{"id":145281,"date":"2025-11-09T12:28:08","date_gmt":"2025-11-09T12:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/145281\/"},"modified":"2025-11-09T12:28:08","modified_gmt":"2025-11-09T12:28:08","slug":"nao-e-so-no-louvre-durante-15-anos-o-codigo-nuclear-dos-eua-foi-simplesmente-00000000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/145281\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Louvre&#8230; Durante 15 anos, o c\u00f3digo nuclear dos EUA foi simplesmente \u201c00000000\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Durante quinze anos, entre o auge da Crise dos M\u00edsseis de Cuba e 1977, os m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais Minuteman dos Estados Unidos estiveram protegidos por um c\u00f3digo de lan\u00e7amento que dificilmente poderia ser considerado seguro: \u201c00000000\u201d.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o foi feita pelo antigo oficial da For\u00e7a A\u00e9rea Bruce Blair, especialista em pol\u00edtica nuclear, que revelou o facto d\u00e9cadas mais tarde, j\u00e1 nos anos 2010. Segundo Blair, esta decis\u00e3o n\u00e3o resultou de erro t\u00e9cnico, mas de uma op\u00e7\u00e3o deliberada das for\u00e7as armadas norte-americanas.<\/p>\n<p>Em 1962, alarmado com o risco de lan\u00e7amentos nucleares acidentais ou n\u00e3o autorizados, o presidente John F. Kennedy assinou o National Security Action Memorandum 160, que determinava a instala\u00e7\u00e3o de dispositivos de seguran\u00e7a conhecidos como Permissive Action Links (PALs) em todas as armas nucleares dos EUA.<br \/>Estes mecanismos tinham como objetivo garantir que um m\u00edssil s\u00f3 poderia ser ativado ap\u00f3s a rece\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo secreto emitido pelo comando superior, c\u00f3digo esse que n\u00e3o seria conhecido pelas equipas de lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>Contudo, o Strategic Air Command (SAC) \u2014 a for\u00e7a respons\u00e1vel pelos bombardeiros e m\u00edsseis nucleares \u2014 viu nestas medidas um obst\u00e1culo \u00e0 capacidade de resposta imediata em caso de ataque. Os generais do SAC temiam que, num cen\u00e1rio de guerra, problemas de comunica\u00e7\u00e3o pudessem impedir uma retalia\u00e7\u00e3o nuclear r\u00e1pida.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi t\u00e3o simples quanto arriscada: definir o c\u00f3digo de todos os m\u00edsseis como \u201c00000000\u201d. Assim, qualquer operador autorizado poderia ativar o sistema de lan\u00e7amento sem precisar de valida\u00e7\u00e3o adicional.<\/p>\n<p>Bruce Blair, que serviu como oficial de lan\u00e7amento na d\u00e9cada de 1970, afirmou que esta era a pr\u00e1tica padr\u00e3o e que o sistema dependia essencialmente da chamada \u201ctwo-man rule\u201d \u2014 a \u201cregra dos dois homens\u201d \u2014, que exigia que duas pessoas autorizadas participassem em qualquer a\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<br \/>Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, esta medida era frequentemente contornada. \u201cDurante os longos turnos, era comum um dos operadores dormir enquanto o outro tinha acesso completo ao painel de controlo\u201d, explicou Blair.<\/p>\n<p>Isso significava que, sabendo que o c\u00f3digo era composto por oito zeros, um \u00fanico indiv\u00edduo poderia teoricamente iniciar uma sequ\u00eancia de lan\u00e7amento nuclear.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade manteve-se at\u00e9 1977, quando o SAC implementou uma reforma designada \u201cRivet Save\u201d, que introduziu novos pain\u00e9is de controlo Launch Enable Control Group.<br \/>A partir da\u00ed, as equipas passaram a necessitar de um c\u00f3digo din\u00e2mico de desbloqueio, transmitido em tempo real atrav\u00e9s de uma Emergency Action Message (EAM) do comando superior.<br \/>Sem essa sequ\u00eancia \u2014 normalmente composta por combina\u00e7\u00f5es como \u201cP7P7P7P7P7P7\u201d \u2014, os m\u00edsseis permaneceriam inativos, mesmo que as chaves fossem giradas na sequ\u00eancia correta.<\/p>\n<p>Segundo o ZME Science, esta mudan\u00e7a teve dois objetivos principais: reduzir os riscos de erro humano, numa altura em que se planeava diminuir o n\u00famero de equipas de lan\u00e7amento, e responder \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es com a vulnerabilidade do sistema Minuteman a lan\u00e7amentos acidentais.<\/p>\n<p>Durante quinze anos, a seguran\u00e7a nuclear global esteve literalmente pendurada por um fio \u2014 ou, neste caso, por uma sequ\u00eancia de oito zeros.<br \/>O epis\u00f3dio, mantido em segredo durante d\u00e9cadas, demonstra como decis\u00f5es internas e pr\u00e1ticas administrativas podem ter colocado o mundo em risco de um conflito nuclear catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p>Hoje, o c\u00f3digo dos m\u00edsseis norte-americanos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 \u201c00000000\u201d. Mas a revela\u00e7\u00e3o de Bruce Blair levanta uma quest\u00e3o inquietante: at\u00e9 que ponto a seguran\u00e7a global continua dependente de sistemas humanos t\u00e3o fr\u00e1geis?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante quinze anos, entre o auge da Crise dos M\u00edsseis de Cuba e 1977, os m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145282,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-145281","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115519743852914281","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145281\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}