{"id":140546,"date":"2025-11-05T13:59:17","date_gmt":"2025-11-05T13:59:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/140546\/"},"modified":"2025-11-05T13:59:17","modified_gmt":"2025-11-05T13:59:17","slug":"goncourt-para-laurent-mauvignier-e-renaudot-para-clermont-tonnerre-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/140546\/","title":{"rendered":"Goncourt para Laurent Mauvignier e Renaudot para Clermont-Tonnerre | Literatura"},"content":{"rendered":"<p>Dois dos mais importantes pr\u00e9mios liter\u00e1rios franceses foram entregues esta ter\u00e7a-feira e, como manda a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/11\/03\/culturaipsilon\/noticia\/premios-goncourt-e-renaudot-atribuidos-a-leila-slimani-e-a-yasmina-reza-1749824\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sua tradi\u00e7\u00e3o<\/a>, um logo a seguir ao outro: primeiro, o Goncourt que distinguiu Laurent Mauvignier por La Maison Vide e, depois, o Renaudot para Ad\u00e9la\u00efde de Clermont-Tonnerre por Je Voulais Vivre. Se Mauvignier n\u00e3o tem obra traduzida em Portugal, De Clermont-Tonnerre editou em 2017 O \u00daltimo dos Nossos pela Clube do Autor.<\/p>\n<p>Laurent Mauvignier, que por uma vez esteve na longlist de finalistas dos candidatos ao Booker Internacional, ultrapassou nas vota\u00e7\u00f5es do j\u00fari outros favoritos como Nathacha Appanah \u2013 a escritora era finalista do Goncourt, o mais cobi\u00e7ado pr\u00e9mio liter\u00e1rio franc\u00eas e um dos mais respeitados internacionalmente, mas n\u00e3o teve uma m\u00e1 semana. Segunda-feira, recebeu o Pr\u00e9mio Femina por La Nuit au C\u0153ur, obra que versa sobre v\u00edtimas da viol\u00eancia cometida por homens.<\/p>\n<p>O Goncourt de 2025 tem 58 anos e j\u00e1 viu a sua obra Des Hommes (2009) adaptada ao cinema pelo realizador belga Lucas Belvaux no filme Coisas de Homens, com G\u00e9rard Depardieu no principal papel. Despontara bem mais cedo para a visibilidade liter\u00e1ria logo com o seu romance de estreia, Loin d\u2019Eux (1999), influenciado por Marguerite Duras, Claude Simon ou Thomas Bernhard, e foi j\u00e1 galardoado em Fran\u00e7a por outras institui\u00e7\u00f5es, especialmente por Dans la Foule (2006), outro dos seus livros mais conhecidos.<\/p>\n<p>La Maison Vide \u00e9 descrito pelo <a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/culture\/article\/2025\/11\/04\/le-prix-goncourt-est-decerne-a-laurent-mauvignier-pour-la-maison-vide_6651896_3246.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">di\u00e1rio Le Monde<\/a> como um \u201cromance monumental, reinven\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia ao longo de quatro gera\u00e7\u00f5es, numa casa de campo francesa\u201d. Mais, escreve Rapha\u00eblle Leyris, \u201c\u00e9 um corol\u00e1rio da sua obra\u201d. O Monde j\u00e1 lhe tinha dado o seu pr\u00e9mio liter\u00e1rio hom\u00f3nimo este ano e Leyris considera mesmo que era \u201cuma injusti\u00e7a\u201d que Mauvignier andasse esquecido pelos grandes premiadores franceses.<\/p>\n<p>Noutro di\u00e1rio franc\u00eas, <a href=\"https:\/\/www.lefigaro.fr\/livres\/laurent-mauvignier-remporte-le-prix-goncourt-2025-20251104\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Le Figaro,<\/a> concordam dizendo dele que \u00e9 \u201co cume da sua arte narrativa\u201d e chamam-lhe um livro \u201ccopioso e ambicioso\u201d. Este \u00e9 o d\u00e9cimo romance de Mauvignier, monumental n\u00e3o s\u00f3 pelo escopo temporal que tem, mas pelas suas 750 p\u00e1ginas e pelo facto de registar, aos olhos do escritor tornado sujeito parcial (muito, j\u00e1 que as protagonistas s\u00e3o duas mulheres), acontecimentos como as duas guerras mundiais.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o do Goncourt 2025, o restaurante parisiense Drouant foi lugar do an\u00fancio subsequente, o do pr\u00e9mio Renaudot, que homenageia o jornalista Th\u00e9ophraste Renaudot, fundador do primeiro jornal franc\u00eas (La Gazette), em 1631.<\/p>\n<p>Ad\u00e9la\u00efde de Clermont-Tonnerre, editora da revista cor-de-rosa Points de Vue e escritora, foi premiada pelo seu quarto romance, Je Voulais Vivre, nada menos do que sobre a Milady de Os Tr\u00eas Mosqueteiros de Alexandre Dumas. A sua perspectiva \u00e9 por\u00e9m alternativa, criando uma personagem independente, traumatizada pela morte da m\u00e3e e da sua ama na inf\u00e2ncia, num livro com cariz \u201c\u00e9pico\u201d em que esta \u00e9 mais do que uma mulher p\u00e9rfida e bela.<\/p>\n<p>Ad\u00e9la\u00efde de Clermont-Tonnerre recebera j\u00e1 o Grande Pr\u00e9mio da Academia de Letras francesa em 2016, precisamente por O \u00daltimo dos Nossos, sobre mulheres for\u00e7adas a ser escravas sexuais dos nazis. A autora, que \u00e9 jornalista al\u00e9m de romancista, tem 49 anos e com o seu primeiro romance foi finalista do Goncourt para primeiras obras.<\/p>\n<p>Segunda-feira, Nathacha Appanah, natural das ilhas Maur\u00edcias, e a sua hist\u00f3ria sobre tr\u00eas mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia masculina, duas das quais acabam por morrer de femic\u00eddio, recebia o Femina enquanto esperava para saber se passaria de finalista a vencedora do Goncourt. N\u00e3o foi assim, mas o Femina, criado h\u00e1 120 anos para combater a domin\u00e2ncia masculina nos pr\u00e9mios liter\u00e1rios franceses, n\u00e3o lhe escapou.<\/p>\n<p>Atribu\u00eddo por um j\u00fari de 12 mulheres, os Femina distinguiram ainda Marc Weitzmann com o pr\u00e9mio de Ensaio por <a href=\"https:\/\/www.livreshebdo.fr\/article\/marc-weitzmann-la-part-sauvage-grasset\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">La Part Sauvage (Grasset)<\/a> e John Boyne, autor de O Rapaz do Pijama \u00e0s Riscas, foi galardoado com o Femina de Melhor Romance Estrangeiro por The Elements (ainda sem tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois dos mais importantes pr\u00e9mios liter\u00e1rios franceses foram entregues esta ter\u00e7a-feira e, como manda a sua tradi\u00e7\u00e3o, um&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":140547,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[315,1413,114,115,208,1757,864,170,32,31208,33],"class_list":{"0":"post-140546","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-cultura","9":"tag-cultura-ipsilon","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-franca","13":"tag-ipsilon","14":"tag-literatura","15":"tag-livros","16":"tag-portugal","17":"tag-premio-goncourt","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115497452383234645","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140546\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/140547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}