{"id":143588,"date":"2025-11-07T23:55:22","date_gmt":"2025-11-07T23:55:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/143588\/"},"modified":"2025-11-07T23:55:22","modified_gmt":"2025-11-07T23:55:22","slug":"quando-tudo-pareceu-possivel-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/143588\/","title":{"rendered":"quando tudo pareceu poss\u00edvel \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Mas acima de tudo, vale a pena recordar que se houve \u201cfacilidades\u201d, chamemos-lhe assim, entre 1985 e 1995, tamb\u00e9m as houve depois. Cavaco Silva tem lembrado que a quantidade de fundos europeus postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds durante a sua d\u00e9cada de governo \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 quantidade posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na d\u00e9cada seguinte. \u00c9 verdade que o mundo se tornou mais exigente depois de 1995, com a intensifica\u00e7\u00e3o da chamada globaliza\u00e7\u00e3o. Mas muitas condi\u00e7\u00f5es em Portugal melhoraram, em grande medida gra\u00e7as \u00e0 governa\u00e7\u00e3o de Cavaco Silva, como o acesso ao cr\u00e9dito, a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra e as infraestruturas de transportes e comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, depois de 1995, a economia n\u00e3o cresceu como crescera nos dez anos anteriores. A meta de converg\u00eancia com a Europa distanciou-se. No princ\u00edpio do s\u00e9culo XXI, Portugal foi ultrapassado nos rankings europeus por v\u00e1rios pa\u00edses muito mais pobres, mas que souberam aproveitar melhor o contexto da Uni\u00e3o Europeia. Algum factor fez diferen\u00e7a nesses pa\u00edses, e muito provavelmente foram pol\u00edticas de abertura, de liberaliza\u00e7\u00e3o e de moderniza\u00e7\u00e3o. De mesma maneira, algum factor ter\u00e1 feito muita diferen\u00e7a em Portugal entre 1985 e 1995, e muito provavelmente a orienta\u00e7\u00e3o e o trabalho dos governos de Cavaco Silva ter\u00e3o sido esse factor. Sem a orienta\u00e7\u00e3o reformista desses governos, sem a revis\u00e3o constitucional de 1989, sem os novos direitos e garantias consagrados na lei, sem a estabilidade fiscal e monet\u00e1ria, sem a atitude favor\u00e1vel ao trabalho e ao investimento, sem as liberaliza\u00e7\u00f5es e as privatiza\u00e7\u00f5es, nada teria sido como foi. A governa\u00e7\u00e3o de Cavaco Silva n\u00e3o transformou o mundo. Mas transformou muitas coisas nesse mundo. Sem essas transforma\u00e7\u00f5es, os tempos n\u00e3o teriam sido t\u00e3o bons.<\/p>\n<p>H\u00e1, entre os anti-cavaquistas, quem reconhe\u00e7a que n\u00e3o ter\u00e1 sido apenas \u201csorte\u201d. Mas para sugerir logo a seguir que n\u00e3o teria havido mais do que \u201chabilidade\u201d e \u201cgest\u00e3o\u201d, no not\u00f3rio sentido que recentemente \u201chabilidade\u201d e \u201cgest\u00e3o\u201d adquiriram em Portugal: uma governa\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, que teria feito obras, mas ocasionais, realizado reformas, mas parcelares, tudo sem uma vis\u00e3o geral e sem grande ousadia, seguindo o ar do tempo e os encontr\u00f5es do momento. Mais uma vez, pressup\u00f5e-se que o governo de Cavaco Silva teria feito apenas o que qualquer outro governo, nas mesmas circunst\u00e2ncias, teria feito, na medida em que todas as suas op\u00e7\u00f5es seriam meramente circunstanciais e desgarradas.<\/p>\n<p>Como seria de esperar, n\u00e3o \u00e9 assim que Cavaco Silva v\u00ea a sua pr\u00f3pria governa\u00e7\u00e3o. Ao falar das 13 grandes reformas do seu tempo de primeiro-ministro, no livro As Reformas da D\u00e9cada (1995) ou das suas 13 grandes obras, no livro Uma Experi\u00eancia de Social Democracia Moderna (2020), Cavaco Silva explica todas e cada uma delas em fun\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o, que definiu neste \u00faltimo livro como \u201cuma experi\u00eancia de social-democracia moderna\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSocial-democracia\u201d refere aqui a vis\u00e3o do Partido Social-Democrata, definida entre outros pelo seu fundador e l\u00edder, Francisco S\u00e1 Carneiro. Num Portugal p\u00f3s-revolucion\u00e1rio, sob hegemonia cultural das esquerdas, a \u201csocial-democracia\u201d (ent\u00e3o rejeitada pelo Partido Socialista) foi a forma pol\u00edtica poss\u00edvel que tomou uma orienta\u00e7\u00e3o a que, nos pa\u00edses anglo-sax\u00f3nicos, menos constrangidos pelo esquerdismo, se teria chamado \u201cliberal-conservadora\u201d. N\u00e3o por acaso, a intransigente Margaret Thatcher ficou, nos conselhos europeus, com uma muito boa impress\u00e3o do primeiro-ministro portugu\u00eas. Podemos resumir a \u201csocial democracia\u201d de Cavaco Silva em tr\u00eas pontos principais: primeiro, que o bem-estar e a \u201cjusti\u00e7a social\u201d (igualdade) s\u00e3o a grande prioridade pol\u00edtica; segundo, que o bem estar e a justi\u00e7a social dependem de uma economia em crescimento; terceiro, que o crescimento da economia s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado por empres\u00e1rios, trabalhadores e investidores a actuarem num mercado livre e aberto, com regras claras, num quadro de estabilidade legal e fiscal e dispondo das qualifica\u00e7\u00f5es e das infra-estruturas mais modernas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mas acima de tudo, vale a pena recordar que se houve \u201cfacilidades\u201d, chamemos-lhe assim, entre 1985 e 1995,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":143589,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,29297,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,302,31608,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-143588","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-cavaco-silva","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-polu00edtica","23":"tag-polu00edtica-interna","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115511120690347866","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}