{"id":137464,"date":"2025-11-03T05:36:15","date_gmt":"2025-11-03T05:36:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137464\/"},"modified":"2025-11-03T05:36:15","modified_gmt":"2025-11-03T05:36:15","slug":"amazonia-e-petroleo-na-mesma-frase-e-absurdo-eliane-brum-em-entrevista-antes-da-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/137464\/","title":{"rendered":"&#8220;Amaz\u00f3nia e petr\u00f3leo na mesma frase \u00e9 absurdo&#8221;. Eliane Brum em entrevista antes da COP30"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\nAltamira, munic\u00edpio brasileiro no estado do Par\u00e1, tem o tamanho da B\u00e9lgica e da Gr\u00e9cia juntas. \u00c9 o mais extenso do pa\u00eds, um dos maiores do mundo e fica em plena floresta tropical da Amaz\u00f3nia.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA cidade com o mesmo nome, Altamira, \u00e9 o local onde a rep\u00f3rter brasileira Eliane Brum escolheu viver desde 2017, comprometida com a luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e depois de v\u00e1rios anos de experi\u00eancia de reportagens no local. Acompanhou nomeadamente a da hidrel\u00e9trica de Belo Monte e o impacto da mesma para a natureza e os povos ind\u00edgenas.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA cerca de 800 quil\u00f3metros de Altamira, ali n\u00e3o muito longe \u2013 pelo menos para os padr\u00f5es da maior floresta tropical do mundo \u2013 realiza-se este ano, em Bel\u00e9m, a principal cimeira do clima a n\u00edvel mundial. A 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP30) decorre entre os dias 10 e 21 de novembro, mas Eliane Brum e v\u00e1rios jornalistas, cientistas e ativistas j\u00e1 v\u00e3o a caminho.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nDesde dia 31 de outubro, sexta-feira, que iniciaram este trajeto de barco e fazem uma esp\u00e9cie de \u201cpr\u00e9-COP\u201d para discutir os temas centrais e levar a voz dos ind\u00edgenas e da natureza a este palco internacional. Nesse barco viajam tamb\u00e9m os rep\u00f3rteres da SUMA\u00daMA, um projeto jornal\u00edstico fundado por Eliane Brum em 2022, que se foca na cobertura sobre a Amaz\u00f3nia e que conta com jornalistas ind\u00edgenas nas suas fileiras.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNesta entrevista \u00e0 RTP Not\u00edcias, Brum designa-se a si pr\u00f3pria e aos companheiros como \u201ccorrespondentes de guerra\u201d, n\u00e3o s\u00f3 porque v\u00ea que a guerra pelo clima \u00e9 a grande batalha da atualidade, mas tamb\u00e9m porque o Brasil continua como um dos pa\u00edses do mundo onde mais ativistas ambientais s\u00e3o assassinados e amea\u00e7ados.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNascida em 1966 em Iju\u00ed, no Rio Grande do Sul, Brum foi rep\u00f3rter durante v\u00e1rios anos para o jornal Zero Hora e a revista \u00c9poca, em S\u00e3o Paulo. Para al\u00e9m da reportagem, publicou v\u00e1rios livros dos quais dois j\u00e1 foram publicados em Portugal: \u201cMeus Desacontecimentos \u2013 A hist\u00f3ria da minha vida com palavras\u201d, lan\u00e7ado em 2024, e mais recentemente \u201cBanzeiro \u00f2k\u00f3t\u00f3 \u2013 Uma viagem \u00e0 Amaz\u00f3nia Centro do Mundo\u201d, em 2025.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA RTP conversou com a jornalista, fundadora e diretora do projeto SUMA\u00daMA sobre as expetativas para esta COP30, mas tamb\u00e9m sobre a experi\u00eancia de ativismo e de como tem sido viver no meio da floresta.&#13;\n<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6c24810e15a7f56140b35a91307627cb\"\/>\u00a0<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nFoto: Lela Beltr\u00e3o&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Ind\u00edgenas n\u00e3o v\u00e3o ter a voz que deveriam&#8221;<br \/>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Pergunta: Sobre a COP30, que expetativas tem para esta cimeira que decorre em Bel\u00e9m, em plena Amaz\u00f3nia? Acha que a proximidade em rela\u00e7\u00e3o a um dos locais mais ameados do globo poder\u00e1 levar a decis\u00f5es mais certeiras e veementes em defesa do clima?<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Eliane Brum: <\/b>Acho muito importante que tenha uma COP na Amaz\u00f3nia, numa cidade amaz\u00f3nica, numa capital que \u00e9 da Amaz\u00f3nia urbana, com todos os problemas que a Amaz\u00f3nia urbana tem. Acho muito simb\u00f3lico e importante. H\u00e1 muitas reclama\u00e7\u00f5es sobre a falta de estrutura, e claro, h\u00e1 a quest\u00e3o dos pre\u00e7os exorbitantes. Mas \u00e9 importante que haja uma COP na Amaz\u00f3nia.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nVai ser uma disputa muito dif\u00edcil, at\u00e9 pela discuss\u00e3o do petr\u00f3leo, para al\u00e9m do desmatamento da floresta chegando a um ponto de n\u00e3o retorno e a gente ter perdido os 1,5\u00baC como limite. Vai ser muito dif\u00edcil recuperar at\u00e9 porque \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o em cadeia.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>Mesmo zerando o desmatamento, o que est\u00e1 muito longe de acontecer, mesmo reflorestando a Amaz\u00f3nia&#8230; sem acabar com as emiss\u00f5es de f\u00f3sseis, a floresta vai chegar ao ponto de n\u00e3o-retorno.<\/p>\n<p>Esta semana, o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres,\u00a0<a href=\"https:\/\/sumauma.com\/secretario-geral-onu-antonio-guterres-vozes-indigenas-inspirar-mundo-evitar-catastrofe-climatica\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">deu uma entrevista \u00e0 SUMA\u00daMA<\/a>, em que considerou que o mundo n\u00e3o foi capaz de conter o aquecimento global em 1,5\u00baC e j\u00e1 falhou essa meta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEstamos num momento muito cr\u00edtico porque mais de 70 por cento das emiss\u00f5es de carbono, as que fizeram a gente ultrapassar 1,5\u00baC, s\u00e3o produzidas por combust\u00edveis f\u00f3sseis. E mesmo assim, est\u00e1-se ampliando a produ\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis, o que \u00e9 uma total insanidade.&#13;\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No Brasil, o pa\u00eds que recebe a COP30, o Governo Lula acabou de <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/meio-ambiente\/noticia\/2025\/10\/20\/entenda-o-que-e-a-foz-do-amazonas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">autorizar a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas<\/a>. Ter a Amaz\u00f3nia e Petr\u00f3leo na mesma frase \u00e9 algo completamente absurdo. Estamos a caminho da extin\u00e7\u00e3o e a gente tem petr\u00f3leo e Amaz\u00f3nia na mesma frase e h\u00e1 a dificuldade de discutir o petr\u00f3leo e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nessa COP.\u00a0<\/p>\n<p>Mas mesmo assim, essa cimeira \u00e9 muito importante. Ela vai ser disputada. Seria muito pior n\u00e3o ter. Tem gente que pergunta: para que serve a COP? Se n\u00e3o tivesse a COP estar\u00edamos com as mineradoras e o agroneg\u00f3cio decidindo, pessoas como Trump decidindo tudo sem sequer uma inst\u00e2ncia de debate e negocia\u00e7\u00e3o global.\u00a0<br \/>\nNos \u00faltimos tr\u00eas anos, as cimeiras do clima &#13;<br \/>\ndecorreram em Sharm El Sheikh (Egito, 2022), Dubai (Emirados \u00c1rabes &#13;<br \/>\nUnidos, 2023) e Baku (Azerbaij\u00e3o, 2024). <br \/>\nA COP \u00e9 muito importante. As \u00faltimas tr\u00eas COP foram em pa\u00edses que n\u00e3o permitiam manifesta\u00e7\u00f5es. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tamb\u00e9m explora petr\u00f3leo, est\u00e1 ampliando sua produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, est\u00e1 investindo quase nada em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, mas \u00e9 um pa\u00eds que permite manifesta\u00e7\u00f5es. Eu acredito que a sociedade civil vai ter um papel ainda mais forte nas ruas, embora elas ainda estejam muito mal representadas nas negocia\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Pergunta: E os ind\u00edgenas, ter\u00e3o alguma voz na cimeira?<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEu acho que os ind\u00edgenas n\u00e3o v\u00e3o ter a voz que deveriam ter e que deveriam ter por direito, porque s\u00e3o eles que protegem a floresta e todos os biomas. Se estamos aqui conversando \u00e9 porque os ind\u00edgenas est\u00e3o protegendo a natureza. Se n\u00e3o existisse natureza, n\u00e3o estar\u00edamos aqui.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAcredito que eles v\u00e3o ter mais protagonismo do que costumavam ter, mas muito menos do que seria o justo. Essas popula\u00e7\u00f5es que protegem as popula\u00e7\u00f5es tradicionais, as popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, que protegem n\u00e3o s\u00f3 a Amaz\u00f3nia mas todos os biomas, elas deveriam ter o protagonismo nas negocia\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o t\u00eam.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nCada vez mais os lobistas dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, da minera\u00e7\u00e3o, do agroneg\u00f3cio, v\u00e3o tomando conta, v\u00e3o estando cada vez mais em maior n\u00famero, inclusive porque t\u00eam muito dinheiro.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nMas n\u00f3s na plataforma de jornalismo SUMA\u00daMA, jornalismo no centro do mundo, baseada na Amaz\u00f3nia, a gente vai fazer a nossa parte como jornalistas para esse debate, como j\u00e1 vimos fazendo desde o nosso dia um.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Jornalismo \u00e9 instrumento para combater a extin\u00e7\u00e3o&#8221;&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>A Eliane \u00e9 fundadora e diretora deste projeto de jornalismo com jornalistas ind\u00edgenas. Qual \u00e9 o balan\u00e7o que faz do trabalho que tem sido feito pela SUMA\u00daMA? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de um projeto como este?\u00a0<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>Acho que a import\u00e2ncia de plataformas como a SUMA\u00daMA \u00e9 fundamental. N\u00f3s acab\u00e1mos de completar tr\u00eas anos e a gente j\u00e1 tem respeito no mundo. \u00c9 uma plataforma trilingue: espanhol, portugu\u00eas e ingl\u00eas, em breve tamb\u00e9m ter\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o para franc\u00eas, porque a gente quer que as pessoas da floresta, as vozes da floresta, possam conversar com o mundo e influenciar o mundo.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nSUMA\u00daMA \u00e9 um projeto de transmiss\u00e3o de poder. Os jornalistas que o fundaram, n\u00f3s somos jornalistas h\u00e1 40 anos e a nossa experi\u00eancia \u00e9 com jornalismo tradicional, a que a gente tem muito respeito. Um jornalismo \u00e9tico, preciso, que investiga e verifica, que respeita as fontes.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nOs quilombolas s\u00e3o descendentes das comunidades &#13;<br \/>\nformadas por escravos fugitivos desde 1500 at\u00e9 \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura&#13;<br \/>\nno Brasil, em 1888.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nMas nesse momento o jornalismo tamb\u00e9m precisa de mudar. Temos um programa de co-forma\u00e7\u00e3o, o Mic\u00e9lio. No Mic\u00e9lio a gente co-forma jornalistas ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos, das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, mas tamb\u00e9m das periferias das cidades amaz\u00f3nicas. Ensinamos para eles o jornalismo que a gente sabe fazer e eles nos ensinam como eles contam hist\u00f3rias, no caso dos ind\u00edgenas, h\u00e1 mais de dez mil anos, na floresta. \u00c9 criado outro jornalismo que parte daqueles que n\u00e3o se separaram da natureza, que se consideram natureza porque s\u00e3o natureza e vivem com natureza, numa horizontalidade.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nSUMA\u00daMA n\u00e3o nos trata como os \u00fanicos humanos. Para a maioria dos ind\u00edgenas, os humanos s\u00e3o todos: os animais, plantas, fungos, os rios, as montanhas. A gente jamais vai dizer dez toneladas de peixe ou tantas arrobas de boi, porque eles s\u00e3o seres vivos e a nossa vis\u00e3o \u00e9 de horizontalidade. A partir de toda essa linguagem, dessa conce\u00e7\u00e3o do mundo, essa conce\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m o que existe da natureza em p\u00e9, que nunca destruiu a natureza, \u00e9 que a gente faz jornalismo.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA linguagem que nos trouxe ao colapso do clima e da natureza \u00e9 a linguagem dos que se separaram da natureza. A gente retoma a linguagem dos que s\u00e3o natureza, vivem com natureza e protegem todos os biomas.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEsses jornalistas que a gente est\u00e1 co-formando, j\u00e1 estamos na segunda edi\u00e7\u00e3o. Na primeira edi\u00e7\u00e3o eram 11 e a gente contratou tr\u00eas. Os outros participam de outras iniciativas e criam as suas pr\u00f3prias iniciativas. A gente tem tr\u00eas jornalistas-floresta na nossa base aqui em Altamira, no centro da destrui\u00e7\u00e3o da floresta, e agora a gente est\u00e1 com nove sendo co-formados, que s\u00e3o de diferentes partes da Amaz\u00f3nia. Eles tamb\u00e9m v\u00e3o trabalhar na COP.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nE assim, o SUMA\u00daMA vai crescendo at\u00e9 daqui a sete anos, em que maioria de n\u00f3s vai estar fora e eles v\u00e3o comandar [o projeto]. Vai ser inteiramente composto e comandado por jornalistas-floresta, por essa outra linguagem.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nN\u00f3s defendemos que os centros do mundo s\u00e3o onde a natureza ainda resiste e n\u00e3o os centros pol\u00edticos e econ\u00f3micos onde a nossa vida \u00e9 levada ao colapso, que nos trouxe a amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o. A Amaz\u00f3nia, os oceanos, as florestas tropicais, e n\u00e3o Washington, Pequim, Londres, Frankfurt. E isso n\u00e3o \u00e9 uma ret\u00f3rica. A gente vive isso.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nN\u00f3s estamos aqui num dos epicentros da floresta, a 800 quil\u00f3metros de Bel\u00e9m &#8211; onde vai ser a COP -, como correspondentes de guerra. Porque a gente entende que \u00e9 uma guerra movida contra a natureza que nos est\u00e1 levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. E essa guerra come\u00e7ou muito anos antes, come\u00e7ou h\u00e1 500 anos e vai muito al\u00e9m das nossas vidas. O jornalismo \u00e9 o nosso instrumento para combater a extin\u00e7\u00e3o.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nVamos estar na COP com uma das maiores equipas, com quase 40 jornalistas, muitos deles da floresta, ind\u00edgenas, das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, das cidades amaz\u00f3nicas. Vamos sair daqui na pr\u00f3xima sexta-feira, no dia 31 [de outubro]. Vamos de barco at\u00e9 Bel\u00e9m, um barco organizado por n\u00f3s e a organiza\u00e7\u00e3o Sa\u00fade e Alegria. Vamos com quase cem lideran\u00e7as ind\u00edgenas, cientistas da floresta e da academia, artistas, fazendo uma discuss\u00e3o, uma pr\u00e9-COP no barco, navegando contra o fim do mundo.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Falou nos tr\u00eas idiomas da SUMAUMA. Como funciona a quest\u00e3o da l\u00edngua quando h\u00e1 povos ind\u00edgenas que podem n\u00e3o dominar tanto o portugu\u00eas?<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nInfelizmente, por conta\u00a0do colonialismo, a l\u00edngua \u00e9 um instrumento de domina\u00e7\u00e3o e grande parte dos povos ind\u00edgenas hoje falam portugu\u00eas, alguns deles como primeira l\u00edngua. Eles est\u00e3o tentando retomar, voltar a falar a sua l\u00edngua. A gente tem alguns povos que est\u00e3o com o \u00faltimo falante de sua l\u00edngua. Ent\u00e3o, quando a gente vai entrevistar ind\u00edgenas cuja primeira l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 o portugu\u00eas, a gente leva um tradutor da l\u00edngua dele e tamb\u00e9m tem um tradutor local. Esses dois tradutores trabalham juntos e a gente entrevista os grandes l\u00edderes mas tamb\u00e9m a comunidade nas suas l\u00ednguas nativas. Porque a gente sabe que eles s\u00f3 v\u00e3o poder-se expressar bem com a sua pr\u00f3pria l\u00edngua. A gente trabalha nisso tamb\u00e9m e espera colaborar dessa forma com o fortalecimento das l\u00ednguas ind\u00edgenas.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA gente vai fazer debates agora no barco, s\u00e3o v\u00e1rios debates que v\u00e3o acontecer durante a nossa navega\u00e7\u00e3o. E tem v\u00e1rios ind\u00edgenas, mas tem apenas uma delas cuja primeira l\u00edngua \u00e9 o Yanomami. Ela tem sempre uma tradutora de Yanomami com ela para que se possa expressar. \u00c0s vezes, no primeiro impacto, na primeira fala, a gente deixa sem tradu\u00e7\u00e3o para que os n\u00e3o ind\u00edgenas entendam que esta \u00e9 uma outra forma de conceber o mundo e que eles precisam de se esfor\u00e7ar para alcan\u00e7ar.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;A seca agora \u00e9 muito mais extrema&#8221;&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Desde 2017 que a Eliane vive em Altamira. Escolheu este local por designar a Amaz\u00f3nia como a grande luta do nosso tempo. Que balan\u00e7o \u00e9 que faz deste tempo a viver em plena Amaz\u00f3nia. O que \u00e9 que ainda a surpreende e quais s\u00e3o as principais dificuldades que enfrenta?<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>Eu vim para c\u00e1 em 2017 por coer\u00eancia, por defender que a Amaz\u00f3nia \u00e9 um dos centros do mundo. Mas eu j\u00e1 cobria a Amaz\u00f3nia h\u00e1 30 anos. J\u00e1 faz mais de 30 anos que eu cubro as diferentes Amaz\u00f3nias. Neste lugar, como eu j\u00e1 tinha feito algumas reportagens aqui na regi\u00e3o de Altamira e depois acompanhei toda a destrui\u00e7\u00e3o promovida pela Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, eu entendi que como \u00e9 um dos epicentros era aqui que eu teria de ficar.<\/p>\n<p>Belo Monte \u00e9 a segunda maior hidrel\u00e9trica do Brasil e<br \/>\nfoi uma das constru\u00e7\u00f5es mais pol\u00e9micas do pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o<br \/>\ns\u00f3 pela sua implica\u00e7\u00e3o na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, mas tamb\u00e9m pelo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/sn\/a\/fTTwBFM48MhVKNckWNDkB8C\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">profundo &#13;<br \/>\nimpacto<\/a> para a biodiversidade e a vida das comunidades ind\u00edgenas e<br \/>\nribeirinhas do rio Xingu.\u00a0<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nUma pessoa n\u00e3o amaz\u00f3nica n\u00e3o pode vir de repente. Eu tenho uma base, tenho trabalho e escolhi Altamira para ficar. Vim principalmente para estar na linha de frente, como aliada, nessa guerra que \u00e9 movida contra a natureza. Na linha da frente com os povos-floresta.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nMas eu vim tamb\u00e9m para me reflorestar. Porque toda a minha estrutura, toda a minha linguagem \u00e9 daqueles que se separaram da natureza. Por mais que eu combata o capitalismo, o capitalismo \u00e9 uma linguagem e eu fui formada nessa linguagem.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO reflorestamento \u00e9 a parte mais dif\u00edcil. Nesses oito anos eu mudei muito, eu passei a me entender como natureza.\u00a0Por exemplo, eu estou aqui na casa. A gente reflorestou um peda\u00e7o de pasto e construiu uma casa o mais organicamente poss\u00edvel. Mas essa casa n\u00e3o \u00e9 minha, a casa \u00e9 uma invasora. Eu sou uma invasora e tenho de me comportar como tal.&#13;\n<\/p>\n<p>A floresta est\u00e1 sempre contra esta casa, que \u00e9 uma casa coletiva. Eu divido essa casa de forma igualit\u00e1ria com aranhas, com sapos, com lagartixas, com milh\u00f5es de formigas, abelhas. Com as \u00e1rvores, com as plantas. Com tudo o que \u00e9 vivo. E tudo aqui \u00e9 muito vivo, tem uma enorme for\u00e7a de vida. Eu sou colega de casa de todas essas pessoas, que para mim s\u00e3o pessoas. Isso j\u00e1 est\u00e1 incorporado na minha forma de entender o mundo. <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil explicar com coisas concretas essa mudan\u00e7a. Mas \u00e9 uma mudan\u00e7a profunda e que d\u00e1 muito trabalho, precisa de aceitar os riscos e aceitar me entregar a essa mudan\u00e7a. E eu estou muito longe ainda. Vou morrer me reflorestando, \u00e9 um trabalho permanente.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO mais dif\u00edcil \u00e9 porque a gente est\u00e1 perdendo nessa guerra. Isso a que se chama humanidade \u2013 e que eu tenho muitas ressalvas \u2013 est\u00e1 perdendo e est\u00e1 caminhando para a extin\u00e7\u00e3o, correndo para a extin\u00e7\u00e3o.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNesse pouco tempo que estou aqui, nesses oito anos, eu j\u00e1 vi a floresta a mudar. A seca agora \u00e9 muito mais extrema do que era. A gente est\u00e1 em plena seca agora e sabe que na seca \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o dos fogos.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nE todos os fogos na Amaz\u00f3nia s\u00e3o criminosos. O mais dif\u00edcil \u00e9 ver a floresta queimar. Porque quando se entende que a gente est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com tudo, quando v\u00ea uma floresta queimada n\u00e3o v\u00ea mais \u201ctantos campos de futebol\u201d, como os jornalistas gostam de dizer. A gente n\u00e3o v\u00ea s\u00f3 \u00e1rvores.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA floresta n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o com \u00e1rvores dentro, isso \u00e9 um jardim bot\u00e2nico. A floresta n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o com animais dentro, isso \u00e9 um jardim zool\u00f3gico, coisa que eu abomino. A defini\u00e7\u00e3o de floresta \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o. Tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o, todos os seres est\u00e3o em interc\u00e2mbio, cont\u00e1gio, contamina\u00e7\u00e3o, interdepend\u00eancia. A floresta \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o, a natureza \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nN\u00f3s somos uma rela\u00e7\u00e3o com tudo o que nos habita. N\u00e3o somos um corpo com bact\u00e9rias com outros vivos dentro. N\u00f3s somos essa rela\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, quando se passa a entender dessa maneira, a viver em outros entendimentos, quando se v\u00ea uma floresta a queimar, tu entendes que tu queimas tamb\u00e9m. Tu entendes que, naquele momento, est\u00e3o acontecendo holocaustos. S\u00e3o milh\u00f5es de vida queimando, cada \u00e1rvore \u00e9 um planeta com milh\u00f5es de vidas. S\u00e3o on\u00e7as queimando em dor excruciante, pregui\u00e7as, tatus, cobras, p\u00e1ssaros, insetos e fungos queimando em dor excruciante. &#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nE isso acontece durante dias porque h\u00e1 muita resist\u00eancia em acabar com o fogo, mesmo que a lei diga que n\u00e3o pode fazer e que obrigue a combater o fogo.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Porque h\u00e1 quem lucre com o fogo&#8230;<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nQuem lucra com o fogo s\u00e3o os destruidores da Amaz\u00f3nia. Ela \u00e9 destru\u00edda pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es internacionais e pelo crime organizado, que tamb\u00e9m est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com muitas dessas corpora\u00e7\u00f5es internacionais. Ela \u00e9 destru\u00edda pelo que a gente chama de grileiros, os destruidores hist\u00f3ricos da Amaz\u00f3nia e muito ativos hoje, ainda. Eles chegam num peda\u00e7o da floresta e expulsam com pistoleiros e cada vez mais com policiais.\u00a0As mil\u00edcias hoje s\u00e3o formadas por policiais e pistoleiros.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nExpulsam as popula\u00e7\u00f5es, matam, cortam as \u00e1rvores, exportam essas \u00e1rvores para a Europa muitas vezes, para o norte global. Esse corte das \u00e1rvores \u00e9 feito na maioria das vezes com trabalho escravo. Esses trabalhadores depois s\u00e3o mortos, enterrados por ali. Depois disso, colocam bois para dizer que t\u00eam a posse da terra, que est\u00e3o produzindo. Esses bois do desmatamento s\u00e3o passados at\u00e9 serem legalizados e v\u00e3o parar em grandes corpora\u00e7\u00f5es, como a JBS. E v\u00e3o ser vendidos e exportados para a China e Europa. E a\u00ed se vende essa terra. \u00c9 um grande neg\u00f3cio porque tu n\u00e3o gastou nada, n\u00e3o gastou quase nada.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEsses s\u00e3o os benefici\u00e1rios. Esse crime organizado do tr\u00e1fico de drogas hoje, na Amaz\u00f3nia, faz muitas outras coisas. Ele faz pilhagem, garimpo, e vai para esse outro crime legalizado, que \u00e9 das grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que comem a Amaz\u00f3nia, contaminam e matam as popula\u00e7\u00f5es da floresta. \u00c9 muito complexo. Todos eles ganham com os fogos. Na cabe\u00e7a deles \u00e9 lucro, \u00e9 transformar a floresta em monoculturas de soja, de palma.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO maior rebanho bovino do Brasil fica na Amaz\u00f3nia. Fica numa cidade que para os padr\u00f5es amaz\u00f3nicos at\u00e9 \u00e9 perto de Altamira, que \u00e9 S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu. Dois milh\u00f5es e meio de bois s\u00f3 numa cidade amaz\u00f3nica. Quando as pessoas pensam na floresta e pensam na on\u00e7a\u2026mas o animal de grande porte mais numeroso da Amaz\u00f3nia \u00e9 o boi, outro escravo contempor\u00e2neo. Quando se come carne na Europa tem de se pensar est\u00e1 a comer a carne com sangue da floresta, sangue dos povos da floresta.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#8220;Escolha \u00e9 entre planeta hostil ou ruim&#8221;&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<b>Perante tudo isto, devemos olhar para o futuro com p\u00e2nico ou com esperan\u00e7a? Ter esperan\u00e7a que algo mude, mas sentir o p\u00e2nico de que j\u00e1 n\u00e3o vai ser poss\u00edvel mudar grande coisa.<\/b>&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNesse momento em que a gente vive, que \u00e9 um momento limite, a gente realmente est\u00e1 a caminho da extin\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faz sentido nem p\u00e2nico nem esperan\u00e7a. Primeiro tem de dizer que os povos da floresta, de todos os biomas, est\u00e3o lutando em nome de todo o mundo. S\u00e3o eles que est\u00e3o morrendo. E eles est\u00e3o lutando, n\u00e3o est\u00e3o pensando em p\u00e2nico nem em esperan\u00e7a. Est\u00e3o lutando, porque eles lutam pela vida.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAcho que a esperan\u00e7a \u00e9 supervalorizada. Porque talvez seja um momento em que a gente n\u00e3o tenha mais por que ter esperan\u00e7a e isso n\u00e3o \u00e9 o mais importante. O mais importante \u00e9 a vida.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO capitalismo deu uma ideia de vida para a gente que n\u00e3o tem nada a ver com a vida. Quando a gente est\u00e1 na natureza, vivendo com a natureza, a gente entende a for\u00e7a imensa da vida. A gente tem de recuperar essa for\u00e7a imensa da vida e lutar.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nTodos n\u00f3s temos de lutar, n\u00e3o d\u00e1 para delegar essa luta. Todos n\u00f3s lutamos fazendo o que n\u00e3o sabemos a partir do que sabemos, como a gente est\u00e1 fazendo no jornalismo.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nTodos temos de lutar porque a gente n\u00e3o luta para ganhar, a gente luta para viver. Pode observar que quem n\u00e3o est\u00e1 lutando, est\u00e1 paralisado, est\u00e1 zumbizando, esperando a extin\u00e7\u00e3o a chegar &#8211; o que \u00e9 uma grande trai\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o escolheram isso &#8211; tem olhos mortos.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nQuem est\u00e1 lutando, est\u00e1 vivo. Porque a gente luta tamb\u00e9m com a imagina\u00e7\u00e3o e com alegria. A gente luta com tudo isso misturado, porque a vida tem tudo isso.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO capitalismo sequestrou o nosso instinto de sobreviv\u00eancia. Aqui na floresta, a gente v\u00ea qualquer ser vivo, n\u00e3o importa o tamanho que tenha, a ser amea\u00e7ado. Ele imediatamente reage, porque ele quer viver.\u00a0A gente est\u00e1 amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o e n\u00e3o reage, perdemos o nosso instinto de sobreviv\u00eancia, mas tem de se recuperar. Nem que seja por respeito \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, e todo o mundo est\u00e1 ligado a alguma crian\u00e7a que j\u00e1 nasceu. N\u00e3o estou falando das que ainda n\u00e3o nasceram, mas das que j\u00e1 nasceram num mundo pior.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA nossa escolha, agora, \u00e9 entre um planeta hostil e um planeta ruim. A gente j\u00e1 est\u00e1 num planeta muito pior para o que a gente chama de humanos, para a humanidade. Mas a diferen\u00e7a entre um planeta ruim e um planeta hostil \u00e9 muito grande. Num planeta hostil muita gente vai morrer. E a gente sabe quem s\u00e3o as pessoas que v\u00e3o morrer, maioritariamente.&#13;\n<\/p>\n<p>Pessoas como Trump ou Elon Musk, eles n\u00e3o est\u00e3o interessados porque acreditam, como sempre se salvaram, que se v\u00e3o salvar, mesmo que seja indo para Marte. E com a intelig\u00eancia artificial, n\u00e3o v\u00e3o precisar mais de tanta gente trabalhando, porque v\u00e3o ter rob\u00f4s. Ent\u00e3o eles n\u00e3o est\u00e3o se importando com isso. Ent\u00e3o n\u00e3o faz sentido pessimismo, otimismo, p\u00e2nico, esperan\u00e7a. A gente tem de lutar para viver. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; Altamira, munic\u00edpio brasileiro no estado do Par\u00e1, tem o tamanho da B\u00e9lgica e da Gr\u00e9cia juntas. \u00c9&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137465,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[989,964,27,28,8567,2271,6391,30735,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,30736,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-137464","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-amazonia","9":"tag-ambiente","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-cimeira","13":"tag-clima","14":"tag-cop30","15":"tag-eliane-brum","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-headlines","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-sumauma","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115484149901432585","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137464\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}