{"id":141624,"date":"2025-11-06T12:10:15","date_gmt":"2025-11-06T12:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/141624\/"},"modified":"2025-11-06T12:10:15","modified_gmt":"2025-11-06T12:10:15","slug":"olhe-que-nao-olhe-que-nao-soares-e-cunhal-mediram-forcas-nos-ecras-ha-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/141624\/","title":{"rendered":"&#8220;Olhe que n\u00e3o, olhe que n\u00e3o&#8221;. Soares e Cunhal mediram for\u00e7as nos ecr\u00e3s h\u00e1 50 anos"},"content":{"rendered":"<p>                O debate entre Soares e Cunhal foi o <b>mais longo de sempre, com uma dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas horas, 40 minutos e 52 segundos. Dividiu-se por tr\u00eas partes \u2013 a primeira e a segunda com respostas a perguntas colocadas pelos moderadores e a terceira em que os secret\u00e1rios-gerais socialista e comunista puderam trocar livremente perguntas e respostas.<\/b> O frente-a-frente de 6 de novembro de 1975 ficou conhecido como o \u201cpai dos debates\u201d, no p\u00f3s-25 de Abril de 1974. Este n\u00e3o foi o primeiro debate entre &#13;<br \/>\nM\u00e1rio Soares e \u00c1lvaro Cunhal. Alguns meses antes, em julho, os dois &#13;<br \/>\noponentes j\u00e1 tinham estado frente a frente no canal franc\u00eas ORTF, numa emiss\u00e3o apenas vista pelos telespectadores residentes em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><b>O debate, que ocorreu no ano de 1975, quando o pa\u00eds vivia em tens\u00e3o alimentada pelo clima pol\u00edtico do Processo Revolucion\u00e1rio em Curso (PREC), mostrou diverg\u00eancias profundas entre os dois l\u00edderes partid\u00e1rios. E como estavam distantes as imagens de Soares e Cunhal juntos nas comemora\u00e7\u00f5es do 1.\u00ba de Maio de 1974.<\/b><\/p>\n<p>Reunir na televis\u00e3o os l\u00edderes dos principais partidos de esquerda em Portugal foi importante numa tentativa de provocar um consenso entre o Partido Socialista e o Partido Comunista Portugu\u00eas, que na altura eram antag\u00f3nicos. Apesar de defenderem o socialismo para o pa\u00eds, o caminho tra\u00e7ado por cada um era completamente distinto. <\/p>\n<p><b>A conversa foi longa e densa.<\/b> Falou-se de democracias ocidentais vs. Democracias populares, de socialismo e liberdades, de revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o, de reformas sociais, de liberdade de imprensa, \u00f3dio e intoler\u00e2ncia. <b>E a resposta de Cunhal &#8211; \u201cOlhe que n\u00e3o, olhe que n\u00e3o\u201d &#8211; , proferida sensivelmente meia hora ap\u00f3s o arranque do debate, acabaria por entrar no l\u00e9xico pol\u00edtico nacional<\/b>.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" itemprop=\"image\" class=\"img-fluid\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3e34cc125d1cd76de4846bcdbaa7b6ae_N.jpg\"\/><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o debate entre \u00c1lvaro Cunhal e M\u00e1rio Soares corporizava a contenda que ent\u00e3o se travava a outros n\u00edveis, envolvendo as diferentes correntes pol\u00edtico-partid\u00e1rias, os militares e a sociedade portuguesa em geral. <\/p>\n<p><b>Em confronto estavam duas conce\u00e7\u00f5es de democracia, dois modelos de sociedade e diferentes propostas de solu\u00e7\u00e3o para a crise que o pa\u00eds atravessava. <\/b><\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares coloca o acento t\u00f3nico na din\u00e2mica eleitoral, a ponto de o Avante!, \u00f3rg\u00e3o oficial do PCP, o acusar de querer \u201cmeter o MFA no bolso\u201d e de falar \u201ccomo se o MFA tivesse sido inventado pelo PS, como se o PS tivesse o monop\u00f3lio do MFA\u201d. <\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nPor seu lado, \u00c1lvaro Cunhal apresenta-se como a incarna\u00e7\u00e3o dos ideais e das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o e do MFA, procurando arrastar atr\u00e1s de si toda a extrema-esquerda revolucion\u00e1ria.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nApesar da hora avan\u00e7ada em que o debate terminou (perto da 1h30), num dia \u00fatil (quinta-feira), <b>cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de portugueses seguiram-no pela televis\u00e3o e pela r\u00e1dio<\/b>, de acordo com uma estimativa do Jornal de Not\u00edcias da \u00e9poca, e, segundo o jornal A Luta, as ruas &#8220;despovoaram-se completamente&#8221; e s\u00f3 duas das ent\u00e3o 20 salas de cinema de Lisboa tinham n\u00fameros de &#8220;assist\u00eancia normal&#8221;.&#13;\n<\/p>\n<p>Um dos momentos mais marcantes de 1975 <br \/>\nO ambiente de tens\u00e3o que percorria o pa\u00eds desde o ver\u00e3o de 1975 intensifica-se consideravelmente nos primeiros dias de novembro. No dia 2 assinala-se a explos\u00e3o de engenhos na Madeira, Chaves e Lisboa a que se segue, tr\u00eas dias depois, o rebentamento de petardos em Gaia, Porto, \u00c1gueda e no Club Naval dos A\u00e7ores. A a\u00e7\u00e3o desencadeada a 5 de novembro por for\u00e7as do &#13;<br \/>\nComando Operacional do Continente (COPCON), que resultou na pris\u00e3o de 11&#13;<br \/>\nindiv\u00edduos suspeitos de pertencerem ao Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o de &#13;<br \/>\nPortugal (ELP), n\u00e3o faz diminuir a viol\u00eancia. <br \/>&#13;<\/p>\n<p>A 6 de novembro os confrontos entre agricultores e trabalhadores agr\u00edcolas em Santar\u00e9m saldam-se por dois mortos e 22 feridos. Em Lisboa, o secret\u00e1rio de Estado da Informa\u00e7\u00e3o, Ferreira da Cunha, \u00e9 impedido de sair do Pal\u00e1cio Foz por uma manifesta\u00e7\u00e3o de trabalhadores do Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p><b>Esta agita\u00e7\u00e3o quotidiana tem como pano de fundo uma verdadeira psicose golpista, com o an\u00fancio, quase di\u00e1rio, de hipot\u00e9ticos golpes de Estado e complots em prepara\u00e7\u00e3o. <\/b><\/p>\n<p>A 3 de novembro, os jornais O S\u00e9culo\u201d e Di\u00e1rio de Not\u00edcias publicam um comunicado da Comiss\u00e3o de Vigil\u00e2ncia Revolucion\u00e1ria das For\u00e7as Armadas denunciando a imin\u00eancia de \u201cmanobras militares contrarrevolucion\u00e1rias\u201d. <\/p>\n<p>No dia seguinte, o Jornal Novo e A Luta difundem um comunicado da Frente Militar Unida (FMU) onde se acusa o PCP querer destruir \u201ca solu\u00e7\u00e3o de esquerda proposta ao pa\u00eds pelo Grupo dos Nove\u201d. <\/p>\n<p>O pa\u00eds assiste incr\u00e9dulo \u00e0 luta em curso, tendo crescentes dificuldades em discernir qual ser\u00e1 o seu desenlace final e o que verdadeiramente est\u00e1 em causa. Neste contexto, \u00e9 mais f\u00e1cil percecionar o amplo impacto do frente a frente televisivo entre M\u00e1rio Soares e \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n<p><b>Os confrontos de novembro n\u00e3o ser\u00e3o, no entanto, s\u00f3 verbais. No dia seguinte ao debate entre M\u00e1rio Soares e \u00c1lvaro Cunhal, numa arriscada prova de autoridade, o primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo ordena a destrui\u00e7\u00e3o dos emissores da R\u00e1dio Renascen\u00e7a. <\/b><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAlgumas semanas depois, as diferen\u00e7as entre Soares e Cunhal traduziram-se nos acontecimentos do 25 de Novembro, uma intentona militar levada a cabo por setores das For\u00e7as Armadas Portuguesas, nomeadamente unidades alinhadas com a esquerda radical, cujo resultado levaria ao fim do PREC e a um processo de estabiliza\u00e7\u00e3o da Democracia.&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O debate entre Soares e Cunhal foi o mais longo de sempre, com uma dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas horas,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141625,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[31406,27,28,14074,15,16,14,31409,31410,25,26,21,22,9067,12,13,19,20,31411,31408,31407,15086,32,23,24,33,420,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-141624","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-alvaro-cunhal","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-debate","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-joaquim-letria","16":"tag-jose-carlos-megre","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mario-soares","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-novembro-1975","27":"tag-olhe-que-nao-olhe-que-nao","28":"tag-partido-comunista-portugues","29":"tag-partido-socialista","30":"tag-portugal","31":"tag-principais-noticias","32":"tag-principaisnoticias","33":"tag-pt","34":"tag-rtp","35":"tag-top-stories","36":"tag-topstories","37":"tag-ultimas","38":"tag-ultimas-noticias","39":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141624\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}