{"id":134330,"date":"2025-10-31T17:57:28","date_gmt":"2025-10-31T17:57:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/134330\/"},"modified":"2025-10-31T17:57:28","modified_gmt":"2025-10-31T17:57:28","slug":"a-revolucao-do-pronto-a-comer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/134330\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o do pronto a comer"},"content":{"rendered":"<p>        Os portugueses comem cada vez mais em casa, os h\u00e1bitos alimentares est\u00e3o a mudar e nesta corrida vencem as refei\u00e7\u00f5es prontas. Da cozinha dos supermercados \u00e0s lojas de \u2018take-away\u2019, a tend\u00eancia \u00e9 para crescer.    <\/p>\n<p>De um escrit\u00f3rio no cora\u00e7\u00e3o financeiro de Londres, Bernardo D\u2019Orey passou para uma cozinha em Lisboa, onde o aroma da comida tradicional portuguesa dita o ritmo do dia a dia. A rotina stressante marcada por n\u00fameros e reuni\u00f5es mudou quando foi desafiado por um amigo a investir no \u201cComa ou Leve\u201d, um take-away com lojas em Alvalade e Campo de Ourique, que confeciona pratos como bife Wellington ou feijoada. Bernardo, de 51 anos, decidiu entrar num mercado em plena transforma\u00e7\u00e3o: o dos portugueses que procuram solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para comer sem precisarem de sair da sala de jantar. \u201cHouve duas raz\u00f5es para entrar neste neg\u00f3cio. A emocional, porque tenho uma paix\u00e3o pela \u00e1rea da culin\u00e1ria, e a racional, pois percebi que ia haver um crescimento muito grande nos servi\u00e7os de pronto a comer\u201d, diz o propriet\u00e1rio ao Jornal Econ\u00f3mico.<br \/>No \u201cComa ou Leve\u201d, fundado em 1976, e adquirido pelo gestor em plena pandemia, os clientes est\u00e3o na faixa et\u00e1ria entre os 35 e os 50 anos e t\u00eam pouco tempo para cozinhar. \u201cS\u00e3o pessoas que t\u00eam uma vida profissional muito ativa e preferem ocupar o tempo livre no gin\u00e1sio ou a jogar padel. A partir de quinta-feira, o n\u00famero de encomendas costuma aumentar em 50%\u201d, acrescenta Bernardo D\u2019Orey.<br \/>De facto, os portugueses privilegiam cada vez mais as refei\u00e7\u00f5es caseiras, seja na pr\u00f3pria casa ou na de familiares e amigos. Segundo dados revelados pelo Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa, dois ter\u00e7os das refei\u00e7\u00f5es consumidas s\u00e3o de confe\u00e7\u00e3o n\u00e3o dom\u00e9stica. \u201cH\u00e1 uma mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos dos consumidores. Muitos clientes trocaram as refei\u00e7\u00f5es presenciais nos restaurantes, que vendem cada vez mais em take-away, e preferem comer em casa\u201d, diz Daniel Serra, presidente da ProVar, Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Restaurantes, ao Jornal Econ\u00f3mico.<br \/>Nos \u00faltimos anos, o comportamento dos consumidores tem sofrido mudan\u00e7as significativas no que diz respeito aos h\u00e1bitos alimentares. \u201cEm Portugal vemos uma tend\u00eancia crescente na procura de refei\u00e7\u00f5es prontas para consumir em casa. Al\u00e9m do custo elevado de ir almo\u00e7ar ou jantar fora, vivemos num ritmo de vida acelerado, que deixa pouco tempo para cozinhar em casa. As pessoas, sobretudo as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, valorizam cada vez mais o tempo livre para estar com a fam\u00edlia, com os amigos e para se dedicarem a outras atividades que gostam\u201d, explicam Constan\u00e7a e Jo\u00e3o Travassos, propriet\u00e1rios do \u201cDez Pr\u00e1 Uma\u201d, uma empresa familiar que come\u00e7ou h\u00e1 23 anos com um restaurante que servia almo\u00e7os e, desde ent\u00e3o, foi evoluindo para um modelo de neg\u00f3cio diferente e focado em refei\u00e7\u00f5es prontas para consumir em casa. Hoje, tem 89 colaboradores e 11 lojas na zona de Lisboa e Set\u00fabal.<br \/>\u201cAs plataformas de entrega t\u00eam tamb\u00e9m acompanhado e contribu\u00eddo para esta tend\u00eancia. Apesar de, tradicionalmente, as suas ofertas se concentrarem em fast food, as prefer\u00eancias dos consumidores t\u00eam levado estas aplica\u00e7\u00f5es a procurar op\u00e7\u00f5es onde podem oferecer maior qualidade e refei\u00e7\u00f5es mais equilibradas. Hoje, os nossos clientes j\u00e1 podem encomendar atrav\u00e9s da Glovo, no nosso site ou diretamente nas lojas, garantindo toda a praticidade sem comprometer o sabor e a qualidade que nos distinguem\u201d, acrescentam Constan\u00e7a e Jo\u00e3o Travassos.<br \/>A ind\u00fastria global de entrega de refei\u00e7\u00f5es est\u00e1 a crescer rapidamente e, em 2022, o mercado de delivery food em Portugal gerou cerca de 1,5 mil milh\u00f5es de euros, mais 25% do que no ano anterior. Atualmente, existem 50 mil estafetas inscritos nas v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, como a Uber Eats ou Bolt Food. Estima-se que a receita mundial das entregas de refei\u00e7\u00f5es dever\u00e1 subir de 156,7 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (134 mil milh\u00f5es euros) em 2024 para mais de 173 mil milh\u00f5es (148 mil milh\u00f5es euros) em 2025, mantendo um ritmo de crescimento anual acima dos 10%.<br \/>\u201cA entrega de comida ao domic\u00edlio era um fen\u00f3meno marginal antes da pandemia, muito centrado no segmento das pizas, operado predominantemente em hor\u00e1rio diurno, para jovens e, essencialmente, atrav\u00e9s das plataformas web das marcas de restaura\u00e7\u00e3o internacional. A pandemia for\u00e7ou um novo comportamento, em que, para sobreviver, quase todas as opera\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o se centraram no eixo home delivery, \u00fanico canal de distribui\u00e7\u00e3o que respondia cabalmente \u00e0 procura, ao estarem os clientes praticamente impedidos, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a e receio, ao acesso f\u00edsico aos espa\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o\u201d, diz Francisco Fonseca da Silva, CEO da Food4Kings, empresa franchisada da marca Burger King em Portugal.<br \/>Como consequ\u00eancia, acrescenta o respons\u00e1vel, o h\u00e1bito de solicitar comida, quer para casa quer para o local de trabalho, generalizou-se tanto do lado da procura, como da oferta, sendo, a partir da\u00ed, transversal a todos os n\u00edveis et\u00e1rios e de rendimento. \u201cAcreditamos que, em m\u00e9dia, este segmento (comida solicitada ao restaurante via app) estabilizar\u00e1 em torno de um ter\u00e7o das vendas nos pr\u00f3ximos anos, o que vemos como uma mais-valia pela componente de fideliza\u00e7\u00e3o acrescida e redu\u00e7\u00e3o dos custos operacionais que representa\u201d, afirma Francisco Fonseca da Silva.<br \/>A crescente utiliza\u00e7\u00e3o de apps de entrega de comida e de compras online tem tido um papel relevante no aumento das refei\u00e7\u00f5es consumidas em casa e, simultaneamente, no crescimento das marcas de restaura\u00e7\u00e3o ligadas \u00e0 grande distribui\u00e7\u00e3o. Neste contexto, o \u201cComida Fresca\u201d, a marca de restaura\u00e7\u00e3o do Pingo Doce, tornou-se uma das maiores cadeias de restaura\u00e7\u00e3o em Portugal em 2024, em n\u00famero de localiza\u00e7\u00f5es, com mais de 200 restaurantes. Tamb\u00e9m a \u201cCozinha Continente\u201d, a marca de comida pronta que chega aos balc\u00f5es de atendimento e \u00e1reas de take-away das lojas Continente do pa\u00eds, tem revelado um crescimento significativo. Recentemente, foi lan\u00e7ada uma nova gama de refei\u00e7\u00f5es funcionais prontas a comer, desenvolvidas de raiz por chefs e nutricionistas.<br \/>A Mercadona est\u00e1 igualmente a apostar fortemente na \u00e1rea da comida pronta, uma tend\u00eancia que o grupo acredita estar a transformar os h\u00e1bitos de consumo. \u201cFornecemos bastante mat\u00e9ria-prima para o cliente cozinhar, mas agora existe tecnologia para que ele n\u00e3o precise cozinhar em casa. Em meados deste s\u00e9culo, quase n\u00e3o haver\u00e1 cozinhas nas casas\u201d, afirmou o CEO Juan Roig. A sec\u00e7\u00e3o \u201cPronto a Comer\u201d j\u00e1 est\u00e1 presente em todas as lojas portuguesas. Depois de v\u00e1rios anos a gerar preju\u00edzo, esta \u00e1rea passou a ser rent\u00e1vel em 2024 e dever\u00e1 continuar a crescer, impulsionada pela procura de solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e acess\u00edveis.<br \/>Para Elsa Matias, arquiteta e designer de interiores, a cozinha \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental numa casa e dificilmente desaparecer\u00e1 do espa\u00e7o dom\u00e9stico. \u201cSe isso algum dia acontecer vamos perder um legado gastron\u00f3mico, principalmente num pa\u00eds como o nosso, que tem tanta variedade alimentar e formas de cozinhar. Os meus clientes, estrangeiros e portugueses, n\u00e3o a dispensam e at\u00e9 h\u00e1 quem queira duas cozinhas: uma gourmet, integrada na sala de jantar, e outra mais discreta\u201d, explica a arquiteta. Entre a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a tradi\u00e7\u00e3o gastron\u00f3mica, o futuro da cozinha poder\u00e1 n\u00e3o passar pelo seu desaparecimento, mas sim pela sua reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os portugueses comem cada vez mais em casa, os h\u00e1bitos alimentares est\u00e3o a mudar e nesta corrida vencem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134331,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[2369,88,30308,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-134330","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-alimentacao","9":"tag-business","10":"tag-comer","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115470076823729042","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}