{"id":136231,"date":"2025-11-02T05:46:35","date_gmt":"2025-11-02T05:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136231\/"},"modified":"2025-11-02T05:46:35","modified_gmt":"2025-11-02T05:46:35","slug":"o-santo-sudario-e-oresme-quando-da-hipotese-se-faz-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136231\/","title":{"rendered":"O Santo Sud\u00e1rio e Oresme: quando da hip\u00f3tese se faz Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">\/\/ UA, Dianelos Georgoudis \/ Wikimedia <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-708829\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3d4044d65abdda407a92991f1300ec97-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Not\u00edcias recentes sobre o Sud\u00e1rio de Turim, com base num estudo que analisa um excerto atribu\u00eddo a Oresme, apresentaram uma interpreta\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica como se se tratasse da descoberta de um manuscrito perdido. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o se escreve, nunca se poder\u00e1 escrever, com ecos \u2014 mas sim com arquivos.<\/strong><\/p>\n<p>Embora a designa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e internacional seja <strong>S\u00edndone de Turim<\/strong>, opta-se neste texto pelo uso da express\u00e3o <strong>Santo Sud\u00e1rio<\/strong>, por ser a forma mais enraizada e compreens\u00edvel no contexto portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Esta escolha tem por objetivo facilitar a leitura e preservar a continuidade terminol\u00f3gica sem preju\u00edzo do rigor hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Trata-se assim do len\u00e7ol de linho de grandes dimens\u00f5es onde se observa a <strong>impress\u00e3o frontal e dorsal de um corpo humano<\/strong> com marcas de flagela\u00e7\u00e3o e crucifix\u00e3o, conservado em Turim desde 1578.<\/p>\n<p>1. A pol\u00e9mica recente em torno de Nicolau de Oresme<\/p>\n<p>Em finais de agosto de 2025, diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o europeus anunciaram que teria sido encontrado um texto medieval atribu\u00eddo a Nicolau de Oresme (Nicole Oresme), bispo de Lisieux e intelectual franc\u00eas do s\u00e9c. XIV.<\/p>\n<p>A not\u00edcia teve por base um <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/143671289\/A_New_Document_on_the_Appearance_of_the_Shroud_of_Turin_from_Nicole_Oresme_Fighting_False_Relics_and_False_Rumours_in_the_Fourteenth_Century\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo acad\u00e9mico<\/a> publicado nesse ano no Journal of Medieval History. Este estudo <strong>analisa um excerto atribu\u00eddo a Oresme<\/strong>, no qual se critica a <strong>prolifera\u00e7\u00e3o de rel\u00edquias duvidosas<\/strong> e se menciona genericamente uma igreja da regi\u00e3o de Champagne, no nordeste de Fran\u00e7a, onde se \u201cdizia estar o Sud\u00e1rio de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d.<\/p>\n<p>No plano interpretativo, o estudo sugere que o excerto poderia referir-se ao pano venerado em Lirey, o que <strong>teria antecipado, em cerca de trinta anos<\/strong>, a controv\u00e9rsia de Pierre d\u00b4Arcis. No entanto, essa hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 demonstrada de forma conclusiva no pr\u00f3prio artigo e <strong>deve ser entendida como leitura acad\u00e9mica<\/strong>, n\u00e3o como descoberta documental.<\/p>\n<p>Importa sublinhar que, at\u00e9 ao momento, o excerto foi divulgado no Journal of Medieval History mas <strong>ainda n\u00e3o foi dada a refer\u00eancia de arquivo<\/strong>, o que impede a sua verifica\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o do estudo teve ampla repercuss\u00e3o medi\u00e1tica<\/p>\n<p>O jornal <a href=\"https:\/\/www.lastampa.it\/torino\/2025\/08\/28\/news\/sindone_falso_truffa_fedeli-15285599\/?callback=in&amp;code=ZDBIMGY3MGUTMGU4OS0ZZJA2LTHHZDQTY2FKNTC2MTCXNMYZ&amp;state=28c689e33b6649e19104c68250731e5a\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">La Stampa<\/a>, noticiou o caso em 28 de agosto de 2025, com o t\u00edtulo Sindone, lo scritto pi\u00f9 antico: serviva a truffare i fedeli.<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00f5es internacionais como <a href=\"https:\/\/www.independent.co.uk\/news\/science\/archaeology\/shroud-of-turin-new-evidence-fake-b2816240.html\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Independent<\/a> (Newly uncovered medieval document adds evidence that the Shroud of Turin is fake), <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2025\/09\/04\/science\/shroud-of-turin-oresme-philosopher\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">CNN Science<\/a> (Researchers find oldest written claim that the Shroud of Turin was faked) e <a href=\"https:\/\/www.popularmechanics.com\/science\/archaeology\/a65969645\/oresme-fraud-shroud-of-turin\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Popular Mechanics<\/a> (Historian found a 600-year-old document declaring the Shroud of Turin a fraud) retomaram a hist\u00f3ria com o mesmo enquadramento sensacionalista, apresentando a interpreta\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica como se se tratasse da <strong>descoberta de um manuscrito perdido<\/strong>.<\/p>\n<p>2. Enquadramento hist\u00f3rico<\/p>\n<p>A exist\u00eancia hist\u00f3rica do Santo Sud\u00e1rio em Lirey est\u00e1 documentada a partir de cerca de 1355, quando o cavaleiro <strong>Geoffroi de Charny<\/strong> mandou construir uma colegiata onde o pano foi exposto publicamente.<\/p>\n<p>Em 1389, o bispo<strong> Pierre d\u00b4Arcis<\/strong>, da diocese de Troyes, redigiu um Memorandum dirigido ao Papa Clemente VII, no qual afirmava que o pano exposto em Lirey era uma pintura executada subtili modo (\u201cde modo subtil\u201d). (cf. Chevalier, Le Saint Suaire de Lirey\u2013Chamb\u00e9ry\u2013Turin et les textes historiques, 1900; Rinaldi, A Response to Pierre d\u2019Arcis\u2019 Memorandum, 2002.)<\/p>\n<p>Contudo, nem Pierre d\u2019Arcis <strong>nem o seu antecessor, Henri de Poitiers<\/strong>, conseguiram provar qualquer falsifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 conhecido qualquer relat\u00f3rio t\u00e9cnico ou investiga\u00e7\u00e3o episcopal realizada sobre o pano, e nos arquivos da diocese de Troyes <strong>n\u00e3o existe documenta\u00e7\u00e3o que demonstre<\/strong> que o tecido tenha sido examinado<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o moderna mostra que o Memorandum surgiu num contexto de <strong>disputa jurisdicional e econ\u00f3mica<\/strong> entre o bispo de Troyes e os c\u00f3negos da colegiada de Lirey, quanto ao direito de expor a rel\u00edquia e receber as ofertas dos fi\u00e9is. Nos estudos especializados, este enquadramento \u00e9 amplamente reconhecido.<\/p>\n<p>Em 1390 (6 de janeiro de 1390 e 1 de junho de 1390), o <strong>Papa Clemente VII<\/strong> n\u00e3o declarou o Santo Sud\u00e1rio uma falsifica\u00e7\u00e3o, permitindo a sua exibi\u00e7\u00e3o sob condi\u00e7\u00f5es por ele decretadas. Posi\u00e7\u00e3o documentada em <a href=\"https:\/\/www.shroud.com\/pdfs\/ssi08part5.pdf\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Lirey Controversy<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 absolutamente imperativo <strong>esclarecer o ponto relativo a Nicolau Oresme<\/strong>, frequentemente citado nas not\u00edcias de 2025, como se tivesse condenado o Santo Sud\u00e1rio em pleno s\u00e9c. XIV:<\/p>\n<ul>\n<li>At\u00e9 ao presente, <strong>nenhum texto aut\u00eantico de Oresme conhecido<\/strong> faz men\u00e7\u00e3o direta ao Santo Sud\u00e1rio, \u00e0 igreja de Lirey ou a qualquer rel\u00edquia t\u00eaxtil. As obras reconhecidas do bispo de Lisieux incidem sobre astronomia, filosofia natural, economia e teologia<\/li>\n<li>O artigo publicado em 2025 Journal of Medieval History interpreta uma <strong>passagem gen\u00e9rica atribu\u00edda a Oresme<\/strong>, na qual se criticam cl\u00e9rigos por enganarem os fi\u00e9is, mencionando \u201cuma igreja da regi\u00e3o de Champagne, onde se dizia estar o Sud\u00e1rio de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d.<br \/>O texto, por\u00e9m, <strong>n\u00e3o identifica Lirey nem descreve o pano<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, a leitura proposta <strong>\u00e9 uma hip\u00f3tese acad\u00e9mica<\/strong>, n\u00e3o uma prova documental de que Oresme tenha conhecido ou referido o Santo Sud\u00e1rio.<\/p>\n<p>3. Registos anteriores \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o em Lirey<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m das refer\u00eancias medievais ocidentais, existem<strong> ind\u00edcios iconogr\u00e1ficos<\/strong> e hist\u00f3ricos que sugerem que um pano com caracter\u00edsticas semelhantes ao Santo Sud\u00e1rio <strong>era conhecido antes do s\u00e9c. XIV<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>O manuscrito h\u00fangaro <strong>C\u00f3dice Pray<\/strong>, datado de finais do s\u00e9c. XII (1192-1195 d.C), \u00e9 apontado por alguns investigadores como ind\u00edcio iconogr\u00e1fico, pois conserva uma ilustra\u00e7\u00e3o da prepara\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo, que mostra um pano com padr\u00e3o de tecido em espinha de peixe (herringbone weave) e marcas em forma de \u201cL\u201d. Esta interpreta\u00e7\u00e3o permanece debatida na literatura especializada.<\/li>\n<li>Na tradi\u00e7\u00e3o bizantina, <strong>alguns autores sugerem paralelos<\/strong> entre as moedas de Justiniano II, datadas do final do s\u00e9c. VII, e certos tra\u00e7os faciais observados no Santo Sud\u00e1rio.<\/li>\n<li>As fontes orientais descrevem predominantemente o<strong> Mandylion de Edessa<\/strong>, venerado no Oriente como a imagem do rosto de Cristo n\u00e3o feita por m\u00e3os humanas. Alguns historiadores, como<strong> Ian Wilson<\/strong>, correlacionam o Mandylion com o Santo Sud\u00e1rio, considerando que este estaria dobrado em modo tetradiplon (quatro dobras sucessivas que formam oito camadas, permitindo a exposi\u00e7\u00e3o apenas do rosto).<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m o cavaleiro<strong> Robert de Clari,<\/strong> entre 1203 e 1204, menciona em Constantinopla, um pano exibido \u00e0s sextas-feiras \u201cno qual se via a figura do Senhor\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes testemunhos sugerem que a exist\u00eancia de um tecido associado \u00e0 figura de Cristo \u00e9 anterior ao contexto de Oresme e \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o em Lirey.<\/p>\n<p>4. M\u00e9todo hist\u00f3rico \/ investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e prud\u00eancia documental<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Seria absolutamente in\u00e9dito que <strong>uma \u00fanica not\u00edcia<\/strong>, baseada numa leitura de um texto medieval, pudesse <strong>invalidar d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong> internacional.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de um objeto hist\u00f3rico como o Santo Sud\u00e1rio requer a converg\u00eancia entre <strong>cr\u00edtica documental e an\u00e1lise cient\u00edfica emp\u00edrica<\/strong>. Nenhuma hip\u00f3tese isolada, seja textual, iconogr\u00e1fica ou laboratorial, pode, por si s\u00f3, definir a origem do tecido sem um conjunto de provas coerente e verific\u00e1vel.<\/p>\n<p>No Memorandum enviado ao papa Clemente VII, o bispo d\u2019Arcis afirma que o Santo Sud\u00e1rio <strong>era uma pintura, executada \u201csubtili modo\u201d<\/strong>, express\u00e3o que sugere n\u00e3o se tratar de uma obra pict\u00f3rica comum.<\/p>\n<p>Acrescenta que o seu predecessor, Henri de Poitiers, teria conclu\u00eddo que se tratava de uma falsifica\u00e7\u00e3o, embora <strong>nada mais refira sobre o assunto<\/strong>.<\/p>\n<p><strong> Desconhece-se se chegou sequer a ver a pe\u00e7a<\/strong>, e nos arquivos da diocese de Troyes n\u00e3o existe qualquer registo que indique ter sido realizada alguma investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso.<\/p>\n<p>Os dados f\u00edsicos e qu\u00edmicos do Santo Sud\u00e1rio n\u00e3o sustentam a hip\u00f3tese de uma pintura medieval.<\/p>\n<p>Em termos hist\u00f3rico-cient\u00edficos, a afirma\u00e7\u00e3o feita por um bispo ou pelos seus peritos, segundo os recursos de investiga\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis na \u00e9poca, de que a imagem do Santo Sud\u00e1rio seria uma pintura, <strong>n\u00e3o tem qualquer valor<\/strong> determinante <strong>se o tecido por eles examinado for o mesmo<\/strong> que os cientistas dos s\u00e9c. XX e XXI analisaram e sobre o qual conclu\u00edram, com base em m\u00e9todos laboratoriais, que <strong>n\u00e3o\u00a0h\u00e1 vest\u00edgios de pigmentos, tintas ou t\u00e9cnicas pict\u00f3ricas<\/strong>.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica conduzida pelo STURP (Shroud of Turin Research Project) entre 1978 e 1981 concluiu que <strong>n\u00e3o existem pigmentos, corantes<\/strong> ou subst\u00e2ncias aplicadas manualmente que expliquem a imagem, e que o mecanismo exato de forma\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o foi reproduzido por nenhum processo f\u00edsico ou qu\u00edmico<\/strong> conhecido, como se <a href=\"https:\/\/www.shroud.com\/pdfs\/Chemical%20Investigation%20%20Heller%20Adler%201981%20OCR.pdf\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">descreve<\/a> em A Chemical Investigation of the Shroud of Turin.<\/p>\n<p><strong>A imagem tem caracter\u00edsticas tridimensionais<\/strong>, encontrando-se apenas na superf\u00edcie das fibras.<strong> N\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os de direccionalidade de pincel<\/strong> ou de aplica\u00e7\u00e3o manual.<\/p>\n<p>Apresenta um <strong>efeito de negativo fotogr\u00e1fico<\/strong> (invers\u00e3o de tons) identificado desde 1898, mas <strong>sem invers\u00e3o de lateralidade<\/strong> (caracter\u00edstica t\u00edpica de uma fotografia, o que confirma que se trata de um fen\u00f3meno an\u00e1logo mas n\u00e3o fotogr\u00e1fico).<\/p>\n<p>Salienta-se que a data\u00e7\u00e3o por radiocarbono (AMS, 1988), publicada na revista Nature em 1989, <strong>situou o linho no intervalo 1260 \u2013 1390 d.C.<\/strong>, resultado que tem sido debatido quanto a amostragem, contamina\u00e7\u00e3o e procedimentos inadequados.<\/p>\n<p>\u00c9 <strong>particularmente relevante<\/strong>, entre os contributos recentes de investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica-art\u00edstica, citar a <a href=\"https:\/\/producciocientifica.uv.es\/documentos\/5eb09ce52999527641121772\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">tese<\/a> La S\u00e1bana Santa y sus implicaciones hist\u00f3rico-art\u00edsticas (Universitat de Val\u00e8ncia, 2017), de <strong>Jorge Manuel Rodr\u00edguez Almenar<\/strong>, atual Presidente do Centro Espanhol de Sindonologia.<\/p>\n<p>5. Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia que invocou o nome de Nicolau de Oresme n\u00e3o acrescenta um novo documento \u00e0 hist\u00f3ria do Santo Sud\u00e1rio. \u00c9 simplesmente mais um (entre muitos) <strong>exemplo de como o nosso tempo lida com o passado<\/strong>. Uma rapidez gigantesca na formula\u00e7\u00e3o de certezas e uma intermit\u00eancia constante na exig\u00eancia de provas.<\/p>\n<p>A <strong>Hist\u00f3ria n\u00e3o se pode construir com frases repetidas<\/strong> nem com t\u00edtulos insistentes. Dever\u00e1 construir-se <strong>com manuscritos identific\u00e1veis<\/strong>, com fontes e leitura cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de uma interpreta\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica em 2025 \u00e9 um exerc\u00edcio leg\u00edtimo. Mas essa legitimidade n\u00e3o pode <strong>transformar a leitura em \u201cdescoberta\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>S\u00f3 existe uma descoberta, quando esta \u00e9 acompanhada de <strong>verifica\u00e7\u00e3o material,<\/strong> da sua transcri\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, localiza\u00e7\u00e3o em arquivo e sujeita um estudo exaustivo.<\/p>\n<p>E enquanto o manuscrito atribu\u00eddo a Oresme n\u00e3o for plenamente identificado, transcrito e estudado, a rela\u00e7\u00e3o entre o bispo de Lisieux e o Santo Sud\u00e1rio deve ser considerada<strong> uma hip\u00f3tese sem valor probat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, eco n\u00e3o \u00e9 prova, nem repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 evid\u00eancia. Oresme pode ter sido invocado e citado, mas <strong>a hist\u00f3ria n\u00e3o se escreve<\/strong>, nem nunca se poder\u00e1 escrever <strong>com ecos, mas sim com arquivos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Com ecos, permaneceremos no territ\u00f3rio do rumor<\/strong>. E nesse territ\u00f3rio, nenhuma conclus\u00e3o merece o nome de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 25px; margin-bottom:0; font-family: Roboto, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 15px\">Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz, ZAP \/\/ <a href=\"\" data-wpel-link=\"internal\"\/><\/p>\n<p>                         <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/author\/arf\" class=\"url\" target=\"_blank\" title=\"Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\"> <img decoding=\"async\" alt=\"Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/70149ae616906ee84ba57170040f939a-150x150.jpg\"  class=\"avatar avatar-250 photo\" height=\"250\" width=\"250\" loading=\"lazy\"\/><\/a> Investigador especializado em Estudos Sindonol\u00f3gicos, Delegado do Centro Espanhol de Sindonologia em Portugal, autor convidado no ZAP<br \/>[w] <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/antonio.ribeiro.ferraz.2023\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Facebook<\/a><br \/>[e] <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/cdn-cgi\/l\/email-protection\" class=\"__cf_email__\" data-cfemail=\"98f9f6ecf7f6f1f7b6fefdeaeaf9e2d8e2f9e8b6f9fdf1f7edb6e8ec\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">[email\u00a0protected]<\/a> <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/author\/arf\" class=\"url\" target=\"_blank\" title=\"Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" alt=\"Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/70149ae616906ee84ba57170040f939a-150x150.jpg\"  class=\"avatar avatar-250 photo\" height=\"250\" width=\"250\" loading=\"lazy\"\/><\/a>\u00daltimos Artigos de Ant\u00f3nio Ribeiro Ferraz (<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/author\/arf\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ver todos<\/a>)  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\/\/ UA, Dianelos Georgoudis \/ Wikimedia Not\u00edcias recentes sobre o Sud\u00e1rio de Turim, com base num estudo que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136232,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,269,15,16,14,736,25,26,21,22,62,12,13,19,20,14823,23,24,4516,14824,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-136231","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-capa","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-historia","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-mundo","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-paleografia","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-religiao","28":"tag-sudario-de-turim","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-world","35":"tag-world-news","36":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115478527069739892","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136231\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}