{"id":13982,"date":"2025-08-03T09:24:10","date_gmt":"2025-08-03T09:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13982\/"},"modified":"2025-08-03T09:24:10","modified_gmt":"2025-08-03T09:24:10","slug":"pias-teve-prejuizo-de-mais-de-um-milhao-de-euros-com-nova-rotulagem-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/13982\/","title":{"rendered":"Pias teve preju\u00edzo de \u201cmais de um milh\u00e3o de euros\u201d com nova rotulagem | Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>A Sociedade de Vinhos Victor Matos II S.A. intentou uma ac\u00e7\u00e3o judicial contra o Minist\u00e9rio da Agricultura contestando a aplica\u00e7\u00e3o da nova Portaria n.\u00ba 314\/2024\/1, de 4 de Dezembro, relacionada com as novas normas da rotulagem. Alega a empresa que foi obrigada a \u201cdestruir\u201d r\u00f3tulos de \u201c14 ou 15 cami\u00f5es com caixas Tetra Pak e bag-in-box\u201d, para poder adaptar-se \u00e0s novas exig\u00eancias. Por entre acusa\u00e7\u00f5es ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), V\u00edtor Matos revela preju\u00edzos de \u201cmais de um milh\u00e3o de euros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Confirma a provid\u00eancia cautelar contra o Minist\u00e9rio da Agricultura devido \u00e0s novas regras da rotulagem?<\/strong><br \/>Sim, sim. Mas est\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 resolvido?<\/strong><br \/>Sim. H\u00e1 umas tr\u00eas semanas. O tribunal deu-nos raz\u00e3o, parcialmente. Inicialmente, falava-se que [as refer\u00eancias da marca] \u201cPias\u201d n\u00e3o se podiam vender a n\u00e3o ser como vinho regional. Agora estamos autorizados a vender vinho de mesa portugu\u00eas, porque h\u00e1 muito vinho em Portugal que n\u00e3o tem especifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, o que n\u00e3o podem agora comercializar?<\/strong><br \/>Podemos comercializar tudo. Temos \u00e9 de ter marcas distintas para vinho de Portugal e vinho que vem do estrangeiro, de Espanha. O vinho tem de ser rotulado com marcas distintas para vinho de Portugal e vinho de Espanha. N\u00e3o posso meter vinho \u201cPias\u201d num vinho [que \u00e9 importado] de Espanha.<\/p>\n<p><strong>A marca \u201cPias\u201d tem de ser para vinho portugu\u00eas, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>Exactamente. Mas n\u00e3o faz sentido. N\u00e3o faz sentido nenhum.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o faz sentido?<\/strong><br \/>N\u00e3o faz sentido nenhum. \u00c9 s\u00f3 burocracia. Vou-lhe dizer: Eles atacam as pessoas que est\u00e3o a trabalhar. O que se est\u00e1 a passar \u00e9 isso. O IVV pretendia acabar com as marcas \u201cPias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a quantidade total de vinhos que importam de Espanha?<\/strong><br \/>A granel, cinco milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cinco milh\u00f5es de litros a granel? Por ano?<\/strong><br \/>Litros, sim. Mais ou menos.<\/p>\n<p><strong>E para esse vinho que vem a granel de Espanha, que marca usam?<\/strong><br \/>Usamos as marcas \u201cPias\u201d. A gente tem muitas marcas. Os alentejanos fizeram press\u00e3o sobre o Minist\u00e9rio da Agricultura. Inicialmente queriam acabar com a marca \u201cPias\u201d. Ent\u00e3o, agora ficou destinado que [a marca] \u201cPias\u201d tem que ser para vinho portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 podem usar a marca \u201cPias\u201d para vinho portugu\u00eas, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>Vinho portugu\u00eas, sim, sim. \u00c9 uma burocracia que n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma burocracia que n\u00e3o faz sentido?<\/strong><br \/>N\u00e3o, n\u00e3o faz sentido absolutamente nenhum. Quando se come\u00e7ou a comprar vinho em Espanha foi na altura em que o nosso Governo, ou desgoverno, dava 1000 contos por hectare para arrancar vinhas. A malta arrancou as vinhas todas, Portugal produzia 12 milh\u00f5es de hectolitros e, quando arrancaram as vinhas, produzia-se dois milh\u00f5es e tal, n\u00e3o chegava a tr\u00eas milh\u00f5es [de hectolitros]. E era preciso importar vinho, n\u00e3o havia vinho que chegasse. Fui \u00e0 ACIBEV [Associa\u00e7\u00e3o de Vinhos e Espirituosas de Portugal] e o director e eu, que est\u00e1vamos no sector dos vinhos, fomos falar com o Minist\u00e9rio da Agricultura. O IVV n\u00e3o fez nada, o IVV s\u00f3 est\u00e1 ali para receber taxas, mais nada.<\/p>\n<p><strong>Disse-me que a nova portaria sobre a rotulagem de vinhos \u00e9 \u201cuma vergonha\u201d. Porque diz <\/strong><strong>isso?<\/strong><br \/>S\u00f3 lhe digo uma coisa: Cami\u00f5es grandes, eu j\u00e1 carreguei alguns 14 ou 15, de 25 ou 27 toneladas cada um, com caixas bag-in-box para demolir, para destruir. Porque, [com as novas regras], mesmo os vinhos que sejam portugueses t\u00eam uma nova rotulagem. T\u00eam de ter uma rotulagem diferente. Os vinhos portugueses em bag-in-box t\u00eam de ter uma nova rotulagem. Os r\u00f3tulos antigos n\u00e3o servem. N\u00f3s vendemos vinhos em bag-in-box de v\u00e1rias marcas e j\u00e1 carreg\u00e1mos 14 ou 15 cami\u00f5es de caixas para demolir. Foram precisos um milh\u00e3o e muitos euros. Isto n\u00e3o faz sentido. N\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p><strong>Tiveram de fazer nova rotulagem?<\/strong><br \/>Tivemos de fazer nova rotulagem e tivemos de destruir a que t\u00ednhamos, de v\u00e1rias marcas. E j\u00e1 vai em 15 cami\u00f5es de 27 toneladas cada um, para destruir.<\/p>\n<p><strong>Tiveram de fazer novo embalamento, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>Sim, a rotulagem mudou. N\u00e3o faz sentido, n\u00e3o faz sentido. Se [o r\u00f3tulo] j\u00e1 dizia \u201cvinho da UE\u201d, da UE \u00e9 vinho do mercado europeu. Se j\u00e1 dizia produto da UE, porque \u00e9 que foram alterar agora para &#8220;mistura de vinhos de Portugal e de Espanha&#8221;? Foi uma posi\u00e7\u00e3o dos alentejanos, que fizeram isto e o IVV aceitou. As caixas de vinho que t\u00ednhamos antigas Tetra Pak e bag-in-box tivemos de deitar tudo fora.<\/p>\n<p><strong>Portanto, n\u00e3o concorda com as novas regras da rotulagem?<\/strong><br \/>De maneira nenhuma, de maneira nenhuma, de maneira nenhuma. Isto \u00e9 de rapazes pequenos. \u00c9 de rapazes pequenos, esta lei \u00e9 de rapazes pequenos. S\u00e3o pessoas que n\u00e3o t\u00eam responsabilidade nenhuma. A rotulagem j\u00e1 estava perfeita. Vou-lhe dar um exemplo. N\u00f3s temos [a marca] \u201cLagar de Pias\u201d. O \u201cLagar\u201d \u00e9 em letras mais pequenas e o \u201cPias\u201d em letras maiores. Agora, a dimens\u00e3o da letra tem de ser igual. As caixas que t\u00ednhamos antigas, tir\u00e1mos. Tivemos de as destruir.<\/p>\n<p><strong>Que volume de vinho comercializam todos os anos?<\/strong><br \/>10 milh\u00f5es de litros, mais ou menos.<\/p>\n<p><strong>E conseguem comercializar todo o vinho ou t\u00eam stocks acumulados?<\/strong><br \/>Temos stock. Temos sempre bastante stock, \u00e0 volta de 10 milh\u00f5es [de litros]. Ser\u00e3o 12 ou 13 milh\u00f5es, at\u00e9. E temos a vindima daqui um m\u00eas. Estamos no fim da campanha. As nossas exist\u00eancias geralmente s\u00e3o de 20 milh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p><strong>E, apesar destas limita\u00e7\u00f5es na rotulagem, v\u00e3o continuar a importar vinhos, nomeadamente de Espanha?<\/strong><br \/>Sim, sim. Temos marcas antigas e temos marcas de misturas de vinhos de Portugal e de Espanha. Repare uma coisa: Espanha produz 40 milh\u00f5es de hectolitros litros. Portugal produz sete milh\u00f5es [de hectolitros]. Espanha tem grandes vinhos, aten\u00e7\u00e3o. Tudo o que se compra em Espanha \u00e9 para melhorar os nossos [vinhos].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Sociedade de Vinhos Victor Matos II S.A. intentou uma ac\u00e7\u00e3o judicial contra o Minist\u00e9rio da Agricultura contestando&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13983,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[288,27,28,476,15,16,287,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,5689,17,18,29,30,31,5690],"class_list":{"0":"post-13982","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-alentejo","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-economia","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-fugas","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-terroir","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-vinhos"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13982\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}