{"id":133102,"date":"2025-10-30T20:33:12","date_gmt":"2025-10-30T20:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/133102\/"},"modified":"2025-10-30T20:33:12","modified_gmt":"2025-10-30T20:33:12","slug":"polipilula-contra-hipertensao-pode-reduzir-em-39-a-recorrencia-de-avc-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/133102\/","title":{"rendered":"Polip\u00edlula contra hipertens\u00e3o pode reduzir em 39% a recorr\u00eancia de AVC, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>O uso de uma p\u00edlula tripla de anti-hipertensivos em complemento ao tratamento habitual da hipertens\u00e3o diminuiu em 39% o risco de recorr\u00eancia de todos os tipos de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com casos pr\u00e9vios do quadro hemorr\u00e1gico.<\/p>\n<p>O impacto na preven\u00e7\u00e3o de um novo AVC hemorr\u00e1gico, que \u00e9 o mais grave, foi ainda maior, com redu\u00e7\u00e3o de risco em torno de 60%. Os resultados s\u00e3o do estudo Trident, coordenado pelo The George Institute for Global Health, da Austr\u00e1lia, e conduzido no Brasil pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.<\/p>\n<p>De acordo com a neurologista Sheila Martins, chefe do Servi\u00e7o de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento e coordenadora da pesquisa, a polip\u00edlula \u00e9 uma mistura de baixas doses de telmisartana, anlodipina e indapamida, que s\u00e3o vendidos no Brasil de forma isolada.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>A uni\u00e3o dos medicamentos permite o uso de apenas uma p\u00edlula ao dia, diz ela, facilitando a ades\u00e3o ao tratamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, utilizar doses mais baixas de diferentes medicamentos \u00e9 vantajoso porque diminui a probabilidade de efeitos adversos \u2013 algo mais comum com doses elevadas.<\/p>\n<p>Outro benef\u00edcio, explica a pesquisadora, \u00e9 que como cada subst\u00e2ncia tem um mecanismo de a\u00e7\u00e3o, o efeito na redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o tende a ser mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Segundo Sheila, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente Rede Brasil AVC e ex-presidente Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de AVC, j\u00e1 existem v\u00e1rias vers\u00f5es de polip\u00edlulas, mas nenhuma com a mesma combina\u00e7\u00e3o usada no estudo.<\/p>\n<p>Como a pesquisa foi feita<\/p>\n<p>O Trident \u00e9 o maior estudo de preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria do AVC hemorr\u00e1gico no mundo, com 1.670 pacientes, todos com hist\u00f3rico do quadro. Desses, 833 receberam a polip\u00edlula, enquanto 837 tomaram o placebo. Ambos os grupos seguiram com o tratamento preventivo padr\u00e3o prescrito pelos m\u00e9dicos ap\u00f3s o AVC. Os participantes foram acompanhados por tr\u00eas anos para avaliar o efeito das interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O trabalho foi liderado pelo professor Craig Anderson, do George Institute for Global Health, que apresentou os resultados preliminares no dia 22 de outubro, durante o World Stroke Congress, em Barcelona. A expectativa \u00e9 de que a pesquisa completa seja publicada no primeiro semestre de 2026.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Mais de 500 pesquisadores de 61 hospitais localizados em 12 pa\u00edses participaram do trabalho. No Brasil, ele foi liderado pelo Hospital Moinhos de Vento, com financiamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade atrav\u00e9s do PROADI-SUS.<\/p>\n<p>O que \u00e9 a hipertens\u00e3o?<\/p>\n<p>A hipertens\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica degenerativa n\u00e3o contagiosa, define Sheila. Ela representa um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica e, muitas vezes, \u00e9 silenciosa \u2013 quando se manifesta, j\u00e1 \u00e9 em forma de um infarto ou AVC. Apenas 40% dos hipertensos no Brasil s\u00e3o diagnosticados, e uma minoria tem a press\u00e3o tratada e controlada. A doen\u00e7a, al\u00e9m disso, \u00e9 cada vez mais comum em jovens.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Nelson Dinamarco, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertens\u00e3o (SBH), destaca que o quadro necessita de controle e acompanhamento eficazes. \u201cEntre os efeitos colaterais est\u00e3o as chamadas les\u00f5es de \u00f3rg\u00e3o-alvo, que incluem infartos, AVCs e tamb\u00e9m insufici\u00eancia card\u00edaca, doen\u00e7as renais cr\u00f4nicas e outras altera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>De acordo com ele, o tratamento \u00e9 dividido em dois tipos: n\u00e3o farmacol\u00f3gico e farmacol\u00f3gico. \u201cO primeiro compreende a ades\u00e3o a mudan\u00e7as do estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, gordura e fritura, parar de fumar e beber e praticar atividades f\u00edsicas regulares e supervisionadas, al\u00e9m de controlar o estresse\u201d, detalha.<\/p>\n<p>\u201cPara o tratamento farmacol\u00f3gico, h\u00e1 v\u00e1rias classes de rem\u00e9dios que podem ser associados. Hoje, o indicado \u00e9 come\u00e7ar com um ou dois medicamentos e agregar outros ao longo do tempo. Mas \u00e9 bom destacar que o tratamento \u00e9 individualizado\u201d, aponta.<\/p>\n<p>O dilema da ades\u00e3o ao tratamento<\/p>\n<p>O reconhecimento da hipertens\u00e3o \u00e9 o primeiro desafio a ser superado, mas est\u00e1 longe de ser o \u00fanico. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) evidenciou que, depois do diagn\u00f3stico, a ades\u00e3o ao tratamento \u00e9 outra grande barreira para o controle da hipertens\u00e3o. O estudo acompanhou 253 participantes e, desses, 90,1% afirmaram que tomavam rem\u00e9dios para controlar a press\u00e3o alta. Os medicamentos, no entanto, foram detectados na urina de apenas 32,4% deles.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Em entrevista ao Estad\u00e3o, Jo\u00e3o Roberto Gemelli, presidente do Departamento de Hipertens\u00e3o Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA\/SBC), afirmou que isso acontece porque a hipertens\u00e3o, muitas vezes, \u00e9 uma doen\u00e7a assintom\u00e1tica. Assim, os pacientes hipertensos tendem a abandonar o uso cont\u00ednuo dos medicamentos ao longo do tempo, o que pode lev\u00e1-los novamente a quadros graves de press\u00e3o elevada.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias citadas por ele para superar a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a prescri\u00e7\u00e3o de uma medica\u00e7\u00e3o de dose \u00fanica di\u00e1ria, com a\u00e7\u00e3o prolongada de 24 horas e poucos efeitos colaterais.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 justamente o objetivo dos pesquisadores do Trident: unificar o tratamento em uma \u00fanica p\u00edlula. De acordo com Alexandre Vieira, diretor m\u00e9dico da Funcional Health Tech, o uso de combina\u00e7\u00f5es fixas j\u00e1 \u00e9 recomendado pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, da Sociedade Europeia de Hipertens\u00e3o e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Para ele, as polip\u00edlulas representam um avan\u00e7o importante. \u201cO objetivo \u00e9 simplificar o tratamento e facilitar o uso cont\u00ednuo. As evid\u00eancias indicam que esquemas mais simples aumentam a ades\u00e3o e melhoram o controle da press\u00e3o arterial, principalmente entre idosos e pessoas com m\u00faltiplas doen\u00e7as cr\u00f4nicas.\u201d<\/p>\n<p>Vieira destaca, no entanto, que a baixa ades\u00e3o \u00e9 um retrato do contexto em que os pacientes vivem, e n\u00e3o apenas do uso de v\u00e1rios medicamentos. \u201cRotinas inst\u00e1veis, dificuldade de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, baixo n\u00edvel de escolaridade, falta de apoio familiar, estresse cr\u00f4nico e inseguran\u00e7a alimentar pesam muito mais na ades\u00e3o do que a quantidade de medicamentos\u201d, pondera.<\/p>\n<p>\u201cO problema real est\u00e1 no entorno social do paciente. N\u00e3o adianta oferecer uma p\u00edlula \u00fanica se o indiv\u00edduo vive em um ambiente que n\u00e3o sustenta o cuidado. A ades\u00e3o depende de muito mais do que disciplina\u201d, frisa.<\/p>\n<p>Interrup\u00e7\u00e3o do tratamento<\/p>\n<p>Segundo Vieira, interromper o tratamento, mesmo que por poucos dias, rompe o equil\u00edbrio de um sistema que precisa estar sempre sob controle.<\/p>\n<p>\u201cNos primeiros dias sem medica\u00e7\u00e3o, ocorre um efeito de rebote. A press\u00e3o volta a subir de forma abrupta, e esse pico aumenta o risco imediato de infarto e AVC, por exemplo, especialmente em pessoas que j\u00e1 t\u00eam doen\u00e7a card\u00edaca pr\u00e9-existente. H\u00e1 casos em que a suspens\u00e3o repentina de anti-hipertensivos pode causar arritmias e at\u00e9 crises hipertensivas graves\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cCom o passar do tempo, as consequ\u00eancias se acumulam. A press\u00e3o elevada de forma intermitente acelera a deteriora\u00e7\u00e3o das art\u00e9rias e aumenta a sobrecarga sobre o cora\u00e7\u00e3o, os rins e o c\u00e9rebro. O m\u00fasculo card\u00edaco se espessa, os vasos perdem elasticidade e os rins come\u00e7am a perder capacidade de filtra\u00e7\u00e3o\u201d, explica, refor\u00e7ando que o tratamento depende da const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Dinamarco acrescenta que todo mundo deve medir a press\u00e3o com regularidade. \u201cN\u00e3o acredite que \u00e9 s\u00f3 tomar o rem\u00e9dio e est\u00e1 tudo certo. As pessoas tamb\u00e9m precisam fazer sua parte.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O uso de uma p\u00edlula tripla de anti-hipertensivos em complemento ao tratamento habitual da hipertens\u00e3o diminuiu em 39%&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133103,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1493,319,116,3158,32,33,117],"class_list":{"0":"post-133102","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-avc","9":"tag-hard-news","10":"tag-health","11":"tag-hipertensao","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115465027859864619","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133102\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}