{"id":136661,"date":"2025-11-02T15:24:20","date_gmt":"2025-11-02T15:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136661\/"},"modified":"2025-11-02T15:24:20","modified_gmt":"2025-11-02T15:24:20","slug":"por-que-aranhas-decoram-suas-teias-02-11-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136661\/","title":{"rendered":"Por que aranhas decoram suas teias &#8211; 02\/11\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s produzir uma teia, uma aranha pode considerar que a constru\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 incompleta. Algumas delas frequentemente acrescentam \u00e0 estrutura esp\u00e9cies de decora\u00e7\u00f5es. Estas geralmente s\u00e3o feitas de seda, mas tamb\u00e9m podem ser peda\u00e7os de restos de insetos ou exoesqueletos descartados.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso que as aranhas embelezem suas teias dessa maneira. As estruturas parecem ser destinadas a ser leves e discretas. No entanto, as criaturas adicionam elementos grandes e not\u00e1veis \u2014conhecidos como estabilimentos\u2014, alguns em formato de zigue-zague, outros como se fossem um X que marca o centro da teia.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0332593\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo <\/a>publicado na revista <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Plos One<\/a>, na \u00faltima quarta-feira (29), oferece uma nova hip\u00f3tese para explicar por que as aranhas fazem isso e, assim, tentar resolver o conflito cient\u00edfico sobre o assunto.<\/p>\n<p>\u00c9 uma \u00e1rea em que os cientistas parecem gostar de discutir, segundo o f\u00edsico Gabriele Greco, da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Sueca de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, um dos autores do estudo. &#8220;E eu fui est\u00fapido o suficiente para come\u00e7ar esse t\u00f3pico.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 amplo apoio para a ideia de que as decora\u00e7\u00f5es distraem amea\u00e7as, como p\u00e1ssaros ou vespas. As aranhas s\u00e3o conhecidas por vibrar suas teias, desfocando as decora\u00e7\u00f5es e, ent\u00e3o, escapando por um buraco no disco ou saltando para um lugar seguro.<\/p>\n<p>Pesquisadores tamb\u00e9m j\u00e1 levantaram a hip\u00f3tese de que esses acess\u00f3rios da teia coletam \u00e1gua ou enganam insetos ao refletir luz UV.<\/p>\n<p>Greco ficou surpreso ao descobrir que n\u00e3o havia muita investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre como os estabilimentos afetavam a estrutura, o movimento e a vibra\u00e7\u00e3o das teias. Ele e seus colegas se propuseram a estudar as teias de aranhas-vespa (Argiope bruennichi) na ilha italiana da Sardenha.<\/p>\n<p>Um dos coautores do estudo, Luigi Lenzini, passou dois anos documentando os estabilimentos da esp\u00e9cie. Praticamente metade das teias analisadas tinha as decora\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes, os fios tra\u00e7avam ziguezagues entre duas hastes. Outras vezes, formavam uma plataforma de fibras entrela\u00e7adas concentradas no meio da teia.<\/p>\n<p>As aranhas podem detectar a presen\u00e7a de presas na teia por meio de vibra\u00e7\u00f5es que percorrem os fios. E elas podem ajustar a tens\u00e3o de um fio de seda, alterando como as vibra\u00e7\u00f5es viajam. A equipe de Greco sup\u00f4s que os estabilimentos tamb\u00e9m poderiam afetar a velocidade e a dist\u00e2ncia de tais sinais.<\/p>\n<p>Para testar essa ideia, eles usaram um programa de computador para simular teias com e sem as decora\u00e7\u00f5es. Inicialmente, n\u00e3o observaram muita influ\u00eancia das decora\u00e7\u00f5es sobre como as vibra\u00e7\u00f5es se propagavam.<\/p>\n<p>&#8220;Pens\u00e1vamos que ter\u00edamos encontrado algo muito mais evidente&#8221;, disse Greco.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um pesquisador que revisava o estudo para publica\u00e7\u00e3o sugeriu que a equipe tentasse modelar vibra\u00e7\u00f5es que come\u00e7assem em uma tangente aos fios espirais.<\/p>\n<p>Neste caso, com um estabilimento que parece uma massa disforme no centro da teia, os modelos sugeriram que algumas vibra\u00e7\u00f5es que de outra forma seriam perdidas poderiam viajar para o outro lado da teia onde a aranha poderia detect\u00e1-las. Essa massa central pode melhorar a conectividade da teia.<\/p>\n<p>O trabalho traz uma ideia antiga sobre as decora\u00e7\u00f5es \u2014de que eles afetam a estabilidade e outras propriedades de uma teia\u2014 para a era moderna, na avalia\u00e7\u00e3o do bi\u00f3logo Todd Blackledge, da Universidade de Akron (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>).<\/p>\n<p>Mas, segundo Blackledge, n\u00e3o est\u00e1 claro quanto essas simula\u00e7\u00f5es e as suposi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para cri\u00e1-las capturam o comportamento real das teias. Por exemplo, as teias modeladas eram circulares, enquanto as teias reais tendem a ser assim\u00e9tricas e alongadas na parte inferior.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Fritz Vollrath, da Universidade de Oxford (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a>), afirmou que os pesquisadores ainda precisam testar como o efeito que encontraram se manifestaria em teias reais. &#8220;O paradoxo dos estabilimentos n\u00e3o foi resolvido&#8221;, disse o cientista, que n\u00e3o participou do trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s produzir uma teia, uma aranha pode considerar que a constru\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 incompleta. 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