{"id":137440,"date":"2025-11-03T04:53:12","date_gmt":"2025-11-03T04:53:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137440\/"},"modified":"2025-11-03T04:53:12","modified_gmt":"2025-11-03T04:53:12","slug":"nao-faz-sentido-tantas-startups-procurarem-os-eua-tao-cedo-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137440\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o faz sentido tantas startups procurarem os EUA t\u00e3o cedo&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Alexandre Santos e Miguel Aguiar s\u00e3o os novos rostos da lideran\u00e7a da Startup Portugal, a entidade, de utilidade p\u00fablica, que tem como objetivo fazer crescer o empreendedorismo em Portugal e trabalhar na proje\u00e7\u00e3o internacional do setor.<\/p>\n<p>A c\u00fapula de lideran\u00e7a foi mudada em setembro, ap\u00f3s a sa\u00edda de Ant\u00f3nio Dias Martins, at\u00e9 ent\u00e3o diretor executivo da associa\u00e7\u00e3o. Alexandre Santos assumiu as fun\u00e7\u00f5es de presidente, enquanto Miguel Aguiar as de diretor executivo da entidade. A estes respons\u00e1veis ainda se juntam Filipe Alves, head of equity do Banco Portugu\u00eas de Fomento, e Jos\u00e9 Ant\u00e3o, respons\u00e1vel de pol\u00edticas de inova\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Inova\u00e7\u00e3o (ANI).<\/p>\n<p>O presidente e o diretor executivo t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o j\u00e1 longa ao mundo das startups. Alexandre Santos \u00e9 business angel \u2014 um investidor individual que d\u00e1 apoio financeiro a empresas que est\u00e3o a dar os primeiros passos \u2014 e liderou a \u00e1rea de investimentos da ent\u00e3o Sonae IM, agora Bright Pixel Capital. Desde maio de 2021, \u00e9 fundador e general partner da Chamaeleon, uma capital de risco focada em investimentos nos EUA e Europa, que participa em rondas seed\u00a0ou s\u00e9rie A. J\u00e1 Miguel Aguiar conta com uma experi\u00eancia de mais de duas d\u00e9cadas no setor privado, tendo liderado projetos de transforma\u00e7\u00e3o digital e inova\u00e7\u00e3o na consultora PwC, na Portugal Telecom, na Nos e na CUF. Entre abril de 2024 e agosto de 2025, foi adjunto do secret\u00e1rio de Estado da Economia, Jo\u00e3o Rui Ferreira.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Observador, nos escrit\u00f3rios da Startup Portugal instalados \u00e0 beira do rio Tejo, no Parque das Na\u00e7\u00f5es, os dois respons\u00e1veis descrevem o mundo do empreendedorismo portugu\u00eas como <strong>\u201cvibrante\u201d<\/strong>, mas ainda com margem para crescimento.\u00a0\u201cUm dos objetivos [da dire\u00e7\u00e3o]\u00a0\u00e9 ajudar na internacionaliza\u00e7\u00e3o das nossas startups, ajudar a que as startups que est\u00e3o c\u00e1 consigam crescer e a tornarem-se os pr\u00f3ximos unic\u00f3rnios\u201d, diz Miguel Aguiar.<\/p>\n<p>Nos escrit\u00f3rios, h\u00e1 uma sala repleta de informa\u00e7\u00e3o sobre os trabalhos ligados \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR), com acesso vedado e longe de olhares indiscretos. A Startup Portugal revela que j\u00e1 est\u00e3o definidas <strong>\u201ccerca de 70% das verbas\u201d<\/strong> dos apoios financeiros que v\u00e3o para startups. A Startup Portugal est\u00e1 envolvida nos trabalhos de dois apoios financeiros do PRR: os vouchers para startups, com apoios de 30 mil euros por benefici\u00e1rio, e os vales para incubadoras, com apoios que podem variar entre 30 mil e 150 mil euros.<\/p>\n<p>E, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s queixas dos fundadores de startups <strong>sobre a demora na chegada dos apoios<\/strong>, admitem que gostariam de \u201cconseguir ser muito mais c\u00e9leres\u201d, mas explicam-se os atrasos pela necessidade de <strong>\u201ccumprir uma s\u00e9rie de burocracia e de crit\u00e9rios\u201d<\/strong>, nomeadamente valida\u00e7\u00f5es e certifica\u00e7\u00f5es que adicionam alguma demora ao processo. \u201cA rela\u00e7\u00e3o com entidades p\u00fablicas, infelizmente, nunca \u00e9 assim t\u00e3o r\u00e1pida quanto desejar\u00edamos, mas estamos a fazer tudo o que est\u00e1 ao nosso alcance para que esse processo seja o mais acelerado poss\u00edvel\u201d, assume Miguel Aguiar.<\/p>\n<p>Os dois respons\u00e1veis acreditam que h\u00e1 margem para o setor crescer a n\u00edvel internacional, em particular se houver uma abordagem diferente por parte do velho continente. \u201cA Europa tem um problema, tem ficado para tr\u00e1s quando comparada com os EUA ou a pr\u00f3pria China, no fomentar do empreendedorismo, no apostar na inova\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento de novas tecnologias\u201d, considera Alexandre Santos, presidente da Startup Portugal. Nesse sentido, a Europa tem de ser <strong>\u201cmuito mais agressiva, muito mais ativa e dar condi\u00e7\u00f5es \u00e0s startups\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Assumiram fun\u00e7\u00f5es h\u00e1 cerca de um m\u00eas, j\u00e1 est\u00e3o ambientados? O que \u00e9 que encontraram quando chegaram a estes cargos?<br \/><\/strong>Miguel Aguiar (MA): J\u00e1 estamos ambientados porque o ritmo \u00e9 muito intenso, se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos \u00e9 que seria estranho. Encontr\u00e1mos uma equipa muito empenhada, dedicada, com capacidade de entrega, com muitas ideias e com uma excelente rela\u00e7\u00e3o com o ecossistema. O nosso papel agora \u00e9 conseguir que isso se multiplique ainda mais, que a Startup Portugal seja cada vez mais um polo agregador de todo o ecossistema. Quando falo de ecossistema n\u00e3o estou a falar s\u00f3 de startups \u2014 estou a falar tamb\u00e9m de VC [venture capital, capital de risco], investidores, academia, corporate [empresas], business angels, tudo aquilo que pode contribuir para a inova\u00e7\u00e3o, com tecnologia e com o desenvolvimento das startups a n\u00edvel nacional. Mas tamb\u00e9m na proje\u00e7\u00e3o de Portugal a n\u00edvel internacional de todo este ecossistema.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 vamos mais em detalhe \u00e0 proje\u00e7\u00e3o internacional, mas, em linhas gerais, como \u00e9 que o ecossistema de empreendedorismo portugu\u00eas \u00e9 visto l\u00e1 fora?<br \/><\/strong>Alexandre Santos (AS): Recentemente tivemos um evento a n\u00edvel europeu [F\u00f3rum D9+, a reuni\u00e3o dos pa\u00edses l\u00edderes de transforma\u00e7\u00e3o digital na Europa] que organiz\u00e1mos e que juntou v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es de startups de v\u00e1rios pa\u00edses europeus, que s\u00e3o muito similares \u00e0 Startup Portugal, com associa\u00e7\u00f5es mais ligadas ao mundo empresarial e tamb\u00e9m com [a participa\u00e7\u00e3o] de v\u00e1rios governos europeus. Foi interessante ver o impacto que n\u00f3s, Startup Portugal, j\u00e1 temos a n\u00edvel europeu. Veem\u00a0a Startup Portugal como um exemplo, a n\u00edvel europeu, de uma organiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a fazer o seu trabalho de casa, a cumprir a sua miss\u00e3o de levar as startups portuguesas para o mundo e tamb\u00e9m a representar os interesses das startups neste contexto europeu, em que h\u00e1 muita pol\u00edtica econ\u00f3mica, muita regula\u00e7\u00e3o e muitos temas que t\u00eam de ser discutidos de forma aberta para ver se aumentamos as condi\u00e7\u00f5es de sucesso de uma startup no contexto europeu.<\/p>\n<p><strong>Durante muito tempo Portugal era \u201cvendido\u201d como tendo sol, bom tempo\u2026 J\u00e1 nos conseguimos descolar desta imagem, ir mais al\u00e9m?<br \/><\/strong>AS: Acho que sim, acho que j\u00e1 n\u00e3o precisamos falar mais do Sol, sinceramente.<\/p>\n<p>MA: \u00c9 um bom add-on\u2026<\/p>\n<p>AS: Sim, estamos em outubro e h\u00e1 sol, mas acho que j\u00e1 nos veem al\u00e9m destes temas que, ao in\u00edcio, eram muito usados como cart\u00e3o de visita. Temos unic\u00f3rnios que sa\u00edram de Portugal para o mundo, temos v\u00e1rios casos de sucesso, temos um n\u00famero crescente de fundadores a chegar a fases mais avan\u00e7adas no processo de crescimento, a levantarem rondas cada vez maiores, a estarem em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Acho que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso falar tanto de que Portugal \u00e9 a Calif\u00f3rnia da Europa e que tem boas condi\u00e7\u00f5es, bom sol, boa qualidade de vida\u2026 J\u00e1 vai muito para al\u00e9m disso. Ali\u00e1s, nos \u00faltimos anos vemos muitas startups e empresas maiores a vir c\u00e1 contratar muito talento. H\u00e1 muita gente que est\u00e1 a trabalhar aqui, remotamente, para muitas empresas espalhadas pelo mundo. Isso tamb\u00e9m ajuda a elevar a imagem de Portugal.<\/p>\n<p>MA: E que est\u00e3o a criar polos de desenvolvimento c\u00e1 em Portugal. Mesmo os unic\u00f3rnios t\u00eam c\u00e1 polos de desenvolvimento grandes, acho que isso \u00e9 um reconhecimento da capacidade que temos de entregar resultados. A quantidade de engenheiros que Portugal tem, em compara\u00e7\u00e3o com muitos outros pa\u00edses do mundo, faz diferen\u00e7a. A nossa academia tem feito um trabalho espetacular a conseguir gerar talento. Temos de conseguir reter esse talento, chamar talento portugu\u00eas que est\u00e1 l\u00e1 fora e tamb\u00e9m talento estrangeiro. Fiz a nota de que o sol \u00e9 um bom add-on, porque realmente ajuda bastante. \u00c9 mais f\u00e1cil chamar pessoas para c\u00e1 com este sol e com este tempo do que para o norte da Europa, onde metade do ano \u00e9 noite. Mas conseguindo conciliar isso com todas as qualidades que temos a n\u00edvel acad\u00e9mico, com as leis\u2026 O facto de Portugal ter uma lei para startups vem mudar muito o panorama, fomos pioneiros nesse aspeto. Traz vantagens para as empresas, para as startups e para os fundadores. Tem sido visto l\u00e1 fora como \u2018as startups em Portugal n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 a Web Summit\u2019. Temos um ecossistema vibrante, que est\u00e1 a atrair talento e est\u00e1 a conseguir criar empresas.<\/p>\n<p><strong>Relativamente <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/da-zanga-dos-fundadores-as-pedidas-correcoes-o-que-muda-com-a-lei-das-startups-que-parece-ter-sido-feita-por-quem-as-desconhece\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00e0 lei das startups <\/a>[promulgada em 2023, reconhecendo legalmente os crit\u00e9rios das startups]\u2026 ambos t\u00eam um contexto ligado ao setor antes de virem para a Startup Portugal. Como \u00e9 que viam esta lei das startups antes destas fun\u00e7\u00f5es?\u00a0Qual era a vossa opini\u00e3o?<\/strong><br \/>AS: Foi uma pedrada no charco. Permitiu pela primeira vez distinguir claramente uma pequena e m\u00e9dia empresa (PME) e uma microempresa de uma startup. Isso permite depois orientar um conjunto de medidas.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"3gCRi3KVii\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/da-zanga-dos-fundadores-as-pedidas-correcoes-o-que-muda-com-a-lei-das-startups-que-parece-ter-sido-feita-por-quem-as-desconhece\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Da \u201czanga\u201d dos fundadores \u00e0s pedidas corre\u00e7\u00f5es. O que muda com a lei das startups que \u201cparece ter sido feita por quem as desconhece\u201d?<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Foi um regime que pecou por chegar demasiado tarde? Ou chegou na altura certa?<br \/><\/strong>AS: Se tivesse ocorrido mais cedo, tanto melhor. Mas, mesmo tendo ocorrido na altura em que ocorreu, deixou-nos um pouco como pioneiros a n\u00edvel europeu. J\u00e1 se consegue ter benef\u00edcios distintivos para as startups que n\u00e3o se conseguia ter antes, porque nem era formalmente reconhecida como tal. Permite agora tamb\u00e9m trabalharmos num caminho de acrescentar ao que j\u00e1 foi constru\u00eddo com o nascer desta lei. Porque agora podemos fazer muito mais iniciativas e tentar ter muito mais benef\u00edcios no futuro para as startups que est\u00e3o registadas como tal \u2014 e que s\u00e3o diferentes de uma PME. A lei tem \u2018n\u2019 coisas que podem ser ainda melhoradas numa segunda vers\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alexandre Santos e Miguel Aguiar s\u00e3o os novos rostos da lideran\u00e7a da Startup Portugal, a entidade, de utilidade&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137441,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,476,89,3765,90,32,33,3764],"class_list":{"0":"post-137440","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economia","10":"tag-economy","11":"tag-empreendedorismo","12":"tag-empresas","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-startups"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115483980798134524","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137440\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}