{"id":142937,"date":"2025-11-07T13:55:08","date_gmt":"2025-11-07T13:55:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/142937\/"},"modified":"2025-11-07T13:55:08","modified_gmt":"2025-11-07T13:55:08","slug":"revelado-o-primeiro-esboco-do-atlas-do-cerebro-em-desenvolvimento-neurociencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/142937\/","title":{"rendered":"Revelado o primeiro esbo\u00e7o do atlas do c\u00e9rebro em desenvolvimento | Neuroci\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p>Foi alcan\u00e7ado um marco importante numa ambiciosa iniciativa que procura mapear como surgem e amadurecem os diversos tipos de c\u00e9lulas cerebrais, desde as fases embrion\u00e1rias mais precoces at\u00e9 \u00e0 idade adulta \u2014 um conhecimento que poder\u00e1 abrir caminho a novas abordagens no tratamento de perturba\u00e7\u00f5es cerebrais como o autismo e a esquizofrenia.<\/p>\n<p>Os investigadores anunciaram agora ter conclu\u00eddo o primeiro esbo\u00e7o de atlas do c\u00e9rebro humano em desenvolvimento e do c\u00e9rebro de mam\u00edferos em desenvolvimento.<\/p>\n<p>O trabalho centrou-se nas c\u00e9lulas cerebrais de humanos e ratinhos, incluindo tamb\u00e9m alguns estudos com c\u00e9lulas do c\u00e9rebro de macacos. Na fase inicial do projecto, os cientistas mapearam o desenvolvimento dos diferentes tipos de c\u00e9lulas do c\u00e9rebro \u2014 acompanhando como surgem e como ocorre a diferencia\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios tipos de c\u00e9lulas com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Analisaram ainda como os genes s\u00e3o activados ou desactivados nessas c\u00e9lulas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A equipa identificou genes essenciais no controlo dos processos cerebrais e descobriu semelhan\u00e7as no desenvolvimento celular entre os c\u00e9rebros de humanos e de outros animais, bem como caracter\u00edsticas \u00fanicas do c\u00e9rebro humano \u2014 incluindo a identifica\u00e7\u00e3o de tipos de c\u00e9lulas at\u00e9 agora desconhecidos.<\/p>\n<p data-end=\"1658\" data-start=\"1541\">As conclus\u00f5es foram publicadas num <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/collections\/gjdefhadcj\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">conjunto de artigos cient\u00edficos<\/a> na revista Nature e noutras revistas cient\u00edficas do mesmo grupo editorial.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p data-end=\"1896\" data-start=\"1660\">A investiga\u00e7\u00e3o faz parte da <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/immersive\/d42859-025-00057-8\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Rede de Atlas Celular da Iniciativa Brain<\/a> dos Institutos Nacionais de Sa\u00fade dos Estados Unidos, uma colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica internacional que pretende criar um atlas abrangente do c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p data-end=\"2282\" data-start=\"1898\">\u201cO nosso c\u00e9rebro tem milhares de tipos de c\u00e9lulas com uma diversidade extraordin\u00e1ria nas suas propriedades e fun\u00e7\u00f5es, e esses diferentes tipos de c\u00e9lulas trabalham em conjunto para gerar uma variedade de comportamentos, emo\u00e7\u00f5es e processos cognitivos\u201d, explicou Hongkui Zeng, neurocientista e directora de ci\u00eancia cerebral do Instituto Allen, em Seattle, e l\u00edder de dois dos estudos.<\/p>\n<p>De onde v\u00eam a intelig\u00eancia?<\/p>\n<p data-end=\"2450\" data-start=\"2284\">At\u00e9 agora, os investigadores identificaram mais de cinco mil tipos de c\u00e9lulas no c\u00e9rebro do ratinho \u2014 e acredita-se que o c\u00e9rebro humano possua pelo menos esse n\u00famero.<\/p>\n<p data-end=\"2876\" data-start=\"2452\">\u201cO c\u00e9rebro em desenvolvimento \u00e9 uma estrutura incrivelmente enigm\u00e1tica, porque \u00e9 dif\u00edcil de aceder, \u00e9 composto por muitos tipos de c\u00e9lulas distintos e muda rapidamente. Embora j\u00e1 conhec\u00eassemos as grandes etapas do desenvolvimento cerebral, agora temos uma compreens\u00e3o muito mais detalhada das suas partes, gra\u00e7as a este conjunto de atlas\u201d, afirmou Aparna Bhaduri, neurocientista da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA) e uma das respons\u00e1veis pelo projecto.<\/p>\n<p data-end=\"2938\" data-start=\"2878\">O trabalho promete ter aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas significativas. \u201cPrimeiro, ao estudar e comparar o desenvolvimento do c\u00e9rebro em humanos e em animais, poderemos compreender melhor o que nos torna \u00fanicos e de onde vem a nossa intelig\u00eancia. Em segundo lugar, ao perceber o desenvolvimento normal do c\u00e9rebro, poderemos investigar com mais precis\u00e3o o que muda nos c\u00e9rebros doentes \u2014 quando e onde \u2014 tanto em tecidos humanos como em modelos animais com as doen\u00e7as\u201d, explicou Hongkui\u200b Zeng.<\/p>\n<p data-end=\"3744\" data-start=\"3350\">Com este conhecimento, os cientistas esperam desenvolver terapias com maior precis\u00e3o, baseadas em genes e c\u00e9lulas, para um vasto leque de doen\u00e7as humanas. A expectativa \u00e9 que estas descobertas tragam uma compreens\u00e3o mais profunda de perturba\u00e7\u00f5es como <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/23\/ciencia\/noticia\/oito-perguntas-respostas-declaracoes-trump-autismo-paracetamol-2148186\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o autismo<\/a>, o d\u00e9fice de aten\u00e7\u00e3o e hiperactividade, a esquizofrenia e outras que se manifestam durante o desenvolvimento do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p data-end=\"4099\" data-start=\"3746\">As regi\u00f5es cerebrais para as quais foram criados atlas incluem o neoc\u00f3rtex \u2014 a camada mais externa do c\u00e9rebro, respons\u00e1vel pelas fun\u00e7\u00f5es cognitivas superiores \u2014 e o hipot\u00e1lamo, uma pequena estrutura localizada nas profundezas do c\u00e9rebro que regula a temperatura corporal, a press\u00e3o arterial, o humor, o sono, o apetite sexual, a fome e a sede.<\/p>\n<p>O cancro do c\u00e9rebro<\/p>\n<p data-end=\"4475\" data-start=\"4101\">Um dos estudos revelou que um subconjunto de c\u00e9lulas presentes em tumores cerebrais humanos \u00e9 semelhante \u00e0s c\u00e9lulas progenitoras embrion\u00e1rias \u2014 c\u00e9lulas do embri\u00e3o capazes de se transformar em tipos espec\u00edficos dentro de uma determinada regi\u00e3o do c\u00e9rebro \u2014, o que sugere que estes tumores podem \u201capropriar-se\u201d de processos de desenvolvimento para impulsionar a malignidade.<\/p>\n<p>Os investigadores identificaram alguns aspectos \u00fanicos do c\u00e9rebro humano. Um exemplo foi o processo prolongado de diferencia\u00e7\u00e3o dos tipos de c\u00e9lulas corticais devido ao longo per\u00edodo de desenvolvimento do c\u00e9rebro humano, desde o feto at\u00e9 \u00e0 adolesc\u00eancia, em compara\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento mais r\u00e1pido dos animais.<\/p>\n<p>Entre os novos tipos de c\u00e9lulas cerebrais identificados encontram-se algumas do neoc\u00f3rtex e da regi\u00e3o do corpo estriado, que controla o movimento e outras fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais trabalho pela frente. \u201cO objectivo \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, compreender n\u00e3o s\u00f3 quais s\u00e3o os elementos do c\u00e9rebro em desenvolvimento, mas tamb\u00e9m descrever o que acontece nas perturba\u00e7\u00f5es do neurodesenvolvimento e neuropsiqui\u00e1tricas que desenvolvem vulnerabilidade durante o desenvolvimento\u201d, disse Aparna \u200bBhaduri.<\/p>\n<p>\u201cIsto tamb\u00e9m \u00e9 relevante para o cancro do c\u00e9rebro, que o meu laborat\u00f3rio tamb\u00e9m estuda, uma vez que durante o cancro do c\u00e9rebro estes elementos de desenvolvimento voltam a emergir. Trata-se, portanto, de um grande objectivo e levar\u00e1 tempo a compreender e a tratar todas estas doen\u00e7as. Mas este conjunto de artigos \u00e9 um bom passo em frente\u201d, afirmou Aparna \u200bBhaduri.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi alcan\u00e7ado um marco importante numa ambiciosa iniciativa que procura mapear como surgem e amadurecem os diversos tipos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":142938,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[4288,109,529,116,537,32,33,31574,117],"class_list":{"0":"post-142937","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cerebro","9":"tag-ciencia","10":"tag-doencas","11":"tag-health","12":"tag-neurociencias","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-ratinhos","16":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115508761237794269","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142937\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/142938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}