{"id":146434,"date":"2025-11-10T11:33:26","date_gmt":"2025-11-10T11:33:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146434\/"},"modified":"2025-11-10T11:33:26","modified_gmt":"2025-11-10T11:33:26","slug":"na-vitra-a-arquitetura-tambem-pensa-o-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146434\/","title":{"rendered":"Na Vitra, a arquitetura tamb\u00e9m pensa o sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p>        Uma empresa familiar tem vindo a transformar 25 hectares num festim para a criatividade nas \u00e1reas da Arquitetura e Design. Uma aventura extraordin\u00e1ria a que agora se junta um retiro imaginado pelo Pritzker indiano Balkrishna Doshi, que nos convida a \u201celevar o esp\u00edrito.\u201d    <\/p>\n<p>\u201cJornada\u201d tem diversos significados. Sabemos n\u00f3s e diz-nos o dicion\u00e1rio. Mas aqui convocamos a defini\u00e7\u00e3o que remete para viagem e, em sentido figurado, \u201cpara o conjunto de factos pass\u00edveis de serem entendidos como uma transi\u00e7\u00e3o, rumo a determinado fim.\u201d Um limiar, portanto. \u00c9 precisamente essa a sensa\u00e7\u00e3o inicial que o mais recente projeto a ganhar forma no campus Vitra nos provoca, quando nos adentramos pelo caminho serpenteante e entrela\u00e7ado, em que vamos perdendo a no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o envolvente e mergulhamos no som que nos guia ao cora\u00e7\u00e3o de um retiro.<\/p>\n<p>Poesia? Devaneio? J\u00e1 o gongo que espraia o som nos recebe numa c\u00e2mara despojada, tamb\u00e9m ela em tons quente-laranja-ferrugem-ocre, como a escultura-edif\u00edcio que acab\u00e1mos de percorrer. Dois bancos em semic\u00edrculo, contornados por um espelho de \u00e1gua, convidam-nos a respirar. A estar, muito simplesmente. Presentes e ausentes. Ao som do suave gongo. Aqui, no Doshi Retreat.<\/p>\n<p>\u201cDoshi construiu pontes entre Oriente e Ocidente, entre ci\u00eancia e espiritualidade, entre tradi\u00e7\u00e3o e modernidade, e o seu mundo era um mundo de humildade, generosidade, humor e reconcilia\u00e7\u00e3o.\u201d A admira\u00e7\u00e3o e estima de Rolf Fehlbaum, presidente em\u00e9rito da Vitra, pelo arquiteto indiano Balkrishna Doshi ressoa em cada palavra que usa. \u201cAprendi muitas coisas com Doshi que n\u00e3o sabia antes. E todos podem aprender com ele. O retiro \u00e9 uma esp\u00e9cie de convite de Doshi para uma viagem que transcende o quotidiano e eleva o esp\u00edrito,\u201d\u00a0refere aquando da apresenta\u00e7\u00e3o do projeto \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p><strong>Uma experi\u00eancia sensoria<\/strong>l<br \/>Falar na espiritualidade dos edif\u00edcios pode fazer erguer uns quantos sobrolhos. Nada que detivesse Rolf Fehlbaum, 84 anos, a segunda gera\u00e7\u00e3o a liderar a Vitra \u2013 a empresa familiar criada em 1950, em Basileia, Su\u00ed\u00e7a, por Willi e Erika Fehlbaum, conhecida em todo o mundo por criar produtos e conceitos inovadores com grandes designers \u2013 e homem de grande racionalidade, como o pr\u00f3prio diz, de convidar o Pritzker indiano a idealizar um espa\u00e7o que seja uma \u201cexperi\u00eancia sensorial\u201d.<\/p>\n<p>A ideia n\u00e3o \u00e9 fruto de um capricho, mas sim de uma viagem \u00e0 \u00cdndia, em que Fehlbaum e a mulher, Federica, visitaram o Templo do Sol Modhera, no Gujarat. E da profunda serenidade que a\u00ed sentiram. Est\u00e1vamos em 2020. O mundo era diferente, mas a ideia de o campus Vitra funcionar como uma \u201cbiosfera\u201d j\u00e1 estava em marcha havia algum tempo, sintetiza Rolf Fehlbaum. Os cerca de 25 hectares do campus n\u00e3o s\u00f3 acolhem as f\u00e1bricas onde se produzem algumas das pe\u00e7as mais ic\u00f3nicas do design, a edif\u00edcios de renomados arquitetos \u2013 incluindo oito Pritzker \u2013, passando pelos muitos visitantes que diariamente exploram o campus. Por ano, rondam os 400 mil. Um n\u00famero bem-vindo, claro, mas que levou Rolf Fehlbaum a considerar ser o momento de acolher um lugar de contempla\u00e7\u00e3o como contraponto \u201c\u00e0s muitas atividades que aqui temos.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u201cE se\u2026?\u201d<\/strong><br \/>O tom estava dado. Palavra a Khushnu Panthaki Hoof, neta de Balkrishna Doshi, arquiteta e disc\u00edpula do seu av\u00f4, que tinha o dom natural para ensinar, sem o admitir, de abrir caminhos para evitar que o pensamento estreitasse, e para quem a aprendizagem \u201c\u00e9 algo de muito fluido e presente ao longo da vida\u201d. Para o av\u00f4, o mundo tinha in\u00fameros mundos dentro, caminhos mil. N\u00e3o era dispers\u00e3o. Era abrir a mente. \u201cE se?\u201d. Essas perguntas que come\u00e7avam com \u201ce se\u201d, explica, \u201ctraziam \u00e0 tona as conversas mais inesperadas e profundas, que abriam diferentes maneiras de ver as coisas\u201d, partilha Panthaki Hoof. \u201cMas, acima de tudo, o que ficou connosco e continua a guiar-nos \u00e9 algo que ele disse enquanto trabalh\u00e1vamos neste projeto. Doshi disse que o sil\u00eancio \u00e9 a forma mais generosa de orienta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Balkrishna Doshi morreu em janeiro de 2023, aos 95 anos. N\u00e3o viu de p\u00e9 a escultura que imaginou. O primeiro edif\u00edcio constru\u00eddo fora do seu pa\u00eds. Ele que \u201cao longo dos anos, sempre criou uma arquitetura que \u00e9 s\u00e9ria, nunca espalhafatosa ou seguidora de tend\u00eancias. Com um profundo sentido de responsabilidade e um desejo de ajudar o seu pa\u00eds e o seu povo atrav\u00e9s de uma arquitetura aut\u00eantica de alta qualidade.\u201d Recordamos as palavras do j\u00fari que lhe atribuiu o mais importante pr\u00e9mio de arquitetura, o Pritzker, em 2018. Tinha 90 anos. Na ocasi\u00e3o, agradeceu a Le Corbusier, com quem trabalhou, os ensinamentos que lhe permitiram introduzir o modernismo no seu pa\u00eds, criando uma s\u00edntese com as tradi\u00e7\u00f5es locais. E sintetizou a sua demanda. \u201cO meu trabalho, a minha hist\u00f3ria de vida, est\u00e1 sempre em evolu\u00e7\u00e3o, em mudan\u00e7a\u2026 uma procura no sentido de retirar o papel da arquitetura e olhar apenas para a vida.\u201d<\/p>\n<p>A responsabilidade de erguer o Doshi Retreat ficou, assim, nas m\u00e3os da neta, Panthaki Hoof, e do seu marido, S\u00f6nke Hoof, a dupla que lidera o Studio Sangath, em Ahmedabad, \u00cdndia. Escolheram seguir o caminho das perguntas. \u201cComo \u00e9 que se descodifica uma mem\u00f3ria emocional num espa\u00e7o? \u00c9 um lugar onde fazemos uma pausa, onde simplesmente estamos?\u201d, questiona Panthaki Hoof. Mais importante. \u201cO que queremos que as pessoas sintam naquele espa\u00e7o?\u201d Esta pergunta passou a ser a b\u00fassola que os guiou nesta jornada. E, claro, outras surgiram. O que \u00e9 o tempo na arquitetura?<\/p>\n<p>O espa\u00e7o pode curvar o tempo? Pode confundi-lo? Pode dissolv\u00ea-lo? \u201cPode a desorienta\u00e7\u00e3o ser usada como ferramenta de design para nos ajudar a esquecer de n\u00f3s pr\u00f3prios? E, nesse momento de esquecimento, descobrimos algo novo\u201d, diz Panthaki Hoof, antes de nos deixar uma \u00faltima pista. [O retiro] \u201c\u00e9 um limiar. Um lugar de transi\u00e7\u00e3o suave. E cont\u00e9m algo de intang\u00edvel.\u201d Sim, o Doshi Retreat \u00e9 uma experi\u00eancia que desafia defini\u00e7\u00f5es. Mas abre-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o e ao di\u00e1logo. Em tempos conturbados n\u00e3o ser\u00e1 esse o caminho a seguir?<\/p>\n<p>O Jornal Econ\u00f3mico viajou a convite da Vitra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma empresa familiar tem vindo a transformar 25 hectares num festim para a criatividade nas \u00e1reas da Arquitetura&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146435,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[304,207,205,206,203,201,202,204,32035,114,115,32036,32037,32,33,32038,32039,32040],"class_list":{"0":"post-146434","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arquitetura","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-design","16":"tag-doshi-retreat","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-experiencia-sensorial","20":"tag-khushnu-panthaki-hoof","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-rolf-fehlbaum","24":"tag-vitra","25":"tag-vitra-campus"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115525189948015864","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146434\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}