{"id":139223,"date":"2025-11-04T12:54:08","date_gmt":"2025-11-04T12:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139223\/"},"modified":"2025-11-04T12:54:08","modified_gmt":"2025-11-04T12:54:08","slug":"morreu-dick-cheney-vice-presidente-de-george-w-bush-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139223\/","title":{"rendered":"Morreu Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush | EUA"},"content":{"rendered":"<p>Redefiniu a fun\u00e7\u00e3o do vice-presidente dos Estados Unidos e foi o principal arquitecto da resposta norte-americana aos atentados de 11 de Setembro de 2001, envolvendo o pa\u00eds num prolongado, sangrento e sobretudo desnecess\u00e1rio conflito no Iraque, do qual o M\u00e9dio Oriente ainda hoje sente r\u00e9plicas. Dick Cheney morreu na noite de segunda-feira aos 84 anos, revelou a sua fam\u00edlia em comunicado citado pela CNN e pelo Politico.<\/p>\n<p>&#8220;O antigo vice-presidente morreu devido a complica\u00e7\u00f5es de uma pneumonia e de doen\u00e7a cardiovascular&#8221;, detalha a fam\u00edlia Cheney. Eram conhecidos de longa data os problemas card\u00edacos de Cheney, que foi submetido a um transplante de cora\u00e7\u00e3o em 2012.<\/p>\n<p>Nascido em Lincoln, no Nebrasca, a 30 de Janeiro de 1941, Richard Bruce Cheney foi vice-presidente norte-americano durante os dois mandatos presidenciais do republicano George W. Bush, de quem imprensa e analistas viam como uma esp\u00e9cie de &#8216;Presidente-sombra&#8217;, dada o seu n\u00edvel de influ\u00eancia na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa e dom\u00e9stica entre 2001 e 2009. Ao mesmo tempo, Cheney foi um proponente do refor\u00e7o do primado do poder executivo, na figura do Presidente, face a um progressivo protagonismo do Congresso.<\/p>\n<p>Um filho do Midwest, Cheney tinha chegado a Washington d\u00e9cadas antes, durante a era Nixon, durante a qual trabalhou no gabinete de Donald Rumsfeld, a quem sucedeu depois em 1975 como chefe de gabinete do Presidente Gerald Ford. Foi eleito para o Senado pelo Wyoming pela primeira vez em 1978 (meses depois de ter sofrido um de v\u00e1rios ataques card\u00edacos), de onde sai em 1989 para ser secret\u00e1rio da Defesa de George H.W. Bush (Bush pai). Num per\u00edodo de afirma\u00e7\u00e3o dos EUA como \u00fanica superpot\u00eancia global, ante o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Cheney lidera o Pent\u00e1gono durante a primeira Guerra do Golfo. O derrube de Saddam Hussein, que n\u00e3o era um objectivo norte-americano na altura, ficaria guardado para a d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<p>Durante a era Clinton, antes de regressar a Washington como &#8216;vice&#8217; de Bush filho, Cheney foi presidente executivo da Halliburton, empresa norte-americana prestadora de servi\u00e7os \u00e0 ind\u00fastria petrol\u00edfera que, mais tarde, faria milhares de milh\u00f5es no Iraque p\u00f3s-Saddam.<\/p>\n<p>Cai-lhe no colo a resposta imediata aos ataques de 11 de Setembro de 2001, naquela manh\u00e3 em que o Presidente republicano lia hist\u00f3rias para crian\u00e7as numa escola na Florida. Durante v\u00e1rias horas, tem nas m\u00e3os a autoridade de abater qualquer avi\u00e3o civil suspeito de vir a mergulhar contra alvos norte-americanos. N\u00e3o chega a exerc\u00ea-la: dois avi\u00f5es atingem o World Trade Center em Nova Iorque, um terceiro cai no Pent\u00e1gono e um quarto \u00e9 tomado aos terroristas pelos passageiros e despenha-se num descampado na Pensilv\u00e2nia.<\/p>\n<p>S\u00e3o os dias seguintes que selam Cheney como o mais poderoso vice-presidente da hist\u00f3ria norte-americana. Desenha e implementa a &#8220;doutrina dos 1%&#8221;: se for identificada uma probabilidade de 1% de os EUA virem a ser atacados, argumenta, o risco ser\u00e1 assumido como uma certeza e o pa\u00eds ter\u00e1 o dever de agir preventivamente em qualquer ponto do globo. Na frente interna, s\u00e3o tempos de um agressivo refor\u00e7o do aparelho policial e de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Afeganist\u00e3o, ent\u00e3o base da al-Qaeda, \u00e9 o primeiro alvo da retalia\u00e7\u00e3o militar norte-americana. Mas \u00e9 o Iraque o verdadeiro tubo de ensaio da &#8220;doutrina Cheney&#8221;: a suspeita fr\u00e1gil de que o regime de Saddam teria em sua posse armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a pass\u00edveis de serem utilizadas contra alvos norte-americanos, ou dos seus aliados, \u00e9 tornada em &#8220;facto&#8221;.<\/p>\n<p>Cheney \u00e9 uma das principais vozes no seio da Administra\u00e7\u00e3o Bush a defender a invas\u00e3o do Iraque e imp\u00f5e a sua vontade perante o cepticismo cauteloso do ent\u00e3o chefe da diplomacia norte-americana, Colin Powell. O regime iraquiano colapsa rapidamente, mas n\u00e3o s\u00e3o encontradas as ditas armas. O pa\u00eds mergulha numa guerra civil, incubadora de extremistas, e arrasta o M\u00e9dio Oriente para um novo ciclo de instabilidade. Tamb\u00e9m \u00e9 arrastada a popularidade de Bush e Cheney, que se afasta de qualquer especula\u00e7\u00e3o sobre uma candidatura presidencial. Segue-se Barack Obama.<\/p>\n<p>Figura de refer\u00eancia do neoconservadorismo intervencionista, Cheney juntou-se nos \u00faltimos anos de vida \u00e0 filha, a ex-congressista republicana Liz, na cr\u00edtica p\u00fablica do trumpismo isolacionista, sobretudo ap\u00f3s a tentativa de invalida\u00e7\u00e3o dos resultados das presidenciais de 2020 e do assalto ao Capit\u00f3lio a 6 de Janeiro de 2021. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Redefiniu a fun\u00e7\u00e3o do vice-presidente dos Estados Unidos e foi o principal arquitecto da resposta norte-americana aos atentados&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":139224,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[993,7809,27,28,92,353,235,413,15,16,31024,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,6281,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-139223","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-america","9":"tag-america-do-norte","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-donald-trump","13":"tag-em-destaque","14":"tag-estados-unidos","15":"tag-eua","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-george-w-bush","19":"tag-headlines","20":"tag-latest-news","21":"tag-latestnews","22":"tag-main-news","23":"tag-mainnews","24":"tag-mundo","25":"tag-news","26":"tag-noticias","27":"tag-noticias-principais","28":"tag-noticiasprincipais","29":"tag-partido-republicano","30":"tag-principais-noticias","31":"tag-principaisnoticias","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115491534490781913","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139223\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}