{"id":14569,"date":"2025-08-03T18:54:08","date_gmt":"2025-08-03T18:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14569\/"},"modified":"2025-08-03T18:54:08","modified_gmt":"2025-08-03T18:54:08","slug":"treinamento-respiratorio-ajuda-pacientes-com-parkinson-03-08-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14569\/","title":{"rendered":"Treinamento respirat\u00f3rio ajuda pacientes com Parkinson &#8211; 03\/08\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>De repente, o corpo se curva, o passo fica mais lento, as m\u00e3os tremem, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/03\/cinco-alteracoes-na-fala-e-na-linguagem-que-ajudam-a-detectar-o-alzheimer-de-forma-precoce.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">fala enfraquece<\/a> e a mem\u00f3ria recente come\u00e7a a falhar. Esses sinais, muitas vezes associados ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/envelhecimento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">envelhecimento<\/a>, podem tamb\u00e9m ser sintomas da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/03\/doenca-de-parkinson-deve-aumentar-dramaticamente-nas-proximas-decadas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">doen\u00e7a de Parkinson<\/a>, uma condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica progressiva que afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos.<\/p>\n<p>Descrita pela primeira vez em 1817, pelo m\u00e9dico brit\u00e2nico James Parkinson, a doen\u00e7a \u00e9 a segunda <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/11\/esquecimento-e-sinonimo-de-alzheimer-quais-os-sintomas-de-parkinson-tire-suas-duvidas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa<\/a> mais comum no mundo, perdendo apenas para o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/07\/metade-dos-casos-de-demencia-no-mundo-sao-associados-a-14-fatores-veja-quais-sao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Alzheimer<\/a>. Estima-se que cerca de 1% das pessoas com mais de 65 anos convivam com o Parkinson. No Brasil, esse n\u00famero gira em torno de 200 mil pacientes diagnosticados.<\/p>\n<p>Por que decidi pesquisar Parkinson?<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, decidi me aprofundar no estudo da doen\u00e7a de Parkinson impulsionado pela sua forte rela\u00e7\u00e3o com o sistema nervoso aut\u00f4nomo, meu foco de estudo desde o come\u00e7o da carreira.<\/p>\n<p>Como pesquisador do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFF (Universidade Federal Fluminense), busco entender n\u00e3o apenas como a doen\u00e7a afeta o sistema nervoso aut\u00f4nomo, mas tamb\u00e9m como o corpo pode se adaptar, mesmo em meio \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. E, recentemente, isso nos levou a investigar algo aparentemente simples, mas extremamente promissor: a respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 21 de julho, tivemos a satisfa\u00e7\u00e3o de ver nosso <a href=\"https:\/\/www.autonomicneuroscience.com\/article\/S1566-0702(25)00096-7\/abstract\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">artigo cient\u00edfico publicado no peri\u00f3dico Autonomic Neuroscience: Basic and Clinical<\/a>, da editora Elsevier. O estudo aponta que um treinamento respirat\u00f3rio feito em casa pode melhorar a fun\u00e7\u00e3o auton\u00f4mica card\u00edaca de pacientes com Parkinson.<\/p>\n<p>Treinar os m\u00fasculos da respira\u00e7\u00e3o: uma proposta sem rem\u00e9dio<\/p>\n<p>A proposta do nosso estudo foi testar os efeitos do treinamento muscular inspirat\u00f3rio, conhecido pela sigla TMI, que \u00e9 um tipo de exerc\u00edcio feito com aparelhos simples, que aumentam a resist\u00eancia \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o, fortalecendo os m\u00fasculos respons\u00e1veis por puxar o ar para os pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa t\u00e9cnica j\u00e1 \u00e9 usada com sucesso em diversas popula\u00e7\u00f5es, como atletas, idosos e pessoas com doen\u00e7as respirat\u00f3rias. No nosso caso, quer\u00edamos saber se esse treinamento poderia melhorar o controle auton\u00f4mico do cora\u00e7\u00e3o, ou seja, a forma como o sistema nervoso regula, automaticamente, a frequ\u00eancia card\u00edaca e a resposta do corpo a mudan\u00e7as posturais, como levantar-se de uma cadeira ou da cama.<\/p>\n<p>O sistema nervoso aut\u00f4nomo possui dois ramos principais: o simp\u00e1tico, que acelera o cora\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/saude-mental\/2023\/04\/estresse-cronico-e-estopim-para-transtornos-e-pode-atrofiar-estruturas-cerebrais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">estresse<\/a>, e o parassimp\u00e1tico ou vagal, que atua como freio, diminuindo a frequ\u00eancia card\u00edaca em momentos de repouso. Em pacientes com Parkinson, esse equil\u00edbrio costuma estar comprometido, especialmente durante situa\u00e7\u00f5es de estresse postural, como a mudan\u00e7a da posi\u00e7\u00e3o sentada para a em p\u00e9, o que pode levar a tonturas, queda de press\u00e3o e at\u00e9 desmaios.<\/p>\n<p>Nosso experimento: respira\u00e7\u00e3o e sistema nervoso<\/p>\n<p>No estudo, avaliamos oito pacientes com doen\u00e7a de Parkinson e oito volunt\u00e1rios saud\u00e1veis, em idades semelhantes. Eles passaram por cinco semanas de treinamento muscular inspirat\u00f3rio em casa, utilizando aparelhos simples que aumentam a resist\u00eancia \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes e depois do programa, medimos dois indicadores principais: a press\u00e3o inspirat\u00f3ria m\u00e1xima \u2014 uma medida da for\u00e7a dos m\u00fasculos respirat\u00f3rios; e a variabilidade da frequ\u00eancia card\u00edaca \u2014 uma forma de avaliar a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> do sistema nervoso aut\u00f4nomo, especialmente a atividade vagal.<\/p>\n<p>Os testes foram feitos em duas situa\u00e7\u00f5es: na posi\u00e7\u00e3o sentada que foi identificada como repouso, e durante estresse ortost\u00e1tico, que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o em que o corpo \u00e9 desafiado a manter a press\u00e3o arterial est\u00e1vel ao ficar em p\u00e9.<\/p>\n<p>Resultados promissores, especialmente para quem tem Parkinson<\/p>\n<p>Ambos os grupos (com e sem Parkinson) apresentaram melhora na for\u00e7a muscular inspirat\u00f3ria e na atividade vagal em repouso. Mas o que mais nos chamou a aten\u00e7\u00e3o foi que apenas os pacientes com Parkinson mostraram melhora na resposta do cora\u00e7\u00e3o ao estresse ortost\u00e1tico ap\u00f3s o treinamento.<\/p>\n<p>Isso sugere que esse tipo de treinamento pode ajudar o organismo a se adaptar melhor a mudan\u00e7as posturais, o que pode reduzir sintomas como tonturas, fadiga e at\u00e9 quedas, t\u00e3o comuns em pessoas com Parkinson.<\/p>\n<p>Por que a respira\u00e7\u00e3o afeta o cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre respira\u00e7\u00e3o e batimentos card\u00edacos \u00e9 profunda. A cada inspira\u00e7\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o tende a acelerar levemente; ao expirar, ele desacelera. Esse fen\u00f4meno \u00e9 regulado, em grande parte, pelo nervo vago, importante componente do sistema nervoso parassimp\u00e1tico.<\/p>\n<p>O treinamento inspirat\u00f3rio parece influenciar esse equil\u00edbrio ao prolongar o tempo da expira\u00e7\u00e3o, o que favorece a a\u00e7\u00e3o vagal sobre o cora\u00e7\u00e3o. Em outras palavras: ao treinar os m\u00fasculos respirat\u00f3rios, estamos estimulando uma parte do sistema nervoso que protege o cora\u00e7\u00e3o e ajuda a controlar a press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>O que j\u00e1 sab\u00edamos e o que ainda precisamos saber<\/p>\n<p>Nossos achados est\u00e3o em linha com <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0167494324002553?via%3Dihub\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nosso estudo anterior <\/a>de revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura, publicado no Archives of Gerontology and Geriatrics que mostra que o treinamento inspirat\u00f3rio pode melhorar a modula\u00e7\u00e3o vagal card\u00edaca, a press\u00e3o arterial e o desempenho f\u00edsico mesmo em idosos considerados saud\u00e1veis. Mas o nosso rec\u00e9m publicado artigo traz um dado novo: apenas cinco semanas de treinamento j\u00e1 s\u00e3o suficientes para gerar benef\u00edcios auton\u00f4micos relevantes, destacando ainda a forma segura e pr\u00e1tica, pois foi realizado no pr\u00f3prio ambiente domiciliar dos pacientes.<\/p>\n<p>Claro que ainda temos muito a investigar. Nosso estudo foi um piloto, com n\u00famero reduzido de participantes. E n\u00e3o avaliamos pacientes com Parkinson avan\u00e7ado e com sintomas severos da doen\u00e7a, e que exigiriam acompanhamento mais rigoroso.<\/p>\n<p>Planejamos ampliar a amostra e incluir testes mais detalhados de disfun\u00e7\u00e3o auton\u00f4mica, como o teste de inclina\u00e7\u00e3o (head-up tilt). Mas j\u00e1 podemos dizer que o treinamento inspirat\u00f3rio se mostra uma ferramenta promissora, barata e de f\u00e1cil aplica\u00e7\u00e3o no manejo da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Nossa pesquisa, apoiada pela Capes e pela Faperj, mostra que \u00e9 poss\u00edvel buscar alternativas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, seguras e acess\u00edveis para melhorar a qualidade de vida de quem convive com o Parkinson. Acreditamos e nosso estudo mostra que o corpo, mesmo diante da neurodegenera\u00e7\u00e3o, ainda pode aprender, adaptar-se e responder a est\u00edmulos simples como o ato de respirar melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De repente, o corpo se curva, o passo fica mais lento, as m\u00e3os tremem, a fala enfraquece e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14570,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1031,109,1029,5842,1490,236,116,1491,1492,32,33,117,1030,5841],"class_list":{"0":"post-14569","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-autocuidado","9":"tag-ciencia","10":"tag-cuide-se","11":"tag-doenca-cronica","12":"tag-envelhecimento","13":"tag-folha","14":"tag-health","15":"tag-idoso","16":"tag-parkinson","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-saude","20":"tag-saude-mental","21":"tag-the-conversation"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}