{"id":146032,"date":"2025-11-10T01:05:08","date_gmt":"2025-11-10T01:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146032\/"},"modified":"2025-11-10T01:05:08","modified_gmt":"2025-11-10T01:05:08","slug":"a-google-esta-a-procurar-formas-de-ter-bases-de-dados-no-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146032\/","title":{"rendered":"A Google est\u00e1 a procurar formas de ter bases de dados no espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>A<strong> intelig\u00eancia artificial<\/strong>, a mesma que utiliza para criar imagens de estilo Ghibli e perguntar todo o tipo de banalidades, chegou a um ponto em que <strong>precisa de cada vez mais energia e pot\u00eancia de c\u00e1lculo<\/strong>.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o limite era estipulado pelos centros de dados do planeta. Mas a Google quer ir um passo al\u00e9m e convida-nos a aderir a uma das suas \u00faltimas ideias: treinar a IA com uma <strong>rede de computadores instalada nas constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites<\/strong> equipados com processadores, conhecidos como TPU, preparados para treinar e executar modelos de intelig\u00eancia artificial e conectados atrav\u00e9s de liga\u00e7\u00f5es \u00f3pticas.<\/p>\n<p><strong>Como podemos aproveitar o espa\u00e7o para maximizar os centros de dados?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 aqui que surge a primeira pergunta: <strong>porque temos de ir at\u00e9 ao espa\u00e7o para este fim?<\/strong> Segundo a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel da <a href=\"http:\/\/research.google\/blog\/exploring-a-space-based-scalable-ai-infrastructure-system-design\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">webpage da Google<\/a>, a premissa original \u00e9 que o Sol emite mais de 100 mil milh\u00f5es de vezes a energia produzida por toda a humanidade. Colocado na \u00f3rbita adequada, <strong>um painel solar poder\u00e1 gerar at\u00e9 oito vezes mais energia do que sobre a superf\u00edcie do nosso planeta \u2013 e de forma quase cont\u00ednua<\/strong>. Por conseguinte, ter\u00edamos energia de sobra para impulsionar redes de IA que n\u00e3o dependessem de centros de dados terrestres.<\/p>\n<p>Os pormenores t\u00e9cnicos do <strong>Projecto Suncatcher<\/strong> foram publicados num documento intitulado <a href=\"http:\/\/services.google.com\/fh\/files\/misc\/suncatcher_paper.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Towards a future space-based, highly scalable AI infrastructure system design<\/a>, que descreve como seria um <strong>sistema modular de sat\u00e9lites interligados<\/strong>. Cada um teria processadores TPU e comunicaria com os restantes atrav\u00e9s de liga\u00e7\u00f5es \u00f3pticas de alta capacidade. O objectivo seria escalar a dimens\u00e3o de computa\u00e7\u00e3o de futuros modelos de IA sem consumir recursos terrestres, nem aumentar a pegada de carbono.<\/p>\n<p><strong>Esta constela\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites ocuparia a \u00f3rbita helioss\u00edncrona<\/strong>, ou seja, estaria sempre sobre uma zona do planeta exposta \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o solar. Trata-se, portanto, de uma \u00f3rbita est\u00e1vel e quase permanentemente iluminada. E embora tudo isto pare\u00e7a uma f\u00e1bula, \u00e9 f\u00e1cil de perceber por ser\u00e1 necess\u00e1rio <strong>superar obst\u00e1culos<\/strong> para concretizar este projecto t\u00e3o ambicioso. Por exemplo, <strong>conseguir liga\u00e7\u00f5es de dados equivalentes a um centro terrestre<\/strong>. As primeiras simula\u00e7\u00f5es indicam que seria poss\u00edvel alcan\u00e7ar dezenas de terabits por segundo, sempre que os sat\u00e9lites se encontrassem muito perto uns dos outros. Mas, como \u00e9 evidente, deparamo-nos, ent\u00e3o, com o segundo problema.<\/p>\n<p>Seria necess\u00e1rio um <strong>controlo orbital de extrema precis\u00e3o<\/strong>. \u00c9 por isso que os investigadores da Google desenvolveram um estudo, segundo o qual precisariam de um enxame de 81 sat\u00e9lites posicionados a 650 quil\u00f3metros de altitude, separados entre 100 e 200 metros. Este conjunto poderia manter-se est\u00e1vel com manobras m\u00ednimas e poderia compensar os efeitos gravitacionais e o arrastamento atmosf\u00e9rico. Mas ainda h\u00e1 outro desafio por superar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/javiercorralg_ed22dd2c_251109214129_800x451.webp.webp\" alt=\"Javiercorralg\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"451\" data-aspectratio=\"800\/451\"\/>&#13;Wikimedia Commons<\/p>\n<p>No espa\u00e7o, os componentes electr\u00f3nicos sofrem <strong>impactos constantes de part\u00edculas energ\u00e9ticas<\/strong>. Google testou o seu TPU v6e, um acelerador de IA de sexta gera\u00e7\u00e3o, expondo-o a um feixe de prot\u00f5es de 67 milh\u00f5es de electr\u00e3o-volts. Esta quantidade \u00e9 suficiente para um prot\u00e3o conseguir atravessar material s\u00f3lido \u2013 tal como a radia\u00e7\u00e3o espacial faz. Felizmente, os resultados demostraram que os componentes s\u00f3 sofreram pequenas falhas, com doses quase tr\u00eas vezes superiores \u00e0s que receberiam numa miss\u00e3o de 5 anos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 claro que nos ainda falta abordar o <strong>factor econ\u00f3mico<\/strong>. Historicamente, este tem sido um dos grandes trav\u00f5es da explora\u00e7\u00e3o espacial. Com a redu\u00e7\u00e3o dos custos dos lan\u00e7amentos espaciais, a empresa de Mountain View cr\u00ea que<strong>, em meados da pr\u00f3xima d\u00e9cada, o pre\u00e7o poder\u00e1 ficar abaixo dos 175 euros por quilograma<\/strong>. Se isto acontecer, o custo de um centro de dados orbital poderia ser equipar\u00e1vel ao de um centro terrestre.<\/p>\n<p><strong>A intelig\u00eancia artificial que veio do espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o devemos comemorar, pois o <strong>projecto ainda se encontra em fase de investiga\u00e7\u00e3o<\/strong>, mas talvez a Google, em colabora\u00e7\u00e3o com a empresa <a href=\"http:\/\/www.planet.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Planet<\/a>, lance dois sat\u00e9lites de teste para validar este estudo e comprovar a efic\u00e1cia das comunica\u00e7\u00f5es \u00f3pticas. Estes sat\u00e9lites poder\u00e3o verificar como os processadores se comportam em condi\u00e7\u00f5es de microgravidade, usando o espa\u00e7o como campo de treino improvisado.<\/p>\n<p>A Google sabe que n\u00e3o s\u00f3 ter\u00e1 dificuldades como as acima mencionadas, como dever\u00e1 enfrentar a dissipa\u00e7\u00e3o do calor no v\u00e1cuo, por exemplo. Ter\u00e1 de garantir a fiabilidade de todos os sistemas e estabelecer liga\u00e7\u00f5es est\u00e1veis com a Terra. <strong>A\u00a0<\/strong><strong>Google j\u00e1 tem experi\u00eancia com projectos que pareciam uma loucura<\/strong>, mas foram implantados no seu organigrama. Falamos, por exemplo, na <strong>computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica <\/strong>ou na tecnologia que tornou poss\u00edvel a circula\u00e7\u00e3o de <strong>ve\u00edculos aut\u00f3nomos<\/strong> nas estradas dos EUA.<\/p>\n<p>Teremos de esperar para ver se o projecto consegue avan\u00e7ar e se os modelos de intelig\u00eancia artificial do futuro n\u00e3o vivem s\u00f3 em centros de dados na Terra, mas tamb\u00e9m no espa\u00e7o. As <strong>constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites alimentadas por energia solar<\/strong>, processando dados a velocidades incr\u00edveis, poderiam fazer parte da <strong>imagem do nosso futuro<\/strong>. Tudo est\u00e1 nas m\u00e3os dos investigadores da Google e da energia proveniente do astro rei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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