{"id":146499,"date":"2025-11-10T12:26:34","date_gmt":"2025-11-10T12:26:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146499\/"},"modified":"2025-11-10T12:26:34","modified_gmt":"2025-11-10T12:26:34","slug":"uma-cop30-a-procura-de-identidade-e-de-financiamento-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146499\/","title":{"rendered":"Uma COP30 \u00e0 procura de identidade \u2014 e de financiamento | COP30"},"content":{"rendered":"<p>A \u201cCOP da Amaz\u00f3nia\u201d, \u201cCOP da floresta\u201d, \u201cCOP da implementa\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cCOP da verdade\u201d: a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/cop30\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">30.\u00aa Confer\u00eancia da ONU sobre Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/a>, que tem in\u00edcio esta segunda-feira em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no Brasil, parece que continua \u00e0 procura de uma identidade, juntando uma s\u00e9rie de dossiers e uma agenda que resiste a chamar a aten\u00e7\u00e3o global \u2013 assegurar que as grandes decis\u00f5es dos \u00faltimos anos s\u00e3o efectivamente cumpridas.<\/p>\n<p>Para Portugal, uma das grandes prioridades \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: \u201cInfelizmente, reduzir as emiss\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o chega, o dia-a-dia mostra-nos que as consequ\u00eancias est\u00e3o a\u00ed e n\u00e3o sei se conseguimos que elas sejam revers\u00edveis\u201d, diz a ministra do Ambiente e Energia, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/28\/azul\/noticia\/ministra-ambiente-nega-intencao-esquartejar-competencias-icnf-2152401\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Maria da Gra\u00e7a Carvalho<\/a>, em entrevista ao Azul na v\u00e9spera da COP30, em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Esta prioridade \u00e9 clara na escolha da estrat\u00e9gia \u201c\u00c1gua que une\u201d como tema da abertura do Pavilh\u00e3o de Portugal na confer\u00eancia do clima. Esta estrat\u00e9gia, uma das agendas transformadoras do Governo, procura respostas \u00e0 vulnerabilidade do pa\u00eds face \u00e0 falta de \u00e1gua, \u00e0 eros\u00e3o costeira e a cheias &#8220;de Norte a Sul do pa\u00eds&#8221;. Projectos como a dessalinizadora de Albufeira ou a tomada de \u00e1gua do Pomar\u00e3o, assim como as obras nos munic\u00edpios para reduzir as perdas de \u00e1gua e aumentar a resist\u00eancia a cheias e tempestades, s\u00e3o obras complexas e visam preparar o pa\u00eds para a escassez de \u00e1gua e os per\u00edodos de seca.<\/p>\n<p>Da \u00e1gua ao fogo<\/p>\n<p>No outro extremo da adapta\u00e7\u00e3o, a ministra do Ambiente destaca a urg\u00eancia em lidar com os grandes inc\u00eandios, uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais preocupantes dos impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em Portugal e a n\u00edvel global.<\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Carvalho fez quest\u00e3o de distinguir a nova natureza destes eventos clim\u00e1ticos extremos. \u201cInc\u00eandios n\u00f3s sempre tivemos\u201d, sublinha, mas a diferen\u00e7a actual \u00e9 \u201calarmante\u201d: \u201cA novidade, neste momento, \u00e9 que as dimens\u00f5es s\u00e3o tais que \u00e9 muito dif\u00edcil de serem combatidos.\u201d<\/p>\n<p>A resposta a esta amea\u00e7a, considera a ministra, passa n\u00e3o apenas pela ac\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional para tamb\u00e9m pela coopera\u00e7\u00e3o. Na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/07\/azul\/noticia\/diplomatas-temem-eua-atrapalhem-cimeira-clima-brasil-2153741\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cimeira de L\u00edderes<\/a> que precedeu a COP30, Portugal juntou-se a outros 49 pa\u00edses numa alian\u00e7a para um \u201cesfor\u00e7o conjunto a n\u00edvel do dos v\u00e1rios pa\u00edses para perceber melhor os mecanismos destes grandes inc\u00eandios, as medidas para os evitar e para os saber combater\u201d.<\/p>\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o, parente pobre de Paris<\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Carvalho participou na \u201cpr\u00e9-COP\u201d, em Outubro, como negociadora no dossier da adapta\u00e7\u00e3o. Uma das grandes dificuldades deste dossier a n\u00edvel internacional, explica, \u00e9 que \u201cum grande n\u00famero de pa\u00edses acha que o apoiar a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 dar-nos por vencidos\u201d e que devemos continuar a concentrar na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa.<\/p>\n<p>Na COP30, espera-se que finalmente se chegue a um acordo sobre o Objectivo Global de Adapta\u00e7\u00e3o (GGA), que engloba o financiamento necess\u00e1rio para investir na resili\u00eancia dos pa\u00edses e um conjunto de \u201cindicadores globalmente aplic\u00e1veis\u201d que possam ser usados para medir a evolu\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cA grande dificuldade no tema da adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o existe um modelo de neg\u00f3cio como existe para a mitiga\u00e7\u00e3o\u201d, explica <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/11\/mundo\/entrevista\/jorge-moreira-silva-onu-170-mil-toneladas-alimentos-medicamentos-tendas-prontas-entrar-gaza-2150419\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jorge Moreira da Silva<\/a>, subsecret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O portugu\u00eas que dirige a ag\u00eancia da ONU d\u00e1 apoio t\u00e9cnico aos pa\u00edses, por exemplo, na reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s eventos clim\u00e1ticos extremos explica que a \u201cpreven\u00e7\u00e3o de cheias e de fogos florestais, a gest\u00e3o de risco e o refor\u00e7o da resili\u00eancia das comunidades\u201d \u00e9 por norma uma \u201cfun\u00e7\u00e3o soberana\u201d \u2013 \u201cisto \u00e9, normalmente, or\u00e7amento de Estado\u201d \u2013 e o que coloca um fardo insustent\u00e1vel sobre as na\u00e7\u00f5es mais pobres e sobre-endividadas.<\/p>\n<p>\u201cCorrigir a rota\u201d<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das metas actuais dos pa\u00edses \u2013 as Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 mostra que o mundo n\u00e3o est\u00e1 no caminho certo para cumprir o objectivo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global at\u00e9 ao final do s\u00e9culo a 1,5\u00b0C acima do per\u00edodo antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>O mundo \u201cn\u00e3o est\u00e1 na traject\u00f3ria de Paris\u201d, frisa a ministra Maria da Gra\u00e7a Carvalho, mas sim \u201cperto dos 2,5\u00b0C\u201d de aumento de temperatura. \u201cTemos que corrigir a rota.\u201d<\/p>\n<p>O contexto internacional, contudo, tem-se mostrado hostil ao refor\u00e7o da ac\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a come\u00e7ar pela retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e os cortes promovidos por Trump na ajuda ao desenvolvimento, secando uma das principais fontes de ajuda externa.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia tem tido uma resposta periclitante. Foi apenas a 5 de Novembro, na v\u00e9spera da Cimeira de L\u00edderes que precedeu a COP30, que os ministros do Ambiente da UE conseguiram chegar a acordo sobre a NDC que levariam \u00e0 confer\u00eancia do clima: uma redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es entre 66,25% e 72,5%\u201d at\u00e9 2035.<\/p>\n<p>Apesar de esta margem permitir que alguns pa\u00edses n\u00e3o fa\u00e7am o trabalho de casa, a ministra garante que Portugal vai manter os olhos na meta mais alta, afirmando que os \u201c72,5%, sim, s\u00e3o uma meta interessante\u201d.<\/p>\n<p>Negocia\u00e7\u00f5es europeias<\/p>\n<p>O debate sobre a NDC europeia esteve durante v\u00e1rios meses \u201cencravado\u201d na discuss\u00e3o da meta para 2040, que implicar\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o na Lei Europeia do Clima. Na semana passada, os ministros acordaram com a proposta da Comiss\u00e3o Europeia de reduzir as emiss\u00f5es l\u00edquidas de gases com efeito de estufa em 90% at\u00e9 2040, mas a decis\u00e3o s\u00f3 passou depois da garantia de que uma parte dessa redu\u00e7\u00e3o l\u00edquida, 5%, poderia ser feita atrav\u00e9s de cr\u00e9ditos internacionais.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o desta flexibilidade significa que, na pr\u00e1tica, a Uni\u00e3o Europeia tem que reduzir as suas emiss\u00f5es internas em apenas 85%. E h\u00e1 ainda a quest\u00e3o da credibilidade destes cr\u00e9ditos internacionais.<\/p>\n<p>No passado, desde a vig\u00eancia do Protocolo de Quioto, foram identificados v\u00e1rios problemas com o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que permitia aos pa\u00edses desenvolvidos apoiar projectos de mitiga\u00e7\u00e3o em pa\u00edses mais pobres. A ministra reconhece este novo sistema ter\u00e1 que ser \u201cmuito cred\u00edvel, transparente e \u00edntegro do ponto de vista ambiental\u201d para superar a desconfian\u00e7a gerada pelas experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o internacional e o apoio a pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 outro dos grandes temas das confer\u00eancias do clima \u2013 e s\u00e3o o terceiro pilar das prioridades de Portugal.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da transi\u00e7\u00e3o justa e do apoio aos pa\u00edses em desenvolvimento, o financiamento \u00e9 um tema central, especialmente ap\u00f3s a COP29 ter estabelecido um Novo Objectivo Colectivo Quantificado (NCQG, na sigla em ingl\u00eas) de, pelo menos, 300 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano at\u00e9 2035.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia portuguesa nessa mat\u00e9ria tem-se focado no mecanismo de troca de d\u00edvida por ac\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, iniciado ainda com o Governo socialista de Ant\u00f3nio Costa, que com a assinatura de acordos com Cabo Verde e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. \u201cAcho que \u00e9 muito mais interessante haver estes projectos reais, do que um sistema s\u00f3 de mercado&#8221;, sublinhou Maria da Gra\u00e7a Carvalho.<\/p>\n<p>Portugal j\u00e1 oficializou um projecto em Cabo Verde, de aumento da capacidade da central de Palmeiros, e uma central solar na ilha de Santiago. &#8220;. O fundo criado por Cabo Verde para este efeito est\u00e1 aberto a outros pa\u00edses e est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o com o Luxemburgo para um esquema semelhante\u201d, explica.<\/p>\n<p>Que resultados?<\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Carvalho manifesta confian\u00e7a de que a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (COP30) \u201cn\u00e3o vai falhar\u201d.<\/p>\n<p>O optimismo justifica-se com a \u201cqualidade e pragmatismo\u201d da diplomacia brasileira, que preside \u00e0 COP30, que descreve como tendo uma \u201cexperi\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o conhecida\u201d e uma &#8220;grande liga\u00e7\u00e3o entre Norte, Sul, Este e Oeste\u201d, mobilizando \u201cmuitas alian\u00e7as no mundo\u201d.<\/p>\n<p>Este pragmatismo, acredita, permitir\u00e1 \u201carranjar o ponto que \u00e9 comum para ter um acordo\u201d \u2013 mesmo que n\u00e3o se traduza em \u201cgrandes decis\u00f5es\u201d, mas sim em medidas com impacto na vida das pessoas: \u201cque permitam agir j\u00e1, rapidamente, para as pessoas sentirem agora, e n\u00e3o apenas daqui a 20 anos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A \u201cCOP da Amaz\u00f3nia\u201d, \u201cCOP da floresta\u201d, \u201cCOP da implementa\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cCOP da verdade\u201d: a 30.\u00aa Confer\u00eancia da ONU&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146500,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[989,785,726,27,28,2271,6391,15,16,14,908,25,26,21,22,22792,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-146499","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-amazonia","9":"tag-azul","10":"tag-brasil","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-clima","14":"tag-cop30","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-jorge-moreira-da-silva","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-ministerio-do-ambiente","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115525398382652400","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146499\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}