{"id":139521,"date":"2025-11-04T17:27:44","date_gmt":"2025-11-04T17:27:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139521\/"},"modified":"2025-11-04T17:27:44","modified_gmt":"2025-11-04T17:27:44","slug":"ministra-da-saude-precipitou-se-e-perdeu-o-controlo-do-discurso-o-erro-politico-de-ana-paula-martins-no-caso-da-gravida-guineense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/139521\/","title":{"rendered":"Ministra da Sa\u00fade &#8220;precipitou-se e perdeu o controlo do discurso&#8221;: o &#8220;erro pol\u00edtico&#8221; de Ana Paula Martins no caso da gr\u00e1vida guineense"},"content":{"rendered":"<p>\t                Uma mulher morreu, o beb\u00e9 tamb\u00e9m. As palavras da ministra, ditas no calor do momento, soaram, na opini\u00e3o dos especialistas, frias, como se o erro fosse da gr\u00e1vida e n\u00e3o do sistema que falhou em acompanh\u00e1-la. No plano pol\u00edtico, Ana Paula Martins j\u00e1 viu o presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o do Hospital Amadora-Sintra apresentar a demiss\u00e3o. Num setor &#8220;muito sens\u00edvel e muito fr\u00e1gil&#8221;, como lembra a polit\u00f3loga Paula do Esp\u00edrito Santo, a precipita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem custos altos. E, neste caso, pode ter custado \u00e0 ministra a confian\u00e7a de muitos, dentro e fora do Governo<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ana-paula-martins\/ministra-da-saude\/eu-nasci-na-guine-bissau-ministra-da-saude-foi-ouvida-no-dia-em-que-morreu-uma-gravida-num-hospital-e-acabou-a-defender-se-de-uma-acusacao-de-xenofobia\/20251031\/69050a47d34e2bd5c6d37f36\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">audi\u00e7\u00e3o de sexta-feira na Assembleia da Rep\u00fablica<\/a>, Ana Paula Martins sugeriu que o caso da gr\u00e1vida guineense que morreu no Hospital Amadora-Sintra inseria-se no conjunto de casos\u00a0de \u201cgr\u00e1vidas que nunca foram seguidas durante a gravidez, sem m\u00e9dico de fam\u00edlia, rec\u00e9m-chegadas a Portugal e que, muitas vezes, nem falam portugu\u00eas, n\u00e3o foram preparadas para chamar o socorro e nem telem\u00f3vel t\u00eam\u201d. Mas, afinal, a mulher em causa estava em Portugal h\u00e1 v\u00e1rios meses, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/hospital-amadora-sintra\/saude\/tinha-autorizacao-de-residencia-ha-quase-um-ano-e-estava-a-ser-seguida-no-sns-a-historia-de-umo-cani-que-morreu-com-a-filha-no-amadora-sintra\/20251103\/6908ac81d34e3caad84ad6b5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">tinha autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia<\/a>, tinha sido acompanhada nos servi\u00e7os de sa\u00fade e estava inscrita no SNS.<\/p>\n<p>A ministra falava, na verdade, sem conhecer todos os dados e foi a\u00ed que come\u00e7ou o problema, na opini\u00e3o dos especialistas ouvidos pela CNN Portugal.<\/p>\n<p>O polit\u00f3logo Jos\u00e9 Filipe Pinto considera que o epis\u00f3dio reflete \u201cum grande desgaste pol\u00edtico e pessoal\u201d da ministra, que \u201cacreditou piamente nas palavras do presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Amadora-Sintra\u201d, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/hospital-fernando-fonseca\/conselho-de-administracao-do-amadora-sintra-demite-se-apos-duas-polemicas-ministra-ja-aceitou\/20251103\/690891d0d34e2bd5c6d38dca\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">informa\u00e7\u00e3o que se viria a revelar incorreta<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEla entendeu que podia usar esses dados de forma rigorosa, mas foi excessivamente dura. E pode considerar-se que n\u00e3o houve uma marca de humanidade no discurso\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Filipe Pinto, o erro de Ana Paula Martins n\u00e3o foi apenas t\u00e9cnico, mas \u00e9tico e pol\u00edtico: \u201cA ministra precipitou-se e perdeu o controlo do discurso. A irritabilidade fruto da situa\u00e7\u00e3o que se est\u00e1 a arrastar, de delapida\u00e7\u00e3o do seu capital pol\u00edtico, falou mais alto. E acabou por se afastar de um tom de sensibilidade que o momento exigia.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Isto mostra que a ministra se sente v\u00edtima da incompreens\u00e3o e ajuda a perceber o seu ar sempre demasiado sisudo. A verdade \u00e9 que utilizou uma informa\u00e7\u00e3o incorreta, mais do que incompleta, para fazer um retrato da situa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed, \u00e9 evidente que cometeu um erro pol\u00edtico&#8221;, continua.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a polit\u00f3loga Paula do Esp\u00edrito Santo entende que a ministra falhou duplamente: ao falar cedo demais e ao faz\u00ea-lo sem a devida prud\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>\u201cO discurso e a justifica\u00e7\u00e3o foram feitos num momento em que ela n\u00e3o tinha todos os dados. Nesses casos, o que se deve fazer \u00e9 remeter para a investiga\u00e7\u00e3o e para o apuramento dos factos, n\u00e3o tirar conclus\u00f5es extensivas\u201d, explica \u00e0 CNN Portugal.<\/p>\n<p>A professora universit\u00e1ria acrescenta que, independentemente de a ministra ter sido mal informada, \u201cas convic\u00e7\u00f5es assumidas no Parlamento t\u00eam de ter uma base s\u00f3lida e demonstrativa para que depois n\u00e3o haja corre\u00e7\u00f5es\u201d, sob pena de minarem a credibilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cEste discurso no Parlamento acaba por inflamar ainda mais os \u00e2nimos relativamente a um setor que \u00e9 disfuncional, muito sens\u00edvel e muito fr\u00e1gil, e comprometem a pr\u00f3pria ministra, na medida em que ela acaba por ser a \u00faltima pessoa a ser informada corretamente, quando deveria ser a primeira a dar-nos informa\u00e7\u00e3o sobre aquilo que acontece.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Estamos a entrar num discurso de grande leveza pol\u00edtica, em que se tenta desresponsabilizar o sistema, colocando o \u00f3nus da culpa nos pr\u00f3prios doentes\u201d, continua.<\/p>\n<p>Paula do Esp\u00edrito Santo lembra que a gr\u00e1vida \u201c<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/gravida\/amadora-sintra\/o-que-julho-agosto-setembro-de-2025-contam-sobre-a-falha-grave-de-informacao-no-caso-da-gravida-e-da-bebe-que-morreram\/20251103\/69089af7d34e2bd5c6d38e84\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estava em Portugal h\u00e1 meses, era acompanhada<\/a> e tinha suporte familiar\u201d. Por isso, as palavras de Ana Paula Martins \u201cacabam por colar-se a um tipo de narrativa que, ainda que involuntariamente, ecoa o discurso populista que culpa a imigra\u00e7\u00e3o pelas falhas do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 aqui detalhes que querem aproveitar a onda de algum populismo que se vai instalando e que tem a ver com a direita radical, que elegeu o alvo da imigra\u00e7\u00e3o como sendo a fonte de todos os males. A pr\u00f3pria ministra acaba por cavalgar essa onda de que a imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelas dificuldades do SNS em dar um seguimento capaz \u00e0s gr\u00e1vidas, precisamente porque estas gr\u00e1vidas n\u00e3o conseguem, na perspetiva da ministra, comunicar devidamente com o SNS&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Filipe Pinto tamb\u00e9m partilha da opini\u00e3o que a dureza da interven\u00e7\u00e3o no Parlamento, num caso envolvendo uma mulher imigrante, em contexto de maternidade e perda, abriu ainda espa\u00e7o para um tipo de discurso que o pr\u00f3prio Chega tem explorado politicamente.<\/p>\n<p>\u201cEla n\u00e3o se separou claramente da posi\u00e7\u00e3o que tem sido defendida pelo populismo identit\u00e1rio, que responsabiliza os imigrantes por usarem o sistema de sa\u00fade portugu\u00eas\u201d, nota o polit\u00f3logo. \u201cIsso \u00e9 muito grave, porque desvaloriza o estatuto social da gr\u00e1vida e transmite uma percep\u00e7\u00e3o errada da realidade.\u201d<\/p>\n<p>A ministra j\u00e1 veio<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ministra-da-saude\/hospital-amadora-sintra\/ministra-da-saude-lamenta-morte-de-mae-e-bebe-no-hospital-amadora-sintra\/20251101\/69063fa3d34e3caad84acb29\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> lamentar a morte da mulher e do beb\u00e9<\/a> e reconheceu \u201ca sensibilidade da situa\u00e7\u00e3o\u201d. Mas, para os analistas, a \u201csensibilidade\u201d devia ter sido demonstrada antes, n\u00e3o depois.<\/p>\n<p>\u201cUma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel a posteriori,\u00a0 tinha de ser sens\u00edvel a priori\u201d, considera Jos\u00e9 Filipe Pinto. \u201cA ministra falhou porque reagiu sob press\u00e3o e acreditou em dados incorretos. E isso s\u00f3 aumentou a dimens\u00e3o do desastre.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma mulher morreu, o beb\u00e9 tamb\u00e9m. 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