{"id":145305,"date":"2025-11-09T12:55:58","date_gmt":"2025-11-09T12:55:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/145305\/"},"modified":"2025-11-09T12:55:58","modified_gmt":"2025-11-09T12:55:58","slug":"solos-a-morrer-nao-nos-alimentam-a-agricultura-regenerativa-pode-salva-los-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/145305\/","title":{"rendered":"Solos a morrer n\u00e3o nos alimentam. A agricultura regenerativa pode salv\u00e1-los? | Agricultura"},"content":{"rendered":"<p>Ana Carvalho baixa-se, pega em dois peda\u00e7os de terra, e estende as m\u00e3os para que possamos v\u00ea-los bem. A diferen\u00e7a \u00e9 n\u00edtida: um \u00e9 de um castanho muito escuro, o outro \u00e9 castanho-claro, semelhante a barro. \u201cO nosso solo era assim, dava para fazer pratos\u201d, diz, com um sorriso. Paulo Carvalho, que \u00e9, com Ana, o fundador da Vivid Farms, onde nos encontramos, perto de Santar\u00e9m, confirma: \u201c\u00c9 um solo muito argiloso, com muita pedra. Quando compr\u00e1mos esta propriedade, h\u00e1 quatro anos, um engenheiro agr\u00f3nomo disse-me \u2018n\u00e3o queres ir fazer agricultura para outro lado?\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o quiseram. Compraram os 20 hectares iniciais, aos quais acrescentaram agora mais 100 hectares, e est\u00e3o a provar que as pr\u00e1ticas da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/13\/local\/noticia\/familia-largou-meter-maos-terra-respeitoua-assim-cresceu-2139940\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">agricultura regenerativa<\/a> conseguem transformar um solo pobre e desgastado num solo vivo e f\u00e9rtil. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, avisam. O objectivo, optimista e ambicioso, \u00e9 conseguir 0,5 % de aumento anual de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e a boa not\u00edcia \u00e9 que partiram de um solo inicial com apenas 1,5%, \u201cum valor baix\u00edssimo\u201d, e em algumas partes do terreno j\u00e1 t\u00eam entre 3 e 4% de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Longe do Ribatejo, no Alentejo, perto do Alandroal e junto \u00e0 fronteira com Espanha, outro casal, David e Anna de Brito, compraram uma primeira propriedade, a Granja, de 260 hectares e juntaram-lhe uma segunda, Santa Catarina, com mais 300, fundando o projecto <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/01\/29\/fugas\/noticia\/terramay-lugar-pensar-comemos-vista-alqueva-1992882\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Terramay<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas falam em perfis de solo, em h\u00famus e tudo o mais, e aquilo que n\u00f3s encontr\u00e1mos aqui, neste areal, \u00e9 isto\u201d, diz David, raspando com uma m\u00e3o no ch\u00e3o e mostrando um punhado de terra branca, sequ\u00edssima. \u201cPor mais que escavemos, o que vamos encontrar \u00e9 pedra-m\u00e3e. E como o solo est\u00e1 constantemente exposto a temperaturas superiores a 35 graus Celsius, isto que vemos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 solo, \u00e9 p\u00f3, \u00e9 poeira. Est\u00e1 morto.\u201d Sobre a pedra deveriam existir v\u00e1rias camadas de solo, sendo a superior a mais rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica e base para a produ\u00e7\u00e3o de hort\u00edcolas, por exemplo.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Ana e Paulo Carvalho, fundaddores da Vivid Farms, perto de Santar\u00e9m &#13;<br \/>\nDaniel Rocha                     &#13;<\/p>\n<p>Camas elevadas e compostagem<\/p>\n<p>Perante este cen\u00e1rio, para poderem cultivar, a primeira coisa que fizeram foram camas elevadas, indo buscar solo a outros lugares. \u201c\u00c9 preciso muita mat\u00e9ria org\u00e2nica\u201d, sublinha David. \u201cDa minha experi\u00eancia diria que, na horticultura, s\u00e3o necess\u00e1rias cerca de dez toneladas por hectare.\u201d Depois, \u00e9 preciso plantar \u00e1rvores, que, ao crescerem, ir\u00e3o criar ra\u00edzes cada vez mais fundas que ajudar\u00e3o a descompactar o solo (o uso de maquinaria agr\u00edcola pesada \u00e9 um dos grandes respons\u00e1veis pela compacta\u00e7\u00e3o dos solos), permitindo que a \u00e1gua infiltre mais facilmente.<\/p>\n<p>Para criar solo novo h\u00e1 uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas que t\u00eam de ser aplicadas \u2014 tanto na Vivid Farms como na Terramay, uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 cobri-lo com palha e outro tipo de coberto vegetal (restos de plantas) para o proteger. \u201cTemperaturas acima de 35 graus Celsius v\u00e3o matar toda a microbiologia\u201d, lembra David. Cobrir o solo vai permitir baixar a temperatura e ter muito mais <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/22\/azul\/reportagem\/iremos-agricultura-futuro-menos-agua-2003487\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">efici\u00eancia h\u00eddrica<\/a>, dado que a humidade n\u00e3o evapora t\u00e3o depressa.<\/p>\n<p>Depois, existe a compostagem, feita com os restos de materiais org\u00e2nicos deixados a decompor. Na propriedade de Santar\u00e9m, h\u00e1 uma pilha que, explica Paulo, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de \u201ctornar os problemas dos outros solu\u00e7\u00f5es para n\u00f3s\u201d, integrando, por exemplo, folhas do parque ribeirinho de Vila Nova da Barquinha, res\u00edduos da poda da C\u00e2mara Municipal de Santar\u00e9m, folhas dos lagares de azeite ou serraduras da ind\u00fastria do carv\u00e3o.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 conseguir que este composto seja mais rico em carbono do que em azoto, porque \u00e9 essa a necessidade dos solos aqui. \u201cAs bact\u00e9rias est\u00e3o mais associadas ao azoto e os fungos ao carbono, e o nosso solo \u00e9 mais pobre em fungos.\u201d Um solo saud\u00e1vel deve ter macronutrientes, que s\u00e3o o nitrog\u00e9nio, o f\u00f3sforo e o pot\u00e1ssio, e uma s\u00e9rie de micronutrientes, como o magn\u00e9sio, o c\u00e1lcio, o ferro ou o zinco. Todos eles v\u00e3o alimentar as plantas e resultar em alimentos nutricionalmente mais ricos.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Anna e David de Brito, co-fundadores do projecto Terramay, no Alandroal, Alentejo &#13;<br \/>\nRui Gaud\u00eancio                     &#13;<\/p>\n<p>Uma S\u00f3 Sa\u00fade<\/p>\n<p>Isto explica esta preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade dos solos, que est\u00e1 na origem da agricultura regenerativa e que colocou Paulo da Vivid Farms e David da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/09\/azul\/noticia\/terramay-plantaramse-3348-arvores-combater-desertificacao-2034347\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Terramay<\/a> na lista internacional dos <a href=\"https:\/\/www.top50farmers.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Top 50 Farmers<\/a>, um projecto baseado em Copenhaga (a par de dois outros agricultores portugueses, Ant\u00f3nio Coelho da Horta da Malhadinha, no Alentejo, e Jo\u00e3o Valente do Monte Silveira, na Beira Baixa).<\/p>\n<p>Ambos os casais acreditam convictamente que, quanto mais saud\u00e1vel est\u00e1 o solo, mais saud\u00e1veis ser\u00e3o os alimentos que dele nascem. E, sobretudo \u2014 um tema que vem ganhando uma import\u00e2ncia cada vez maior nos debates sobre alimenta\u00e7\u00e3o \u2014 com maior densidade nutricional. No dia em que visitamos a Vivid Farms, Paulo e Ana est\u00e3o a receber um grupo de alunos da Escola Superior Agr\u00e1ria de Santar\u00e9m, que v\u00eam precisamente ouvir falar do conceito de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/03\/11\/azul\/noticia\/treinar-futuros-medicos-tratar-doencas-clima-2041748\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Uma S\u00f3 Sa\u00fade<\/a>.<\/p>\n<p>Paulo projecta imagens que mostram como a vida na Terra depende de duas camadas muito fr\u00e1geis, a atmosfera e a camada f\u00e9rtil do solo, e como temos vindo a destruir ambas. Explica de que forma o planeta foi evoluindo at\u00e9 permitir o aparecimento de vida e como \u201ca natureza levou milh\u00f5es de anos a fixar nos solos o carbono que n\u00f3s estamos a voltar a p\u00f4r na atmosfera.\u201d<\/p>\n<p>Perante o grupo de alunos atentos, alerta para o facto de termos \u201cum ciclo da \u00e1gua e do carbono completamente desregulados\u201d, a par de \u201cuma crise de sa\u00fade global com doen\u00e7as cr\u00f3nicas em massa\u201d. Est\u00e1 tudo ligado, sublinha. E uma das grandes causas deste cen\u00e1rio tr\u00e1gico \u00e9 o facto de \u201ctermos um sistema alimentar insustent\u00e1vel e destrutivo\u201d.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Hort\u00edcolas cultivadas na Vivid Farms, que aposta na agricultura regenerativa &#13;<br \/>\nDaniel Rocha                     &#13;<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre solo e combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 simples de explicar: atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese, as plantas capturam o CO2 da atmosfera, transferindo-o parcialmente para o solo atrav\u00e9s das ra\u00edzes. Este carbono, armazenado sob a forma de mat\u00e9ria org\u00e2nica, restos de plantas, microrganismos, etc., n\u00e3o s\u00f3 torna o solo f\u00e9rtil como o torna mais capaz de reter \u00e1gua, e mais resistente aos fen\u00f3menos extremos como a seca e as chuvadas intensas, que est\u00e3o a tornar-se mais frequentes.<\/p>\n<p>Explorar solos at\u00e9 ao limite<\/p>\n<p>O que a agricultura chamada \u201cconvencional\u201d tem vindo a fazer ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 explorar os solos at\u00e9 ao limite, n\u00e3o repondo a mat\u00e9ria org\u00e2nica que estes v\u00e3o perdendo, o que obriga a alimentar as plantas a fertilizantes (na sua maioria com adi\u00e7\u00e3o de compostos qu\u00edmicos) ao mesmo tempo que se combatem as pragas com pesticidas. O \u201cmilagre\u201d daquela que ficou conhecida como Revolu\u00e7\u00e3o Verde, nos anos 1970, fez com que se acreditasse que as plantas cresciam e produziam em grandes quantidades, independentemente da qualidade dos solos. E esta foi sendo crescentemente desvalorizada.<\/p>\n<p>Agricultores como Paulo e Ana e David e Anna est\u00e3o, muito pacientemente, a tentar reverter esse processo, aprendendo pelo caminho com os erros. As an\u00e1lises frequentes ao solo v\u00e3o dando sinais muito positivos sobre a riqueza que se est\u00e1 a criar, mas cada solo \u00e9 diferente \u2014 basta olhar para a terra argilosa da Vivid Farms e para a quase areia da Terramay \u2014 e tem necessidades espec\u00edficas. Al\u00e9m disso, o simples uso do solo para a produ\u00e7\u00e3o provoca liberta\u00e7\u00e3o de carbono sob a forma de CO2 \u2014 cerca de 2,5% ao ano \u2014, pelo que grande parte do esfor\u00e7o \u00e9 apenas de reposi\u00e7\u00e3o do que se vai perdendo.<\/p>\n<p>Embora a situa\u00e7\u00e3o em Portugal exija aten\u00e7\u00e3o, o estado dos solos \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que existe \u00e0 escala global. Um artigo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a sa\u00fade dos solos, a seguran\u00e7a alimentar e o combate \u00e0 crise clim\u00e1tica, publicado na plataforma Carbon Brief, recorda que os cientistas descrevem actualmente um ter\u00e7o da terra agr\u00edcola do mundo (35% segundo a FAO, a ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os alimentos) como \u201cdegradada\u201d, tendo os solos do planeta perdido 133 mil milh\u00f5es de toneladas de carbono desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria da agricultura, h\u00e1 12 mil anos. Se apontarmos o foco para a Uni\u00e3o Europeia, e de acordo com um relat\u00f3rio de 2024, s\u00e3o 61% dos solos agr\u00edcolas que se apresentam \u201cdegradados\u201d.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Anna e David de Brito, fundadores do projecto Terramay, no Alentejo &#13;<br \/>\nRui Gaud\u00eancio                     &#13;<\/p>\n<p>Voltar costas \u00e0 monocultura<\/p>\n<p>Um dos factores agravantes do estado dos solos \u00e9 a predomin\u00e2ncia das monoculturas. De um ponto de vista econ\u00f3mico, a especializa\u00e7\u00e3o parece a escolha mais acertada para um agricultor, mas David e Anna escolheram o caminho mais dif\u00edcil. \u201cMesmo para o escoamento dos produtos, esta diversidade \u00e9 uma loucura\u201d, reconhecem.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, outras vantagens na biodiversidade. Para garantir que ela existe, nunca plantam uma \u00fanica variedade de \u00e1rvores, h\u00e1 sempre uma diversidade em cada linha \u2014 alfarrobeiras com amendoeiras, rom\u00e3zeiras com pessegueiros, amendoeiras com figueiras, ameixeiras com medronheiros, e, junto ao pomar, \u00e1rvores que n\u00e3o d\u00e3o fruto, como o choupo e o freixo. Uma agro-floresta tem \u00e1rvores em estrato alto, em estrato m\u00e9dio, e, por fim, hort\u00edcolas e arom\u00e1ticas em estrato baixo, tudo em fun\u00e7\u00e3o das necessidades de luz de cada uma.<\/p>\n<p>Extremamente importante na agricultura regenerativa (e n\u00e3o s\u00f3) \u00e9 a gest\u00e3o da \u00e1gua. E se na Vivid Farms, duas charcas ajudam muito nessa frente, na Terramay o desafio \u00e9 imenso, e, por isso, David e Anna socorreram-se do chamado keyline design, um desenho da paisagem, desenvolvido pelo australiano P.A. Yeomans, que procura tirar partido da topografia para o melhor aproveitamento poss\u00edvel dos percursos naturais que a \u00e1gua percorre. \u201cOnde a \u00e1gua corre, f\u00e1-la andar\u201d, explica David, sendo que aqui o objectivo \u00e9 obrig\u00e1-la a abrandar para que se v\u00e1 infiltrando no solo de forma mais eficiente.<\/p>\n<p>A propriedade do Alandroal vive numa situa\u00e7\u00e3o com o seu qu\u00ea de absurdo, na descri\u00e7\u00e3o de David: \u201cTemos as antigas linhas de \u00e1gua, mas o Estado portugu\u00eas e a Uni\u00e3o Europeia dizem que n\u00e3o \u00e9 permitido fazermos capta\u00e7\u00f5es de \u00e1gua porque ela tem de estar toda dispon\u00edvel para as grandes represas, que s\u00e3o feitas, afinal, para subsidiar as produ\u00e7\u00f5es intensivas do regadio.\u201d<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O sistema de maneio do gado e a alimenta\u00e7\u00e3o sem ra\u00e7\u00f5es explicam a diferen\u00e7a na qualidade da carne &#13;<br \/>\nRui Gaud\u00eancio                     &#13;<\/p>\n<p>O ideal, acredita o agricultor, seria \u201cpoder reduzir a velocidade para a ir captando em alguns s\u00edtios, criando pequenos microclimas para anf\u00edbios e mam\u00edferos\u201d, e permitindo que ela fosse penetrando o solo at\u00e9 ao subsolo, refor\u00e7ando os aqu\u00edferos. \u201cO nosso interesse \u00e9 ter maior capacidade vegetativa no solo para que mais \u00e1gua possa ir para os aqu\u00edferos\u201d, explica. \u201cSeria mais interessante do que esperar que v\u00e1 toda para ali [aponta para o Alqueva \u00e0 nossa frente], obrigando-os \u00e0s vezes a reduzi-la porque se torna demasiada.\u201d<\/p>\n<p>As regras existentes fazem com que a Terramay tenha uma frente de dois quil\u00f3metros com o magn\u00edfico espelho do Alqueva, mas esteja condenada a ver a \u00e1gua passar, contribuindo para uma maior eros\u00e3o do solo, um problema que, apesar de tudo, o keyline design procura combater.<\/p>\n<p>Maneio dos animais<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o podemos falar de agricultura regenerativa sem referir a import\u00e2ncia do maneio dos animais. Voltamos \u00e0 Vivid Farms onde Paulo est\u00e1 a mostrar aos alunos da Escola Agr\u00e1ria de Santar\u00e9m a diferen\u00e7a entre o seu terreno e o de uma propriedade vizinha, na qual, numa t\u00e9cnica de pastoreio intensivo, os animais s\u00e3o deixados \u00e0 vontade no mesmo local at\u00e9 esgotarem o que h\u00e1 para comer.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s fazemos outra coisa que \u00e9 o pastoreio rotacional adaptado\u201d, sublinha. Imitando o comportamento das manadas, os animais s\u00e3o deixados num local contido por um per\u00edodo curto, mudando depois para outro, dando tempo \u00e0 primeira parcela para descansar e recuperar, e deixando que as plantas, essas \u201cf\u00e1bricas de fotoss\u00edntese\u201d, cres\u00e7am novamente.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Terreno cultivado pela Vivid Farms, perto de Santar\u00e9m&#13;<br \/>\nDaniel Rocha                     &#13;<\/p>\n<p>Sobre a sa\u00fade dos animais chegou, entretanto, outra boa not\u00edcia. No \u00e2mbito do projecto <a href=\"https:\/\/spin.ipsantarem.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">SPIN &#8211; Sustainable ProteIN<\/a>, numa parceria entre a Vivid Farms e a Escola Superior Agr\u00e1ria de Santar\u00e9m, foram feitas an\u00e1lises \u00e0 carne de bovinos criados em agricultura regenerativa. \u201cO objectivo \u00e9 produzir prote\u00edna sustent\u00e1vel\u201d, conta Igor Dias, professor daquela institui\u00e7\u00e3o. \u201cAnalis\u00e1mos cacha\u00e7o de bovino e vazia e compar\u00e1mos com carnes produzidas na Argentina, na Pol\u00f3nia, nos Pa\u00edses Baixos, e tamb\u00e9m em Portugal, mas noutros regimes.\u201d<\/p>\n<p>Estiveram particularmente atentos ao r\u00e1cio entre \u00f3mega seis e \u00f3mega tr\u00eas que, \u201cse for muito desequilibrado, pode tornar a carne inflamat\u00f3ria\u201d, e perceberam que \u201cos bovinos produzidos em modo de agricultura regenerativa t\u00eam um r\u00e1cio de 3,5 para um, enquanto nos da Argentina, por exemplo, o r\u00e1cio \u00e9 de 14,5 para um, ou seja, \u00e9 extremamente inflamat\u00f3rio para o nosso organismo\u201d, afirma Igor Dias.<\/p>\n<p>O sistema de maneio do gado e a alimenta\u00e7\u00e3o sem recurso a ra\u00e7\u00f5es explicam a diferen\u00e7a na qualidade da carne para a sa\u00fade de quem a consome. Paulo Carvalho sorri satisfeito com os resultados. \u201cMais do que dizermos que somos o que comemos, somos, na verdade, o que a nossa comida comeu.\u201d E no princ\u00edpio de tudo est\u00e1 o solo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ana Carvalho baixa-se, pega em dois peda\u00e7os de terra, e estende as m\u00e3os para que possamos v\u00ea-los bem.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":145306,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[562,4916,785,27,28,788,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,3204,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-145305","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-agricultura","9":"tag-alqueva","10":"tag-azul","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-crise-climatica","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-sustentabilidade","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115519853893308613","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145305\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}