{"id":136758,"date":"2025-11-02T16:58:16","date_gmt":"2025-11-02T16:58:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136758\/"},"modified":"2025-11-02T16:58:16","modified_gmt":"2025-11-02T16:58:16","slug":"o-romance-de-craveiro-lopes-e-a-chantagem-da-pide-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/136758\/","title":{"rendered":"O romance de Craveiro Lopes e a chantagem da PIDE \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Rosa Casaco, o homem que matou Humberto Delgado; D. Eurico Dias Nogueira, o bispo que foi vigiado; Calouste Gulbenkian, o preso mais rico do mundo. S\u00e3o estes os protagonistas de \u201cHist\u00f3rias da PIDE: Quando Salazar Mandava\u201d, de Jos\u00e9 Pedro Castanheira. O livro recorda um n\u00famero \u2014 29 510, os presos detidos pela pol\u00edcia pol\u00edtica portuguesa que operou durante a ditadura \u2014 mas foca a aten\u00e7\u00e3o em hist\u00f3rias particulares com protagonistas singulares, para demonstrar os m\u00e9todos, as a\u00e7\u00f5es e algumas das figuras principais daquela entidade.<\/p>\n<p>Mais uma personagem se junta a esta lista: Francisco Craveiro Lopes, marechal da For\u00e7a A\u00e9rea que foi Presidente da Rep\u00fablica entre 1951 e 1958, mas que entrou em rutura com Salazar. O excerto que aqui publicamos aborda n\u00e3o s\u00f3 o estatuto que o militar e pol\u00edtico conquistou de \u201cobservado\u201d pela PIDE como, e de forma mais particular, descreve a forma como uma rela\u00e7\u00e3o extra-conjungal se transformou em arma, por parte de um regime que, ap\u00f3s a presid\u00eancia, encontrou em Craveiro Lopes um (no m\u00ednimo) inc\u00f3modo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pedro Castanheira, o autor de \u201cHist\u00f3rias da PIDE: Quando Salazar Mandava\u201d, nasceu em 1952 e \u00e9 jornalista h\u00e1 mais de 50 anos. As hist\u00f3rias que fazem parte deste novo livro resultam de investiga\u00e7\u00f5es feitas para o jornal Expresso, reda\u00e7\u00e3o que integrou durante quase 30 anos. Este \u00e9 o primeiro volume, abordando o per\u00edodo do Estado Novo que corresponde \u00e0 governa\u00e7\u00e3o de Salazar. O segundo tratar\u00e1 dos anos que correspondem \u00e0 \u00e9poca de Marcello Caetano.<\/p>\n<p>                    <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/historias-da-pide-capa.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1871\" class=\"news-photo\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>                <\/p>\n<p class=\"legenda\">\n            \u25b2 A capa de &#8220;Hist\u00f3rias da PIDE, Vol. 1 \u2014 Quando Salazar Mandava&#8221;, de Jos\u00e9 Pedro Castanheira (Tinta-da-China)<\/p>\n<p>Ao tempo em que Craveiro Lopes fez as bomb\u00e1sticas declara\u00e7\u00f5es ao Di\u00e1rio de Lisboa j\u00e1 a PIDE investigava, afanosa e p\u00e9rfida, uma informa\u00e7\u00e3o que lhe chegara sobre um alegado romance do marechal. Tratar\u2011se\u2011ia de uma senhora casada, de ascend\u00eancia espanhola, bastante mais nova, bela e distinta, Elizabeth Humanes Dias.<\/p>\n<p>Vi\u00favo h\u00e1 cerca de cinco anos, vivendo sozinho no apartamento na Rua Sinel de Cordes, apreciador da companhia feminina, ignora\u2011se como \u00e9 que Craveiro Lopes se travou de amores com Elizabeth \u2014 e muito menos quem os apresentou e onde se conheceram. Como se ignora quando e como a pol\u00edcia pol\u00edtica tomou conhecimento da paix\u00e3o do ex\u2011presidente por Elizabeth. O que \u00e9 indiscut\u00edvel \u00e9 que se iniciou nessa altura um processo de aut\u00eantica \u00abagress\u00e3o moral\u00bb a Craveiro.<\/p>\n<p>A primeira refer\u00eancia existente no Arquivo PIDE\/DGS data de 3 de setembro de 1963, quando um inspetor\u2011adjunto da Sec\u00e7\u00e3o Central mandou averiguar a \u00abidentidade e modo de vida\u00bb de Carmen Garcia e Elizabeth Dias, aparentemente a residirem na Avenida da Rep\u00fablica, 44, 3.\u00ba direito. Consciente do que estava em causa, o respons\u00e1vel da pol\u00edcia pol\u00edtica sublinhou que, \u00abdentro das possibilidades, estas averigua\u00e7\u00f5es devem ser efetuadas com discri\u00e7\u00e3o\u00bb. A informa\u00e7\u00e3o solicitada chegou um m\u00eas e meio depois, a 17 de setembro. \u00abAs duas senhoras citadas s\u00e3o s\u00f3cias da casa Carmen Modas\u00bb \u2014 uma das mais distintas boutiques da alta sociedade lisboeta. Ambas possu\u00edam ascend\u00eancia espanhola. Elizabeth era casada e vivia na Rua Praia da Vit\u00f3ria; Carmen, por sua vez, era divorciada e habitava na Rua Tom\u00e1s Ribeiro. \u00abAmbas as senhoras\u00bb \u2014 l\u00ea\u2011se na informa\u00e7\u00e3o, colhida por dois agentes da PIDE \u2014 \u00abse deslocam frequentemente ao estrangeiro, a fim de, segundo consta, contactarem com os grandes centros da moda feminina\u00bb.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o sobre as duas mulheres prosseguiu. Foram solicitados dados \u00e0 Divis\u00e3o de Estrangeiros da pr\u00f3pria PIDE, bem como \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Identifica\u00e7\u00e3o. Abertas as inevit\u00e1veis fichas individuais, as informa\u00e7\u00f5es recolhidas foram guardadas num processo em nome de ambas. A este dossi\u00ea foi apenso, em data desconhecida, uma fotografia (de est\u00fadio) de Elizabeth, bem como o respetivo negativo.<\/p>\n<p>Elizabeth e Carmen tornaram\u2011se familiares aos olhos e ouvidos dos agentes encarregados de vigiar o marechal. O nome de Carmen Garcia foi mesmo referido numa das escutas telef\u00f3nicas, efetuada pela PIDE a 11 de setembro. As duas mulheres foram vistas com frequ\u00eancia a tomar ch\u00e1 com o ex\u2011presidente na Pastelaria Versailles, um dos estabelecimentos mais in da capital, a tr\u00eas quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia da Carmen Modas. Algu\u00e9m que acompanhou o namoro notou que ao encontro de Craveiro e Elizabeth na Versailles comparecia sempre uma terceira pessoa \u2014 um chaperon, como se dizia \u2014, para n\u00e3o provocar suspeitas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rosa Casaco, o homem que matou Humberto Delgado; D. 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