{"id":139447,"date":"2025-11-04T16:25:18","date_gmt":"2025-11-04T16:25:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139447\/"},"modified":"2025-11-04T16:25:18","modified_gmt":"2025-11-04T16:25:18","slug":"desta-vez-passos-coelho-tem-razao-e-nem-sempre-acontece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139447\/","title":{"rendered":"Desta vez Passos Coelho tem raz\u00e3o. E nem sempre acontece"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Passos Coelho \u00e9 uma daquelas personalidades pol\u00edticas que me provoca sentimentos contradit\u00f3rios. T\u00e3o depressa consigo estar 100% de acordo com ele, como consigo estar nos ant\u00edpodas do que defende. No caso em apre\u00e7o, aplica-se a primeira op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Na sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica, Passos Coelho assumiu uma cr\u00edtica ao atual primeiro-ministro, extens\u00edvel a muitos outros, em Portugal e no resto da Europa. Come\u00e7ou por avisar que \u201ccheg\u00e1mos ao fim das margens de manobra que nos permitem adiar decis\u00f5es importantes\u201d, numa alus\u00e3o clara aos \u00faltimos anos de crescimento econ\u00f3mico e de excedentes or\u00e7amentais, para rematar dizendo que \u201cagora n\u00e3o vale a pena haver mais c\u00e1lculos eleitorais nem perder tempo com preocupa\u00e7\u00f5es distributivas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O \u201calerta\u201d, nas palavras do pr\u00f3prio, serve, naturalmente, para mem\u00f3ria futura, n\u00e3o v\u00e1 um dia Passos ser novamente candidato a alguma coisa. Assim j\u00e1 pode dizer: &#8216;Lembram-se do que eu disse h\u00e1 uns tempos? Pois \u00e9. Eu avisei&#8217;. Quem n\u00e3o gosta de Pedro Passos Coelho dir\u00e1 que ele anda sempre com o diabo na boca. Que j\u00e1 anunciou a sua chegada v\u00e1rias vezes e que o diabo nunca apareceu. E talvez essa cr\u00edtica tenha alguma raz\u00e3o de ser. O diabo est\u00e1 para Passos Coelho como o lobo estava para Pedro. Tantas vezes disse que vinha a\u00ed o lobo que\u2026\u00a0<\/p>\n<p>Os nost\u00e1lgicos da geringon\u00e7a olharam para a \u00faltima d\u00e9cada com orgulho. Ficaram todos contentes por ver a economia portuguesa crescer 2%, \u201cacima da m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia\u201d, repetiam de peito feito nos debates televisivos e no Parlamento. Distribuiu-se dinheiro pela fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pelos pensionistas, o sal\u00e1rio m\u00ednimo subiu, o desemprego caiu para m\u00ednimos hist\u00f3ricos e tudo isto, aliado a uma elevad\u00edssima carga fiscal, ainda deu para uns belos excedentes or\u00e7amentais. Portugal parece ter sobrevivido a tudo: a uma pandemia \u00e0 escala global, \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia e at\u00e9 a uma crise inflacionista. Nunca faltou dinheiro, viesse ele de onde viesse. De Bruxelas, dos impostos, do turismo, ou das cativa\u00e7\u00f5es or\u00e7amentais que deixaram os cofres do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as forrados.\u00a0<\/p>\n<p>Mas esta realidade n\u00e3o pode esconder uma outra, bem mais preocupante. Todos os problemas estruturais que t\u00eam impedido a competitividade da economia portuguesa ficaram por resolver. Quando n\u00e3o ficaram piores.\u00a0<\/p>\n<p>A justi\u00e7a \u00e9 disso um bom exemplo. \u00c9, ali\u00e1s, muito ir\u00f3nico ouvir agora pessoas como Augusto Santos Silva, com um dos maiores curr\u00edculos de ministro do pa\u00eds, virem pedir uma reforma da justi\u00e7a. Parece que est\u00e1 a gozar com a nossa cara.\u00a0<\/p>\n<p>E h\u00e1 outros exemplos.\u00a0<\/p>\n<p>O que foi feito nos \u00faltimos anos para garantir a sustentabilidade da Seguran\u00e7a Social a longo prazo, sabendo todos que a pir\u00e2mide demogr\u00e1fica est\u00e1 cada vez mais invertida e que mesmo os imigrantes \u2014 m\u00e3o de obra cr\u00edtica para manter a economia de p\u00e9 \u2014 um dia deixar\u00e3o de ser contribuintes l\u00edquidos e passar\u00e3o a ser, tamb\u00e9m eles, benefici\u00e1rios?<\/p>\n<p>E o que fizeram os governos nos \u00faltimos 10 anos para arrumar o Estado? Para o tornar mais \u00e1gil, menos burocr\u00e1tico, menos dependente de corpora\u00e7\u00f5es e menos centralista? Quantas promessas de vacas voadoras foram feitas e quantas, de facto, levantaram voo?\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Passos Coelho, nisto, tem raz\u00e3o. A \u00faltima d\u00e9cada foi mesmo uma oportunidade perdida. O crescimento econ\u00f3mico e a brutal carga fiscal n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o serviram para fazer as reformas que precisavam de ser feitas como n\u00e3o conseguiram impedir que quase dois milh\u00f5es de portugueses continuem a viver no limiar da pobreza. E que a classe m\u00e9dia continue sem conseguir viver com dignidade.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Se Lu\u00eds Montenegro n\u00e3o quiser ficar na hist\u00f3ria como o Ant\u00f3nio Costa da AD, talvez esteja na altura de come\u00e7ar a mostrar alguma centelha de reformismo. N\u00e3o basta apresentar um ministro da reforma do Estado. \u00c9 preciso ter um plano, um calend\u00e1rio de execu\u00e7\u00e3o e come\u00e7ar a mostrar resultados. N\u00e3o basta querer crescer 3% ao ano. \u00c9 preciso ter uma vis\u00e3o para a economia portuguesa, encontrar novos mercados e tornar o pa\u00eds um destino competitivo para o investimento. N\u00e3o basta acenar com dinheiro \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso arte para trabalhar com elas ou coragem para as afrontar. Porque, se nada disto for feito, de nada adianta andar a distribuir 20 ou 30 euros no IRS, para daqui a uns tempos termos todos de pagar estas descidas de impostos com juros.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pedro Passos Coelho \u00e9 uma daquelas personalidades pol\u00edticas que me provoca sentimentos contradit\u00f3rios. 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