{"id":144423,"date":"2025-11-08T17:10:15","date_gmt":"2025-11-08T17:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/144423\/"},"modified":"2025-11-08T17:10:15","modified_gmt":"2025-11-08T17:10:15","slug":"honey-nao-e-filme-devasso-para-padrao-do-cinema-dos-eua-08-11-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/144423\/","title":{"rendered":"Honey, N\u00e3o! \u00e9 filme devasso para padr\u00e3o do cinema dos EUA &#8211; 08\/11\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/05\/comedia-sensual-de-ethan-coen-em-cannes-mostra-lesbica-que-caca-assassinos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Honey, N\u00e3o!&#8221;, segundo longa de fic\u00e7\u00e3o dirigido somente por Ethan Coen<\/a>, ap\u00f3s &#8220;Bonecas em Fuga&#8221;, de 2024, procura explicitar ainda mais a postura contr\u00e1ria ao conservadorismo atual da sociedade americana.<\/p>\n<p>A protagonista \u00e9 novamente uma l\u00e9sbica interpretada por <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/cinema-e-series\/2024\/09\/com-um-papel-atras-do-outro-margaret-qualley-ainda-esta-se-acostumando-a-ser-uma-estrela.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Margaret Qualley<\/a>. Temos uma representa\u00e7\u00e3o frontal do sexo, com cenas de nudez e a presen\u00e7a de um p\u00eanis de borracha, sobra da cole\u00e7\u00e3o de membros de borracha do filme anterior.<\/p>\n<p>Temos ainda um reverendo, interpretado por um jocoso <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/celebridades\/2025\/10\/nasce-o-primeiro-filho-de-chris-evans-e-alba-baptista-diz-site.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chris Evans<\/a>, que transa com todas as mulheres por perto, e olhares de vol\u00fapia distribu\u00eddos em quantidade por diversos personagens. Um filme devasso para os padr\u00f5es do cinema americano atual.<\/p>\n<p>Acompanhamos de perto a detetive particular Honey O&#8217; Donahue, personagem de Qualley, que passa a investigar crimes relacionados a uma igreja misteriosa, fachada para opera\u00e7\u00f5es envolvendo drogas e prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Honey encontra pelo caminho personagens que parecem sa\u00eddos de policiais dos anos 1970, tipos com bigode fazendo piadinhas na frente de um defunto enquanto bebem caf\u00e9. O machismo est\u00e1 \u00e0 sua espreita, mas ela triunfa com sabedoria e esperteza.<\/p>\n<p>Comparada \u00e0 personagem de Qualley em &#8220;Bonecas em Fuga&#8221;, Honey \u00e9 mais desenvolvida, oportunidade \u00fanica para a atriz mostrar, talvez pela primeira vez em sua carreira, sua t\u00e9cnica e seu talento. Por outro lado, \u00e9 o tipo de personagem que \u00e9 um presente para qualquer atriz, permitindo o melhor de cada uma.<\/p>\n<p>Visualmente, o filme tem a mesma cor de deserto, a mesma quentura exasperante do anterior, uma aridez que salienta o fim de mundo violento e opressivo em que vivem.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo bem claro para Ethan Coen: por tr\u00e1s da nova direita conservadora americana, a que n\u00e3o hesita em apoiar Donald Trump mesmo sabendo de seu autoritarismo e de seus crimes, h\u00e1 um bando de hip\u00f3critas, eventualmente at\u00e9 corruptos.<\/p>\n<p>O namorado violento da sobrinha de Honey tem no carro um adesivo com as inscri\u00e7\u00f5es MAGA (Make America Great Again), slogan supremacista de Trump. Provocativa, Honey cola por cima o adesivo com a inscri\u00e7\u00e3o: &#8220;Eu tenho uma vagina, e eu voto&#8221;.<\/p>\n<p>MG Falcone \u00e9 o nome da policial que cuida dos arquivos. Esta personagem de Aubrey Plaza se torna amante de Honey, \u00e9 importante e, ao mesmo tempo, um fator de decep\u00e7\u00e3o na trama, como o espectador ir\u00e1 descobrir no desenrolar da hist\u00f3ria personagem.<\/p>\n<p>Por um lado, \u00e9 bacana ver a rela\u00e7\u00e3o entre as duas, a varia\u00e7\u00e3o de tons e emo\u00e7\u00f5es que a dupla consegue em cena. Por outro, h\u00e1 uma facilidade na maneira como se resolve essa rela\u00e7\u00e3o, ainda que a atua\u00e7\u00e3o de Plaza valorize o momento dif\u00edcil da virada de sua personagem.<\/p>\n<p>O humor segue a linha dos melhores trabalhos dos irm\u00e3os Coen, e at\u00e9 as cita\u00e7\u00f5es podem fazer parte desse humor. H\u00e1, ali\u00e1s, cita\u00e7\u00f5es a &#8220;O Portal do Para\u00edso&#8221;, a &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq2304200408.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Kill Bill<\/a>&#8221; e a outros filmes, num caldeir\u00e3o referencial bem variado, ainda que aparentemente restrito a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/hollywood\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Hollywood<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 bobagens como um personagem atirando com uma m\u00e3o no reverendo picareta e tapando os olhos com a outra, como se quisesse errar e dar a oportunidade de ser assassinado por ele.<\/p>\n<p>Esse mesmo personagem, momentos antes, havia matado sem querer um homem que se recusou a pagar por uma entrega, dando r\u00e9 em seu autom\u00f3vel e o arrastando por alguns metros num estacionamento.<\/p>\n<p>Esse tipo de morte espetacularizada pelo humor \u00e9 uma esp\u00e9cie de marca registrada dos Coen, e \u00e9 apropriada por Ethan como se intencionasse criar um v\u00ednculo com a obra pregressa, que, afinal, tamb\u00e9m era sua, embora no come\u00e7o ele s\u00f3 assinasse como produtor.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um epis\u00f3dio tocante com o pai que retorna e \u00e9 confundido com um assediador sexual pela neta. Personagem solit\u00e1rio, t\u00edpico rejeitado que vive nas bordas do capitalismo, \u00e9 o \u00fanico homem mostrado de modo positivo, embora o policial com quem Honey troca informa\u00e7\u00f5es comece a se mostrar simp\u00e1tico no decorrer do filme.<\/p>\n<p>O maior valor de &#8220;Honey, N\u00e3o!&#8221; \u00e9 procurar um retorno \u00e0 \u00e9poca em que o cinema americano era mais adulto, ou seja, anos 1960 e 1970, sem exatamente fazer um filme daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Os sinais da contemporaneidade est\u00e3o espalhados pelo filme \u2013nos carros, videogames, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, men\u00e7\u00e3o a Covid e celulares\u2014 porque \u00e9 da atualidade que Coen quer tratar. Para melhor fazer esse tratamento, procura voltar a um esp\u00edrito mais cr\u00edtico, distante da infantilidade presente no cinema atual dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Curiosamente, a assinatura &#8220;directed by Ethan Coen&#8221; marca de uma autoria, quer se queira ou n\u00e3o a refor\u00e7ar, aparece como um borr\u00e3o enquanto um carro cai no precip\u00edcio, e logo some. Indicativo, talvez, de um salto no abismo, do perigo de se fazer um filme dessa maneira, com esse teor, em 2025.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de todo bem-sucedido na empreitada, mas \u00e9 salutar que um cineasta, tendo alcan\u00e7ado um posto consider\u00e1vel na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, arrisque-se dessa maneira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Honey, N\u00e3o!&#8221;, segundo longa de fic\u00e7\u00e3o dirigido somente por Ethan Coen, ap\u00f3s &#8220;Bonecas em Fuga&#8221;, de 2024, procura&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":144424,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[207,470,955,114,115,147,148,236,2595,3670,146,32,33],"class_list":{"0":"post-144423","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-arte","9":"tag-cinema","10":"tag-critica","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-film","14":"tag-filmes","15":"tag-folha","16":"tag-hollywood","17":"tag-los-angeles","18":"tag-movies","19":"tag-portugal","20":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115515190449263790","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}