{"id":146601,"date":"2025-11-10T14:03:09","date_gmt":"2025-11-10T14:03:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146601\/"},"modified":"2025-11-10T14:03:09","modified_gmt":"2025-11-10T14:03:09","slug":"investigacao-imagens-de-satelite-mapas-e-registos-revelam-um-enorme-aumento-de-locais-de-producao-de-misseis-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146601\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00e3o: imagens de sat\u00e9lite, mapas e registos revelam um enorme aumento de locais de produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis na China"},"content":{"rendered":"<p>\t                Aumento hist\u00f3rico \u00e9 um forte contraste com as dificuldades dos Estados Unidos. H\u00e1 novas torres, bunkers e at\u00e9 imagens com pe\u00e7as de m\u00edsseis<\/p>\n<p>A China empreendeu uma expans\u00e3o maci\u00e7a de instala\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis desde 2020, refor\u00e7ando a sua capacidade de dissuadir potencialmente as For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos e afirmar o seu dom\u00ednio na regi\u00e3o, revela uma nova an\u00e1lise da CNN de imagens de sat\u00e9lite, mapas e avisos governamentais.<\/p>\n<p>Este aumento hist\u00f3rico contrasta fortemente com as dificuldades de abastecimento dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mais de 60% das 136 instala\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis ou \u00e0 for\u00e7a de rockets do ex\u00e9rcito chin\u00eas, que controla o arsenal nuclear da China, mostraram sinais de expans\u00e3o nas imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Os locais, que incluem f\u00e1bricas, bem como centros de investiga\u00e7\u00e3o e de testes, expandiram-se em mais de dois milh\u00f5es de metros quadrados de \u00e1rea constru\u00edda entre o in\u00edcio de 2020 e o final de 2025. Novas torres, bunkers e bermas consistentes com o desenvolvimento de armas aparecem nas imagens de sat\u00e9lite destes locais em crescimento. Nalguns casos, podem mesmo ser vistas pe\u00e7as de m\u00edsseis nas imagens.<\/p>\n<p>&#8220;Isto \u00e9 a China a posicionar-se como uma superpot\u00eancia global. Estamos nas fases iniciais de uma nova corrida ao armamento&#8221;, diz William Alberque, membro s\u00e9nior adjunto do F\u00f3rum do Pac\u00edfico e antigo diretor de controlo de armamento da NATO. \u201cA China j\u00e1 est\u00e1 a correr e est\u00e1 a preparar-se para uma maratona\u201d.<\/p>\n<p>Novo local de testes da China capaz de desenvolver armas hipers\u00f3nicas <\/p>\n<p>Este local industrial abandonado perto de Xi&#8217;an, no noroeste da China, foi transformado em 2024 num local de testes de motores com 42 mil quil\u00f3metros quadrados para o Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o de Energia Aeroespacial de Shaanxi.<\/p>\n<p>Os dados mostram que h\u00e1 um esfor\u00e7o urgente para desenvolver a capacidade de produzir m\u00edsseis novos e mais sofisticados. V\u00e1rias das instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que a CNN analisou substitu\u00edram rapidamente aldeias e terrenos agr\u00edcolas, aumentando em dezenas de milhares de metros quadrados nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>A CNN identificou os locais &#8211; incluindo mais de uma d\u00fazia de instala\u00e7\u00f5es anteriormente n\u00e3o relatadas &#8211; examinando informa\u00e7\u00f5es publicamente dispon\u00edveis sobre os dois principais contratantes de defesa estatais da China e as suas subsidi\u00e1rias e, em seguida, cruzando as descobertas com a an\u00e1lise geoespacial.<\/p>\n<p>Desde que chegou ao poder em 2012, o l\u00edder chin\u00eas Xi Jinping investiu milhares de milh\u00f5es de euros na compra e moderniza\u00e7\u00e3o de equipamento militar, no \u00e2mbito de uma ambi\u00e7\u00e3o claramente definida de transformar rapidamente as For\u00e7as Armadas do pa\u00eds, conhecidas como Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (ELP), numa for\u00e7a de combate de \u201cclasse mundial\u201d.<\/p>\n<p>Xi tamb\u00e9m criou a For\u00e7a de Rockets do Ex\u00e9rcito Popular da China (PLARF), um ramo de elite que supervisiona o arsenal de m\u00edsseis nucleares e bal\u00edsticos da China, em r\u00e1pida expans\u00e3o. Xi descreveu a for\u00e7a como um \u201cn\u00facleo de dissuas\u00e3o estrat\u00e9gica, um suporte estrat\u00e9gico para a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como uma grande pot\u00eancia e uma pedra angular sobre a qual construir a seguran\u00e7a nacional\u201d.<\/p>\n<p>As instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis da China abastecem quase todos os ramos das suas For\u00e7as Armadas, que s\u00e3o as maiores do mundo, com mais de dois milh\u00f5es de efetivos no ativo.<\/p>\n<p>A CNN solicitou o coment\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Defesa da China sobre as conclus\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>As instala\u00e7\u00f5es de rockets na China cresceram nos \u00faltimos cinco anos<\/strong><br \/>Muitos locais relacionados com a produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis foram constru\u00eddos sobre ou perto das anteriores bases de produ\u00e7\u00e3o de defesa da China, criadas na d\u00e9cada de 1960. Nessa altura, a China transferiu os seus arsenais para prov\u00edncias do interior, como Sichuan e Shaanxi, para preservar as suas capacidades de produ\u00e7\u00e3o de armas em caso de guerra com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ou os Estados Unidos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mapa de m\u00edsseis da China\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1762783389_815_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Nota: Utilizando informa\u00e7\u00f5es publicamente dispon\u00edveis, a CNN identificou cerca de 100 locais na China utilizados para a investiga\u00e7\u00e3o, teste e produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis. Os edif\u00edcios nestes locais foram depois medidos utilizando imagens de sat\u00e9lite para acompanhar a sua expans\u00e3o ao longo do tempo. <\/p>\n<p>Fontes: Vantor, Planet Labs PBC, an\u00e1lise da CNN\n  <\/p>\n<p>Gr\u00e1ficos: Thomas Bordeaux e Lou Robinson, CNN\n <\/p>\n<p>Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, efetuou uma visita rel\u00e2mpago \u00e0 \u00c1sia Oriental, reunindo-se com l\u00edderes como Xi. As discuss\u00f5es comerciais dominaram essas reuni\u00f5es, mas houve sinais de tens\u00f5es crescentes sobre o crescente arsenal convencional e nuclear de Pequim. No per\u00edodo que antecedeu as conversa\u00e7\u00f5es com o presidente chin\u00eas, Trump deu instru\u00e7\u00f5es ao Pent\u00e1gono para retomar os testes nucleares numa \u201cbase de igualdade\u201d com a China e a R\u00fassia, dando in\u00edcio a uma grande mudan\u00e7a na pol\u00edtica americana de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Pequim e Moscovo n\u00e3o realizam testes de explosivos nucleares h\u00e1 mais de 25 anos. Mas Washington, DC tem estado a acompanhar de perto o desenvolvimento e o teste de armas avan\u00e7adas capazes de transportar ogivas nucleares.<\/p>\n<p>A China, entretanto, est\u00e1 a aumentar o seu arsenal de armas nucleares mais rapidamente do que qualquer outra na\u00e7\u00e3o, aumentando o seu arsenal em cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional de Investiga\u00e7\u00e3o para a Paz de Estocolmo (SIPRI) feita em junho, embora o seu n\u00famero total permane\u00e7a muito atr\u00e1s do dos EUA e da R\u00fassia que, em conjunto, representam 90% do arsenal mundial, de acordo com a Uni\u00e3o dos Cientistas Preocupados.<\/p>\n<p>Planos para um potencial conflito com Taiwan <\/p>\n<p>Especialistas em armamento afirmam que os proj\u00e9teis produzidos em instala\u00e7\u00f5es ampliadas, examinadas pela CNN, seriam uma componente fundamental de uma eventual tentativa de tomada militar de Taiwan pela China, a ilha aut\u00f3noma que Pequim reivindica como parte do seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os m\u00edsseis s\u00e3o fundamentais para a sua estrat\u00e9gia de manter a Marinha dos EUA \u00e0 dist\u00e2ncia numa eventualidade desse tipo, com uma zona ao largo da costa da China a que os especialistas chamam \u201cbolha de nega\u00e7\u00e3o de acesso\u201d, com o objetivo de desencorajar Washington, DC de vir em aux\u00edlio de Taiwan.<\/p>\n<p>O ELP quer \u201ccriar as condi\u00e7\u00f5es para a invas\u00e3o de Taiwan\u201d, refere Decker Eveleth, analista de investiga\u00e7\u00e3o associado do grupo de seguran\u00e7a nacional sem fins lucrativos CNA e especialista em for\u00e7as de m\u00edsseis da China. &#8220;Portanto, isso significa disparar contra portos, bases de helic\u00f3pteros, bases de abastecimento&#8230; disparar contra tudo o que, teoricamente, possa permitir o apoio a Taiwan.&#8221;<\/p>\n<p>\u201cEles querem destruir as coisas no teatro de opera\u00e7\u00f5es e manter tudo o resto fora.\u201d<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bricas substitu\u00edram aldeias<\/strong><br \/>Para dar lugar \u00e0 Capital Aerospace Machinery Company na prov\u00edncia de Shanxi, foram demolidos mais de 70 edif\u00edcios.<\/p>\n<p>A CNN identificou 99 locais ligados ao fabrico de m\u00edsseis e descobriu que 65 dessas instala\u00e7\u00f5es se expandiram com a constru\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea \u00fatil que, segundo os especialistas, pode ter um impacto exponencial na escala de produ\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p>A CNN tamb\u00e9m analisou 37 bases pertencentes \u00e0 For\u00e7a de Rockets e descobriu que 22 delas se expandiram nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>China aumenta armas ofensivas enquanto os EUA lutam contra problemas de abastecimento<\/p>\n<p>Em dezembro de 2024, o Pent\u00e1gono estimou que a for\u00e7a de rockets da China tinha aumentado o seu fornecimento de m\u00edsseis em 50% nos quatro anos anteriores. A an\u00e1lise da CNN sobre a infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o dessas armas sugere que os esfor\u00e7os chineses continuaram inabal\u00e1veis e fornece mais informa\u00e7\u00f5es sobre os locais que fabricam esses foguetes.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, a China aprovou um aumento de 7,2% no seu or\u00e7amento de defesa, elevando a despesa global para cerca de 210 mil milh\u00f5es de euros. Este \u00e9 o quarto ano consecutivo de crescimento superior a 7% nas despesas militares, embora muitos especialistas afirmem que as despesas reais da China s\u00e3o provavelmente muito mais elevadas do que o valor oficial.<\/p>\n<p>O aparente aumento da produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis pela China ocorre numa altura em que os Estados Unidos est\u00e3o a utilizar sistemas de defesa sofisticados na Ucr\u00e2nia e em Israel, provocando uma certa escassez de muni\u00e7\u00f5es e suscitando um debate em Washington, DC sobre como e onde utilizar as suas armas de ponta.<\/p>\n<p>Em julho, a CNN revelou que os EUA tinham esgotado cerca de 25% dos seus intercetores de m\u00edsseis Terminal High Altitude Area Defense (THAAD) enquanto defendiam Israel contra os ataques de m\u00edsseis bal\u00edsticos iranianos durante a guerra de 12 dias de junho.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o governo dos EUA alargou um contrato anterior em mais de 1,7 mil milh\u00f5es de euros \u00e0 empresa de defesa Lockheed Martin para refor\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de THAAD. Mas a constru\u00e7\u00e3o destes intercetores &#8211; que custam cerca de 10 milh\u00f5es de euros por unidade, de acordo com o or\u00e7amento da Ag\u00eancia de Defesa Antim\u00edssil para 2025 &#8211; tamb\u00e9m \u00e9 morosa.<\/p>\n<p>O sistema THAAD foi inicialmente implantado dentro dos EUA e na regi\u00e3o da \u00c1sia-Pac\u00edfico e \u00e9 considerado uma parte fundamental da estrat\u00e9gia de dissuas\u00e3o dos EUA contra a China.<\/p>\n<p>Embora continue a ser capaz de abater os m\u00edsseis chineses, os especialistas alertam para o facto de os problemas de abastecimento do Pent\u00e1gono, juntamente com a procura de m\u00edsseis mais avan\u00e7ados por parte de Pequim, representarem uma amea\u00e7a crescente para os interesses dos EUA.<\/p>\n<p>Solicitado a comentar as conclus\u00f5es da CNN, o Pent\u00e1gono diz que n\u00e3o vai \u201cfalar sobre quest\u00f5es de servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As descobertas da CNN tamb\u00e9m sugerem que a produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis da China aumentou em resposta \u00e0 invas\u00e3o em grande escala da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia em 2022, considerada um momento decisivo na seguran\u00e7a global.<\/p>\n<p>Pequim quase dobrou a taxa de expans\u00e3o nos locais de produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis nos dois anos que se seguiram ao in\u00edcio da guerra, de acordo com a an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite da CNN do espa\u00e7o constru\u00eddo.<\/p>\n<p>\u201cEles est\u00e3o a observar a Ucr\u00e2nia com uma aten\u00e7\u00e3o incr\u00edvel\u201d, sublinha Alberque. \u201cEst\u00e3o agora a assistir a uma a\u00e7\u00e3o de combate na vida real entre duas for\u00e7as muito capazes, com as tecnologias mais modernas, e est\u00e3o a tomar notas copiosas.\u201d<\/p>\n<p>O ELP, que n\u00e3o entra em combate desde um breve conflito com o Vietname em 1979, tira li\u00e7\u00f5es dos conflitos em curso. O ataque a\u00e9reo da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia mostrou que a forma mais segura de atingir alvos sens\u00edveis \u00e9 sobrecarregar os sofisticados sistemas de defesa a\u00e9rea ocidentais com muni\u00e7\u00f5es mais baratas, como os drones, para que os m\u00edsseis bal\u00edsticos mais potentes possam atingir os seus alvos, dizem os especialistas.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio aumentar a produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis baratos e caros. A China pensava anteriormente que poderia precisar de cinco mil ou dez mil m\u00edsseis para derrotar Taiwan, de acordo com Alberque. Ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, as estimativas de Pequim aumentaram exponencialmente, acrescenta.<\/p>\n<p>O ELP, no entanto, tem as suas pr\u00f3prias dificuldades. Uma campanha anticorrup\u00e7\u00e3o generalizada e em curso nas altas patentes das For\u00e7as Armadas chinesas tem levado a d\u00favidas sobre a verdadeira prontid\u00e3o de combate do pa\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00f3 nos \u00faltimos dois anos, v\u00e1rios respons\u00e1veis de alta patente com liga\u00e7\u00f5es \u00e0 For\u00e7a de Rockets, incluindo dois antigos ministros da Defesa, foram afastados dos seus cargos, com relat\u00f3rios oficiais a sugerirem corrup\u00e7\u00e3o relacionada com o aumento da aquisi\u00e7\u00e3o de armas pelo ELP.<\/p>\n<p>\u201cPenso que a identificaram [a corrup\u00e7\u00e3o] como algo que realmente colocou grandes riscos \u00e0 fiabilidade pol\u00edtica e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e0 capacidade operacional do ELP\u201d, afirmou em dezembro um alto funcion\u00e1rio da defesa dos EUA.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"O presidente da China, Xi Jinping, fala com oficiais e soldados da for\u00e7a de foguet\u00f5es do ex\u00e9rcito chin\u00eas em outubro de 2024 (Li Gang\/Xinhua\/Getty Images)\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1762783389_289_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   O presidente da China, Xi Jinping, fala com oficiais e soldados da for\u00e7a de foguet\u00f5es do ex\u00e9rcito chin\u00eas em outubro de 2024 (Li Gang\/Xinhua\/Getty Images) <\/p>\n<p>Pe\u00e7as de rockets na pista <\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es provenientes dos dois maiores conglomerados de defesa estatais da China &#8211; a Corpora\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) e a Corpora\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Ind\u00fastria Aeroespacial da China (CASIC) &#8211; constitu\u00edram a base da an\u00e1lise da CNN, que examinou um conjunto de avisos do governo para localizar as instala\u00e7\u00f5es que, de outra forma, estariam ocultas.<\/p>\n<p>Estas empresas e as suas filiais produzem a maioria dos rockets e m\u00edsseis convencionais e nucleares do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A CNN solicitou coment\u00e1rios \u00e0 CASC e \u00e0 CASIC.<\/p>\n<p><strong>As instala\u00e7\u00f5es do Nanjing Chenguang Group cresceram mais de 27%<\/strong><br \/>As instala\u00e7\u00f5es de montagem de m\u00edsseis situadas em Nanjing fazem parte da 4.\u00aa Academia da CASIC (China Aerospace Science and Industry Corporation). As imagens de sat\u00e9lite mostram edif\u00edcios recentemente acrescentados, com m\u00edsseis armazenados no exterior de uma garagem de 20 compartimentos recentemente constru\u00edda.<\/p>\n<p>Embora Pequim utilize nomes de c\u00f3digo para ocultar alguns dos seus projetos militares, a investiga\u00e7\u00e3o da CNN revelou &#8211; e depois identificou &#8211; os locais.<\/p>\n<p>Por exemplo, um aviso do governo no in\u00edcio deste ano referia um projeto de constru\u00e7\u00e3o na prov\u00edncia de Shaanxi pertencente \u00e0 4.\u00aa Academia CASC, que \u00e9 amplamente conhecida como o principal empreiteiro de rockets de combust\u00edvel s\u00f3lido. Outros avisos do governo mencionavam a dimens\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o aproximada da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base nestas informa\u00e7\u00f5es, a CNN conseguiu determinar as coordenadas exatas do local. Embora o projeto ainda esteja numa fase inicial, as imagens de sat\u00e9lite j\u00e1 mostram a constru\u00e7\u00e3o de muros de conten\u00e7\u00e3o, tal como acontece noutras instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis.<\/p>\n<p>Para todos os locais, a CNN mediu a metragem quadrada adicional dos edif\u00edcios por ano desde 2020 e analisou as instala\u00e7\u00f5es espec\u00edficas vistas nas imagens de sat\u00e9lite para determinar a sua finalidade.<\/p>\n<p>Os peritos afirmam que o espa\u00e7o adicional constru\u00eddo poder\u00e1 desencadear um crescimento potencialmente exponencial da capacidade de produ\u00e7\u00e3o de determinados m\u00edsseis. Uma das instala\u00e7\u00f5es de Pequim, que aumentou quase 50% desde 2020, est\u00e1 envolvida na produ\u00e7\u00e3o do famoso m\u00edssil bal\u00edstico de m\u00e9dio alcance DF-26, de acordo com o Instituto de Estudos Aeroespaciais da China. Os especialistas em defesa chamam ao DF-26 o \u201cassassino de Guam\u201d.<\/p>\n<p>Uma variante desta arma, o DF-26D, equipado com um ve\u00edculo planador hipers\u00f3nico, foi apresentada pela primeira vez na importante parada militar da China em setembro.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Ve\u00edculos militares transportam m\u00edsseis bal\u00edsticos DF-26D durante a parada militar do Dia da Vit\u00f3ria em Pequim, na China, a 3 de setembro (VCG\/Getty Images)\" height=\"614\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1762783389_659_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Ve\u00edculos militares transportam m\u00edsseis bal\u00edsticos DF-26D durante a parada militar do Dia da Vit\u00f3ria em Pequim, na China, a 3 de setembro (VCG\/Getty Images) <\/p>\n<p>A imprevis\u00edvel trajet\u00f3ria de voo do DF-26D torna poss\u00edvel, embora n\u00e3o seja certo, que o m\u00edssil consiga manobrar mais do que os intercetores e atingir potencialmente o territ\u00f3rio norte-americano de Guam, onde se situa a Base A\u00e9rea de Andersen, um ponto de lan\u00e7amento dos bombardeiros de longo alcance dos EUA.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o e a disposi\u00e7\u00e3o dos locais relacionados com m\u00edsseis que a CNN analisou variam muito. Algumas f\u00e1bricas est\u00e3o inseridas em cidades, junto a edif\u00edcios residenciais e restaurantes. Outras est\u00e3o situadas em vales remotos, onde serpenteiam por terrenos \u00edngremes. A maioria dessas instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda perto de entidades ligadas \u00e0 ind\u00fastria de defesa aeroespacial.<\/p>\n<p>O objetivo de alguns locais parece \u00f3bvio a partir de imagens de sat\u00e9lite. O que parecem ser pe\u00e7as de m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais podem ser vistas estacionadas no asfalto, enquanto sec\u00e7\u00f5es de velhos rockets se encontram em lotes rodeados de ervas daninhas. Muitos outros mostram sinais claros de precau\u00e7\u00f5es contra o perigo envolvido na produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis &#8211; os edif\u00edcios est\u00e3o rodeados por altas bermas de terra e bet\u00e3o, uma medida de seguran\u00e7a contra o risco de explos\u00f5es.<\/p>\n<p>Alguns dos locais que a CNN examinou t\u00eam ind\u00edcios visuais menos \u00f3bvios que os ligam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis. No entanto, as provas do seu envolvimento com base na sua propriedade, parcerias ou na natureza muitas vezes secreta das suas localiza\u00e7\u00f5es deixaram claro que pelo menos parte do seu objetivo est\u00e1 relacionado com armas.<\/p>\n<p>Por exemplo, um local de testes da Shaanxi Aerospace no condado de Sanyuan, que se situa em montanhas remotas perto de Xi&#8217;an, parece indescrit\u00edvel. Um aviso que a CNN examinou, no entanto, revelou que uma universidade sancionada pelos EUA devido a la\u00e7os com os militares chineses e uma subsidi\u00e1ria chave da CASC, que \u00e9 um dos principais contribuintes para os programas de m\u00edsseis do pa\u00eds, est\u00e3o envolvidos na constru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es. O local pode ser utilizado para simular ambientes de voo que podem ser utilizados para o desenvolvimento de armas hipers\u00f3nicas, de acordo com um aviso da universidade.<\/p>\n<p>Na China, os dom\u00ednios que s\u00e3o importantes para a seguran\u00e7a nacional, como a tecnologia aeroespacial, n\u00e3o existem independentemente do aparelho de seguran\u00e7a do Estado.<\/p>\n<p>O crescimento dos sistemas de m\u00edsseis chineses tem dado que falar aos especialistas em controlo de armamento, que alertam para o facto de a seguran\u00e7a mundial estar a ser reformulada. \u201cPenso que j\u00e1 existe uma guerra fria\u201d, completa David Santoro, presidente e diretor executivo do F\u00f3rum do Pac\u00edfico, um instituto de investiga\u00e7\u00e3o em pol\u00edtica externa que se centra na regi\u00e3o da \u00c1sia-Pac\u00edfico. \u201c\u00c9 transversal a todos os dom\u00ednios e o risco \u00e9 que se transforme numa guerra quente\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Produtor de Investiga\u00e7\u00f5es Visuais: Thomas Bordeaux<\/li>\n<li>Editor s\u00e9nior de Investiga\u00e7\u00f5es Visuais: Gianluca Mezzofiore<\/li>\n<li>Rep\u00f3rter de Investiga\u00e7\u00e3o\u00a0S\u00e9nior\/Escritor: Tamara Qiblawi<\/li>\n<li>Produtor de Investiga\u00e7\u00e3o: Yong Xiong<\/li>\n<li>Produtora de Investiga\u00e7\u00e3o Supervisora: Barbara Arvanitidis<\/li>\n<li>Editor de Investiga\u00e7\u00e3o S\u00e9nior: Ed Upright<\/li>\n<li>Editora de V\u00eddeo: Michele Alessi<\/li>\n<li>Editor de V\u00eddeo S\u00e9nior: Oscar Featherstone<\/li>\n<li>Editor de Dados e Gr\u00e1ficos da CNN: Lou Robinson<\/li>\n<li>Fotojornalista diretor: Alex Platt<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aumento hist\u00f3rico \u00e9 um forte contraste com as dificuldades dos Estados Unidos. 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