{"id":13104,"date":"2025-08-02T16:07:07","date_gmt":"2025-08-02T16:07:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13104\/"},"modified":"2025-08-02T16:07:07","modified_gmt":"2025-08-02T16:07:07","slug":"david-pinta-paredes-mas-nao-e-street-artist-isso-e-urbano-eu-sou-de-uma-aldeia-new-in-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13104\/","title":{"rendered":"David pinta paredes, mas n\u00e3o \u00e9 \u201cstreet artist\u201d. \u201cIsso \u00e9 urbano, eu sou de uma aldeia\u201d \u2014 New in Coimbra"},"content":{"rendered":"<p>Como praticamente todos os mi\u00fados, David Fernandes sempre gostou de desenhar, por\u00e9m, ao contr\u00e1rio dos que v\u00e3o crescendo e abandonado o hobby, nunca parou. Na escola seguiu para um curso de mec\u00e2nica, mas eram os rabiscos que o mantinham sossegado durante as aulas. \u201cPor ser distra\u00eddo, esta era a forma que encontrava para ficar quieto. Costumo dizer que, embora n\u00e3o tenha seguido artes no secund\u00e1rio, foi por l\u00e1 que aprendi a desenhar\u201d, explica, em tom de brincadeira, \u00e0 NiC.<\/p>\n<p><strong>Atualmente, com 40 anos, tem sido requisitado com frequ\u00eancia para a pintura de murais um pouco por toda a regi\u00e3o de Coimbra<\/strong>. Nas paredes de Vila Nova de Poiares homenageou o m\u00fasico portugu\u00eas Phil Mendrix, passando, tamb\u00e9m, pelo Festival Catraia, na Praia da Tocha, durante dois anos seguidos \u2014 ali representou jogos tradicionais, como o do berlinde, \u201ccada vez mais distantes das novas gera\u00e7\u00f5es\u201d. A abertura da nova gelataria <a href=\"https:\/\/newincoimbra.nit.pt\/comida\/o-engenheiro-fernando-abriu-outra-gelataria-doppo-em-coimbra-com-tiramisu-de-limao\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Doppo<\/a> contou, igualmente, com a pintura de David, que deu vida ao desenho de uma artista polaca.<\/p>\n<p>Nos seus trabalhos, \u201cque refletem as suas emo\u00e7\u00f5es e pensamentos\u201d procura, maioritariamente, incluir mi\u00fados, idosos ou utentes com defici\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es locais. Exemplo disso, \u00e9 o mural dedicado \u00e0s Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), em Miranda do Corvo, que teve a participa\u00e7\u00e3o de jovens italianos alojados temporariamente na vila.<\/p>\n<p>Apesar do desejo de incluir os mais novos na sua arte, reservando um espa\u00e7o para eles pintarem, a tarefa nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. A situa\u00e7\u00e3o mais complicada aconteceu este m\u00eas, no seu \u00faltimo trabalho em Serpins, Lous\u00e3, em que \u201cum mi\u00fado passou tinta mesmo em cima de um desenho que j\u00e1 tinha feito. Fiquei em p\u00e2nico, mas n\u00e3o reagi dessa forma para n\u00e3o o assustar. Acabei por disfar\u00e7ar, mas deu muito trabalho\u201d, conta.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DMS8ikCtkH7\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\">\n<\/blockquote>\n<p><strong>O sucesso como muralista poderia indicar uma vida dedicada a esta profiss\u00e3o, no entanto, o percurso de David come\u00e7ou bem longe das artes.<\/strong> Quando acabou o ensino secund\u00e1rio, trabalhou em restaurantes, caf\u00e9s, na constru\u00e7\u00e3o civil, como jardineiro e, durante mais tempo, num supermercado. A primeira oportunidade para p\u00f4r em pr\u00e1tica o seu talento, aconteceu em 2007, numa festa na aldeia de onde \u00e9 natural, em Ch\u00e3s, Miranda do Corvo. \u201cQueriam fazer uma coisa diferente e propuseram-me decorar as paredes. Nunca tinha feito graffiti, mas disse que sim. Fiz tudo em cima de papel, lona e pl\u00e1sticos, que podiam ser removidos, mas a t\u00e9cnica era a mesma\u201d.<\/p>\n<p>A partir desse momento, multiplicaram-se as encomendas para pinturas em quartos ou garagens, ainda que o retorno financeiro fosse quase nulo. \u201cO dinheiro que ganhava era praticamente para os materiais, mas tive o grande privil\u00e9gio de treinar na casa das pessoas\u201d, declara.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s tantos pedidos e o aperfei\u00e7oamento das t\u00e9cnicas, a sua ocupa\u00e7\u00e3o profissional continuava a ser outra. David s\u00f3 deixou o trabalho no supermercado em 2017, mas ainda n\u00e3o pensava dedicar-se \u00e0 arte a tempo inteiro. \u201cEstava numa fase em que n\u00e3o me sentia realizado e j\u00e1 pensava em sair do Pa\u00eds para conhecer outras realidades.\u201d A convite de um amigo, partiu com destino \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, com apenas uma mochila.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-101163\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/fa9b7296fbd028b236bfd9a4a9aed58d.jpg\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"412\"  \/>David Fernandes.<\/p>\n<p>Brasil, Uruguai, Paraguai, Bol\u00edvia, Brasil, Argentina e Peru foram os pa\u00edses por onde passou, ao longo de oito meses. Conheceu aldeias rec\u00f4nditas, onde a popula\u00e7\u00e3o \u201cvivia com pouco e era feliz\u201d e contactou com outros artistas, como fot\u00f3grafos, tatuadores, pintores ou artes\u00e3os. A viagem foi diferente daquilo que esperava. \u201cAcabou n\u00e3o por ser um percurso tur\u00edstico, mas antes de autodescoberta, com calma e paci\u00eancia\u201d, refere.<\/p>\n<p>Nessa fase da vida, David entendeu que deveria dar continuidade \u00e0 sua paix\u00e3o. \u201c<strong>Nessas regi\u00f5es vi uma coisa que nunca tinha visto antes: que era poss\u00edvel viver da arte.<\/strong> Conheci muita gente a fazer disso vida, pessoas que tinham ido fazer o mesmo que eu e que vendiam os seus artigos para financiar a viagem ou que simplesmente tinham decidido estabelecer-se a longo prazo por l\u00e1 e conseguiam ter rendimentos com o seu talento.\u201d<\/p>\n<p>No regresso a Portugal, em novembro de 2017, j\u00e1 estava decidido a dar esse passo \u2014 aos 32 anos estava, finalmente, pronto para abra\u00e7ar a profiss\u00e3o. \u201cHoje vejo que as gera\u00e7\u00f5es mais novas, ainda na faixa dos 20, t\u00eam muito medo de serem velhos demais para mudar de vida. Isso n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Agora tenho 40 e sinto que se quisesse fazer qualquer outra coisa, podia faz\u00ea-lo tranquilamente\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro trabalho aconteceu um m\u00eas ap\u00f3s o retorno, numa loja localizada no Quebra Costas. Depois disso, o passa a palavra trouxe-lhe mais clientes, sobretudo com o apoio dos amigos, que divulgavam o seu trabalho junto de quem conheciam. \u201cTive logo a certeza de que da\u00ed para a frente s\u00f3 ia correr bem.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rios est\u00fadios (um deles chegou a ser na pr\u00f3pria cozinha), o muralista estabeleceu-se, em fevereiro, na Lufapo, um edif\u00edcio de uma antiga produtora de cer\u00e2micas, que atualmente abriga outros artistas, de todas as \u00e1reas, e at\u00e9 startups.<\/p>\n<p>David Fernandes tem tido \u00eaxito na pintura de murais pela regi\u00e3o, contudo, n\u00e3o se considera um artista de \u201cstreet art\u201d. \u201cJulgo que isso \u00e9 mais urbano, eu venho de uma aldeia e, por isso, n\u00e3o me identifico dessa forma. Muralista talvez seja a designa\u00e7\u00e3o mais correta\u201d. Al\u00e9m disso, das suas m\u00e3os saem tamb\u00e9m pinturas em acr\u00edlico e retratos. Os trabalhos podem ser encomendados atrav\u00e9s das suas <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Art.do.David\/about\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">redes<\/a> sociais, com valores sob or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Carregue na galeria para ver imagens de alguns dos trabalhos de David na regi\u00e3o de Coimbra.<\/p>\n<p>\t\t\t\t<script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como praticamente todos os mi\u00fados, David Fernandes sempre gostou de desenhar, por\u00e9m, ao contr\u00e1rio dos que v\u00e3o crescendo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13105,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-13104","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13104\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}