{"id":136643,"date":"2025-11-02T15:08:08","date_gmt":"2025-11-02T15:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136643\/"},"modified":"2025-11-02T15:08:08","modified_gmt":"2025-11-02T15:08:08","slug":"atraso-no-diagnostico-e-estigma-dificultam-o-cuidado-de-pessoas-com-demencia-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136643\/","title":{"rendered":"Atraso no diagn\u00f3stico e estigma dificultam o cuidado de pessoas com dem\u00eancia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/bellamais\/saudefeminina\/alzheimer-sinais-e-por-que-a-doenca-afeta-mais-as-mulheres-1.1659918\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>dem\u00eancia<\/strong><\/a> j\u00e1 \u00e9 considerada uma das principais causas de incapacidade no mundo. E tende a crescer. At\u00e9 2050, as doen\u00e7as mentais estar\u00e3o entre os tr\u00eas maiores grupos de enfermidades na Am\u00e9rica Latina. No<a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/bellamais\/saudefeminina\/alzheimer-vai-muito-alem-da-perda-de-memoria-neurologista-alerta-para-sinais-que-nao-podem-ser-ignorados-1.1659446\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong> Brasil<\/strong><\/a>, oito em cada dez pessoas com algum tipo de dem\u00eancia sequer sabem que t\u00eam a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 preocupante porque o diagn\u00f3stico \u00e9 a porta de entrada para o tratamento, mas o acesso ainda \u00e9 desigual e depende muito da regi\u00e3o do Pa\u00eds&#8221;, disse Cleusa Ferri, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e integrante do Comit\u00ea de Pol\u00edticas P\u00fablicas sobre Dem\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, durante o Summit Sa\u00fade e Bem-Estar promovido pelo Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem de aumentar o treinamento dos profissionais de sa\u00fade para que, quando estiverem atendendo uma pessoa com hipertens\u00e3o arterial, consigam tamb\u00e9m reconhecer que ali existe uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m daquela condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica&#8221;, acrescentou<\/p>\n<p>Alguns motivos explicam o subdiagn\u00f3stico, sendo a falta de capacita\u00e7\u00e3o m\u00e9dica o principal deles. &#8220;Muitos pacientes com dem\u00eancia s\u00e3o acompanhados apenas pelo diabetes ou pela hipertens\u00e3o, sem que a quest\u00e3o cognitiva seja sequer investigada&#8221;, disse Cleusa.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem de aumentar o treinamento dos profissionais de sa\u00fade para que, quando estiverem atendendo uma pessoa com hipertens\u00e3o arterial, consigam tamb\u00e9m reconhecer que ali existe uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m daquela condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica&#8221;, acrescentou<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o alertado, pode at\u00e9 ser que aquele paciente perceba algum sintoma, mas entenda como algo natural do envelhecimento, o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Durante meu treinamento, tive apenas uma aula de dem\u00eancia &#8211; e durou duas horas&#8221;, relatou Claudia Suemoto, professora de geriatria na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). &#8220;Precisamos ensinar o tema na gradua\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o continuada, especialmente de m\u00e9dicos de fam\u00edlia, cardiologistas e ginecologistas, que t\u00eam contato frequente com idosos&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o cultural, \u00e9 preciso considerar o pr\u00f3prio caminho do desenvolvimento cient\u00edfico relacionado \u00e0 doen\u00e7a. Apesar de avan\u00e7os, o diagn\u00f3stico ainda \u00e9 bastante complexo, explicou Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apoiado pelo Instituto Serrapilheira.<\/p>\n<p>&#8220;Atualmente, j\u00e1 existem exames aprovados pela Anvisa que auxiliam no diagn\u00f3stico, como os marcadores biol\u00f3gicos, mas s\u00e3o muito caros e n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para uso no SUS, que atende a maior parte da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 uma tend\u00eancia mundial de desenvolvimento de novos exames de sangue, mais acess\u00edveis, que poder\u00e3o facilitar bastante o diagn\u00f3stico de dem\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um tempo de matura\u00e7\u00e3o para esses avan\u00e7os cient\u00edficos se tornarem realidade e chegarem na ponta do mundo. Mas estamos evoluindo de forma geral quanto a diagn\u00f3sticos&#8221;, disse Zimmer.<\/p>\n<p>Estigma atrasa o cuidado <\/p>\n<p>Al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o estrutural, na dem\u00eancia h\u00e1 um obst\u00e1culo mais sutil: o estigma. &#8220;O estigma nos atravessa como sociedade&#8221;, afirmou Elaine Mateus, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Alzheimer (Febraz). &#8220;Quando as pessoas se deparam com mudan\u00e7as na mem\u00f3ria ou no comportamento, tendem a achar que \u00e9 normal, algo esperado da idade. Existe medo, preconceito e tamb\u00e9m neglig\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Na dem\u00eancia, argumentou, o discurso biom\u00e9dico \u00e9 predominante. &#8220;A gente define a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o a partir das perdas, de um decl\u00ednio neurocognitivo cr\u00f4nico e sem cura. Mas tamb\u00e9m poderia definir como uma condi\u00e7\u00e3o que imp\u00f5e desafios, mas permite percursos poss\u00edveis e qualidade de vida.&#8221;<\/p>\n<p>Elaine lembrou que h\u00e1 tamb\u00e9m tratamentos n\u00e3o medicamentosos, com efic\u00e1cia comprovada, mas menos valorizados. &#8220;Terapias que trabalham aspectos motores, sociais e afetivos t\u00eam efeitos expressivos. E o diagn\u00f3stico precoce \u00e9 o que permite que o paciente acesse essas abordagens no momento certo.&#8221;<\/p>\n<p>Pol\u00edtica Nacional de Dem\u00eancia <\/p>\n<p>O Brasil sancionou no ano passado a Pol\u00edtica Nacional de Cuidado Integral \u00e0s Pessoas com Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias. Mas, segundo Cleusa, ainda \u00e9 preciso tirar o plano do papel.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso lembrar que o SUS j\u00e1 faz muito &#8211; com cuidados para idosos e em cuidados paliativos. O que falta \u00e9 integrar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e atendimento, tanto para o paciente quanto para os familiares e cuidadores.&#8221;<\/p>\n<p>Cleusa defendeu investimento cont\u00ednuo e governan\u00e7a intersetorial para a lei virar realidade. &#8220;Esperamos recursos e estrutura para que essa pol\u00edtica seja de fato implementada\u201d.<\/p>\n<p>Veja Tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Reduzir riscos \u00e9 poss\u00edvel <\/p>\n<p>Por fim, os convidados do painel do Summit Sa\u00fade e Bem-Estar lembraram que a maior parte dos casos de dem\u00eancia poderia ser evitada ou adiada.<\/p>\n<p>Se elimin\u00e1ssemos os 14 principais fatores de risco &#8211; como tabagismo, sedentarismo, hipertens\u00e3o e baixa escolaridade &#8211; evitar\u00edamos cerca de metade dos casos de dem\u00eancia no mundo. &#8220;O maior fator de risco \u00e9 a baixa escolaridade. Investir em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 investir em preven\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou Claudia.<\/p>\n<p>Os especialistas defenderam que a combina\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico precoce, tratamentos integrados e pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes pode mudar o curso da doen\u00e7a no pa\u00eds. &#8220;Quando temos a expectativa, n\u00e3o necessariamente de cura, mas de uma vida digna, seja l\u00e1 quanto tempo for, tememos muito menos, seja o diagn\u00f3stico que for&#8221;, concluiu Elaine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A dem\u00eancia j\u00e1 \u00e9 considerada uma das principais causas de incapacidade no mundo. E tende a crescer. 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