{"id":131449,"date":"2025-10-29T16:44:18","date_gmt":"2025-10-29T16:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/131449\/"},"modified":"2025-10-29T16:44:18","modified_gmt":"2025-10-29T16:44:18","slug":"vacinas-da-covid-podem-estimular-o-sistema-imunologico-na-luta-contra-o-cancro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/131449\/","title":{"rendered":"Vacinas da COVID podem estimular o sistema imunol\u00f3gico na luta contra o cancro"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Fred Tanneau \/ AFP<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-388408\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1f68796a5497fc9a57791109febc0a6b-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>As vacinas de mRNA contra a COVID-19 podem desencadear a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o no tratamento do cancro. Cientistas descobriram que essas vacinas podem potencialmente ajudar doentes cujos tumores n\u00e3o respondem bem \u00e0 imunoterapia tradicional.<\/strong><\/p>\n<p>As vacinas contra a COVID-19 baseadas em mRNA, que salvaram 2,5 milh\u00f5es de vidas a n\u00edvel mundial durante a pandemia, podem ajudar a estimular o sistema imunit\u00e1rio a combater o cancro. \u00c9 a conclus\u00e3o de um novo estudo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09655-y\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">publicado<\/a> na semana passada na revista Nature.<\/p>\n<p>Enquanto desenvolvia vacinas de mRNA para doentes com tumores cerebrais em 2016, a equipa, liderada pelo oncologista pedi\u00e1trico <strong>Elias Sayour,<\/strong> descobriu que o mRNA pode treinar os sistemas imunit\u00e1rios para destruir tumores \u2013 mesmo que o mRNA n\u00e3o esteja relacionado com o cancro.<\/p>\n<p>Com base nesta descoberta, formulou-se a hip\u00f3tese de que as vacinas de mRNA concebidas para atacar o v\u00edrus SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, poderiam tamb\u00e9m ter <strong>efeitos antitumorais<\/strong>.<\/p>\n<p>A equipa analisou os resultados cl\u00ednicos de mais de 1000 doentes com melanoma e cancro do pulm\u00e3o em fase avan\u00e7ada, tratados com um tipo de imunoterapia chamado inibidores de pontos de controlo imunit\u00e1rio (immune checkpoint inhibitors). Este tratamento \u00e9 uma abordagem comum que os m\u00e9dicos utilizam para treinar o sistema imunit\u00e1rio a destruir o cancro. F\u00e1-lo bloqueando uma prote\u00edna que as c\u00e9lulas tumorais produzem para desctivar as c\u00e9lulas imunit\u00e1rias, permitindo ao sistema imunit\u00e1rio continuar a destruir o cancro.<\/p>\n<p>Notavelmente, <strong>quem recebeu a vacina<\/strong> contra a COVID-19 baseada em mRNA da Pfizer ou da Moderna, dentro de 100 dias ap\u00f3s iniciarem a imunoterapia, <strong>tinha mais do dobro da probabilidade de estar vivos ao fim de tr\u00eas anos<\/strong>, em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que n\u00e3o receberam nenhuma das vacinas.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, os doentes com tumores que normalmente n\u00e3o respondem bem \u00e0 imunoterapia tamb\u00e9m observaram benef\u00edcios muito significativos, com uma melhoria <strong>quase cinco vezes superior na sobreviv\u00eancia global ao fim de tr\u00eas anos<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta liga\u00e7\u00e3o entre a melhoria da sobreviv\u00eancia e a rece\u00e7\u00e3o de uma vacina de mRNA contra a COVID-19 manteve-se s\u00f3lida mesmo depois de serem controlados fatores como a gravidade da doen\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es associadas.<\/p>\n<p>Para compreender o mecanismo subjacente, recorreu-se a modelos animais. Descobriu-se que as vacinas de mRNA contra a COVID-19 atuam como um alarme, ativando o sistema imunit\u00e1rio do corpo para reconhecer e destruir as c\u00e9lulas tumorais, superando a capacidade do cancro de desativar as c\u00e9lulas imunit\u00e1rias. Quando combinadas, as vacinas e os inibidores de pontos de controlo imunit\u00e1rio coordenam-se para libertar todo o poder do sistema imunit\u00e1rio na destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 importante<\/p>\n<p>A imunoterapia com inibidores de pontos de controlo imunit\u00e1rio revolucionou o tratamento do cancro na \u00faltima d\u00e9cada, ao produzir curas em muitos doentes que anteriormente eram considerados incur\u00e1veis. Contudo, estas terapias s\u00e3o ineficazes em doentes com tumores \u201cfrios\u201d que conseguem evitar a detec\u00e7\u00e3o pelo sistema imunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>As novas descobertas sugerem que as vacinas de mRNA podem fornecer precisamente <strong>a fa\u00edsca que o sistema imunit\u00e1rio necessita<\/strong> para transformar estes tumores \u201cfrios\u201d em \u201cquentes\u201d.<\/p>\n<p>Se isto for confirmado no pr\u00f3ximo ensaio cl\u00ednico, a equipa espera que esta interven\u00e7\u00e3o amplamente dispon\u00edvel e de baixo custo possa alargar os benef\u00edcios da imunoterapia a milh\u00f5es de doentes que, de outro modo, n\u00e3o beneficiariam desta terapia.<\/p>\n<p>Que outras investiga\u00e7\u00f5es est\u00e3o a ser realizadas<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das vacinas para doen\u00e7as infecciosas, que s\u00e3o usadas para prevenir uma infe\u00e7\u00e3o, as vacinas terap\u00eauticas contra o cancro s\u00e3o utilizadas para ajudar a <strong>treinar os sistemas imunit\u00e1rios dos doentes com cancro<\/strong> a combater melhor os tumores.<\/p>\n<p>Atualmente, os cientistas trabalhar para criar vacinas personalizadas de mRNA para doentes com cancro. Isto envolve recolher uma pequena amostra do tumor de um doente e usar algoritmos de aprendizagem autom\u00e1tica para prever quais as prote\u00ednas no tumor que seriam os melhores alvos para uma vacina. No entanto, esta abordagem pode ser dispendiosa e dif\u00edcil de fabricar.<\/p>\n<p>Em contraste, as <strong>vacinas de mRNA contra a COVID-19<\/strong> n\u00e3o precisam de ser personalizadas, j\u00e1 est\u00e3o <strong>amplamente dispon\u00edveis a baixo custo<\/strong> ou sem custo em todo o mundo, e podem ser administradas em qualquer momento durante o tratamento de um doente.<\/p>\n<p>As novas descobertas de que as vacinas de mRNA contra a COVID-19 t\u00eam efeitos antitumorais substanciais trazem esperan\u00e7a de que possam ajudar a alargar os benef\u00edcios anticancer\u00edgenos das vacinas de mRNA a todos.<\/p>\n<p>O que se segue<\/p>\n<p>Com este objetivo, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 a preparar-se para testar esta estrat\u00e9gia de tratamento num ensaio cl\u00ednico em doentes com cancro do pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>As pessoas que receberem um inibidor de ponto de controlo imunit\u00e1rio ser\u00e3o distribu\u00eddas aleatoriamente para receber ou n\u00e3o uma vacina de mRNA contra a COVID-19 durante o tratamento.<\/p>\n<p>Esse estudo dir\u00e1 se as vacinas de mRNA contra a COVID-19 devem ser inclu\u00eddas como parte do tratamento-padr\u00e3o para doentes que recebem um inibidor de ponto de controlo imunit\u00e1rio. Em \u00faltima an\u00e1lise, espera-se que esta abordagem ajude muitos doentes tratados com imunoterapia \u2013 especialmente aqueles que atualmente n\u00e3o t\u00eam op\u00e7\u00f5es de tratamento eficazes.<\/p>\n<p>Num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/covid-19-mrna-vaccines-could-unlock-the-next-revolution-in-cancer-treatment-new-research-258992\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation<\/a>, os autores do novo estudo enaltecem que este trabalho exemplifica como uma ferramenta nascida de uma pandemia global pode fornecer uma <strong>nova arma contra o cancro<\/strong> e rapidamente alargar os benef\u00edcios de tratamentos existentes a milh\u00f5es de doentes.<\/p>\n<p>Ao aproveitar uma vacina j\u00e1 familiar de uma nova forma, esperamos estender os benef\u00edcios que salvam vidas da imunoterapia aos doentes oncol\u00f3gicos que anteriormente tinham sido deixados para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_971_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862234_512_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1759862235_242_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fred Tanneau \/ AFP As vacinas de mRNA contra a COVID-19 podem desencadear a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o no tratamento&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":131450,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1207,3913,11569,116,1208,7225,32,33,117],"class_list":{"0":"post-131449","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cancro","9":"tag-coronavirus","10":"tag-covid","11":"tag-health","12":"tag-medicina","13":"tag-oncologia","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115458465347334250","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131449\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}