{"id":14011,"date":"2025-08-03T09:56:09","date_gmt":"2025-08-03T09:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14011\/"},"modified":"2025-08-03T09:56:09","modified_gmt":"2025-08-03T09:56:09","slug":"bookster-critica-bolha-literaria-e-defende-toda-leitura-e-valida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14011\/","title":{"rendered":"Bookster critica bolha liter\u00e1ria e defende: &#8216;Toda leitura \u00e9 v\u00e1lida&#8217;"},"content":{"rendered":"<p class=\"bullet mt-0\" data-v-232111b4=\"\"><strong>Splash: Voc\u00ea costuma compartilhar as primeiras p\u00e1ginas de livros no Instagram, e fala sobre isso no seu livro. Cite algumas das primeiras p\u00e1ginas que voc\u00ea mais gosta.<br \/>Pedro Pac\u00edfico:<\/strong> A ideia de postar essas primeiras p\u00e1ginas veio para despertar a curiosidade das pessoas, que muitas vezes n\u00e3o leriam o livro que estou indicando porque acha que n\u00e3o \u00e9 para ela. \u00c0s vezes \u00e9 um cl\u00e1ssico, um autor tido como mais dif\u00edcil, uma literatura russa. E a\u00ed a pessoa l\u00ea a primeira p\u00e1gina e percebe que, primeiro, o livro n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil como parece. Na verdade, nem \u00e9 dif\u00edcil. E, segundo, ela quer continuar lendo. Recentemente, uma primeira p\u00e1gina que me marcou bastante foi a do novo livro do franc\u00eas \u00c9douard Louis, que \u00e9 &#8216;O Desabamento&#8217;.<\/p>\n<p class=\"bullet\" data-v-232111b4=\"\">N\u00e3o senti nada quando soube que meu irm\u00e3o tinha morrido. Nem tristeza, nem desespero, nem alegria, nem prazer. Recebi a not\u00edcia como se ouvisse a previs\u00e3o do tempo ou como se escutasse algu\u00e9m contando sobre sua tarde no supermercado.<br \/><strong>O Desabamento, de \u00c9douard Louis<\/strong><\/p>\n<p class=\"bullet\" data-v-232111b4=\"\">Algu\u00e9m que n\u00e3o sente nada pela morte do irm\u00e3o. E a\u00ed me lembrou muito o in\u00edcio, que para mim \u00e9 um in\u00edcio muito impactante, de &#8216;O Estrangeiro&#8217;, do Albert Camus, que ele fala tamb\u00e9m sobre a morte da m\u00e3e. Ele come\u00e7a a receber a not\u00edcia e a\u00ed aquilo j\u00e1 vai para outro assunto, como se aquilo n\u00e3o tivesse gerado qualquer tipo de emo\u00e7\u00e3o mais forte nele. Tamb\u00e9m, recentemente, um que me marcou foi o &#8216;Carta ao Pai&#8217;, do Franz Kafka.<\/p>\n<p class=\"bullet\" data-v-232111b4=\"\">Querido pai, voc\u00ea me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de voc\u00ea. Como de costume, eu n\u00e3o soube responder. Em parte, justamente por causa do medo que tenho de voc\u00ea. Em parte, porque na motiva\u00e7\u00e3o desse medo interv\u00e9m tantos pormenores que mal poderia reuni-los numa fala.<br \/><strong>Carta ao Pai, de Franz Kafka<\/strong><\/p>\n<p class=\"bullet\" data-v-232111b4=\"\"><strong>Voc\u00ea sente que a literatura tem um papel diferente hoje, numa \u00e9poca de est\u00edmulo de redes sociais? O que os livros conseguem oferecer que nenhum outro formato entrega?<\/strong><br \/>Ela tem um papel importante como um desafio. Se a gente est\u00e1 vivendo esse momento de tanto est\u00edmulo, a leitura vai totalmente na contram\u00e3o disso. \u00c9 um momento que voc\u00ea precisa do qu\u00ea? Do sil\u00eancio, do tempo, da paci\u00eancia. E as pessoas, hoje em dia, n\u00e3o sabem mais lidar com isso.<\/p>\n<p class=\"bullet\" data-v-232111b4=\"\">A leitura vem como se fosse quase uma contracorrente de que voc\u00ea precisa parar, focar em uma atividade por um tempo de alguns minutos, numa \u00e9poca em que tudo \u00e9 de segundos. \u00c9 desafiador e eu acho muito importante. A gente precisa relembrar como \u00e9 que \u00e9 ficar nesse sil\u00eancio, ficar nesse tempo, e atualmente poucas atividades conseguem oferecer isso para gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Splash: Voc\u00ea costuma compartilhar as primeiras p\u00e1ginas de livros no Instagram, e fala sobre isso no seu livro.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14012,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-14011","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14011\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14012"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}