{"id":14301,"date":"2025-08-03T14:35:28","date_gmt":"2025-08-03T14:35:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14301\/"},"modified":"2025-08-03T14:35:28","modified_gmt":"2025-08-03T14:35:28","slug":"a-russia-quer-que-as-mulheres-dos-seus-soldados-tenham-filhos-de-pais-que-nunca-vao-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14301\/","title":{"rendered":"A R\u00fassia quer que as mulheres dos seus soldados tenham filhos de pais que nunca v\u00e3o ver"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Roman Danilkin, Ekaterina Kolotovkina \/ T.me<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-692432 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f970e2767d0cfe75876ea857f92e319b-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Marina, residente em Samara, fotografada para o projeto \u201cMulheres de Her\u00f3is\u201d<\/p>\n<p><strong>As autoridades russas est\u00e3o a promover novas iniciativas em todo o pa\u00eds que encorajam esposas gr\u00e1vidas de soldados a levar a gravidez at\u00e9 ao fim \u2014 mesmo que os seus maridos possam nunca regressar da guerra na Ucr\u00e2nia.<\/strong><\/p>\n<p>A R\u00fassia est\u00e1 a promover programas de incentivo \u00e0 natalidade junto de mulheres gr\u00e1vidas de soldados russos, no \u00e2mbito de uma campanha mais ampla da R\u00fassia para combater o decl\u00ednio demogr\u00e1fico \u2014 enquanto promove o que o Kremlin chama de \u201cvalores familiares tradicionais\u201d.<\/p>\n<p>O movimento \u201c<strong>Ser M\u00e3e<\/strong>\u201c, na regi\u00e3o russa de Samara, \u00e9 um exemplo do n\u00famero crescente de iniciativas que seguem esta tend\u00eancia, conta o <a href=\"https:\/\/www.themoscowtimes.com\/2025\/07\/30\/in-russia-soldiers-wives-are-urged-to-give-birth-to-children-who-might-never-meet-their-fathers-a90006\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Moscow Times<\/a>.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o partilhou recentemente uma mensagem escrita em nome de uma <strong>rec\u00e9m-nascida chamado Eva, cujo pai foi morto<\/strong> na Ucr\u00e2nia: \u201cOl\u00e1, o meu nome \u00e9 Eva! Nasci hoje, e o meu pai \u00e9 um her\u00f3i, <strong>mas nunca o vou conhecer<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>O apoio governamental a estas iniciativas cresceu substancialmente nos \u00faltimos meses. Em 2025, a Funda\u00e7\u00e3o de Bolsas Presidenciais atribuiu aproximadamente 16 milh\u00f5es de rublos (cerca de <strong>170 mil euros<\/strong>) a projetos de apoio \u00e0s esposas de soldados.<\/p>\n<p>Um destes projetos \u00e9 o programa \u201c<strong>Za lyubov<\/strong>\u201d (\u201cPelo Amor\u201d), que recebeu esta primavera quase 3 milh\u00f5es de rublos (32 mil euros) para prestar assist\u00eancia a esposas gr\u00e1vidas de militares.<\/p>\n<p>O programa foi lan\u00e7ado por <strong>Yekaterina Kolotovkina<\/strong>, esposa de um general de Samara que recebeu o reconhecimento de Putin pelo ativismo pr\u00f3-guerra.<\/p>\n<p>No evento de lan\u00e7amento do programa, vi\u00favas de militares partilharam as suas experi\u00eancias como mulheres gr\u00e1vidas. Uma participante, Oksana, soube que o seu marido tinha<strong> desaparecido em combate enquanto estava na maternidade<\/strong>. Outra, Olga, <strong>deu \u00e0 luz pouco depois do funeral do marido<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cA <strong>melhor heran\u00e7a que os nossos her\u00f3is nos deixam<\/strong> s\u00e3o os seus filhos. E \u00e9 o nosso <strong>dever sagrado garantir que esta continua\u00e7\u00e3o seja digna<\/strong>\u201c, afirmou Kolotovkina, que espera conseguir expandir a iniciativa a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>A iniciativa oferece <strong>aconselhamento psicol\u00f3gico<\/strong>, sess\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o sobre as alegrias da maternidade e festas na altura da alta de maternidade \u2014 com direito a sess\u00f5es fotogr\u00e1ficas. As participantes devem fornecer <strong>prova do servi\u00e7o militar<\/strong> do marido e do estado de gravidez.<\/p>\n<p>Segundo Kolotovkina, <strong>oito beb\u00e9s nasceram atrav\u00e9s do programa<\/strong> em dois meses. Tr\u00eas deles <strong>nunca v\u00e3o ver os pais, mortos em combate<\/strong>.<\/p>\n<p>Iniciativas semelhantes foram lan\u00e7adas noutras regi\u00f5es do pa\u00eds, incluindo o projeto \u201cMaternidade desde o Momento da Conce\u00e7\u00e3o\u201d, em Noyabrsk, que encoraja mulheres gr\u00e1vidas a escrever <strong>cartas aos seus maridos na perspetiva dos seus filhos<\/strong> por nascer.<\/p>\n<p>Um outro projeto de Kolotovkina, \u201c<strong>Mulheres de Her\u00f3is<\/strong>\u201c, mostra mulheres de soldados que esperam o regresso dos maridos a casa. A iniciativa recebeu elogios de Vladimir Putin \u2014 que, segundo o <a href=\"https:\/\/tolyatty.ru\/text\/world\/2023\/07\/19\/72512201\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Tolyatty<\/a>, tem mesmo uma fotografia favorita: a de Marina, residente em Samara, que mostr\u00e1mos acima.<\/p>\n<p>Mas nem todos concordam com este tipo de iniciativas. \u00c9 o caso da investigadora <strong>Sasha Talaver<\/strong>, que v\u00ea estes programas de forma cr\u00edtica, argumentando que eles \u201c<strong>suavizam e disfar\u00e7am as consequ\u00eancias dram\u00e1ticas<\/strong> que a guerra traz \u00e0s rela\u00e7\u00f5es familiares\u201d.<\/p>\n<p>Talaver defende que o sistema <strong>coloca o fardo de lidar com as consequ\u00eancias<\/strong> da guerra <strong>inteiramente sobre as mulheres<\/strong>.<\/p>\n<p>Estas iniciativas coincidem tamb\u00e9m com o <strong>apertar das restri\u00e7\u00f5es ao aborto<\/strong>, estimuladas por <strong>elementos religiosos proeminentes<\/strong> \u2014 com a ajuda de padres ortodoxos que pregam <strong>serm\u00f5es sobre a import\u00e2ncia da maternidade<\/strong> e d\u00e3o b\u00ean\u00e7\u00e3os para o parto.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga <strong>Nadezhda Fesenko<\/strong> diz que, ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos de guerra na Ucr\u00e2nia, muitas das mulheres gr\u00e1vidas que acompanha est\u00e3o a agora a passar por \u201c<strong>uma reavalia\u00e7\u00e3o de valores<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres partilhavam comigo as raz\u00f5es pelas quais consideravam o aborto: \u2018<strong>Tenho medo de ficar sozinha<\/strong>\u2019 ou \u2018O meu marido pode ir para a guerra\u2019. Mas agora, as fam\u00edlias <strong>come\u00e7am a compreender que toda a vida \u00e9 valiosa<\/strong>\u201d, diz Fesenko.<\/p>\n<p>\u201cParadoxalmente, a opera\u00e7\u00e3o militar desempenhou um papel significativo no <strong>desencorajamento do aborto<\/strong>. Na R\u00fassia, sempre foi uma quest\u00e3o de mentalidade: para que serve? <strong>Os nossos maridos e filhos v\u00e3o para l\u00e1 pela vida<\/strong>, para preservar a vida\u201d, diz Fesenko.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio da natalidade na R\u00fassia e o \u201ccolete de for\u00e7as demogr\u00e1fico\u201d do pa\u00eds s\u00e3o a <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/putin-bomba-relogio-652983\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">bomba-rel\u00f3gio \u201cdevastadora\u201d<\/a> que Putin tem nas m\u00e3os \u2014 que torna a necessidade de vencer a Guerra um \u201cproblema menor\u201d.<\/p>\n<p>Mas para as m\u00e3es da R\u00fassia que viram os maridos partir para a frente de batalha, por vezes o <strong>medo de perder o marido \u00e9 maior que a vontade de ajudar<\/strong> a despoletar essa bomba.<\/p>\n<p>\u201cTenho tanto medo. <strong>Tenho medo por ele, tenho medo pela gravidez<\/strong>, tenho medo que o beb\u00e9 nas\u00e7a mais cedo do que o previsto. <strong>J\u00e1 n\u00e3o tenho for\u00e7as<\/strong>\u201c, escreve uma mulher chamada Kristina num f\u00f3rum sobre gravidez.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753561629_441_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753561630_988_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Roman Danilkin, Ekaterina Kolotovkina \/ T.me Marina, residente em Samara, fotografada para o projeto 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