{"id":13374,"date":"2025-08-02T20:25:07","date_gmt":"2025-08-02T20:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13374\/"},"modified":"2025-08-02T20:25:07","modified_gmt":"2025-08-02T20:25:07","slug":"pesquisa-identifica-genes-que-podem-prever-resposta-de-pacientes-com-melanoma-a-imunoterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13374\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica genes que podem prever resposta de pacientes com melanoma \u00e0 imunoterapia"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">Pesquisadores brasileiros deram um importante passo rumo \u00e0 medicina de precis\u00e3o ao identificar quatro genes capazes de predizer quais pacientes com <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/melanoma\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/melanoma\/\"><strong>melanoma<\/strong><\/a> n\u00e3o v\u00e3o responder \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/imunoterapia\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/imunoterapia\/\"><strong>imunoterapia<\/strong><\/a>. Esse tipo de tratamento revolucionou o combate ao melanoma, o <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cancer-de-pele\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cancer-de-pele\/\"><strong>c\u00e2ncer de pele<\/strong><\/a> mais agressivo e letal, mas ainda apresenta efic\u00e1cia vari\u00e1vel e um custo elevado que limita seu uso, especialmente no <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/sus-sistema-unico-de-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/sus-sistema-unico-de-saude\/\"><strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/strong><\/a>. A partir desse achado, a ideia \u00e9 criar maneiras de identificar pacientes eleg\u00edveis ao tratamento e, dessa forma, reduzir os custos na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Brasil registra cerca de 9 mil casos de melanoma por ano, segundo o Inca\u00a0Foto:  Pixel-Shot\/Adobe Stock<\/p>\n<p>O melanoma representa cerca de 4% dos tumores de pele, mas \u00e9 o mais perigoso por causa de sua alta capacidade de se espalhar para outros \u00f3rg\u00e3os. No Brasil, segundo o <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/inca-instituto-nacional-do-cancer\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/inca-instituto-nacional-do-cancer\/\"><strong>Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca)<\/strong><\/a>, s\u00e3o registrados cerca de 9 mil casos e quase 2 mil mortes por ano em decorr\u00eancia da doen\u00e7a. J\u00e1 se sabe h\u00e1 algum tempo que o melanoma \u00e9 altamente imunog\u00eanico, ou seja, responde bem \u00e0 imunoterapia \u2013 um tratamento que estimula o sistema imunol\u00f3gico a reconhecer e atacar as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Entre os diferentes tipos de imunoterapia, o bloqueio da prote\u00edna PD-1 se tornou o tratamento padr\u00e3o para casos avan\u00e7ados de melanoma. No entanto, entre 40% e 60% dos pacientes n\u00e3o respondem bem a essa abordagem e ainda podem sofrer efeitos colaterais relevantes. Isso traz desafios cl\u00ednicos e econ\u00f4micos, principalmente em pa\u00edses como o Brasil, onde o acesso \u00e0 imunoterapia no SUS \u00e9 restrito. Embora a Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias (Conitec) j\u00e1 tenha recomendado sua inclus\u00e3o na rede p\u00fablica, o alto custo ainda impede a ado\u00e7\u00e3o rotineira do tratamento.<\/p>\n<p>Marcadores gen\u00e9ticos<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">Foi diante desse cen\u00e1rio que a engenheira biotecnol\u00f3gica Bruna Pereira Sorroche decidiu investigar se seria poss\u00edvel identificar marcadores gen\u00e9ticos que indicassem previamente a efic\u00e1cia da imunoterapia em indiv\u00edduos com melanoma. O estudo, financiado pela Fapesp por meio de dois projetos, foi conduzido no Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular do <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/hospital-de-cancer-de-barretos\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/hospital-de-cancer-de-barretos\/\"><strong>Hospital de Amor (antigo Hospital de C\u00e2ncer de Barretos)<\/strong><\/a>, com orienta\u00e7\u00e3o da professora L\u00eddia Maria Rebolho Batista Arantes. Os resultados foram <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00109-025-02550-z\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00109-025-02550-z\"><strong>publicados no <\/strong><strong>Journal of Molecular Medicine<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">A pesquisa analisou amostras de tumor de 35 pacientes com melanoma avan\u00e7ado tratados com imunoterapia anti-PD-1 entre 2016 e 2021 no Hospital de Amor. A cientista cruzou essas amostras com dados de um painel de 579 genes relacionados ao sistema imunol\u00f3gico. Com isso, identificou quatro genes \u2013 CD24, NFIL3, FN1 e KLRK1 \u2013 cuja express\u00e3o aumentada se mostrou fortemente associada \u00e0 resist\u00eancia ao tratamento.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">Segundo o estudo, pacientes com alta express\u00e3o desses genes apresentavam um risco 230 vezes maior de n\u00e3o responder \u00e0 imunoterapia em compara\u00e7\u00e3o com os que tinham baixa express\u00e3o. Al\u00e9m disso, a sobrevida global tamb\u00e9m foi menor nesses casos: ap\u00f3s cinco anos, 48,1% dos pacientes com baixa express\u00e3o dos genes ainda estavam vivos, contra apenas 5,9% entre os com alta express\u00e3o.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">A an\u00e1lise aprofundada mostrou que esses genes est\u00e3o ligados a mecanismos de evas\u00e3o do sistema imune e supress\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria. Por exemplo, o gene CD24 atua como um \u201cponto de checagem\u201d (checkpoint) imunol\u00f3gico, ajudando o tumor a escapar da a\u00e7\u00e3o do sistema de defesa do corpo. O FN1 est\u00e1 relacionado \u00e0 progress\u00e3o tumoral e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estruturas que favorecem o crescimento do c\u00e2ncer. J\u00e1 o KLRK1, normalmente envolvido na ativa\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas imunes, pode ter sua fun\u00e7\u00e3o comprometida quando desregulado, enfraquecendo a resposta do organismo contra o tumor. O gene NFIL3 tamb\u00e9m tem papel relevante na resposta imunol\u00f3gica, podendo contribuir para o escape tumoral.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">\u201cO aumento da express\u00e3o desses quatro genes est\u00e1 relacionado a mecanismos j\u00e1 conhecidos de desenvolvimento de tumores e escape imunol\u00f3gico \u2013 ou seja, formas pelas quais o c\u00e2ncer consegue \u2018se esconder\u2019 do sistema de defesa do corpo. Isso explicaria por que alguns pacientes n\u00e3o se beneficiam da imunoterapia, mesmo quando o tratamento \u00e9 tecnicamente indicado\u201d, diz Sorroche.<\/p>\n<p>Valida\u00e7\u00e3o das descobertas<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">Para validar os achados, a equipe comparou os resultados com dados de duas coortes internacionais independentes. A assinatura gen\u00e9tica se manteve eficaz na previs\u00e3o da resposta ao tratamento e dos desfechos cl\u00ednicos, mesmo com varia\u00e7\u00f5es esperadas entre os grupos analisados. Um dos diferenciais do estudo foi o uso da tecnologia NanoString, uma plataforma de an\u00e1lise gen\u00e9tica mais acess\u00edvel e custo-efetiva que o sequenciamento tradicional de RNA, o que facilita sua aplica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica cl\u00ednica, inclusive em hospitais com menos recursos.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">Outro aspecto promissor \u00e9 que essa assinatura gen\u00e9tica tamb\u00e9m se mostrou preditiva em <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/saude\/tratamento-do-cancer-e-15-vezes-mais-caro-a-partir-do-estagio-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/saude\/tratamento-do-cancer-e-15-vezes-mais-caro-a-partir-do-estagio-2\/\"><strong>pacientes diagnosticados ainda nas fases iniciais da doen\u00e7a<\/strong><\/a>. Isso indica que o perfil gen\u00e9tico do tumor pode ser \u00fatil desde o in\u00edcio do tratamento para orientar decis\u00f5es terap\u00eauticas de forma mais eficaz.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \">A equipe est\u00e1 em fase de patenteamento da tecnologia. A ideia \u00e9 criar um painel utilizando estes e outros genes como uma ferramenta comercial que permita avaliar, antes da indica\u00e7\u00e3o do tratamento, se o paciente tem ou n\u00e3o chances reais de se beneficiar da imunoterapia. \u201cIsso pode ajudar m\u00e9dicos e gestores de sa\u00fade a decidir sobre o melhor caminho terap\u00eautico, evitando gastos desnecess\u00e1rios com um tratamento que pode custar entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por m\u00eas, valor impratic\u00e1vel para a maioria dos pacientes e tamb\u00e9m para o SUS, principalmente se o tratamento durar anos\u201d, comenta Arantes, orientadora do estudo.<\/p>\n<p>Apesar de a pesquisa ter sido realizada com um n\u00famero reduzido de pacientes e dados retrospectivos, Sorroche e Arantes acreditam que os achados abrem um caminho promissor para personalizar o tratamento do melanoma. Isso pode poupar pacientes dos efeitos colaterais de terapias ineficazes e ajudar a direcionar os recursos p\u00fablicos com mais efici\u00eancia. \u201cNosso achado \u00e9 in\u00e9dito porque a pesquisa foi feita com base no perfil gen\u00e9tico da popula\u00e7\u00e3o atendida pelo SUS, o que garante uma maior ader\u00eancia \u00e0s realidades da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil\u201d, afirma Arantes.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 ampliar os estudos com um n\u00famero maior de pacientes para validar os resultados e definir um valor de corte \u2013 ou seja, um n\u00edvel m\u00ednimo de express\u00e3o dos genes acima do qual a resposta ao tratamento se tornaria improv\u00e1vel. Esse painel poder\u00e1 ent\u00e3o ser usado como uma ferramenta de predi\u00e7\u00e3o para que m\u00e9dicos consigam decidir, de forma mais informada, qual abordagem terap\u00eautica oferecer a cada paciente. A iniciativa pode representar um divisor de \u00e1guas para a oncologia personalizada no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores brasileiros deram um importante passo rumo \u00e0 medicina de precis\u00e3o ao identificar quatro genes capazes de predizer&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13375,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[5480,1772,5481,5482,5483,5484,1776,5485,5486,5487,1779,5488,5489,5490,5491,5492,1783,1786,5493,1098,5494,5495,4192,116,1101,5496,5497,5498,5499,5500,5501,1795,5502,5503,5504,5505,5506,1798,1112,1113,5507,32,5508,5509,33,5510,5511,117,5512,5513,1808,200,5514],"class_list":{"0":"post-13374","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-appearance","9":"tag-background","10":"tag-beauty","11":"tag-birthmark","12":"tag-blemish","13":"tag-body","14":"tag-cancer","15":"tag-carcinoma","16":"tag-care","17":"tag-check","18":"tag-clinic","19":"tag-cosmetic","20":"tag-cosmetology","21":"tag-danger","22":"tag-dermatologist","23":"tag-dermatology","24":"tag-diagnosis","25":"tag-doctor","26":"tag-examining","27":"tag-female","28":"tag-freckle","29":"tag-glass","30":"tag-hand","31":"tag-health","32":"tag-human","33":"tag-light","34":"tag-magnifier","35":"tag-magnifying","36":"tag-malignant","37":"tag-mark","38":"tag-medic","39":"tag-medicine","40":"tag-melanoma","41":"tag-mole","42":"tag-moles","43":"tag-neck","44":"tag-nevus","45":"tag-patient","46":"tag-people","47":"tag-person","48":"tag-pigmentation","49":"tag-portugal","50":"tag-prevent","51":"tag-problem","52":"tag-pt","53":"tag-removal","54":"tag-risk","55":"tag-saude","56":"tag-skin","57":"tag-spot","58":"tag-treatment","59":"tag-woman","60":"tag-young"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13374\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}