{"id":134734,"date":"2025-10-31T23:16:15","date_gmt":"2025-10-31T23:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/134734\/"},"modified":"2025-10-31T23:16:15","modified_gmt":"2025-10-31T23:16:15","slug":"meg-ryan-esposito-e-um-tribeca-a-procura-de-uma-formula-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/134734\/","title":{"rendered":"Meg Ryan, Esposito e um Tribeca \u00e0 procura de uma f\u00f3rmula \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o gosta da palavra \u201cvil\u00e3o\u201d, disse-o no painel em que participou [Vil\u00f5es que adoramos odiar (a ascens\u00e3o do anti-her\u00f3i), com Joaquim de Almeida e Veronica Falc\u00f3n], mas Giancarlo Esposito \u2014 cujo vil\u00e3o mais ic\u00f3nico, Gustavo Fring, se tornou conhecido em Breaking Bad e Better Call Saul\u2014 reconhece o fasc\u00ednio que prende tantas pessoas ao ecr\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o vil\u00e3o, entre aspas, \u00e9 a pessoa problem\u00e1tica, a pessoa com dificuldades, a pessoa com problemas emocionais como eu. Acho que s\u00e3o pessoas complexas e acho que representam muitas das emo\u00e7\u00f5es que alguns de n\u00f3s podemos sentir, mas n\u00e3o expressamos\u201d, explica. \u201cPara mim, o vil\u00e3o, o mau da fita, o ser humano com dificuldades, \u00e9 uma forma de curar essa emo\u00e7\u00e3o dentro de mim\u201d, revela o ator de 67 anos.<\/p>\n<p>The Boys foi outro dos projetos em que se destacou e que o marcou profundamente. \u201cEm primeiro lugar, adoro o Eric Kripke, criador de The Boys, e \u00e9 a segunda vez que trabalho com ele [depois de Revolution]. Em segundo, o Stan Edgar [a personagem que interpreta] \u00e9 algu\u00e9m numa posi\u00e7\u00e3o de poder e o que torna tudo mais interessante \u00e9 que se espera que ele seja uma esp\u00e9cie de ama para todos aqueles super-her\u00f3is. O que adoro na s\u00e9rie \u00e9 que \u00e9 sobre super-her\u00f3is e fa\u00e7o esta analogia porque sinto que somos todos super-her\u00f3is, s\u00f3 que nos esquecemos dos nossos superpoderes. Mas, para isso, precisamos de nos fortalecer. Isso significa ficar mais forte no gin\u00e1sio? Significa tornar-se mais inteligente e astuto? Significa ter mais dinheiro? Na verdade, significa deixar o ego de lado e permitir que o nosso esp\u00edrito se manifeste atrav\u00e9s de quem realmente somos. Sempre que me falta vis\u00e3o, pe\u00e7o inspira\u00e7\u00e3o para ter uma\u201d.<\/p>\n<p>O sucesso como ator chegou tarde na vida. Chegou a declarar bancarrota e a contemplar o suic\u00eddio \u2014 pensou at\u00e9 contratar algu\u00e9m que fingisse mat\u00e1-lo para que as filhas recebessem o dinheiro do seguro de vida \u2014, e demorou a reerguer-se. Por isso, \u00e9 agora muito met\u00f3dico na forma como encara a vida. \u201cPor exemplo, como \u00e9 que vai ser o meu pr\u00f3ximo ano? Terminei o meu trabalho em julho, o que deveria estar a fazer? Quero tirar f\u00e9rias. Estou cansado. Fiz oito filmes seguidos, todos independentes. Como est\u00e1 a conta banc\u00e1ria? Como est\u00e1 o meu \u00e2nimo? Ok, comecei quatro projetos, \u00e9 isto que tenho de fazer. O nosso c\u00e9rebro \u00e9 um computador. As nossas emo\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es e as m\u00e1scaras que usamos e tiramos enquanto seres humanos s\u00e3o basicamente mec\u00e2nicas. \u00c9 preciso treinar o esp\u00edrito para te apoiar espiritualmente e \u00e9 preciso treinar o corpo para estar pronto quando chegar a hora.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Breaking Bad e The Boys, entrou nos universos Star Wars e Marvel. Depois de tudo isto, coloca-se a quest\u00e3o: h\u00e1 diferen\u00e7as na forma como aborda os projetos? Vi o filme Seabiscuit: Alma de Her\u00f3i cinco vezes e choro sempre. Da \u00faltima vez, h\u00e1 tr\u00eas semanas, perguntei-me: porque estou a chorar? E percebi que uma parte de mim se identifica com a situa\u00e7\u00e3o de quem j\u00e1 foi o underdog. Por isso, quando fa\u00e7o filmes maiores, nunca me esque\u00e7o disso e nunca me esque\u00e7o de trazer algo pessoal a estas personagens no ecr\u00e3.\u201d<\/p>\n<p>No Tribeca Lisboa, vai participar noutro painel, O peso de uma personagem, e no curr\u00edculo j\u00e1 teve algumas t\u00e3o impactantes que teve de aprender a desprender-se no final de cada dia de trabalho \u2014 o que nem sempre foi conseguido. \u201cO corpo tem mem\u00f3ria muscular e parte de n\u00f3s funciona como uma m\u00e1quina.\u201d<\/p>\n<p>Na prepara\u00e7\u00e3o para uma personagem estuda maneirismos, treina formas de andar, coloca\u00e7\u00e3o de voz, etc \u2014 tudo fica l\u00e1 registado e certos gatilhos v\u00e3o repescar essas mem\u00f3rias. Por isso, recorda uma hist\u00f3ria passada h\u00e1 uns tempos em Nova Iorque. \u201cUns tipos chamaram: \u2018Oh, Gustavo [Fring, de Breaking Bad]!\u2019 Virei-me e imediatamente o Gustavo j\u00e1 estava dentro de mim. Falei com eles, tirei umas fotos, fiz aquele olhar mort\u00edfero, porque era o que eles queriam e depois afastei-me.\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de v\u00e1rios metros \u00e9 que percebeu: \u201cCaminhava de forma diferente daquela que tinha antes de os encontrar\u201d.<\/p>\n<p>Parou, come\u00e7ou a rir \u00e0s gargalhadas e depois, porque estava com pressa para se recompor para uma audi\u00e7\u00e3o de dobragens para a qual se dirigia, come\u00e7ou a dizer: \u201cSai daqui, Gustavo. Vai-te embora, Gus\u201d.<\/p>\n<p>Para o ator, quando tem de fingir degolar ou sufocar algu\u00e9m numa cena, sente que o corpo regista aquela a\u00e7\u00e3o como real e tem de lutar contra essa sensa\u00e7\u00e3o. \u201cPreciso de me perdoar por isso e aceitar que j\u00e1 passou porque, para mim, quando interpreto \u00e9 algo mesmo real.\u201d<\/p>\n<p>Participou em Capit\u00e3o Am\u00e9rica e sabe-se que adoraria colaborar com James Gunn no universo da DC \u2014 ainda n\u00e3o aconteceu porque \u201co momento n\u00e3o era o ideal\u201d \u2014 e participou num videojogo, Far Cry 6. Porqu\u00ea? \u201cQueria mesmo saber como \u00e9 que eles faziam aquelas coisas, foi t\u00e3o simples quanto isso. Uma parte de mim \u00e9 realmente curiosa e \u00e9 o motivo pelo qual escolho muitos projetos.\u201d<\/p>\n<p>Isso leva-nos ao tema do futuro, que \u00e9 tudo menos pac\u00edfico. Giancarlo Esposito garante que l\u00ea muito e h\u00e1 seis ou oito meses encontrou um conto de Stephen King. Escreveu ao autor porque queria comprar os direitos e King aceitou. \u201c\u00c9 como uma frase que existe no musical Hamilton, quero estar na sala onde tudo acontece. Nada acontece por acaso, temos de nos colocar nessa posi\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Seguiu-se o encontro com Guy Busick, realizador com o qual trabalhou no filme Abigail, a quem Esposito prop\u00f4s o filme de terror que tinha em mente. Tudo se alinhou, trabalharam na adapta\u00e7\u00e3o durante seis meses e apresentaram-na a v\u00e1rios est\u00fadios. O projeto est\u00e1 a avan\u00e7ar, mas \u00e9 o \u00fanico. O ator quer fazer uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica recentemente teve uma ideia para uma novela gr\u00e1fica \u2014 que j\u00e1 o selo da editora Simon &amp; Schuster, ilustrador e os direitos aprovados para uma adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica na qual ser\u00e1 o protagonista.<\/p>\n<p>\u201cEu sou meio italiano e tive uma ideia sobre um assassino contratado que \u00e9 mesti\u00e7o. \u00c9 algo que nunca foi contado.\u201d<\/p>\n<p>Quer tamb\u00e9m um dia interpretar Alexander Pushkin, um fil\u00f3sofo e m\u00fasico russo, e Paul Cuffe, o homem negro mais rico da Am\u00e9rica no s\u00e9culo XIX. Como se n\u00e3o bastasse tudo isto, est\u00e1 a escrever um livro de mem\u00f3rias. Na passagem por Lisboa tamb\u00e9m reconhece alguns elementos que consegue perfeitamente imaginar na fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cVejo todos estes marcos hist\u00f3ricos e sinto que este \u00e9 um lugar muito especial por causa das pessoas que o habitam. \u00c0 medida que este festival cresce, a esperan\u00e7a \u00e9 que tenham mais incentivo para contar as vossas hist\u00f3rias, para contar a hist\u00f3ria dos portugueses.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o gosta da palavra \u201cvil\u00e3o\u201d, disse-o no painel em que participou [Vil\u00f5es que adoramos odiar (a ascens\u00e3o do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134735,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[470,315,114,115,14580,32,33],"class_list":{"0":"post-134734","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-cinema","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-festivais-de-cinema","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115471331303132796","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134734\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}