{"id":135703,"date":"2025-11-01T19:14:46","date_gmt":"2025-11-01T19:14:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/135703\/"},"modified":"2025-11-01T19:14:46","modified_gmt":"2025-11-01T19:14:46","slug":"pais-que-recusam-vacinar-filhos-sao-muito-escolarizados-e-tem-poder-economico-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/135703\/","title":{"rendered":"Pais que recusam vacinar filhos s\u00e3o \u201cmuito escolarizados\u201d e t\u00eam poder econ\u00f3mico | Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Os pais que recusam <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/09\/sociedade\/noticia\/vacinacao-gratuita-gripe-alargada-criancas-seis-23-meses-2146549\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vacinar as crian\u00e7as<\/a> em Portugal pertencem sobretudo a uma faixa da popula\u00e7\u00e3o &#8220;muito escolarizada&#8221;, com elevado poder econ\u00f3mico, e consideram-se &#8220;os peritos da sa\u00fade dos filhos&#8221;, preferindo medicinas alternativas, revela um estudo europeu. Os investigadores alertam que, ainda que minorit\u00e1ria, a hesita\u00e7\u00e3o vacinal pode comprometer significativamente a imunidade populacional, constituindo um desafio complexo.<\/p>\n<p>Foi neste contexto que foi realizado o projecto VAX-TRUST, que decorreu em Portugal, na Finl\u00e2ndia, B\u00e9lgica, Pol\u00f3nia, Rep\u00fablica Checa, It\u00e1lia e Reino Unido, e visou compreender o adiamento ou recusa da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/19\/ciencia\/ensaio\/tempo-havera-vacinas-estados-unidos-2147625\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vacina\u00e7\u00e3o<\/a> e melhorar a interac\u00e7\u00e3o entre profissionais de sa\u00fade e pais hesitantes, disse \u00e0 Lusa Ana Patr\u00edcia Hil\u00e1rio, uma das coordenadoras nacionais do estudo.<\/p>\n<p>Segundo a investigadora do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa, o estudo foi maioritariamente qualitativo, com entrevistas a profissionais de sa\u00fade e pais hesitantes, concluindo que a hesita\u00e7\u00e3o vacinal em Portugal \u00e9 &#8220;um fen\u00f3meno multifacetado, atravessado por din\u00e2micas sociais, culturais, relacionais e simb\u00f3licas&#8221;.<\/p>\n<p>O retrato dos pais que recusam ou adiam vacinas revela &#8220;uma popula\u00e7\u00e3o muito escolarizada, com ensino superior, e com capital financeiro e econ\u00f3mico relativamente elevado&#8221;. &#8220;Acaba por ser um fen\u00f3meno muito circunscrito a uma classe m\u00e9dia-alta e alta, uma franja da sociedade portuguesa&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo a investigadora, estes pais tinham um perfil muito id\u00eantico: rejeitam o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/11\/sociedade\/noticia\/vacinacao-gratuita-virus-sincicial-respiratorio-criancas-arranca-16-setembro-2143612\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">processo de medicaliza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia<\/a> e evitam o contacto com a medicina convencional, preferindo medicinas alternativas e complementares, sobretudo nos primeiros anos de vida. H\u00e1 tamb\u00e9m &#8220;um grande afastamento&#8221; do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, excepto em casos de urg\u00eancia da crian\u00e7a, sendo que os pais recorrem a m\u00e9dicos alinhados com as suas cren\u00e7as para acompanhar os seus filhos.<\/p>\n<p>As escolhas estendem-se a outros dom\u00ednios: &#8220;prefer\u00eancia pela amamenta\u00e7\u00e3o prolongada&#8221;, adiamento da entrada na escola e ensino dom\u00e9stico, al\u00e9m de modelos educativos alternativos em detrimento da escola p\u00fablica. Ana Hil\u00e1rio salientou que estes pais t\u00eam &#8220;uma cren\u00e7a muito enraizada&#8221; que a imunidade pode ser adquirida de forma natural e que o seu estilo de vida protege as crian\u00e7as. Contudo, alerta, podem colocar em risco a sa\u00fade de outras crian\u00e7as por n\u00e3o estarem vacinadas.<\/p>\n<p>Apesar dos casos importados de sarampo registados em Portugal, &#8220;n\u00e3o manifestam receio&#8221; e mant\u00eam a convic\u00e7\u00e3o que a imunidade vai ser adquirida de forma natural.<\/p>\n<p>Ana Hil\u00e1rio salientou que as autoridades devem encarar com &#8220;alguma preocupa\u00e7\u00e3o&#8221; a vacina\u00e7\u00e3o contra a hepatite, porque &#8220;a grande fatia destes pais&#8221; recusam-na e n\u00e3o compreendem porque \u00e9 administrada \u00e0s crian\u00e7as. A sua convic\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5e-se \u00e0 evid\u00eancia cient\u00edfica dos benef\u00edcios da vacina\u00e7\u00e3o, um fen\u00f3meno verificado noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;Tem a ver tamb\u00e9m com outros modelos de pensamento sobre a sa\u00fade, sobre a doen\u00e7a, e porque estes pais consideram que s\u00e3o os peritos da sa\u00fade dos seus filhos&#8221;, acreditam ter um conhecimento quase cient\u00edfico, colocando em causa directrizes das organiza\u00e7\u00f5es e dos profissionais de sa\u00fade, salientou.<\/p>\n<p>Segundo a investigadora, a grande maioria destes pais n\u00e3o consulta os profissionais de sa\u00fade e acabam por tomar estas decis\u00f5es. O estudo concluiu ainda que o perfil dos pais hesitantes se repete na popula\u00e7\u00e3o imigrante. Embora existam casos de atrasos por constrangimentos econ\u00f3micos ou legais, &#8220;uma grande parte dos que n\u00e3o vacinam acabam por ser os imigrantes mais escolarizados, provenientes de certas partes do globo (&#8230;) e com capital econ\u00f3mico bastante elevado&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a investigadora, n\u00e3o h\u00e1 dados suficientes para afirmar que a hesita\u00e7\u00e3o est\u00e1 a crescer em Portugal, mas tem vindo a aumentar na Europa. Apesar da elevada taxa de cobertura vacinal em Portugal, Ana Hil\u00e1rio defendeu uma actua\u00e7\u00e3o precoce, observando que &#8220;os pais que recusam vacinar os filhos muito dificilmente voltam atr\u00e1s na sua decis\u00e3o&#8221;. &#8220;\u00c9 fundamental <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/25\/sociedade\/noticia\/virus-sincicial-respiratorio-86-criancas-elegiveis-imunizadas-revela-direccaogeral-saude-2137758\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">agir sobre os pais<\/a> que t\u00eam d\u00favidas ou eventualmente adiam a vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, sustentou.<\/p>\n<p>O projecto defende ser fundamental para melhorar a interac\u00e7\u00e3o entre os pais e os profissionais de sa\u00fade, atrav\u00e9s da adop\u00e7\u00e3o de outro tipo de estilo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Passar-se de um estilo de comunica\u00e7\u00e3o um pouco paternalista para uma comunica\u00e7\u00e3o muito mais aberta (&#8230;) e motivacional&#8221;, dando espa\u00e7o aos pais para exporem as suas d\u00favidas e receberem informa\u00e7\u00e3o adequada para compreenderem que &#8220;a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos seus filhos e das restantes crian\u00e7as e da popula\u00e7\u00e3o em geral&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>Segundo a investigadora, a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/19\/ciencia\/noticia\/vacinas-mrna-covid19-estimulam-resposta-imunologica-combater-cancro-2151388?ref=vacinas&amp;cx=page__content\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">covid-19<\/a> veio acentuar a hesita\u00e7\u00e3o vacinal, havendo informa\u00e7\u00e3o muito dispersa e diversa e uma &#8220;condena\u00e7\u00e3o social muito forte&#8221; sobre quem n\u00e3o vacinava. Isso levou essas pessoas a aproximarem-se dos seus pares, refor\u00e7ando as redes entre pais que partilhavam estas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os pais que recusam vacinar as crian\u00e7as em Portugal pertencem sobretudo a uma faixa da popula\u00e7\u00e3o &#8220;muito escolarizada&#8221;,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135704,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,2641,838,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,542,32,23,24,33,117,58,17,18,29,30,31,2782],"class_list":{"0":"post-135703","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-covid-19","11":"tag-criancas","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-para-redes","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-saude","29":"tag-sociedade","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-vacinas"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115476041846604714","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135703\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}