{"id":137016,"date":"2025-11-02T21:01:16","date_gmt":"2025-11-02T21:01:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137016\/"},"modified":"2025-11-02T21:01:16","modified_gmt":"2025-11-02T21:01:16","slug":"as-barreiras-no-cuidado-de-pessoas-com-demencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137016\/","title":{"rendered":"as barreiras no cuidado de pessoas com dem\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A dem\u00eancia j\u00e1 \u00e9 considerada uma das principais causas de incapacidade no mundo. E tende a crescer. At\u00e9 2050, as doen\u00e7as mentais estar\u00e3o entre os tr\u00eas maiores grupos de enfermidades na Am\u00e9rica Latina. No Brasil, oito em cada dez pessoas com algum tipo de dem\u00eancia sequer sabem que t\u00eam a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 preocupante porque o diagn\u00f3stico \u00e9 a porta de entrada para o tratamento, mas o acesso ainda \u00e9 desigual e depende muito da regi\u00e3o do Pa\u00eds\u201d, disse Cleusa Ferri, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e integrante do Comit\u00ea de Pol\u00edticas P\u00fablicas sobre Dem\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, durante o Summit Sa\u00fade e Bem-Estar promovido pelo <b>Estad\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem de aumentar o treinamento dos profissionais de sa\u00fade para que, quando estiverem atendendo uma pessoa com hipertens\u00e3o arterial, consigam tamb\u00e9m reconhecer que ali existe uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m daquela condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Alguns motivos explicam o subdiagn\u00f3stico, sendo a falta de capacita\u00e7\u00e3o m\u00e9dica o principal deles. \u201cMuitos pacientes com dem\u00eancia s\u00e3o acompanhados apenas pelo diabetes ou pela hipertens\u00e3o, sem que a quest\u00e3o cognitiva seja sequer investigada\u201d, disse Cleusa.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem de aumentar o treinamento dos profissionais de sa\u00fade para que, quando estiverem atendendo uma pessoa com hipertens\u00e3o arterial, consigam tamb\u00e9m reconhecer que ali existe uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m daquela condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o alertado, pode at\u00e9 ser que aquele paciente perceba algum sintoma, mas entenda como algo natural do envelhecimento, o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>\u201cDurante meu treinamento, tive apenas uma aula de dem\u00eancia \u2013 e durou duas horas\u201d, relatou Claudia Suemoto, professora de geriatria na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cPrecisamos ensinar o tema na gradua\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o continuada, especialmente de m\u00e9dicos de fam\u00edlia, cardiologistas e ginecologistas, que t\u00eam contato frequente com idosos\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o cultural, \u00e9 preciso considerar o pr\u00f3prio caminho do desenvolvimento cient\u00edfico relacionado \u00e0 doen\u00e7a. Apesar de avan\u00e7os, o diagn\u00f3stico ainda \u00e9 bastante complexo, explicou Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apoiado pelo Instituto Serrapilheira.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, j\u00e1 existem exames aprovados pela Anvisa que auxiliam no diagn\u00f3stico, como os marcadores biol\u00f3gicos, mas s\u00e3o muito caros e n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para uso no SUS, que atende a maior parte da popula\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 uma tend\u00eancia mundial de desenvolvimento de novos exames de sangue, mais acess\u00edveis, que poder\u00e3o facilitar bastante o diagn\u00f3stico de dem\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cExiste um tempo de matura\u00e7\u00e3o para esses avan\u00e7os cient\u00edficos se tornarem realidade e chegarem na ponta do mundo. Mas estamos evoluindo de forma geral quanto a diagn\u00f3sticos\u201d, disse Zimmer.<\/p>\n<p><b>Estigma atrasa o cuidado<\/b><\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o estrutural, na dem\u00eancia h\u00e1 um obst\u00e1culo mais sutil: o estigma. \u201cO estigma nos atravessa como sociedade\u201d, afirmou Elaine Mateus, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Alzheimer (Febraz). \u201cQuando as pessoas se deparam com mudan\u00e7as na mem\u00f3ria ou no comportamento, tendem a achar que \u00e9 normal, algo esperado da idade. Existe medo, preconceito e tamb\u00e9m neglig\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Na dem\u00eancia, argumentou, o discurso biom\u00e9dico \u00e9 predominante. \u201cA gente define a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o a partir das perdas, de um decl\u00ednio neurocognitivo cr\u00f4nico e sem cura. Mas tamb\u00e9m poderia definir como uma condi\u00e7\u00e3o que imp\u00f5e desafios, mas permite percursos poss\u00edveis e qualidade de vida.\u201d<\/p>\n<p>Elaine lembrou que h\u00e1 tamb\u00e9m tratamentos n\u00e3o medicamentosos, com efic\u00e1cia comprovada, mas menos valorizados. \u201cTerapias que trabalham aspectos motores, sociais e afetivos t\u00eam efeitos expressivos. E o diagn\u00f3stico precoce \u00e9 o que permite que o paciente acesse essas abordagens no momento certo.\u201d<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Pol\u00edtica Nacional de Dem\u00eancia<\/p>\n<p>O Brasil sancionou no ano passado a Pol\u00edtica Nacional de Cuidado Integral \u00e0s Pessoas com Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias. Mas, segundo Cleusa, ainda \u00e9 preciso tirar o plano do papel.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso lembrar que o SUS j\u00e1 faz muito \u2013 com cuidados para idosos e em cuidados paliativos. O que falta \u00e9 integrar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e atendimento, tanto para o paciente quanto para os familiares e cuidadores.\u201d<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Cleusa defendeu investimento cont\u00ednuo e governan\u00e7a intersetorial para a lei virar realidade. \u201cEsperamos recursos e estrutura para que essa pol\u00edtica seja de fato implementada.\u201d<\/p>\n<p><b>Reduzir riscos \u00e9 poss\u00edvel<\/b><\/p>\n<p>Por fim, os convidados do painel do Summit Sa\u00fade e Bem-Estar lembraram que a maior parte dos casos de dem\u00eancia poderia ser evitada ou adiada.<\/p>\n<p>Se elimin\u00e1ssemos os 14 principais fatores de risco \u2013 como tabagismo, sedentarismo, hipertens\u00e3o e baixa escolaridade \u2013 evitar\u00edamos cerca de metade dos casos de dem\u00eancia no mundo. \u201cO maior fator de risco \u00e9 a baixa escolaridade. Investir em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 investir em preven\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Claudia.<\/p>\n<p>Os especialistas defenderam que a combina\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico precoce, tratamentos integrados e pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes pode mudar o curso da doen\u00e7a no pa\u00eds. \u201cQuando temos a expectativa, n\u00e3o necessariamente de cura, mas de uma vida digna, seja l\u00e1 quanto tempo for, tememos muito menos, seja o diagn\u00f3stico que for\u201d, concluiu Elaine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A dem\u00eancia j\u00e1 \u00e9 considerada uma das principais causas de incapacidade no mundo. E tende a crescer. 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