{"id":13083,"date":"2025-08-02T15:53:45","date_gmt":"2025-08-02T15:53:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13083\/"},"modified":"2025-08-02T15:53:45","modified_gmt":"2025-08-02T15:53:45","slug":"morreu-a-fotografa-maria-jose-palla-aos-81-anos-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13083\/","title":{"rendered":"Morreu a fot\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 Palla aos 81 anos \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A fot\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 Palla, 81 anos, morreu este domingo em Lisboa, disse \u00e0 Lusa um familiar.<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Palla, que era professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa, morreu tr\u00eas dias antes de completar 82 anos.<\/p>\n<p>Fot\u00f3grafa, investigadora, especialista em L\u00ednguas e Literaturas, Hist\u00f3ria e Artes, Maria Jos\u00e9 Palla viveu em Paris, onde esteve exilada durante a ditadura portuguesa, e doutorou-se na Universidade da Sorbonne, na \u00e1rea de L\u00ednguas e Literaturas Rom\u00e2nicas, com uma tese sobre a simb\u00f3lica do traje na obra de Gil Vicente, depois de um mestrado dedicado a \u201cLes Objets de civilisation dans l\u2019oeuvre de Gil Vicente\u201d, sob a dire\u00e7\u00e3o do linguista e lusitanista Paul Teyssier (1912-2002).<\/p>\n<p>Na capital francesa, Maria Jos\u00e9 Palla estudou fotografia e cinema com o cineasta Jean Rouch (1917-2004), na \u00c9cole Pratique des Hautes \u00c9tudes, depois de ter completado o curso do Institut Fran\u00e7ais de Photographie, e de ter frequentado a Ecole National de Photographie de Paris (Ecole de Vaugirard), que a levou a um est\u00e1gio na ag\u00eancia RL Dupuy, nos anos de 1960.<\/p>\n<p>Diplomada em Hist\u00f3ria de Arte, pela \u00c9cole du Louvre, em Paris, \u00e9 autora de v\u00e1rios livros e artigos sobre Gil Vicente, o teatro do s\u00e9culo XVI e a pintura portuguesa do Renascimento.<\/p>\n<p>Entre as suas obras contam-se \u201cDicion\u00e1rio das Personagens do Teatro de Gil Vicente\u201d, \u201cDo Essencial e do Sup\u00e9rfluo \u2013 Estudo lexical do traje e adornos em Gil Vicente\u201d, \u201cTraje e Pintura \u2013 Gr\u00e3o Vasco e o Ret\u00e1bulo da S\u00e9 de Viseu\u201d.<\/p>\n<p>A sua investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea liter\u00e1ria levou-a tamb\u00e9m ao resgate do \u201cAuto de Dom Andr\u00e9\u201d, de autor desconhecido do s\u00e9culo XVI, e \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de diversos artigos e monografias como \u201cMet\u00e1foras alimentares no teatro quinhentista\u201d, \u201cPara uma nova leitura iconogr\u00e1fica d\u201dO Inferno\u2019 do Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa\u201d, \u201cO tempo do sil\u00eancio \u2014 O di\u00e1logo da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Gil Vicente\u201d e \u201cMaking sense of their senses: a new look at the still lifes of Josefa de \u00d3bidos and her father Baltasar Gomes Figueira\u201d.<\/p>\n<p>Como fot\u00f3grafa, arte a que se dedicou nos \u00faltimos 40 anos de vida, realizou v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es em Portugal e no estrangeiro, como \u201cArquivo\u201d, em que revisitou o trabalho de quatro d\u00e9cadas na Appleton Associa\u00e7\u00e3o Cultural, em Lisboa, em 2022, e \u201cMaria Jos\u00e9 Palla: o auto-retrato como natureza-morta \u2014 uma retrospetiva\u201d, a mais recente em nome individual, que esteve patente no ano passado no Museu Nacional Frei Manuel do Cen\u00e1culo, em \u00c9vora.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao passado m\u00eas de maio, a Galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o, em Lisboa, mostrou \u201cRoom next door\u201d, uma exposi\u00e7\u00e3o partilhada de Maria Jos\u00e9 Oliveira e Maria Jos\u00e9 Palla.<\/p>\n<p>Em 2022, a artista levou \u201cV\u00edctor Palla \u2014 Maria Jos\u00e9 Palla\u201d, ao Centro de Arte de S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, no centen\u00e1rio de seu pai, o arquiteto, designer, fot\u00f3grafo e pintor que marcou a modernidade de Lisboa nos anos 1950-1970, cruzando a sua obra com a express\u00e3o do seu parceiro art\u00edstico.<\/p>\n<p>Das fotografias que fez de V\u00edctor Palla (1922-2006), em particular sobre a s\u00e9rie \u201cOlhos nos Olhos\u201d, a fot\u00f3grafa escreveu: \u201cO meu pai gostava de brincar com as palavras, com os n\u00fameros, com as pessoas. Quando eu e as minhas irm\u00e3s \u00e9ramos crian\u00e7as falava-nos muitas vezes atrav\u00e9s de prov\u00e9rbios, de frases em rima, de m\u00e1ximas. Com o seu irm\u00e3o Jos\u00e9 Palla e Carmo ou Jos\u00e9 Sesinando, [\u2026} o di\u00e1logo era efectuado por meio de jogos em v\u00e1rias l\u00ednguas, com charadas, trocadilhos, gracejos e zombarias. [\u2026] O meu pai inventou livros com autores e t\u00edtulos imagin\u00e1rios e fez capas para esses livros.\u201d<\/p>\n<p>As imagens refletem esse universo no rosto do arquiteto. \u201cS\u00e3o imagens doces, c\u00f3micas, fantasistas, onde o olhar \u00e9 transformado, ora com os olhos abertos ora fechados\u201d, escreveu a fot\u00f3grafa.<\/p>\n<p>Entre as suas muitas exposi\u00e7\u00f5es, levadas a diferentes pontos do pa\u00eds, da Europa e do Oriente (Macau), contam-se \u201cFragmentos de Um Discurso\u201d (2013), \u201cLe Temps\u201d (2010), \u201cA Roda do Tempo\u201d (2006), \u201cAnatomia de Um Rosto\u201d, \u201cFaces da Melancolia\u201d e \u201cA Mulher sem Sombra\u201d (2001), \u201cRetratos de Poetas\u201d (1998), com grandes planos de autores da literatura portuguesa contempor\u00e2nea, de Ant\u00f3nio Franco Alexandre e M\u00e1rio Cesariny, a Nuno J\u00fadice e Sophia de Mello Breyner Andresen, Eug\u00e9nio de Andrade e Pedro Tamen.<\/p>\n<p>A artista, que usou em particular o retrato como meio de express\u00e3o \u2013 e o auto-retrato, sobre si mesma -, para a mostra em \u00c9vora no ano passado, no Museu Nacional Frei Manuel do Cen\u00e1culo, optou por conjugar fotografias e objetos, numa a\u00e7\u00e3o consubstanciada no t\u00edtulo da mostra: \u201cMaria Jos\u00e9 Palla: o auto-retrato como natureza-morta \u2014 uma retrospetiva\u201d.<\/p>\n<p>A artista fotografou-se \u201ccompulsivamente\u201d, desde a d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XX, \u201catualizando a procura de si nos reflexos e espelhos da fotografia, que nesta exposi\u00e7\u00e3o\u201d foram met\u00e1fora, l\u00ea-se no\u00a0cat\u00e1logo ent\u00e3o publicado pelo museu eborense.<\/p>\n<p>Segundo a exposi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, dedicada a Victor Palla, o Centro de Arte lembrou que Maria Jos\u00e9 Palla foi muitas vezes modelo de si pr\u00f3pria no registo de \u201cestados emocionais e vivenciais de tempos e lugares diversos, mostrando-se livre de press\u00f5es formais ou composicionais, e fixando-se numa est\u00e9tica de representa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e filos\u00f3fica por vezes metaf\u00f3rica e subjetiva.\u201d<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Palla, que lecionou Hist\u00f3ria do Teatro, Literatura Portuguesa, Literatura Francesa, Literatura do Renascimento e Literatura e Outras Artes \u2014 Fotografia, na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi tamb\u00e9m tradutora do \u201cLivre de Cuisine de l\u2019Infante Maria du Portugal\u201d, para o Instituto de Estudos Medievais.<\/p>\n<p>Com Manuel Villaverde Cabral traduziu \u201cHiroshima, meu amor\u201d, de Marguerite Duras, para as Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica (1963), \u201cVida de Miguel Angelo\u201d, de Romain Rolland, para a editora Presen\u00e7a do Homem (1967), e \u201cCamus por Ele Pr\u00f3prio\u201d, de Morvan Lebesque, para a Portug\u00e1lia Editora (1967).<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Palla nasceu em Lisboa em 30 de julho 1943, filha da artista pl\u00e1stica Zulcides Saraiva e do fot\u00f3grafo, arquiteto e designer Victor Palla.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A fot\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 Palla, 81 anos, morreu este domingo em Lisboa, disse \u00e0 Lusa um familiar. 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