 350 cavalos de pot\u00eancia cada um\u201d,  o que lhes permite fazer grandes dist\u00e2ncias e chegar a outras embarca\u00e7\u00f5es em alto mar. Apesar de serem facilmente constru\u00eddas, estas lanchas \u201cs\u00e3o robustas\u201d e destinam-se \u201capenas a esta fun\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, os traficantes \u201cn\u00e3o t\u00eam problema\u201d em desfazer-se das embarca\u00e7\u00f5es, caso seja necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A GNR e a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ) detiveram esta ter\u00e7a-feira, 28 de outubro, dois suspeitos de terem estado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130455,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[29424,27,28,604,15,16,2002,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,58,17,18,2953,29,30,31],"class_list":{"0":"post-130454","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-alcoutim","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-crime","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-gnr","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-sociedade","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-trafico-de-droga","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115454163391829108","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130454"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130454\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}